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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Porta dos Fundos dá um passo à frente

O coletivo Porta dos Fundos é um dos maiores canais na web de humor do mundo. Acompanho desde o primeiro programa lançado, em agosto de 2012 e gosto muito. É uma reunião de talentos estupenda, tanto para escrever quanto para atuar. Os guris ainda tem a vantagem de não serem empregados de ninguém, portando possuem uma liberdade editorial que nenhuma empresa de comunicação os daria. Portanto, conseguem produzir esquetes realmente muito boas, bem sacadas, incrivelmente bem produzidas, com uma frequência de duas vezes por semana. Quase dois anos depois, seria natural que dessem passos maiores.

Na semana passada o Porta lançou sua primeira série, dividida em quatro capítulos de 10 a 15 minutos. Se chama Viral, e aborda um assunto sério e fundamental: a AIDS. O roteiro é de Fábio Portchat, e a trama é protagonizada pelo excelente Gregório Duvuvier. Na série ele é Beto, um rapaz que descobriu há pouco tempo ser soropositivo e que decide contar isso às últimas mulheres com quem transou, na esperança de encontrar quem transmitiu e também para alertar suas antigas parceiras para que façam o teste de HIV. 

Gustavo Chagas / Divulgação

Porchat também participa. Ele vive o melhor amigo de Beto, um personagem que funciona como uma escada para as melhores piadas da série. Um sujeito gente boa, sem maldade, porém muito mal informado. Suas frases geralmente trazem à tona um preconceito comum no cotidiano, e através dessa ignorância inocente de certa forma, é que o Porta consegue fazer um humor corretíssimo,  bem engraçado, engajado e amparado por consulta a ONGs especializadas e uma médica amiga do Porchat.

Viral já está no segundo episódio e tem realmente muitos méritos. Informa, traz aos olhos do público jovem um assunto importante e faz ri - o que acaba sendo o mais importante se tratado de um trabalho essencialmente cômico. A série tem Gregório Duvivier como sempre atuando muito bem, dando cara a um personagem que inteligentemente foge a esteriótipos, e como uma via mais rápida para o humor o Fábio Porchat no papel, basicamente de Fábio Porchat, com seus trejeitos e gestos característicos - o que já basta para ser engraçado.


segunda-feira, 25 de março de 2013

Filme de Segunda 105

Vai que dá Certo


Vai que seja engraçado. Essa é a esperança. Pode ser até a expectativa, afinal de contas o elenco é bom, e quem está dirigindo tem uma longa história na televisão brasileira e no cinema. Mesmo assim, o diretor Maurício Freitas faz de seu quarto filme uma comédia pastelão e irregular.

As boas comédias no cinema nacional ainda são coisa rara. Vai que dá Certo, contudo, não é das piores experiências. O filme roteirizado pelo próprio Maurício Freitas em parceria com Fábio Porchat apresenta um problema recorrente no humor cinematográfico brasileiro: ele não é cinematográfico. Muitos dos trabalhos são feitos como se fossem para televisão, com piadas ou esquetes que serviriam ao Zorra Total, mas que no cinema empobrecem. 

O argumento de Vai que dá Certo mescla uma dezena de situações. Personagens caricatos do subúrbio paulistano (fator televisivo), todos beirando os 30 anos, todos em situação financeira ruim ou indefinida, todos com comportamento de adolescência prolongada, com relacionamento de amigos/quase irmãos. Depois de um golpe mal sucedido, acabam devendo dinheiro para traficantes e policiais corruptos. Este é o contexto da comédia.


O elenco principal conta com Fábio Porchat, Danton Mello, Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, Gregório Duvivier, Felipe Abib e Natáliga Lage. Por algum motivo, Danton é o único que não faz um tipo caricato, de sotaque carregado. Essa jeito paulistano forçado acaba sendo um dos pontos negativos do filme. Contudo, mesmo caricato, Gregório Duvivier é o destaque. O ator é responsável pelas melhores tiradas de Vai que dá Certo.

O certo é que fiquemos sabendo que se trata de um pastelão irregular. Dessa forma fica mais fácil, sem grandes expectativas. Mais relaxado e sabendo o que vem pela frente, algumas risadas acabam acontecendo natural e descompromissadamente.

Gênero: Comédia
Duração: 87 min.
Origem: Brasil
Direção: Maurício Farias 
Roteiro: Maurício Farias, Fábio Porchat
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2013


Classificação PoA Geral 
- Obra
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