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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Filme de Segunda 160

Mesmo se nada der certo


É bom sair do cinema se sentindo bem. Este é, sem dúvida, um mérito de Mesmo se nada der certo. O filme estabelece uma crítica sensível à industria musical, mas sem deixar de apresentar uma visão otimista, sem muita pretensão de propor qualquer coisa nova ou revolucionária, seja no cinema ou na música. É quase um estado de bem estar.

Diretor e roteirista, John Carney - que também é músico - usa mais uma vez a música como temática base de seu trabalho. Em Apenas uma vez, de 2006, um filme mais cru que este hollywoodiano Mesmo se nada der certo, faturou o Oscar de melhor canção.  Aqui o cineasta, com Keira Knightley, Mark Ruffalo, Adam Levine e See Lo Green, mais a parceria de Gregg Alexander nas composições, apresenta novamente uma compilação de boas músicas.

Gretta (Knightley) é namorada e parceira musical de um astro pop em ascensão. Os dois vão para Nova York e a carreira do rapaz deslancha enquanto o relacionamento deles termina. Decepcionada e prestes à deixar a cidade, vai tocar em um barzinho a convite de um amigo e acaba sendo descoberta por Dan (Ruffalo), um produtor em total crise emocional e financeira, que acabara de ser demitido da gravadora que ajudou a fundar.


Mesmo se nada der certo é quase uma comédia romântica, apenas não é porque não existe um casal protagonista. A trama é sobre uma jornada: Dan tem uma ideia genial para gravar um álbum de Gretta de forma independente. Tudo transcorre como uma espécie de recomeço, em todos os níveis de relação entre os personagens.

Nos 104 minutos de filme, entretanto, o roteiro é preguiçoso. Traz muitas coisas interessantes, como os vários pontos de vista da primeira cena, que se repete umas três vezes, e os flashbacks, sempre iniciados após Gretta dar play em algum vídeo gravado no celular ou em seu notebook. Contudo, alguns aspectos se desenvolvem sem maior explicação, como a busca pelos músicos para gravar o álbum e a própria protagonista se convencendo a ingressar no projeto, sendo que ela sempre passa uma impressão que não pretende ser uma artista profissional. E mais, em nenhum momento mostra Gretta contando sua história com o personagem de Adam Levine.

São aspectos que limitam um pouco Mesmo se nada der certo, mas não diminui sua boa música e seu estado de bem estar, tal como a notável capacidade de estabelecer uma grande empatia com o púbico.

Gênero: Drama
Duração: 104 min.
Origem: EUA
Direção: John Carney
Roteiro:  John Carney
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2014


Classificação PoA Geral 
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Filme de Segunda 95

Procura-se Um Amigo para o Fim do Mundo


Nos últimos anos tornaram-se comuns os filmes-catástrofe. Um gênero que aborda geralmente o fim do mundo ou a extinção da raça humana, sempre em decorrência da colisão da Terra com algum grande asteroide ou simplesmente pela epidemia de algum vírus misterioso que transforma as pessoas em zumbis. É o argumento da diretora e roteirista Lorene Scafaria para Procura-se um amigo para o fim do mundo. Sem zumbis, mas com asteroide.

A nave que viajou com a missão de explodir o asteroide antes de se chocar com a Terra falhou. O mundo tem apenas mais algumas semanas de existência. A raça humana será extinta. A partir daí, sem tsunamis, sem grandes tempestades de neve, sem nenhuma cena do asteroide colidindo com o planeta ou a nave explodindo no espaço, apenas com relações humanas, drama pessoal e um leve bom humor, Lorene Scafaria nos conta uma história simpática e inova no gênero catástrofe.
Imagine um cara completamente comum, corretor de seguros, meia idade, um casamento morno que recém terminou, pois sua esposa foi embora. Este é o Dodge, personagem de Steve Carell. Um tipo que é quase marca registrada do ator, aquele cara meio sem sal, com um ar irônico, que Carell faz muito bem. Aqui não é diferente. Enquanto as pessoas estão preocupadas com o que vão fazer antes do final do mundo, desesperadas para viver o que nunca viveram, Dodge só está preocupado com seus problemas. Como ele mesmo define, o período entre o final do mundo e a fuga de sua esposa realmente não é o mais alegre da sua vida.

Entre alguns indas e vindas desses últimos dias do seu cotidiano, que pouco se altera, ele acaba conhecendo a sua vizinha Penny, uma jovem da mesmo forma despreocupada com o mundo e atenta a seus próprios problemas. Ela está terminando um relacionamento e não vai conseguir pegar o avião para ir ver seus pais. Penny é vivida pela linda Keira Knightley, que está muito bem no filme.

Dodge e Penny acabam sendo um a companhia do outro em meio a um cenário de caos. Entre os dois, melancolia. Lorene Scafaria cria uma espécie de universo paralelo para os dois protagonistas cumprirem uma bonita jornada de auto-conhecimento, amizade, reencontros. Procura-se um amigo para o fim do mundo peca pelo excesso de cuidado. Às vezes falta o exagero, pesar a mão no drama, em alguma cena mais tocante.

Scafaria faz, sem dúvida nenhuma, um bom trabalho. Um filme catástrofe sem cenas de catástrofe, muito equilibrado em seu humor e sua emoção, e com um desfecho bonito e satisfatório. Vale aproveitar que o mundo não acabou de verdade, e assistir a este que ilustra o primeiro Filme de Segunda em 2013.

Gênero: Drama, Comédia
Duração: 101 min.
Origem: EUA
Direção: Lorene Scafaria
Roteiro: Lorene Scafaria
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo