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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Você viu? #10

O ano está acabando mas esta é recém a décima edição do Você viu?, que nada mais é que uma reunião de links interessantes dos últimos sete dias.
Mais sobre o papel de (e da) imprensa argentina - Blog do Brizola Neto, 26 de Dezembro.
A CPI do Banestado revisitada - Estratégia e Análise, 23 de Dezembro.
País tem 11 milhões de pessoas em favelas - Instituto Humanitas Unisinos, 22 de Dezembro.

E Luiz Carlos Prates ataca novamente. Agora sob a asa do SBT de Santa Catarina, o comentarista dispara todo seu veneno reacionário contra o Santos que perdeu para o Barcelona.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Qual é a piada mesmo?














Devido a fanfarronice do comentarista da RBS Luiz Carlos Prates, o seu comentário se confunde com a esquete do programa Comédia MTV, interpretada pelo humorista Marcelo Adnet. Por ironia, o quadro humorístico foi ao ar bem antes do comentário de Prates.
Não quer dizer muito, pois os brados de Luiz Carlos Prates chegam ao público todos os dias pela televisão, blog, jornal impresso e rádio, e os comentários seguem a mesma linha editorial a maioria das vezes. O cara ataca - no sentido mais literal - por todos os meios. Ele é só mais um, e dos mais agressivos, que fala todos os dias, a bel-prazer, nos grandes conglomerados midiáticos.
Uns diriam que ele só deu a sua opinião, e que vivemos numa democracia e temos que respeitar. Ok. Apesar de, na grande mídia, a ideia de democracia tenha de ser discutida. Mas isso é outro assunto. Quero me ater a crítica do Prates, pois temos que utilizar essa mesma democracia para fazer uma crítica da crítica.
Ora, então é o pobre que nunca leu um livro, mas tem o seu carrinho, o responsável pelos acidentes nas rodovias brasileiras? Segundo Prates, apenas uma classe financeiramente mais privilegiada pode se dar ao luxo de ter um automóvel. A culpa é do governo, afirma o comentarista.
E então, é isso mesmo, simples assim? "Só" a opinião dele? Pra mim, opinião que fere os princípios democráticos acima de tudo e um deserviço à sociedade, trazendo uma análise totalmente distorcida e falaciosa dos fatos.
O personagem de Adnet não é um jornalista, mas se encaixa perfeitamente no perfil das famílias (são 11) que estão por trás dos grandes veículos de comunicação no Brasil. E isso já explica muita coisa. 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O "problema" juventude

Tenho a nítida impressão que as pessoas com mais de 40 anos acham os jovens o principal problema do mundo. Talvez todos nós achemos o mais jovem sempre um problema. Achamos aquela nova banda sempre pior que aquela velha banda, achamos aquela nova tribo sempre mais idiota que a outra tribo, que faziamos parte quando tinhamos 15 anos. Pois não se faz mais filmes como antigamente, não se é mais romântico como antigamente, não faz mais políticos, política ou se discute política como antigamente.

Existe uma glamurização cega do "antigamente". Há coisas boas ontem e hoje, assim como coisas ruins, também ontem e também hoje.

Ouvi numa mesa-redonda da rádio Guaíba comentarem sobre a transmissão que alguns jogadores do Santos fizeram na twittcam no Domingo, após vitória sobre o Grêmio Prudente. Os jovens jogadores entraram em conflito com alguns torcedores, numa dessas o goleiro Felipe se dirigiu de forma infeliz a internauta que o chamou de mão-de-alface: "Aí fera, o que eu gasto com o meu cachorro de ração é o teu salário por mês."

O jogadores ainda falaram alguns palavrões e também trocaram pequenas rusgas com o Robinho. No programa da Guaíba, hoje ao meio-dia, um dos debatedores, o reporter Hernani Campelo afirmou serem "esses garotos irresponsáveis o retrato da juventude atual".

Aliado a isso, vejo notícias que dão conta que em algumas cidades do interior de São Paulo, como Fernandópolis, há toque de recolher para menores de idade. Dependo da cidade, a norma vaia um pouco, mas em suma, depois das 23h menores de 18 anos não podem andar desacompanhados. As prefeituras alegam tentativa de diminuir a violência.

Parece que a culpa da violência urbana é do adolescente. E me parece óbvio um aspecto: qual infrator, seja menor de idade ou não, vai respeitar toque de recolher e ficar em casa vendo novela? O fora-da-lei sai de casa de qualquer jeito.

Experimentem ler, especialmente ler, o jornalista reacionário (e humorista por tabela) Luiz Carlos Prates. Seguidamente condena os "bermudões cheios de bolsos". É uma implicância impressionante. Olha esse post, publicado hoje no blog de Prates, com o título de Safados

"Agora é assim, ninguém pode reagir diante dos blefes de “crianças” e adolescentes. Vale tudo, podem fazer tudo, têm todas as proteções. Negativo, safados são safados, tenham a idade que tiverem, têm que ser “corrigidos”, à moda antiga, sem dó nem pedagogias do amor. E estamos conversados, safados!"

Tem ainda os que defendem baixar a maioridade penal. Que é um tema polêmico e complexo, e não vou entrar no mérito da questão agora. O fato é que me incomoda muito a maneira como se condena o jovem apenas por ele ser jovem e agir como tal. Esquecem que uma geração é filha da outra e que aprendemos tudo através de exemplos vindos dos nossos pais. Esquecem, e isso é o pior, que também já foram jovens e que em qualquer tempo, o jovem tem, teve e terá o mesmo tipo de comportamento.



[Conhece a Turma jovem do Estado de Alagoas? Reativaram essa semana o movimento "Fora Collor". Leia a matéria do Sul 21 aqui.]