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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Tática - dos pontos fracos da nossa imprensa esportiva

Pode até ser uma impressão equivocada. De 2010 para cá, a imprensa do RS especializada em futebol tem batido muito nos treinadores da dupla Grenal. E, não são raras as vezes, se apega à questões de nenhuma importância ou sem nenhum fundamento futebolístico aceitável.
A ferida começou a ser aberta há alguns anos, talvez dois ou três, e alcançou o estágio crítico a partir da Copa do Mundo de 2010. É o "Monstro da Análise Tática". A discussão de ordem tática, que era feita por poucos jornalistas, alguns em veículos de tevê fechada, ganhou espaço na internet e se expandiu através dos blogs. Inevitavelmente a grande mídia teve de absorver essa tendência de jornalismo. O esquema 4-2-3-1 ficou muito em evidência na Copa do Mundo, a imensa maioria das seleções jogaram com essa formatação e ficou impossível de ignorar esse fato e não discuti-lo. Mas discutir sabendo o fazer?
Para os analistas e repórteres do Rio Grande do Sul é inconcebível ganhar um jogo tendo apenas um atacante em campo. Como se só o atacante atacasse. Esse tipo de simplificação é prejudicial à discussão e, por consequência, informa errado o espectador/ouvinte/leitor e cria no clube um clima de muito desconforto, até porque nem todo dirigente sabe tanto assim de bola quanto deveria. Assim, cai Celso Roth, cai Silas, cai Fossati, quase cai Falcão, quase cai Renato.
Não existe só o 4-4-2 e o 3-5-2. Não dá para esquecer que em 2010 o Inter venceu a Libertadores no 4-2-3-1. Assim como a Espanha venceu na Copa do Mundo. O Barça ganha tudo no "faceiro" 4-3-3. Ai de Falcão escalar o Inter num 4-3-3; ou de Renato, de tentar um 4-1-3-2, como já tentou e deu errado esse ano, e como deu muito certo no Estudiantes campeão na Libertadores de 2009. No Olímpico ou no Beira-Rio, quem não montar sua equipe no 4-4-2 abrasileirado, com dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois meias e dois atacantes, das duas uma: ou é retranqueiro ou é ofencivista demais.
Grêmio e Internacional estão longe de ter uma temporada incontestável. Mas que se conteste com maior embasamento e critério. Sábado passado, Portaluppi foi crucificado por escalar um 4-5-1, com apenas Viçosa no ataque e um Gabriel inventado no meio de campo. Perdeu de 3 a 1 para o bom São Paulo, no Morumbi. E perdeu só pelo esquema e pela invenção? Renato tentou um 4-4-1-1 que tivesse rapidez de se fechar e defender pelos lados e a capacidade de sair em bloco, com as chegadas dos wingers Lúcio e Gabriel passando e dando a opção de Douglas lançar. Não deu certo porque lá na frente o Viçosa não soube reter a bola, Douglas não soube jogar de costas para a área, e a linha de quatro no meio muitas vezes não foi uma linha de quatro. O que quero dizer é que também poderia ter dado certo, e o fracasso pelo esquema diferente não pode ser uma obviedade, como parece ser para tantos.
Facão está batendo de frente com as análises equivocadas que recheiam os comentários da imprensa gaúcha. E quem bate de frente com a imprensa apanha, é taxado de chato ou professor pardal quando fala de tática nas entrevistas coletivas.
Os jornalistas estão expostos. Poucos entendem ou conseguem ler esquemas táticos. Aí atacam, falam que é bobagem, que treinador não ganha jogo, só atrapalha, que só o jogador faz a diferença, que esse ou aquele não podem jogarem juntos, ou devem jogarem juntos, que três volantes é absurdo, que três atacantes é absurdo. Quem não entende desprestigia, então simplificam demais o futebol e a discussão acerca do tema, tornando-a muitas vezes supérflua.
E volto a repetir, Renato e Falcão, Grêmio e Inter, ainda estão devendo muita bola. Mas debate tido como especializado também está devendo e precisa subir de nível.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Inter de mudanças

Com Fossati ou com Enderson Moreira, a campanha do Inter na BR-10 não é boa. Muito aquém do que se espera do grupo qualificado do colorado.O Inter vai para a parada da Copa na décima sexta posição, uma antes da zona do rebaixamento. Até agora são quatro derrotas, um empate e apenas duas vitórias.

Podem estar de saída o atacante Taison, o meia D'Alessandro e o lateral Kléber. Segundo Fernando Carvalho, esses jogadores só saem, se saírem, depois da Libertadores. Andrezinho está sendo envolvido em uma troca pelo Sobis, faltam detalhes para esse acerto.

Renan chega na quarta. Tinga já está no Beira-Rio. Réver é especulado. Contudo, o regulamento da Libertadores não permite que esses jogadores sejam inscritos a partir de agora. Para piorar a situação do Inter, Walter e Lauro foram condenados pela confusão na Argentina, contra o Estudiantes, três jogos de suspensão. A diretoria do Inter briga nos bastidores para amenizar a situação do clube.

O Inter ainda busca um treinador. O mais cotado é Adilson Baptista, que tem imensa rejeição da torcida. A verdade é que, até agora, há pouca coisa de concreto no Beira-Rio, só mesmo os maus resultados e uma louvável vaga na semifinal da Libertadores.

domingo, 23 de maio de 2010

Dupla Grenal não decola

Curiosamente o primeiro gol do Fernandão com a camisa do São Paulo foi neste domingo, dentro do Beira-Rio,  contra o Internacional. Fora o segundo gol do time paulista na partida, o gol que decretara mais uma derrota do Colorado na BR-10. Já são duas, em três rodadas. As duas em casa e contra adversários diretos na briga por título: Cruzeiro e São Paulo.

Fossati e a direção do Internacional mais uma vez optaram por escalar uma equipe mista. Nei, D'Alessandro, Andrezinho e Alecssandro foram poupados. Não por completo, pois estiveram no banco e foram usados pelo treinador. Depois de o Inter já estar perdendo por 2 a 0, Fossti queimou suas três substituições justamente com D'Ale, Andrezinho e Alecssandro.

O Grêmio também ainda não decolou no campeonato e vive uma pequena crise técnica. Nas últimos quatro jogos são três derrotas, 12 gols tomados e contra 8 convertidos. No campeonato brasileiro o Grêmio soma apenas um pontos nas primeiras três rodadas e também tem duas derrotas contra concorrentes diretos: Corinthians e Palmeiras.
O jogo no Parque Antártica foi esquisito. O primeiro tempo acabou 2 a 1 para o Verdão, que não jogou bola pra sair ganhando. Foi o Grêmio, apesar do domínio técnico da partida, que errou o bastante para sair perdendo. A arbitragem não foi das melhores, teve lances confusos e mal marcados. Mas a má jornada do juiz não justifica mais uma partida ruim de Leandro, não justifica mais uma atuação discreta de Douglas, não justifica Bruno Collaço tomar tantas bolas nas costas nem Rodrigo e Victor falharem no primeiro gol do Palmeiras.

Em dezembro, os seis pontos que o Inter perdeu para São Paulo e Cruzeiro, e os seis que o Grêmio perdeu para Corinthians e Palmeiras, poderão fazer falta na hora de alcançar os objetivos dentro do campeonato. Apesar do momento não ser do melhores, Fossati e Silas não podem inventar, não devem mudar drasticamente suas equipes. 

O Inter que continue no 4-4-2. com meio em losango, Walter e Alecssandro no ataque, Andrezinho de titular e Giuliano e D'Alessandro disputando posição. Foi assim que o Colorado melhor jogou em 2010. No Grêmio, está na hora de Maylson voltar à equipe titular e Hugo voltar a ser boa opção no banco. A titularidade de Willian Magrão também pode ser contestada, o jogador não vem bem e Rochemback demonstra, pelo menos, vontade de jogar. Talvez um chá de banco faça bem ao futebol de Magrão.

A dupla Grenal não pode mais se dar ao luxo de perder pontos, quanto mais dentro de casa.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

No sufoco também vale

Não tenho dúvida que o 3-6-1 é o pior esquema dentre os muitos que um treinador pode implantar em sua equipe. Nunca dá certo. Não lembro se já deu, e se deu foi excessão. Fossati insiste em escalar o Inter assim, o Inter insiste em jogar mal no 3-6-1 e Walter não desiste (sorte do Fossati) de entrar, formar dupla (DUPLA) de ataque com qualquer um e fazer o time jogar.

Enquanto jogou à gosto do treinador, o Internacional perdeu de 2 a 0 e perdia a classificação à semifinal da Libertadores. O colorado só ganhou força ofensiva depois da entrada de Walter. Não muito, mas melhorou o que estava péssimo.

Depois entrou Giuliano. Junto entrou o desespero do Inter e o relaxamento do Estudiantes. O cronômetro marcava 43mim do segundo tempo quando o Andrezinho achou Giuliano entrando na área, em meio à fumaça da festa dos torcedores argentinos. Um passe primoroso para um gol que pode se tornar histórico.

No fim das contas, e do jogo, o torcedor adora isso: barro no calção, regulamento embaixo do braço, jogo feio e vaga garantida. Ainda mais em Libertadores. Quem não pode adorar é o Fossati.


domingo, 16 de maio de 2010

Inter se recupera

O Internacional conquistou uma vitória sensacional contra o Goiás. O Fossati escalou um time de desanimar o torcedor, teoricamente só com Walter de titular. Mas de desanimar mesmo é o time do Goiás, que abriu 2 a 0 com jogadas de bola parada e depois permitiu a virada no segundo tempo.

Jorge Fossati mais uma vez reclamou muito da arbitragem, foi expulso. O treinado assistiu de longe o partidão que fez o Walter no segundo tempo, que junto a Giuliano comandou a virada colorada. O Inter se recupera da derrota para o Cruzeiro na primeira rodada, continua com o foco na Libertadores, e soma três pontos importantes no BR-10. Diferente do Goiás, por exemplo, que não disputa mais nada além do campeonato brasileiro mas ainda não saiu do zero na tabela.

A escalação de Walter deixa a expectativa de como o Inter vai jogar contra o Estudiantes, quinta-feira, na Argentina. Alecssandro pode ser o único atacante e no lugar de Walter pode entrar um zagueiro ou outro meio-campista.

Já o Grêmio perdeu para o Corithians, dentro do Olímpico. Um derrota que tem o mesmo peso que a derrota do Inter para o Cruzeiro no Beira-Rio. Nunca é bom ser derrotado por um concorrente direto ao título e à vaga na Libertadores. São pontos que fazem falta em dezembro.

O 4-5-1 de Silas não deu certo no primeiro tempo. Douglas não entrou no jogo, Hugo e Leandro ocuparam o mesmo espaço, e Bergson, o único atacante, é fraco. O Corinthians neutralizou facilmente um Grêmio nada empolgado e ainda contou com atuação bisonha do sistema defensivo tricolor no segundo gol.

O domingo também serviu para umas das maiores burradas que a atual comissão técnica do Grêmio já fez: escalar Mário Fernandes. O zagueiro foi para o sacrifício, inexplicavelmente, e acabou se lesionando. Não joga contra o Santos e provavelmente só joga depois da Copa.

O Grêmio que não pode levar gol do Santos, escala na Vila Belmiro uma linha de 4 defensores totalmente descaracterizada. Sem Rodrigo, sem Mário, sem Neuton, ainda não se sabe o que Silas vai fazer - nem ele, acredito.

domingo, 9 de maio de 2010

Péssimo resultado

Dos times envolvidos em jogos decisivos no meio dessa semana que começa, apenas Internacional e Vitória perderam na abertura do BR-10. O Cruzeiro ganhou, do próprio colorado, Grêmio, Atlético-GO, Santos, São Paulo e Flamengo empataram. Todos entraram em campo com times mistos, fazendo uma mescla equilibrada entre titulares e reservas, menos o Inter.

Fossati escalou apenas Guiñazu e Kléber de titulares. O argentino porque este não cansa, corre igual na chuva, no sol, no frio, no calor, na grama ou no barro. O latereal Kléber porque não jogava desde o Grenal de domingo passado, sendo assim completaria 10 dias sem jogar até pegar o Estudiantes. No banco, as opções do  Inter também eram limitadas, nenhum jogador importante com potencial de entrar e ajudar a reverter um resultado indesejado. O Cruzeiro, por exemplo - e a exemplo de outros -, além ter em campo bom número de titulares, deixou o restante deles no banco de reservas.

Independente das questões de arbitragem, muito protestadas no Beira-Rio pós-jogo, a equipe de Adilson Baptista era, no papel, mais time que o Inter escalado no papel. No campo, na bola, o Cruzeiro  foi melhor também. Os três pontos que ficaram com a raposa são importantíssimos no contexto do BR-10, pois são duas equipes candidatas ao título e, no segundo turno, dentro do Mineirão, na condição de favorito o Cruzeiro pode vencer de novo e abrir 6 pontos de vantagem num confronto direto. É uma diferença que o Inter tem de desmanchar no decorrer do campeonato.

Levando em conta que o próximo jogo do Inter, contra o Estudiantes, é em casa, não submeterá os jogodores a nenhum tipo de viajem desgastante, o Colorado poderia ter dado mais atenção ao confronto de ter tentando melhor sorte contra o Cruzeiro.

domingo, 2 de maio de 2010

Grêmio Campeão Gaúcho 2010

Quando o torcedor colorado vê Glaydson vestindo a camisa 10 já sabe que alguma coisa está errada. Também torce o nariz ao ficar sabendo que a zaga que jogará o clássico decisivo começa com Ronaldo, um ilustre desconhecido para o torcedor até o momento. Jorge Fossati, precisando vencer  por pelo menos 2 gols de diferença, levou a campo um mistão num 3-5-2 de se desconfiar, quando na verdade foi de surpreender. O Inter marcou um gol cedo, teve a posse de bola no primeiro tempo e Ronaldo foi um dos melhores em campo. Glaydson, bom, esse foi esforçado mas não foi nada a mais que o Glaydson conhecido por todos.

O Inter ambicionou o título, mas em nenhum momento passou por cima da prioridade que é a Libertadores. Quando pôde, e deveria, ter ousado mais, no segundo tempo, Fossati tirou um dos atacantes e colocou Thiago Humberto - terceira ou quarta opção no time principal. Kléber Pereira até entrou, no fim, e pelo tempo que teve, e mais pelo futebol apresentado, não conta.

Silas escalou para o Grenal um time sem surpresas. Foi um Grêmio que só foi ameaçado no primeiro tempo - o mesmo Grêmio pouco ameaçado no campeonato inteiro, e que desde a vitória de 2 a 0 no Beira-Rio deixou o título estacionado no Olímpico. Pelo lado direito de defesa a equipe de Silas sofreu porque Giuliano e Kléber ocuparam bem o espaço, Taison aparecia como opção e, na saída de bola o volante Sandro marcava muito bem o meia Douglas, que últimamente vem jogando pela direita.

Fossati quis contra-atacar o Grêmio que vinha para atacar. A estratégia colorada até funcionou bem no primeiro tempo, em determinados momentos teve a posse da bola  mas não teve penatração, não conseguiu ser um time agudo. Walter não funcionou como centroavante e Taison só foi participativo, ficou longe de ser efetivo - a única coisa que acertou no jogo foi mesmo o Jonas.

Pato Abbondanzieri, em tarde de Victor, trabalhou mais que o goleiro campeão, e trabalhou bem. O argentino, já contestado dentro do Beira-Rio, foi muito exigido e importantíssimo para a vitória colorada. Ele, Ronaldo, Sandro e Giuliano.

O bom momento do Grêmio reflete o bom momento de Silas. Nas últmas partidas as substituições do treinador gremistas têm surtido efeitos positivos na equipe durante os jogos. Hugo mais uma vez entrou bem, jogou os 45 minutos finais ora como ala, ora como meia. Assim, Silas segurou mais Neuton na esquerda e liberou Edilson lá na direita. Com essa manobra, o lateral gremista combateu Kléber mais longe da área, anulando uma importante alternativa do Internacional.

A vitória do Inter acaba sendo secundária no contexto do Campeonato e no contexto Tricolor, que só tem a comemorar. Mas vencer o Grêmio nesse clássico final, mesmo sem o título, é essencial dentro do contexto colorado, que tem na Quinta um confronto decisivo contra o Banfield, pela Libertadores. Jogo em que o Inter precisa desmanchar um resultado desfavorável de 3 a 1. A vitória no Grenal dá confiança, dá moral - e já é melhor que nada.

O Grêmio encabeçou o Campeonato desde o início, nada mais justo o ceneco ficar no Olímpico. Silas faz até agora um bom trabalho, um trabalho de paciência que só agora a torcida vai engolindo, que só agora a imprensa vai entendendo. Victor mais uma vez foi o baita goleiro que é, Rodrigo também é destaque, Douglas é importante e a dupla de ataque um dos maiores expoentes desse time. Enfim, o Grêmio como um todo recebe os parabéns deste que vos escreve!

Entretanto, e festa é só nesse domingo. A partir de segunda é bola pra frente e pé no chão. O Fluminense vem aí, em desvantagem, mas o jogo é decisivo e vale vaga na semi-final da Copa do Brasil.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Inter em desvantagem

A vantagem de dois gols que o Banfield, depois de vencer o Inter por 3 a 1, está trazendo para Porto Alegre é excelente. Mas é demasiada, não condiz com o futebol jogado pela equipe argentina, que não foi nada além de razoável e racional, mas o suficiente para ganhar do Internacional. O Banfield só foi melhor e construiu o resultado depois da expulsão de Kléber e depois ser beneficiado pela arbitragem, no lance seguinte à expulsão, quando foi validado um gol irregular

E o futebol do Inter de novo deixou a desejar. Começando pela escalação, passando por algumas individualidades e acabando nas substituições - tardias e ineficientes. Ou seja, o problema do Inter no estádio Florencio Sola foi de Fossati a Fossati. Mesmo com um meio-campo povoado por seis jogadores, e mais três zagueiros postados atrás, o Inter permitiu ao Banfield a chance do contra-ataque, que é a principal característica da equipe argentina. Na frente, Alecssandro só foi visto no início da partida, quando saiu da área para dar dois chutes de média distância. O restante da partida o centroavante colorado sucumbiu à marcação dos zagueiros argentinos e, o que é mais grave, não teve ajuda de quem vem de trás, nenhum tipo de infiltração mais objetiva por parte de Anderzinho, D'Alessandro ou Kléber e Nei.

Inter e Banfiled ainda teve um show de lambanças, a começar pelo goleiro Abbondanzieri, que tentou sair driblando e perdeu a bola para o camisa 10 Erviti. O argentino rolou para seu companheiro que, em posição legal, marcou o que seria o primeiro gol do jogo aos 19mim. O bandeirinha entendeu que o jogador estava em posição de impedimento e invalidou a jogada.

Teve também a lambança de Kléber, que depois de fazer um golaço, inventou de ser malandro e deu um pisão no adversário. Foi expulso. Kléber não foi violento, mas foi imprudente, eu expulsaria. Aí, no lance seguinte aconteceu o gol irregular, o segundo gol do Banfield. Para fechar a noite de lambanças, teve as substituições de Fossati que, já perdendo de 3 a 1, botou Everton e Taison faltando pouco mais de cinco minutos para o apito final.

Com a vantagem numérica em campo, o terceiro gol do time da casa aconteceu de forma natural. Os argentinos ainda tiveram um jogador expulso, mas num momento em que a partida não andava e se encaminhava para o final.


No Banfield, gostei do camisa 20, o Quinteros, que jogou na meia-direita. Rodriguez, o jovem meia de 18 anos, goleador da equipe, apesar de ter feito um gol não foi bem no jogo. E tem ainda a figura curiosa do camisa 10, o baixinho e cabeludo Erviti, um tipo presente em quase todas as equipes emergentes do futebol sulamericano: é de baixa estatura, habilidoso, manhoso, corre pra lá e pra cá, sempre dá um chapeuzinho ou mete uma embaixo das canetas de alguém, é o ídolo da torcida e, no fim das contas, suas jogadas nunca dão em nada e ele sempre vai jogar em times pequenos. 

O Inter, na próxima Quinta, dentro do Beira-Rio precisa tirar dois ou mais gols de diferença. Uma missão que não é impossível, mas complicada para uma equipe com dificuldades para marcar gols e uma facilidade constrangedora para tomá-los. E no meio do caminho ainda tem o Grenal decisivo do Gauchão, no Olímpico. Um clássico que já começa 2 a 0para o Grêmio. Fossati mais uma vez  vai para as decisões com a corda no pescoço.

domingo, 25 de abril de 2010

O Grenal de Silas

Pelas circunstâncias que antecederam o clássico deste domingo, o Inter era o favorito. O Colorado jogava em casa, tinha apenas um desfalque - Kléber, poupado -, portanto jogou com o time praticamente titular e vinha de uma consistente vitória sobre o Deportivo Quito pela Libertadores. O Inter vinha confiante, e isso é importante num clássico. É importante, mas não definitivo.

A tarde era de Silas. O treinador bancou o desacreditado Hugo para substituir Douglas. Hugo, inclusive criticado por esse que vos escreve, fez sua melhor partida desde o seu retorno ao Grêmio, surpreendendo até pela sua disposição tática. Outro mérito de Silas foi ter promovido a estreia do jovem Neuton na lateral esquerda, já que não contava com Fábio Santos. O técnico poderia ter utilizado um jogador mais experiente, como Joilson, mas apostou no garoto que acabou sendo um dos destaques do clássico.

Fossati não foi tão feliz quanto o técnico gremista. O meio-campo do Internacional a maior parte do tempo esteve mal posicionado, com Andrezinho e D'Alessandro deslocados e muitas vezes distantes do restante da equipe. A entrada de Giuliano no segundo tempo, quando o Grêmio já estava vencendo, não surtiu efeito e o time continuou torto. Fossati ainda tentou um frustrado 4-3-3, mas os atacantes do Inter não venceram o paredão Victor nem o xerife Rodrigo. Walter foi o melhor colorado em campo, venceu todas de seu marcador, Mário Fernandes, mas seus chutes pararam nas mãos do goleiro tricolor.

O primeiro tempo foi até equilibrado, começou com o Grêmio melhor. Principalmente porque Leandro e Hugo fugiram de Sandro e Guiñazu, abrindo um pela esquerda e outro pela direita. Com infiltrações diagonais, o Grêmio entrou na área colorada e perdeu gols enquanto dominou o jogo. No memento que os marcadores do Intenacional encaixaram seu jogo, o panorama da partida virou. O Grenal foi para o intervalo com o Inter no comando das principais ações do jogo.

No intervalo a estrela de Silas brilhou novamente. Ele sacou Ferdinando do time, seu homem de confiança, e que não fazia má partida, e colocou Adilson. Essa mesma substituição tinha sido feita contra o Avaí, ainda no Olímpico, e na ocasião não deu certo,o Grêmio ficou vulnerável. Mas dessa fez Silas acertou. Adilson marcou muito e jogou muito. Com dois volantes de boa qualidade técnica - Magrão e Adilson - o Grêmio teve uma posse de bola qualificada e dominou completamente o Internacional no segundo tempo.

Embora tenha alcançado a vitória com duas jogadas de bola parada, as situações de gol criadas ao longo da partida pelo Grêmio foram mais perigosas. Rodrigo, o melhor jogador do Grenal, saiu premiado com o bonito gol de cabeça e Borges, que perdeu um gol feito no início do clássico e foi muito bem marcado pelo Bolivar durante o jogo, aproveitou outra bobeira da zaga colorada e fez o segundo do Grêmio. E quem levantou a bola na cabeça de Borges? Rochemback, que entrou no segundo tempo em mais uma substituição acertada de Silas.

Apesar da chuva que caiu em Porto Alegre foi um grande Grenal. Bem jogado, bem disputado, bem apitado, com situações interessantes no decorrer do 90 minutos. Com uma vitória cheia de autoridade do Grêmio, que considero surpreendente. O segundo Grenal, que decidirá o campeão, é outra história, a vantagem Tricolor é inegável, mas ainda tem toda uma semana de jogos decisivos também para ambas as equipes, o que pode interferir no estado anímico das equipes. E lembrando que se o Grêmio administrar a vantagem como fez diante do Avaí, o Inter tem todas as possibilidades de virar.

sábado, 24 de abril de 2010

O favoritismo do Inter

O ditado diz que Grenal não tem favorito. Nem todos tem, é verdade. Mas o primeiro clássico decisivo do Gauchão 2010 tem, e é o Internacional. Isso não quer dizer que o Colorado já ganhou, mas o momento do Inter é sensivelmente melhor e a tendência é que esse momento se reflita em campo.

Ambos vem de uma classificação. O Inter na Copa Libertadores, o Grêmio na Copa do Brasil. A diferença foram os resultados, pois o Tricolor se classificou perdendo de 3 a 2 pro Avaí, em Santa Catarina, num jogo em que foi muito mal. O Colorado passou à segunda fase da Libertadores com uma vitória consistente de 3 a 0 sobre o Deportivo Quito.

O Grêmio já não tem um dos seus principais jogadores, o articulador Douglas. Na sexta, Silas perdeu Fábio Santos para o clássico. De qualquer forma, no domingo o Grêmio entra em campo com seu lado esquerdo descaracterizado e com improvisações, pois Silas não tem outro lateral esquerdo como opção. No 3-5-2, Hugo pode fazer a função, se mantido o esquema com 4 zagueiros provavelmente Joilson seja improvisado por ali. Ou seja, qual for a opção do treinador nenhuma delas atende, teoricamente, às exigências de um jogo tal qual o Grenal.

O Inter também terá um lado esquerdo diferente. D'Alessandro deve ser poupado e Kléber já está confirmado, não joga. Mas jogam Giuliano, no meio, e Juan, na lateral. As opções de Fossati são mais satisfatória. Junta-se aí a boa fase de Andrezinho, empolgado com a titularidade momentânea e ainda fator Beira-Rio. Quem joga em casa tem vantagem, e isso vale para o próximo Grenal, domingo que vem, no Olímpico.

A vantagem do Colorado é fora de campo, antes do jogo. Nada impede que o Grêmio desmanche esse favoritismo ao rolar a bola, mas até pelo retrospecto dos últimos clássicos dá pra chegar a conclusão que isso é difícil. Embora ache que o campeão não seja definido logo nesse primeiro Grenal, só a próximo semana nos dará uma noção de quem pode levantar a taça no Olímpico.