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sábado, 29 de novembro de 2014

Já se foi o disco voador

E gora, quem poderá nos defender?



Roberto Bolaños morreu aos 85 anos. Ele foi foi humorista, escritor, ator, produtor de cinema, televisão e teatro. Ele foi o Chaves, o Chapolin, era Chespirito do México, das Américas, do Brasil e do mundo - pois foi traduzido para 50 línguas. Na verdade, ele segue sendo. Hoje mesmo, pela manhã, o vi como "Chavo del Ocho", indo para Acapulco com a vizinhança.

Seus personagens fizeram parte da minha infância, adolescência e, sempre que posso, paro para assistir. O seriado Chaves, em especial, é de uma simplicidade que beira a genialidade. Desde à composição dos personagens, propositalmente caricatos, passando pela vila e toda a direção de arte, até o roteiro, de piadas que conseguem fazer rir público de todas as idades. O sucesso foi adquirido quase que sem querer (querendo).

O que mais chama atenção nas séries de Bolanõs, e mais uma vez destaco Chaves, é a linguagem teatral. De apresentar algo que primeiramente parece absurdo, mas que passamos a acreditar com facilidade. Chaves, Chiquinha, Quico e Nhonho, não passam de adultos vestidos de crianças de oito anos e isso, a quem assiste, passa despercebido.

Minha geração tem motivo (razão ou circunstância) para estar triste neste final de semana. Afinal, já se foi o disco voador. Ainda bem que, antes de ir, deixou tudo o que deixou.

Valeu, Chespirito!


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Porta dos Fundos dá um passo à frente

O coletivo Porta dos Fundos é um dos maiores canais na web de humor do mundo. Acompanho desde o primeiro programa lançado, em agosto de 2012 e gosto muito. É uma reunião de talentos estupenda, tanto para escrever quanto para atuar. Os guris ainda tem a vantagem de não serem empregados de ninguém, portando possuem uma liberdade editorial que nenhuma empresa de comunicação os daria. Portanto, conseguem produzir esquetes realmente muito boas, bem sacadas, incrivelmente bem produzidas, com uma frequência de duas vezes por semana. Quase dois anos depois, seria natural que dessem passos maiores.

Na semana passada o Porta lançou sua primeira série, dividida em quatro capítulos de 10 a 15 minutos. Se chama Viral, e aborda um assunto sério e fundamental: a AIDS. O roteiro é de Fábio Portchat, e a trama é protagonizada pelo excelente Gregório Duvuvier. Na série ele é Beto, um rapaz que descobriu há pouco tempo ser soropositivo e que decide contar isso às últimas mulheres com quem transou, na esperança de encontrar quem transmitiu e também para alertar suas antigas parceiras para que façam o teste de HIV. 

Gustavo Chagas / Divulgação

Porchat também participa. Ele vive o melhor amigo de Beto, um personagem que funciona como uma escada para as melhores piadas da série. Um sujeito gente boa, sem maldade, porém muito mal informado. Suas frases geralmente trazem à tona um preconceito comum no cotidiano, e através dessa ignorância inocente de certa forma, é que o Porta consegue fazer um humor corretíssimo,  bem engraçado, engajado e amparado por consulta a ONGs especializadas e uma médica amiga do Porchat.

Viral já está no segundo episódio e tem realmente muitos méritos. Informa, traz aos olhos do público jovem um assunto importante e faz ri - o que acaba sendo o mais importante se tratado de um trabalho essencialmente cômico. A série tem Gregório Duvivier como sempre atuando muito bem, dando cara a um personagem que inteligentemente foge a esteriótipos, e como uma via mais rápida para o humor o Fábio Porchat no papel, basicamente de Fábio Porchat, com seus trejeitos e gestos característicos - o que já basta para ser engraçado.


sábado, 22 de junho de 2013

O sarcasmo musical de Clarice Falcão em Porto Alegre

O bis foi combinado antes da “última” música ser executada – evidente. Com seu humor sarcástico e incrivelmente sutil e delicado, Clarice explicou à platéia que lotava o Teatro do Bourbon Country na noite de 16 de junho, em Porto Alegre, que ela e a banda desceriam ao camarim e, ao ouvirem as palmas e os gritos do fãs, voltariam para o palco. “Então, de ‘improviso’, tocamos mais duas ou três. Pensei nisso agora, vamos ver se funciona”, brincou.

Com a fala mansa de uma pernambucana de 23 anos e sotaque carioca, Clarice Falcão começou o show com irrisórios 10 minutos de atraso. A cantora, compositora, atriz, roteirista e humorista mal se movimentou no palco. Não deu mais de um passo para qualquer lado. Pouco para quem carrega tantas funções no currículo. Contudo, isso não significa que o show seja uma experiência monótona. O texto é tudo. Afinal, o seu indie folk, com um pé na MPB dos anos 60/70 e outro na música popular mais recente (Arnaldo Antunes, Marcelo Geneci, Tulipa Ruiz), embala letras de amor com tempero sarcástico. Um agridoce difícil de não gostar.
Clarice esteve em Porto Alegre na turnê de lançamento do seu primeiro disco, Monomania. No trabalho, gravado de forma independente, a cantora transfere para o mundo real todo o sucesso conquistado nos últimos dois anos na internet. Filha dos roteiristas João e Adriana Falcão, ela começou a lançar vídeos no youtube apresentando suas composições em voz e violão. Atualmente soma mais de 15 milhões de acesso. Para potencializar ainda mais seu sucesso virtual, Clarice faz parte do canal de humor Porta dos Fundos, que grava esquetes cômicas de forma independente e lança na internet. O canal é um os maiores fenômenos de acesso no youtube.

O show é uma experiência agradável. O público, adolescentes em sua maioria, cantou todas as canções do início ao fim – o que tem se repetido nas apresentações pelo Brasil. Desde a mais consagrada e mórbida 8º Andar (“Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8º andar”) até a mais romântica De todos os loucos do mundo (“De todos os loucos do mundo eu quis você/ Porque eu tava cansada de ser louca assim sozinha/ De todos os loucos do mundo eu quis você/ Porque a sua loucura parece um pouco com a minha”).

Pouca luz, banda acústica e requintada, movimentos calculados e tímidos. A construção impecável, como uma peça ensaiada exaustivamente, com início, meio e fim. Por ora, Clarice Falcão é a grande boa nova da música brasileira. Um talento a ser observado e consumido em qualquer campo em que esta menina se meta a atuar. O público de Porto Alegre, e seu público de forma geral, merecem mais (até porque ela pode mais) que apenas uma hora de show.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Nem tudo é piada

Notícia publicada ontem, no site do PSTU.

Danilo Gentilli manda tirar vídeo do PSTU do Youtube


Um vídeo que denunciava as piadas racistas do “comediante” Danilo Gentilli, postado no Youtube pelo Portal do PSTU, foi retirado do ar nesta quinta-feira.

Segundo a notificação do Youtube, o vídeo foi retirado devido a reivindicações de direitos autorais de Gentilli. “Recebemos reivindicações de direitos autorais sobre o material que você enviou, como segue: o de Danilo Gentili sobre o vídeo "Quantas bananas vc quer pra deixar essa história pra lá?", afirma o comunicado do Youtube.

Quantas bananas você quer?

O vídeo publicado pelo Portal do PSTU trazia uma entrevista com Thiago Ribeiro, jovem negro de 29 anos que, recentemente, denunciou Gentilli por suas piadas de explícito conteúdo racista. Cansado das piadas sem graça do “comediante”, Thiago Ribeiro postou no Youtube um vídeo com uma coletânea de piadas racistas de Gentili. O vídeo obteve 800 visualizações, inclusive uma visualização do próprio Gentili, que conseguiu tirar o vídeo do Youtube por meio da cláusula de uso de imagem.

Através do seu perfil no Twitter, Thiago interpelou Gentili sobre a proibição do vídeo. A resposta de Gentilli foi pra lá de desprezível: “vamos esquecer isso... Quantas bananas você quer pra deixar essa história pra lá?", escreveu o comediante em seu Twitter. Na sequência, muitos seguidores de Gentilli desataram ataques racistas contra Thiago. Todos eles, inclusive Gentilli, foram denunciados por crime de racismo ao Ministério Público de São Paulo e à Polícia Federal sobre o ocorrido. Também foi realizado um Boletim de Ocorrência na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

Gentilli se utilizou do mesmo expediente para retirar, do youtube, a entrevista de Thiago ao Portal do PSTU. Em três dias de exibição, a entrevista já tinha sido visualizada por mais 4.100 usuários.

Como se não bastasse, para defender suas piadas racistas, Gentilli se apóia no direito à “liberdade de expressão”. O que só pode ser uma piada de mau gosto do “comediante” que não tem o menor escrúpulo em censurar qualquer crítica a algo que mais do que uma simples piada: é crime, tipificado em lei. 

Se você ainda não viu o vídeo, assista aqui sua nova versão. Agora, com a censura imposta por Gentilli.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Pasquim - A subversão do humor

O Pasquim circulou semanalmente de 1969 ao ano de 1991. Um marco no jornalismo nacional, vertendo criatividade, humor, ousadia e subversão ao regime militar. Grandes nomes do intelecto brasileiro passaram e escreveram para O Pasquim.
O documentário que posto a seguir tem alguns bons anos já. Me parece ser de 2004, feito pela TV Câmara, entrevistando alguns dos principais nome do primeiro escalão do jornal, como Jaguar, Ziraldo e Sérgio Cabral (que, obviamente, não é o governador do Rio de Janeiro).
Para registro, a sugestão é do blog Jornalismo B, que também publicou o documentário há poucos dias. Vale a pena assistir, tem boas histórias, um clima leve e muita informação de bastidor. Fundamental para quem se interessa pelas questões de comunicação.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Qual é a piada mesmo?














Devido a fanfarronice do comentarista da RBS Luiz Carlos Prates, o seu comentário se confunde com a esquete do programa Comédia MTV, interpretada pelo humorista Marcelo Adnet. Por ironia, o quadro humorístico foi ao ar bem antes do comentário de Prates.
Não quer dizer muito, pois os brados de Luiz Carlos Prates chegam ao público todos os dias pela televisão, blog, jornal impresso e rádio, e os comentários seguem a mesma linha editorial a maioria das vezes. O cara ataca - no sentido mais literal - por todos os meios. Ele é só mais um, e dos mais agressivos, que fala todos os dias, a bel-prazer, nos grandes conglomerados midiáticos.
Uns diriam que ele só deu a sua opinião, e que vivemos numa democracia e temos que respeitar. Ok. Apesar de, na grande mídia, a ideia de democracia tenha de ser discutida. Mas isso é outro assunto. Quero me ater a crítica do Prates, pois temos que utilizar essa mesma democracia para fazer uma crítica da crítica.
Ora, então é o pobre que nunca leu um livro, mas tem o seu carrinho, o responsável pelos acidentes nas rodovias brasileiras? Segundo Prates, apenas uma classe financeiramente mais privilegiada pode se dar ao luxo de ter um automóvel. A culpa é do governo, afirma o comentarista.
E então, é isso mesmo, simples assim? "Só" a opinião dele? Pra mim, opinião que fere os princípios democráticos acima de tudo e um deserviço à sociedade, trazendo uma análise totalmente distorcida e falaciosa dos fatos.
O personagem de Adnet não é um jornalista, mas se encaixa perfeitamente no perfil das famílias (são 11) que estão por trás dos grandes veículos de comunicação no Brasil. E isso já explica muita coisa. 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

#humorsemcensura

STF libera humor com candidatos em emissoras de rádio e televisão

Decisão liminar suspende norma que proibia brincadeiras em ano eleitoral
26/08/2010 23:25
O ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou nessa quinta-feira as emissoras de rádio e televisão para fazer humor com os candidatos, partidos e coligações envolvidos nas eleições. A decisão suspendeu os efeitos de norma que diz que a partir do dia 1º de julho de ano eleitoral as emissoras ficam proibidas de “usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação”.
A decisão, em caráter liminar, também deu uma nova interpretação a outro dispositivo questionado na ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) no começo da semana. Segundo a Lei das Eleições, de 1997, questionada pela entidade, as emissoras também ficavam proibidas, pelo mesmo período, de “difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes”.




terça-feira, 6 de julho de 2010

Para rir, arrepiar e saudar!

Not The Messiah!!

Not The Messiah é o mais novo DVD do Monty Python. Novo! Novo mesmo, gravado em 2009. Trata do registro de um espetáculo musical, teatral, humorístico etc., baseado no clássico A vida de Brian, filme de 1979, escrito, dirigido e estrelado pelos pythons. Diga-se de passagem, o filme está entre as cinco grandes comédias da história do cinema.

O novo DVD faz parte de uma série de lançamentos em comemoração aos 40 anos do maior grupo de humor de todos os tempos. Ainda não comprei Not The Messiah, nem assisti, mas já gostei.

Na verdade, o que assisti foi esse trecho de arrepiar, no qual o Royal Albert Hall, em Londres, entra em transe e acompanha Eric Idle na sensacional Always Look on the Bright Side of Life. Olha que maravilha: