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sábado, 10 de janeiro de 2015

Theatro São Pedro tem bela celebração à obra de Nico

Lindíssimo o espetáculo Nico Tributo, organizado por amigos de Nico Nicolaiewsky, que abriu a temporada 2015 do Theatro São Pedro, na última quinta-feira (8), como tantas outras vezes em quase três décadas o musical Tangos & Tragédia abriu os trabalhos da casa de espetáculo mais nobre de Porto Alegre. (Ainda há ingressos para a quarta e última apresentação, neste domingo)

No show, nada de choro, ou qualquer falatório, ou depoimento sobre a vida de Nico, exaltando como ele foi uma boa pessoa, um bom pai, amigo e marido e extremamente talentoso. O que seria muito justo, até. Contudo, de forma muito acertada, Nico Tributo é uma celebração à obra artística deixada pelo músico.

Antes de tudo, é uma peça musical muito bem montada, com luz, cenário, figurino e textos que remetem diretamente à carreira de Nico Nicolaiewsky e, claro, com um repertório feito apenas com composições do artista. Uma faceta de Nico que, mesmo com três álbuns solo, para o grande público acabava sendo ofuscada pelo personagem Maestro Pletskaya, de Tangos & Tragédias. Nico foi um compositor sofisticado, de letras profundas, mas nunca pesadas.

FOTO: Nilton Santolin / Facebook

Para o show Nico Tributo, uma banda repleta de amigos, todos sempre muito presentes em todas as fases da carreira do artista. A começar pelo parceiro Hique Gomez (violino, bandolim, piano e voz), além de Cláudio Levitan (banjo, bandolim e voz), Arthur de Faria (acordeão, piano e voz), Pezão (piano, bateria e voz), Marco Lopes (tuba), Silvio Marques (voz e violão) a filha de Nico, Nina Nicolaiewsky (voz). Também os convidados Fernanda Takai e John Ulhoa, do Pato Fu.

No final, ao som da polca Só cai quem voa, o público segue os músicos, em coro, até a parte de fora do teatro. O espetáculo encerra em grande estilo, nos deixando uma nítida sensação de bem estar, efeito da música boa e do clima de celebração. Uma belíssima e justa homenagem ao baita artista que foi Nico Nicolaiewsky.  

Fragmentos de Nico




domingo, 2 de novembro de 2014

Vanguart tem noite inspirada em Porto Alegre

Pode ser exagero tentar ser definitivo e afirmar que Vanguart é a grande banda do rock nacional atualmente. Certamente, porém, é uma das melhores. Trazendo esse debate ao subjetivo gosto particular, é a banda brasileira que mais me empolga nos últimos anos, a que mais ouço. Na noite do último sábado, primeiro de novembro, fizeram em Porto Alegre o show apresentando as músicas do álbum Muito mais que o Amor, terceiro trabalho de estúdio do grupo de Cuiabá.

Foto: Jonas Tucci / Divulgação

Com uma relação muito estreita com a capital gaúcha, os guris estavam muito à vontade no palco do Bar Opinião, se divertindo de verdade com o show e convidando os amigos gaúchos Arthur de Faria e banda Dingo Bells para tocar em algumas músicas. Foi uma noite inspirada de Hélio Flanders (voz/violão/trompete/gaita), Reginaldo Lincoln (voz, baixo, bandolim), Fernanda Kostchak (violino), Luiz Lazzarotto (teclado e piano), David Dafré (guitarra) e Douglas Godoy (bateria). Tocaram para um público que ocupou cerca de 80 ou 85% da lotação da casa e que cantou junto a maior parte das letras do início ao fim.

Com um terceiro disco que não abandona a origem do folk rock, mas que aposta muito mais em canções e baladas românticas, o Vanguart flerta com o mainstream, contudo ainda preserva a imensa maioria do fãs conquistados ainda no primeiro trabalho, em 2007. Não há aquele ranço de não poder soar pop em determinados momentos, de só ser legal quando toca em lugares pequenos, para 100 ou 200 pessoas. E também por isso eles estavam visivelmente empolgados com a plateia do Opinião, tanto que Hélio Flanders falou mais de uma vez que ele estava quebrando os protocolos internos da banda, conversando com o público mais que o habitual e que era uma noite inesquecível para eles.

Dois momentos talvez simbolizem o que aconteceu na noite de sábado, no Opinião. Primeiro quando Flanders sentou na beirada do palco e ficou rodeado de smartphones que tiravam fotos e faziam vídeos. Ele cantou Pra Onde Eu Devo Ir, música do terceiro disco que bebe muito da fonte do country e do sertanejo brasileiro. Foi uma interpretação de muita entrega e de troca com o público. E o outro momento, demostrando o carinho mútuo, foi quando a banda já deixava o palco e voltou para seguir, à capela, a clássica do rock gaúcho Amigo Punk, puxada por um grupo de pessoas e logo cantada por todo o bar.

Para ouvir na íntegra o bom disco Muito mais que o Amor, e todos os outros trabalhos da banda, acesse: http://www.vanguart.com.br/discos

Videoclipe de Meu Sol, uma das grandes canções do mais recente álbum:



sábado, 15 de setembro de 2012

Bandinha Di Dá Dó lança primeiro disco

Impressionante como, muitas vezes, a estrada é longa até um artista gravar seu primeiro disco. A performática Bandinha Di Dá Dó começou a aparecer nos palcos de Porto Alegre em meados de 2005. Lá se vão sete anos. É um tempo considerável. Finalmente agora, em 2012, o grupo de músicos em trajes de palhaços lança seu primeiro álbum.

O show de lançamento está marcado para próxima quarta-feira, 19 de setembro, no Salão de Atos da UFRGS, às 20h. A entrada é um 1 kg de um alimento. A Bandinha está preparando um espetáculo inédito, com participação dos convidados do disco e de artistas circenses executando números no palco.

O novo disco foi intitulado It s a Clown Music! Bandinha Di Dá Dó e Muito Mais..., produzido por Arthur de Faria, o trabalho teve as participações especiais de Hique Gomez, Márcio Petracco, Cláudio Levitan, Luciano Leães, Julio Rizzo, Bebeto Mohr e Marcelo Birck.

Bandinha Di Dá Dó é: Mauro Bruzza, Paulo Zé Barcellos e Thiago Ritter. Ou: Cotoco, Teimoso Teimosia e Zé Docinho.

http://www.bandinhadidado.com/


terça-feira, 10 de abril de 2012

Você viu? #19

Todas as terças aqui no PoA Geral é dia de repassar conteúdo, compartilhar, indicar. Nunca se pode ler tudo, sempre escapa alguma coisa que fica pra depois, mas um depois que não chega nunca. Vai que uma dessas está aí embaixo. Aproveite, é uma interessante reunião de links.

Carta Capital, 9 de abril

Jornalismo B, 9 de abril

Jornal Sul21, 9 de abril

Jornal Sul21, 9 de abril

Vi o Mundo, 8 de abril


No próximo dia 11 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará se as mulheres brasileiras poderão realizar o aborto de um feto anencéfalo.


RS URGENTE, 8 de abril

Blog do PVC, 5 de abril

Estratégia e Análise, 4 de abril.


"Desta vez o Lobão Errou", escreveu o músico e jornalista gaúcho Arthur de Faria, em seu Facebook, depois de tocar junto com Wander Wildner no festival Lollapalloza, que aconteceu em São Paulo neste final de semana:

"Gents, só tenho uma coisa pra dizer do Lollapalooza e acho que meus amigos que tavam lá tocando comigo assinam embaixo todos: se o mundo fosse assim tava melhor. Desta vez o Lobão errou. O tratamento era absolutamente im-pe-cá-vel pra TODOS os artistas, sem NENHUMA espécie de privilégio pra nenhuma banda de nenhum tamanho (exceto, obviamente, a ordem dos shows, que ainda cometeu o equívoco de botar todos os brasileiros ANTES dos de fora - mas foi só isso). Do Dave Grohl ao Cascadura, todos comeram nos mesmos lugares, conviveram sem nenhum estrelismo, respeitaram todos os horários (menos os Racionais, que atrasaram), tiveram o MESMO tempo de montagem e passagem de som (inacreditáveis 3 horas), e as mesmas condições técnicas. Quem circula por festivais desse tamanho sabe o quanto isso é raro. Respeitei o tal do Perry Farrel. E, é claro, o sensacional staff brasileiro todo: gentil, prestativo, educado, empenhado, incansável. Uma puta experiência de big-big-big business com clima de casa da gente. Inacreditável. Parabéns a todos os envolvidos. Wander Wildner assina embaixo, não assina?"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O inexplicável muro

O texto que reproduzo a seguir é do músico e jornalista gaúcho Arthur de Faria, originalmente publicado no portal Álbum Itaú Cultural.

Pra mim é quase uma neurose obsessiva a grande pergunta que faço, todos os dias, antes de escovar os dentes. Todas as noites, antes de tentar apagar vendo a vida das marmotas do Báltico no National Geographic. A pergunta que faço pra amigos paulistas, pernambucanos, mineiros… A pergunta que me fazem amigos uruguaios e argentinos. A pergunta que me faço com meus amigos gaúchos: “Cadê o furo?”.
Onde é que tá o buraco que impede que, um dia, se derrube o inexplicável muro de via única erguido entre o Brasil e a América Hispânica?
Via única porque a recíproca não é, nunca foi, e provavelmente jamais será, verdadeira. Argentinos e uruguaios – e provavelmente chilenos e paraguaios, mas não poderia afirmar – têm uma imensa curiosidade pela cultura e um grande carinho por seus irmãos latinos de fala portuguesa. E, baseados em sua própria fé, não cansam de manifestar o pasmo pela falta de reciprocidade. Pela ignorância brasileira com relação ao que, para eles, é até politicamente muito claro: somos uma coisa só. Uma única América. E uma verdade óbvia e ululante. Ao menos para uruguaios e argentinos. Mas – e isso é tristemente real – uma questão ignorada e/ou raramente formulada por quase todos os Brasis.
Quase porque, ainda que de forma distante do que seria o ideal (ou o lógico), o Rio Grande do Sul, tão sectário em algumas questões, já evoluiu um tanto nessa. Somos, inequivocamente, mais platinos, mais sureños que a média dos brasileiros. Afinal, tem até a velha piada – glosada por gaúchos e brasileiros de outros estados, com enfoques diferentes – de que somos argentinos que falam português. Ou quase português.
Última fronteira viva do Brasil, enquanto a corte bailava e os ciclos econômicos se sucediam, os gaúchos atrasam o desenvolvimento de suas cidades porque não paravam de ter castelhanos pra matar. O que, pela lógica, não daria em nenhuma vontade de integração. Pelo contrário. É como diz um amigo uruguaio: peleávamos tanto que nem tempo pra aprender a falar espanhol direito tivemos. Ficou esse gauchês arremedo de portunhol.
Mas o fato é que o Rio Grande sempre bailou tango, sempre fez poesia gauchesca, sempre se sentiu parte desse oceano unificador chamado pampa. E enquanto Francisco Canaro vinha a Porto Alegre gravar na Casa Electrica e usava músicos locais pra tocar seu tango sem sotaque, representantes sulistas das gravadoras nacionais mandavam cartas para o Rio de Janeiro dizendo que nem adiantava enviar discos de samba e maxixe que os gaúchos não compravam mesmo.
Esse foi sempre um sentimento latente. Menos do que uma latinidad, uma consciência de fazer parte de um sul mais espiritual até do que geográfico. E aceitar o fato de que esse era mesmo nosso destino, que o “Brasil” não tinha nada a ver com isso. Como os portugueses que, quando viajam à França, dizem: “Vamos à Europa?”.
Só que, de umas poucas décadas pra cá, a coisa foi ficando mais concreta. Graças (não só, mas bastante) a iniciativas individuais de produtores culturais de lá e de cá, às vezes dentro, às vezes fora dos governos, começamos, os gaúchos, a testar a efetiva realidade de nossa pertença a ser sul.
Um exemplo: durante uma década, Buenos Aires recebia, casa cheia e braços abertos – e também Montevidéu, em várias ocasiões –, o festival Porto Alegre em Buenos Aires (ou Porto Alegre em Montevidéu). E nós nos espantávamos de ver tantos argentinos indo nos ver não porque éramos gaúchos, mas, sim, porque éramos brasileiros. Nunca nos sentimos tão brasileiros (pare e pense na maluquice disso, amigo leitor).
Desde então, muito se construiu. Um muito que é muito pouco, mas mais que o que o resto do Brasil tem de intercâmbio com o Prata. E é isso que, cada vez mais, me pasma: nossas fronteiras culturais são falsas, e isso é óbvio. Gaúchos e argentinos. Mato-grossenses e paraguaios. Nordestinos e nortistas. As fronteiras não são linguísticas. Não são políticas. São demarcadas por proximidade de culturas. E nem assim são concretas.
Gaúchos fazem samba, gaúchos fazem zambas. Nossa pátria é a do choro, mas também é a do chamané, que, por sua vez, também pertence àquele país chamado Pantanal. O roqueiro argentino Fito Paez é um artista tão conhecido do público médio gaúcho quanto, que se yo, o Pato Fu. E, na média, os gaúchos entendem tanto de espanhol quanto de mineirês.
Pode ser o futebol? Pode. Mas convenhamos que reduzir as possibilidades de aproximação entre duas culturas a uma polêmica Pelé-Maradona é menos do que somos capazes de realizar nessa vida… (E, pra piorar, nem uruguaios nem argentinos, que levam o futebol tão a sério quanto nós, misturam essas coisas.)
Então, taí. Taí o Jorge Borges, o maior escritor gaúcho, as milongas frias do Vitor Ramil, as culturas italiana e judaica que também unificam os povos do sul. Taí o fato de que, sem jamais ter feito um show no Rio de Janeiro, a banda a que pertenço, Arthur & Seu Conjunto, toca sistematicamente em Buenos Aires, da mesma forma que Tom Zé ou Elza Soares, e nos mesmos festivais. Afinal, somos artistas brasileiros. Temos os cursos de história da MPB que eu e meu parceiro Luis Augusto Fischer ministramos todo ano por lá, para plateias atentas, sim, repletas,sim, e, mais que tudo, tremendamente informadas sobre a nossa cultura. Pense no inverso: um curso de música argentina em qualquer cidade brasileira.
E aí a gente pega um táxi pra ir pro hotel e o argentino tá ouvindo uma fita do Sivuca.
Cê já pegou um táxi brasileiro e tava tocando Sivuca?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Com quantos paus se faz Rock and Roll

Talvez o youtube seja o melhor site para se fazer nada! Porém, vez ou outra, encontramos verdadeiras preciosidades no portal onde tudo se vê e tudo se chacota. Essa semana me deparei com um audiodocumentário sobre a mais mítica banda do rock gaúcho, Os Cascavelletes. O documentário é recente, foi postado há um mês, e foi produzido por alunos de jornalismo da UFRGS. Como surgiu, como alcançou o sucesso na cena roqueira, inclusive nacional, como terminou e a recente banda Tenente Cascavel, formada por ex-integrantes. A reportagem da gurizada é completo, muito bem produzido e editado.
Entrevistados: Alexandre Barea, Arthur de Faria, Flávio Basso (Júpiter Maçã), Frank Jorge, Luciano Albo, Mauro Borba, Nei Van Soria e Paulo Inchauspe. 
Locução de Gabriel Hoewell e Luiza Müller.
Roteiro, reportagem e edição de Ana Elizabeth Soares, Douglas Freitas, Gabriel Hoewell, Gilberto Sena, Luiza Müller e Wesley Borges.
Orientação de Cida Golin e técnica de Neudimar da Rocha.
Edição de imagens por Wesley Borges (Bart).
 

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Arthur de Faria faz show inédito em Porto Alegre

Arthur de Faria é daqui, da aldeia, nascido e criado em Gravataí, morador de Porto Alegre. Mas o músico Arthur de Faria é muito mais do mundo que daqui. Sábado e domingo (16 e 17), Arthur apresenta pela primeira vez na capital gaúcha o seu show sem nenhuma de suas três bandas, o Enfim, Solo. Espetáculo que, por um bucado de vezes, já lotou casas em São Paulo e Buenos Aires.
O Enfim, Solo é voz, piano, acordeom e - segundo o próprio músico - mais alguns brinquedinhos. No repertório, várias de suas composições, inclusive coisas inéditas, e mais algumas versões bem particulares de Beatles, Roberto Carlos, Odair José etc.
Uma semana depois de lotar o Teatro de Arena com o show de lançamento do 5° álbum de Arthur de Faria e Seu Conjunto, ele volto ao Teatro de Arena em versão mais intimista, diria. Com ingressos no local, a R$ 20. Sábado o show começa às 21h e no domingo é mais cedo, às 20h. O Teatro de Arena fica ali no centro, altos do viaduto da Borges de Medeiros.
E como cerejas do bolo, os convidados especialíssimos: Vitor Ramil, pela primeira vez subindo ao palco com o Arthur; Vagner Cunha; Hélio Flanders, da banda Vanguart.

Versão de Maxwell's Silver Hammer, dos Beatles.

sábado, 9 de julho de 2011

Música para ouvir sentado em Porto Alegre

Mil perdões por não ter tempo de publicar antes e até por não escrever um texto mais elaborado. Coloco a seguir o e-mail na íntegra que recebi de Arthur de Faria, divulgando o show de lançamento do 5º disco do Arthur de Faria & Seu Conjunto.


Amigos, Romanos, Patrícios:
Finalmente vai rolar o lançamento do nosso quinto CD, Música pra Ouvir Sentado, em Porto Alegre.

É uma única oportunidade de ver esse show, que não temos previsão de repetir aqui. E no lugar perfeito: o pequeno, querido, aconchegante e super-acústico Teatro de Arena.

Como luxo absoluto, cereja do bolo, além de nós sete, vai ter a participação especial da nossa gloriosa Cida Moreira, mais uma vez com a gente.
Aos 15 anos de idade, Arthur de Faria & Seu Conjunto é:

Sérgio Karam - Sax Alto

Adolfo Almeida Jr - Fagote

Julio Rizzo - Trombone

Marcão Acosta - Guitarra

Arthur de Faria - Piano e Acordeom

Clóvis Boca Freire - Baixo e Contrabaixo

Diego Silveira - Bateria e Percussão


Beijo nas mina e abrazzo nos mano




Arturix




Ps.

O Quê: Show de lançamento do CD instrumental "Música pra Ouvir Sentado", de Arthur de Faria & Seu Conjunto

Onde: Teatro de Arena de Porto Alegre (Altos do Viaduto da Borges - Borges de Medeiros, 835)

Quando: Sábado, 09, 21h.

Quanto: R$ 20,00, com descontos para a Classe Artística (com carteirinha), estudantes e idosos.

CDs no local a míseros R$ 10,00 - afinal o disco foi bancado pela Natura e, portanto, pode E DEVE ser vendido mais barato (façam isso, amigos artistas que têm projetos bancados com leis de incentivo).


Ps2. Estacionamento bem do lado da escadaria, ali na Duque mesmo, e conveniado com o teatro.

domingo, 3 de julho de 2011

Arthur de Faria sobre os CTGs: "E isso tudo aqui no estado existe em nome de preservar uma coisa, mas acaba engessando."

Arthur de Faria é músico e compositor de carreira invejável, indispensável no atual cenário cultural de Porto Alegre, radialista da Pop Rock FM e jornalista. Arthur é uma cabeça pensante e atuante dentro das principais discussões dentro do mercado cultural, principalmente fonográfico. Faz parte da corrente de músicos que veem o Movimento Tradicionalista Gaúcho com sérias restrições , e explica o por quê. É um dos assuntos abordados na entrevista publicada nesse domingo, 3, no Jornal Sul 21, concedida ao jornalista Felipe Prestes.
Reproduzo a seguir alguns trechos. A entrevista completa, que vale muito a leitura, está no link http://sul21.com.br/jornal/2011/07/arthur-de-faria-careta-e-nao-poder-viver-de-musica/

Sul21 – Tu não achas que nós voltamos as costas para o Brasil? Até por uma presunção de superioridade?
Arthur de Faria - Essa é uma outra questão. Eu me constranjo e tenho vontade às vezes de dizer que não sou gaúcho, sou rio-grandense. Eu acho que na Catalunha tem isso e outros poucos lugares. Tem uma coisa que tu vê no RS que me deixa aterrorizado. Por exemplo, um cara com um automóvel. Daí ele tem a bandeira do RS e a bandeira do país de onde é sua etnia, a bandeira da Itália, da Alemanha, e o cara não tem a bandeira brasileira. O cara se sente em primeiro lugar gaúcho, em segundo lugar italiano, alemão, e nem se sente brasileiro. Isso me dá uma vergonha, cara, porque isso é ignorância, porque quando tu sais do Brasil, te dás conta de quão brasileiro tu és, mesmo aqui nos países vizinhos a gente chega e se sente em casa, é muito parecido com a gente, mas tu sente que és brasileiro. Tu sentes como isso é forte. O Nico Nikolaievsky, por exemplo, quando foi para o Rio de Janeiro começou a tomar chimarrão.
Sul21 – E até a questão musical, a gente tem semelhança inegável com o Uruguai. As milongas, etc, mas também
Arthur de Faria – Tem uma coisa que me preocupa muito. É um raciocínio do Jorge Luis Borges. Ele chama atenção para o fato de que não tem camelo no Alcorão, porque é um negócio tão cotidiano que tu não precisa falar nisso, não precisa ter cor local. Ou a poesia gauchesca, quando ele analisa o Martín Fierro, quando ele dá voz para o pajador e o cara vai falar, ele usa um português normal, não abusa da coisa gauchista. Essa coisa de forçar o gauchismo mais do que ele próprio existe, essa fantasia criada a partir da cidade, a reconstrução de heróis imaginários de um passado que talvez nunca tenha existido da forma como se pensa que existiu. Afinal, ele nem estava na gênese da história, nem era a ideia original do Paixão (Côrtes) e do Barbosa Lessa. O Paixão é muito crítico em relação a isso. Ele diz que era um movimento tradicionalista e hoje é tudo menos um movimento. Quando teve a grande explosão dos CTGs e do movimento tradicionalista, nas décadas de 60 e 70, foi muito em regiões de imigração italiana e alemã, que precisavam se sentir como pertencendo a alguma coisa. Daí tem essa adesão cega a uma fantasia construída que nem é questionada porque não é a tradição da própria pessoa. Isso explica que tenha CTG em tudo que é lugar do mundo, até na Rússia tem um CTG. Tem um livro do Eric Hobsbawn que é A Invenção da Tradição. Ele não fala exatamente do Rio Grande do Sul, fala da Escócia, da Irlanda, mas se tu trocares uma ou duas palavras parece que está falando da gente. Tu podes argumentar que toda a tradição é em alguma medida inventada, mas o que acontece aqui é que fica sendo pensado como se todo o passado fosse melhor. Eu estive várias vezes em noite de Maracatu no interior de Pernambuco, os caras ficam ali improvisando aquele maracatu de baque solto que é uma forma musical que certamente é muito antiga, e eles estão falando do que está acontecendo agora. Hoje eles devem estar falando dos hackers que invadiram os sites do governo. Não é uma coisa engessada, é uma tradição que está viva; não é folclore, não existem temas sobre os quais se pode ou não falar. E daí eu me pergunto como um negócio tão bem organizado como o CTG, como isso poderia ajudar para espalhar a cultura do Rio Grande do Sul como um todo? Eu não estou nem falando no Júpiter Maçã, ainda que eu ache que ele seja 100% gaúcho, porto-alegrense. Mas, imagine, o Vitor Ramil não entra num CTG, o Quartchêto não entra – uma vez até tocou num CTG, mas depois fizeram uma reunião para saber aquele tipo de música poderia ser tocado em CTG e eles foram proibidos de tocar novamente. Eu acabo de lançar um disco que, das 13 faixas, 11 são milongas, ritmos do RS, da pampa, mas não tem essa reverência ao passado. Porque eu não acho que isso seja passado, acho que isso seja presente, isso os argentinos têm muito bem resolvido.
[...]
Sul21 – Há outros nomes, né? Borghetinho, Luiz Carlos Borges…
Arthur de Faria – Que não tocam em CTG. O Borges é um gênio dentro da tradição, é um cara que aponta algumas coisas pra fora, mas é um músico tão extraordinário que abole essa coisa de ser tradicional ou inovador. Tem coisas do Borges que eu gosto muito, tem outras que eu não gosto nada, mas ele é tão grande que isso não importa, ele é transcendente por sua grandeza como músico. Mas os caras que realmente propõem coisas novas, como o Borghetti, o Bebeto Alves, o Vitor Ramil, o Quartchêto ou eu, são exceções. E nada disso é visto como música regional gaúcha e pôxa…. Esses dois discos do Vitor de milonga (Délibab e Ramilonga)… O cara faz um disco inteiro de milonga e não é sequer registrado no movimento tradicionalista. Nem o Bebeto, que é um milongueiro nato. Isso é uma coisa que me deixa assombrado. E a resposta dos caras é a mesma sempre: “ninguém é obrigado a participar”; mas veja o que isso causa no nosso estado comparado com a efervescência musical do Recife, por exemplo, onde também há caras que defendem a tradição como o Suassuna. Só que ele não está lá pra dizer o que pode e o que não pode, ele é um cara respeitado como sábio. É até mais conservador que o Paixão aqui. O Paixão aprova muitas dessas coisas que são desaprovadas por CTGs. E quando tu tentas explicar para alguém de fora, ninguém consegue entender. Aí tem um congresso no MTG pra decidir se um gaúcho pode dançar de brinco ou não. Então ele pode entrar de brinco no local, mas não pode dançar. (risos)
Sul21 – O jovem gaúcho vê a musica gaúcha como um troço caricato. Ele acaba não descobrindo as coisas boas.
Arthur de Faria - Ou tu tens uma adesão cega ao negócio, e aí é religioso, a verdade anterior ao mundo, ou tu tens uma visão crítica, muito diferente de um cara do Recife, que pode estar tocando num maracatu de baque solto lá pelas ruas do Recife, tocando numa banda de rock, em uma rave, e exercer todas essas coisas ao mesmo tempo. E isso tudo aqui no estado existe em nome de preservar uma coisa, mas acaba engessando.

*Foto de Ramiro Furquim/Sul21

sexta-feira, 25 de março de 2011

Festival El Mapa de Todos - Música, Integração & Cultura Digital

Em Abril, Porto Alegre hospedrá um importante evento de integração cultural, o festival El Mapa de Todos que, em três noites no Bar Opinião, apresenta 12 bandas nacionais e 6 iberoamericanas, vindas de Uruguai, Argentina, Chile, Venezuela, México e Espanha. Além da música, o festival também promove um seminário que discute circulação, capacitação e mídia digital na atual cena musical e cultural da América Latina.
El Mapa de Todos, que acontece nos dias 12, 13 e 14 de abril, é iniciativa da parceria entre as produtoras Senhor F, do Brasil, e Scatter Recs, da Argentina, e conta com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet. O preço do ingresso é, digamos, simbólico: R$ 10 ou  R$ 25 o passaporte para as três noites.
Curioso como é mais fácil uma banda brasileira conseguir público nos países vizinhos do que um grupo hispânico se consolidar no mercado brasileiro. Para o jornalista, produtor e pesquisador musical Fernando Rosa, que é estudioso da história do rock da América do Sul e cabeça da Senhor F, "a América do Sul, em especial, vive novos tempos de integração, depois de décadas de divisão e isolamento cultural, do que é exemplo o Mercosul, que favorece novas ações em todos os campos da vida da região".


11/04 - Sergunda-Feira
14h30 - Seminário: Integração Pela Música - Coordenação: Casa de Cultura Mário Quintana

12/04 - Terça-feira
- 14h -Seminário: Espanhol x Português: Uma Falsa Barreira para a Integração - Coordenação: Instituto Cervantes Álvaro Martínez - Cachero Laseca (Diretor)
- 21h - Reino Elétron (Brasil)
- 21h50 - Arthur de Faria e Seu Conjunto (Brasil)
- 22h50 - Gepe (Chile)
- 23h50 - Xoel Lopez (Espanha), Pablo Dacal (Argentina) e Franny Glass (Uruguai)
- 00h50 - Frank Joge & Banda (Brasil)

13/04 - Quarta-feira
- 14h - Seminário: Circulação Independente - Festivais e a Música Pós-Internet - Coordenação: ABRAFIN - Fabrício Nobre (Diretor de Relações Internacionais)
- 21h - Sociedade Bico de Luz (Brasil)
- 21h50 - Do Amor (Brasil)
- 22h50 - Contra Las Cuerdas (Uruguai)
- 23h50 - Los Mentas (Venezuela)
- 00h50 - Wander Wildner (Brasil)

14/04 - Quinta-feira
- 16h - Seminário: Qualificação Profissional - Gestão, Políticas Públicas e Novas Formas de Atuar - Coordenação: Força Sindical – Cláudio Janta (presidente)
- 21h - Watson (Brasil)
- 21h50 - Superguidis (Brasil)
- 22h50 - Los Negretes (México)
- 23h50 - El Mato a Un Policia Motorizado (Argentina)
- 00h50 - Macaco Bong (Brasil)