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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Filme de Segunda 174

Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)


O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu dificilmente erra. A sua filmografia (21 Gramas, Babel, Biutiful) já é de admirável relevância ao cinema comercial produzido a partir dos anos 2000. Indicado a várias categorias do Oscar, inclusive a de melhor filme, Birdman pode até não ser seu melhor trabalho, mas é certamente o mais ousado. O drama é dotado de humor negro, sugere um grande plano-sequência de quase duas horas e é um exercício refinado de metalinguagem.

O filme segue Riggan Thomson (Michael Keaton) no palco e nos bastidores de um teatro da Broadway, em Nova Iorque, dias antes de estrear a peça em que dirige e atua. Ele aposta todas suas fichas nesse trabalho para retomar o prestígio e o sucesso que tinha há 20 anos, quando viveu no cinema o herói Birdman, em uma exitosa adaptação dos quadrinhos para as telonas. Thomson se sente pressionado e, inseguro, quer provar a todo o custo ser um ator capaz de fazer algo além de um blockbuster.


Quase tudo em Birdman é metalinguagem, ilusão ou provocação. A começar pelo protagonista. Michael Keaton foi o Batman nos filmes de Tim Burton, no início da década de 1990. De lá pra cá nunca mais conseguiu fazer papeis de relevância no cinema. O filme de Iñárritu é um retorno e tanto, trazendo uma atuação realmente marcante e o tornando um dos nomes favoritos ao Oscar de melhor ator. Da mesma forma Edward Norton e Emma Stone, que fazem personagens essenciais para a trama, já frequentaram o universo das adaptações. Norton já foi Hulk, enquanto a linda Stone foi Gwen Stacy em dois filmes do Homem-Aranha.

Birdman lembra muito o ótimo Cisne Negro, sobretudo quando o pressionado Riggan Thomson passa a ter alucinações. O perturbado ator não consegue se livrar da sombra sempre presente do herói do passado, que frequentemente conversa e cobra atitudes como se fosse um alter ego de vida própria. De forma sutil, contudo, o diretor consegue sempre deixar uma dúvida quanto ao que é alucinação e o que é real.

O texto, acompanhado de um trabalho primoroso (e ousado) de montagem, de fotografia, trilha sonora e, claro, de atuações, estabelece um tom crítico à industria hollywoodiana com seus filmes (na opinião de Iñárritu) vazios, mas cheios de explosões, efeitos especiais e atores ruins. Ironicamente, e propositalmente, Birdman surge no auge dos filmes de super-heróis.

Sobre o desfecho, sem spoiler, só posso dizer que cabe mais de uma interpretação. Contudo, todas elas são muito interessante e não diminuem o valor da obra deste baita cineasta mexicano que é o Alejandro González Iñárritu.

Gênero: Drama
Duração: 119 min.
Origem: EUA
Direção: Alejandro González Iñárritu
Roteiro: Iñárritu, Alexander Dinelaris, Armando Bo, Nicolás Giacobone
Distribuidora: Fox Film Brasil
Censura: 16 anos
Ano: 2014
Classificação PoA Geral
- Obra (10)
X Baita Filme (9)
- Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Filme de Segunda 157

Magia ao Luar


É louvável que com 78 anos de idade, Woody Allen siga fazendo basicamente um filme por ano. O mais recente da safra, Magia ao Luar, é uma comédia romântica despretensiosa, quase sem ambição, porém com a acidez peculiar do diretor, que desta vez usa Colin Firth como seu porta-voz.

Magia ao Luar volta aos anos 20 para contar a história do consagrado mágico Stanley Crawford (Firth), um ilusionista habilidoso. Cínico e nada carismático, uma de suas especialidades é desmascarar charlatões que se dizem clarividentes. A opção por um filme de época é inteligente, pois se trata de um tempo em que os céticos, como Stanley, eram poucos, e as pessoas eram enganadas com mais facilidade.

A trama se passa no sul da França, quando o ilusionista é chamado para tentar provar que a jovem e linda sensitiva Sophie (Emma Stone) está prestes a dar um golpe milionário na família de Brice, um perfeito pateta que apaixonou-se pela moça e agora vive a fazer-lhe serenatas.

As habilidades de Sophie surpreendem o ardiloso Stanley, que em determinado momento acaba revendo alguns de seus conceitos, e se tornando um ser humano mais humano, digamos assim. Woody Allen, como em tantas outras vezes, aborda de forma deliciosa a imensa influência que uma mulher pode exercer sobre um homem apaixonado. 


O que talvez não funcione muito seja a química dos dois protagonistas, algo que pode ter sido até proposital por parte do diretor, visto a personalidade difícil do personagem de Colin Firth. Em compensação, a Côte d'Azur, parte do litoral sul da França no Mar Mediterrâneo, é fotografada com uma felicidade fora do normal por parte do diretor de fotografia Darius Khondji. Todos os quadros são invariavelmente bonitos, valorizando a paisagem, as cores e a presença constante do sol. É um dos pontos altos de Magia ao Luar.

Evidente que é improvável que Allen produza uma obra-prima a cada ano, até porque na última década filmou alguns de seus melhores trabalhos na carreira. Esse novo longa não se trata de um deles, mas não deixa de ter o seu valor. Woody Allen sempre merece ser assistido.

Gênero: Comédia dramática
Duração: 98 min.
Origem:Estados Unidos
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2014
 
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Filme de Segunda 148

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro


Gosto sempre de deixar claro que não sou consumidor de quadrinhos, nunca fui. Portanto, meus super-heróis favoritos sempre vem da televisão ou do cinema e o Homem-Aranha é, sem dúvida, um dos que mais gosto, desde à infância, graças as diversas versões em desenho animado que inundaram a TV nos anos 90. Esclarecido isso - mais uma vez -, é pertinente completar lembrando que sempre gostei bastante da trilogia de Homem-Aranha para o cinema dirigida pelo Sam Raimi nos anos 2000, com alguma restrição ao terceiro filme, devo confessar.

Para essa geração, que há pouquíssimo tempo se divertiu muito com a versão cinematográfica de Peter Parker, que encaixou tão bem com Tobey Maguari no papel, não foi tão fácil engolir uma outra série, começada do zero. Até porque O Espetacular Homem-Aranha, de 2012, com Marc Webb na direção e Andrew Garfield como protagonista, não foi exatamente um filme empolgante. Trouxe uma história diferente, um pouco confusa, e uma narrativa que valorizava outros aspectos da trajetória do aracnídeo.

Mas para felicidade geral dos fãs do personagem criado por Stan Lee - que de novo faz uma pequena participação especial -, O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro tem uma melhora significativa em relação ao primeiro filme. O Peter de Garfield ganha em personalidade, adquire novos dramas e incorpora de uma vez por todas a ironia característica do Spider, principalmente quando está em combate.

O Espetacular Homem-Aranha 2 tem mais de duas horas de duração, mas passa longe de ser cansativo. Webb e seus roteiristas (os mesmos de Transformers) conseguem distribuir muito bem durante a trama os momentos de ação, de comédia, suspense, de romance. É tudo muito bem separado e, com o tempo disponível, a confusa história sobre os pais de Parker e a Corporação Osborn fica bem mais clara ao público menos atento ao fio condutor da sequência. Esse é um ponto positivo, a luz sobre o passado e o presente do herói.

De maneira geral, os efeitos e as cenas de ação são convincentes e cumprem com suas funções de trazer entretenimento ao público. Da mesma forma, os personagens que rodeiam o circulo de convivência do Aranha também fazem bom trabalho. Destaque para a sempre deslumbrante Emma Stone, que mais uma vez dá corpo à Gwen Stacy, namorada de Peter Parker.

Aos olhares mais críticos, alguns aspetos pesam contra, evidentemente. Um exemplo é que, nas sequências de briga, em plena Nova Iorque, o público não corre do supervilão, se aglomera para torcer em favor do Homem-Aranha. Mas o detalhe é que grades separam os transeuntes da ação principal. Fica pouco crível. Porém são aspectos que passam sem grande restrição se tratando de um blokcbuster que adapta uma história em quadrinho.

Gênero: Ação
Duração: 142 min.
Origem: EUA
Direção: Marc Webb
Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 12 anos
Ano: 2014
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Filme de Segunda 76

O Espetacular Homem-Aranha

Foi por algumas divergências entre a Columbia Pictures e o diretor Sam Raimi que o quarto filme do Homen-Aranha não seguiu a história iniciada em 2002, com o ator Tobey Magauire dando vida ao popular herói da Marvel. Os produtores do filme entraram num consenso e decidiram reiniciar a história do aracnídeo, mas agora com outro protagonista e sob a direção de Marc Webb (de 500 dias com ela).

Comparações são inevitáveis, afinal de contas a franquia iniciou há apenas 10 anos e teve seu terceiro e último filme em 2007. É muito recente para que um remake seja feito. Sem contar que a série dirigida por Sam Raimi foi exitosa, agradou público e crítica, o que deixa a nova série com uma resistência inicial ainda maior. Se foi preciso mudar, era necessário partir do zero e mudar quase tudo? Talvez não.
O Espetacular Homem-Aranha não é espetacular como sugere o título, é diferente do primeiro, de 2002, mas é um filme muito bem executado tecnicamente. Inegavelmente os efeitos especiais são melhores, até porque Webb tem 10 anos de vantagem sobre Raimi, porém, o filme perde em roteiro e, talvez seja menos importante, em carisma do protagonista.

Tobey Magauire convence muito mais que o atual Peter, o Andrew Garfield. Entretanto, a culpa não cai apenas sobre Garfield, que está bem no filme. Mas o Peter Parker do Webb e dos roteiristas Alvin Sargent, James Vanderbilt, Steve Kloves, não é um cara tão tímido, usa lente ao invés de óculos, anda de skate e, mesmo não dando conta, encara os valentões que lhe atormentam na escola.

A história segue uma outra linha. Em O Espetacular Homem-Aranha a Tia May fica em segundo plano, participa pouco, a origem dos pais de Peter Parker ganha uma importância que geralmente não tem nas histórias do herói, o Dr. Connors deixa de ser o coadjuvante que foi nos outros filmes, e a grande paixão de Peter agora é Gwen Stacy, vivida pela encantadora Emma Stone.


O roteiro realmente é o grande furo da nova série. O argumento de O Espetacular Homem-Aranha se baseia em diversas coincidências improváveis como, por exemplo, o cargo de superestagiária de Gwen em uma das maiores corporações científicas do mundo, aspecto que passa a ser fundamental na trama. Ou então a busca pelo assassino do Tio Ben (feito pelo ótimo Martin Sheen), que simplesmente é esquecida a certo ponto da trama.

Fora alguns problemas de roteiro, e o nariz torto de ter que engolir uma nova franquia, O Espetacular Homem-Aranha alcança certo exito. É um filme que opta por uma estética mais sombria e mais séria que o de 2002, uma fotografia menos colorida e também por isso busca sua personalidade. O Homem-Aranha de Mark Webb também diverte, ainda mais quem é fã do aracnídeo. É sempre bom ver o Peter Parker se balançando entre os prédio de Nova Yorque.


Gênero: Ação
Duração: 137 min.
Origem: EUA
Direção: Mark Webb
Roteiro: Alvin Sargent, James Vanderbilt, Steve Kloves
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 10 anos
Ano: 2012



Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo