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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Duas vezes colorado!

Não foi a barbada que estava pintando. Mas, no fim, acabou o Inter pintando mais uma vez a América de vermelho. No embalo de um Beira-Rio lotado como é, e como pulsa, desde 2006 no primeiro título da Libertadores, ou desde 1969, ano da inauguração.
O Chivas veio para apagar a imagem ruim que deixou da primeira partida, e conseguiu. Serviu, no entando, só para mudar a imagem, não a história. O 3-4-3 mexicano funcionou no primeiro tempo, com os dois alas avançados e trancando a passagem do Inter pelos lados e um zagueiro/volante, o Araújo, marcando e batendo no D'Alessandro. O gol do Chivas, no final do primeiro tempo, assim como fora há uma semana, assustou, mas dessa vez os mexicanos jogavam a bola que não jogaram em Guadalajara.

No vestiário, a estrela e o trabalho de Celso Roth. O treinador inverteu de lado Taison e D'Alessandro e mandou o camisa 7, agora na direita, pegar a bola e partir pra cima. Tinga continuou jogando muito, Sandro melhorou e Kléber passou a jogar mais. E quando o lateral do Inter joga, faz o time jogar e, dessa vez, fez o cruzamento para Sobis marcar o gol e marcar história no Internacional.
Celso Roth no maior momento de sua carreira, depois de ver seu time empatar, viu sua estrela brilhar. Tirou Sobis do jogo e pôs Damião. Tirou Taison e pôs Giuliano. Os dois garotos que entraram fizeram dois golaços, duas cerejas para o bolo colorado. O gol de Giuliano é daqueles que vale pagar outro ingresso, no caso do torcedor colorado, outra mensalidade de sócio.
Inter duas vezes Libertador da América, com um sugestivo Bolivar de capitão! Ainda teve mais um gol mexicano antes do apito final e a confusão (papelão) depois dele. Questões secundárias diante de uma glória tão imensa que é conquistar tudo de novo e ver no horizonte a possibilidade de fazer ainda mais, no BR-10 e em Abu Dhabi.
O clube mais Internacional deste século na América Latina. Clube de uma gestão que fez do Inter mais do que fora em 97 anos de história  e que desde 2006 faz muita história e joga muita bola. Inter que finalmente acabou com o tabu de brasileiros não vencerem estrangeiros nas finais de Libertadores. Inter do 5 a 3 no Chivas.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dono do campinho

Corre nos bastidores a fofoca que os jogadores do Inter só foram comunicados que o jogo era no México após o apito final de Hector Baldassi. Ficaram surpresos com a notícia: o jogo acontecera em Guadalajara, Estádio Omnilife. Mas caso isso não seja uma verdade, o Colorado fingiu muito bem. A verdade é que o Inter jogou como se jogasse num Beira-Rio lotado, contra um adversário totalmente submisso - como foi o S.Paulo fora de casa, como foi o Chivas dentro de casa.

Para um time que chegou a ter quase 80% de posse de bola em determinado momento do jogo, a justiça demorou a acontecer. E no futebol nem sempre acontece. De injustiças, como o gol de Bautista aos 46min do primeiro tempo, em momento de chochilada coletiva no sistema defensivo colorado, o futebol está repleto. Quando fez-se a justiça na primeira partida da final da Libertadores, fez-se rápido: Giuliano aos 27 e, quatro minutos depois, Bolivar fechando o placar e provavelmente a Copa aos 31 minutos do segundo tempo.

Resultado que mais uma vez privilegiou o melhor time, o que optou em jogar futebol. Celso Roth deixou Mathias  no banco, escalou Giuliano no lugar de Tinga. Manteve o 4-2-3-1 ofensivo e consistente. A certa altura, quando perdeu Alecssandro com 30 minuto de jogo, perdeu também sua referência na frente, mexeu mal colocando o discutível Evérton, mas concertou colocando Sobis aos 26 do segundo.

O Chivas marcou mal o jogo inteiro. Optou pela estratégia de contra-atacar, mas poucas vezes conseguiu roubar bola e subir em velocidade. Chegou ao gol por total demérito colorado. Os mexicanos jogaram no 4-4-2, com um zagueiro improvisado na lateral-direira e dois meias que demoraram a perceber que precisavam acompanhar as descidas de Kléber e Nei.  
O Inter trocou passes de cabeça erguida, com a autoridade de um time de bairro que joga na quadra da sua pracinha. D'Alessandro foi o dono da bola, mas poderia ser Kléber, ou Guiñazu, ou Giuliano - o meia que é o melhor jogador colorado na competição.

Falta pouco para que semana que vem, no Beira-Rio, o Internacional não seja apenas o dono do campinho, mas seja mais uma vez o dono da América. Falta pouco, apenas um empate ou uma vitória simples. Para os mais otimistas, falta só seis dias.