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segunda-feira, 10 de março de 2014

Filme de Segunda 142

12 Anos de Escravidão


O diretor e roteirista Steve McQueen chega a seu terceiro longa-metragem. Um trabalho absolutamente arrebatador, coroado com três premiações na cerimônia do Oscar 2014: melhor filme, melhor atriz coadjuvante (Lupita Nyong’o) e melhor roteiro adaptado. Tudo incontestavelmente merecido. Com a produção de Brad Pitt (que também faz participação no filme), a história é baseada no livro de mesmo nome, escrito pelo próprio Solomon Northup, homem livre, negro, que em meados de 1840 é sequestrado e vendido como escravo para fazendeiros do sul dos Estados Unidos.

12 Anos de Escravidão persegue a trajetória de Northup, vivido por um corretíssimo Chiwetel Ejiofor, num papel forte, emocional, sem dúvida nenhuma marcante e de uma competência excepcional. McQueen, também negro, pesa na condução do filme, mas não exagera. A trama, de uma forma geral, já causa um desconforto no espectador por se tratar de uma das grandes chagas da humanidade. A forma como o povo negro era tratado há pouco menos de 200 anos ainda traz fortes consequências nos dias atuais. Contar, recontar, espetar essa ferida ainda se faz necessário para embasar e intensificar cada vez mais a luta contra o racismo.

Se há um aspecto que pode-se dizer negativo de 12 Anos de Escravidão, é justamente aquele que diz respeito ao tempo em que o protagonista é escravizado. A narrativa é no mínimo confusa ao tentar passar para o espectador a sensação de ter passado tanto tempo. Nesse sentido, o próprio título auxilia, e talvez por isso este aspecto negativo seja um detalhe descartável. Apesar de não levar nenhum prêmio técnico, só há elogios a ser feito para cenário, figurino e trilha sonora.

O elenco de 12 Anos de Escravidão é um desbunde, ajudando e muito a boa direção de McQueen. Todos papeis muito fortes, desde o alucinado "amo" vivido por Michael Fassbender, até a jovem Lupita Nyong'o, que faz a jovem e forte Patsey. Através de seus personagens, o diretor deixa muito claro quem é opressor e quem é oprimido. Apesar de tudo, o protagonista Solomon Northup não aparece como um herói cheio de virtudes, justo e incorruptível. Pelo contrário, o personagem se adapta ao meio para sobreviver, sem necessariamente perder a esperança de volta a ser livre.

12 Anos de Escravidão é um filme forte, que não permite nenhum alívio cômico. Ele é denso e comovente do início ao fim, capaz de levar grande parte da plateia às lágrimas. É uma obra que merece ser vista e que infelizmente ainda se faz necessária nos dias atuais.

Gênero: Drama
Duração: 134 min.
Origem: EUA
Direção: Steve McQueen
Roteiro: Stive McQueen, John Ridley
Distribuidora: Walt Disney Pictures
Censura: 18 anos
Ano: 2013
Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Filme de Segunda 98

Django Livre


Os filmes de Tarantino não costumam agradar ou chamar atenção do público comum. Geralmente, quem assiste a um filme do cineasta já conhece o trabalho e já sabe mais ou menos o que esperar. Raras as vezes Tarantino decepciona seus público cativo, afinal, poucos diretores são tão caricatos na maneira de dar a um filme a sua cara. Não é difícil reconhecer a mão de Quentin Tarantino na tela.

Django Livre tem um baita elenco, tem um belo roteiro, um argumento excelente, muita violência, bastante sangue, trilha sonora escolhida a dedo. É um Tarantino em grande forma. Sarcástico, conseguindo fazer o público rir e relaxar num filme de quase três horas, num cenário triste, que remonta um dos tantos momentos de absoluta vergonha da raça humana.

Contudo, talvez nada seja tão significativo em Django Livre quanto seu elenco. Vamos de um excêntrico Leonardo Di Caprio, na pele de um grande fazendeiro, cruel no trato de seus escravos, até um Jamie Foxx imponente, seguro, tornando Django uma figura em que se acredita piamente. Tem ainda o belíssimo trabalho de Samuel L. Jackson, dado vida a um velho rabujento e puxa-saco do personagem de Di Caprio. Mas quem rouba a cena é Christoph Waltz, esse ator fabuloso que Tarantino apresentou para o mundo com Bastardos Inglórios, e aqui volta em grande forma, tomando conta do filme na pele de um caçador de recompensas torna-se aliado de Django.
Django Livre conta uma história de vingança. Sangrenta e impiedosa. Para isso, toca fundo numa das grandes feridas da humanidade. Às vezes não nos damos conta como certas coisas ainda são muito recentes. O faroeste de Tarantino se passa em 1858, alguns anos antes da abolição da escravatura nos EUA. No Brasil, não esqueçamos, a abolição só foi decretada em 1889. Tanto é recente que ainda sofremos com algumas sequelas herdadas desse período.

O fato é que Tarantino cria todo um cenário de sofrimento e injustiça para tornar mais fácil digerir um Django justiceiro, com ares de herói de gibi. No final das contas, o diretor é exitoso. Não há quem não torça pelo personagem de Jamie Foxx na busca de sua amada Brunhilda.

É claro. Há de se registrar que o diretor mais uma vez presta homenagem a um gênero que fez parte da sua formação como cinéfilo e cineasta. Sem contar que ele se diverte pra caramba, principalmente quando se permite uma participação especial, tal como nos últimos minutos de Django Livre.

Em 2013, indicado ao Oscar de Melhor Filme e Ator Coadjuvante (Christoph Waltz).Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Roteiro e Ator Coadjuvante (Christoph Waltz). Também foi indicado a Melhor Filme - Drama, Diretor e Ator Coadjuvante (Leonardo DiCaprio). No Bafta Awards, indicado ao prêmio de Melhor Diretor, Roteiro Original, Ator Coadjuvante (Christoph Waltz) e Edição e Som.

Gênero: Drama
Duração: 165 min.
Origem: EUA
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 16 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Você viu? #1

Compilação de links reunidos durante os últimos sete dias. A partir de hoje, todas as terças-feiras aqui no PoA Geral.
O mundinho particular de Veja - Jornalismo B, 21 de Setembro.
Barça de Messi beira a perfeição - Blog do Carlão, 24 de Setembro.
O pensamento escravocrata - Tijolaço - O blog do Brizola Neto, 24 de Setembro.
Não somos racistas? - Cão Uivador, 25 de Setembro.
Ciclistas fazem “farofada” no Mercado Público de Porto Alegre. Veja as fotos - Sul 21, 26 de Setembro.


Em 1987, Jô Soares critica fortemente as atitudes de bastidores da Rede Globo, uma crítica perfeitamente atual, mas que provavelmente não sairia mais da mesma boca.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Lista suja do trabalho escravo

Na atualização semestral da "lista suja" feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MET), divulgada 31 de dezembro do ano que passou, 88 novos empregadores. A lista agora denuncia 220 infratores que mantêm pessoas em situação de escravidão. No Rio Grande do Sul, quatro casos:

- Cleber Vieira da Rosa & Cia.Ltda – RST-101, km 154, n° 5000, Mostardas, corte de pinus, 3 trabalhadores flagrados em situação de trabalho escravo.
- De Bona e Marghetti Ltda – RSC 101, São José do Norte, corte de pinus, 5 trabalhadores flagrados em situação de trabalho escravo.
- Ricardo Peralta Pelegrine – Zona Rural, Cacequi, 4 trabalhadores.
- Valnei José Queiroz – RST-101, zona rural, Capão de Areia, São José do Norte, 6 trabalhadores.

É uma situação quase que inimaginável em pleno século XXI que pessoas ainda pratiquem esse tipo de crime contra a liberdade individual. A lista é reconhecida internacionalmente como importante meio de combate à escravidão. No Brasil, instituições como o Banco Brasil, Caixa, BNDS, suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito aos citados na lista.