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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Filme de Segunda 133

Última Viagem a Vegas


É muito difícil que a indústria de Hollywood nos apresenta muitas novidades a cada ano. Invariavelmente, cada filme lançado apresenta um certo mais do mesmo, com um ou outro aspecto diferencial. É nessa premissa que se encaixa Última Viagem a Vegas, dirigido por Jon Turteltaub, diretor de trabalhos razoáveis, como Jamaica Abaixo de Zero (1993) e tantos outros. Neste último, nada de especial que não seu elenco absolutamente fantástico. 


Não é exagero falar que Última Viagem a Vegas é uma versão mais experiente e menos escatológica de Se beber não Case, mas também lembra Antes de Partir, de 2007, protagonizado por Morgan Freeman e Jack Nicholson. Aqui, o quarteto de amigos formado por Paddy (Robert De Niro), Archie (Morgan Freeman), Sam (Kevin Kline) e Billy (Michael Douglas) cultivam uma forte amizade há quase 60 anos. Obviamente que a vida os conduziu a caminhos distintos e por isso os encontros são cada vez mais raros. Contudo, a rápida introdução dos minutos iniciais deixa algumas situações bem esclarecidas. Sem muito rodeio, percebemos que eles continuam se falando por telefone e também nos situamos de suas atuais condições de vida e também personalidade. O diretor Jon Turteltaub e o roteiro de Dan Fogelman sabem ser rápidos sem necessariamente ser rasos na contextualização inicial. Ponto positivo para quem pretende ir direto à comédia.

Billy (Michael Douglas), o playboy bem sucedido, único do grupo que não casou, vai casar. E como não poderia deixar de ser, com uma mulher bem mais jovem - o que rende boas piadas por parte dos outros três amigos. Em Las Vegas, se reúnem para uma despedida de solteiro. Dois dias que ganham ares de última farra da vida, e aí está um aspecto importante do roteiro. Última Viagem a Vegas conversa a todo momento com as perspectivas de quem sabe que não resta muita estrada pela frente.

O fio condutor da história apresenta alguns pontos a serem resolvidos e conduzem bem a trama. Cada personagem tem seu aspecto em particular, como o casamento monótono de Sam, o extremo zelo que o filho de Archie tem pelo pai, a solidão de Paddy e, claro, o matrimônio de Billy. Ao final, tudo se encaminha bem, sem surpresa, sem deixar de ser crível e não esquecendo de ser engraçado.

Os quatro juntos sempre resultam em ótimas cenas. Voltando a ressaltar que não há nenhum tipo de novidade. Roteiro, fotografia, direção, trilha sonora: tudo razoável. O grande diferencial é a ótima atmosfera do bromance e as atuações afinadas de Freeman, Kline, De Niro e Douglas. São craques que por si só valem o ingresso e rendem boas risadas.

Gênero: Comédia
Duração: 105 min.
Origem: EUA
Direção: Jon Turteltaub
Roteiro: Dan Fogelman
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2013

Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Filme de Segunda 124

A Família


A Família  é um filme de altos e baixos, tal qual a carreira de seu diretor e roteirista Luc Besson. Contudo, como a carreira do cineasta francês, o saldo é positivo. Talvez o grande problema do filme seja a indecisão entre o drama e a comédia, a piada e a violência. O casamento poderia ter sido mais harmonioso, mas o elenco segura muito bem a trama.

Robert De Niro é Giovanni Manzoni, um ex-gângster ítalo-americano que entra no programa de proteção à testemunha depois de entregar seus companheiros à polícia. Como seus antigos comparsas ainda buscam vingança, Giovanni, sua esposa (Michelle Pfeiffer), seus dois filhos (Dianna Agron e John D'Leo) e mais seu cachorro, são obrigados a mudar de casa e identidade sempre num curto espaço de tempo. Desta vem eles vão parar na Normandia, noroeste da França.


Vigiados pelo agente durão do FBI, vivido por Tommy Lee Jones, A Família é uma caricatura da máfia, além de uma homenagem ao cinema de gênero americano. Besson pesa a mão nas referências, não esconde o jogo. Todos os personagens carregam fortes traços étnicos, e isso fica evidente quando há o choque cultural de uma família americana chegando para morar no interior da França.

De Niro vive um personagem que está entre o arrependimento e o orgulho de ser mafioso. Assim como sua esposa e filhos. Nenhum deles exita quando precisam optar pela conversa ou a violência. Os quatro fecham um entrosamento interessante, e tornam o filme bem agradável, apesar de algumas cenas quase à la Tarantino.

A Família tem uma boa trilha sonora, que consegue trazer o clima dramático quando é necessário, principalmente da metade para o final do longa. Contudo, algumas questões são mal exploradas, como a paixão da angelical Dianna Afron e o domínio territorial que John D'Leo conquista na escola. Porém, sem dúvida nenhuma, Robert De Niro compensa algumas dessas questões com a sua interpretação de ex-homem da máfia.

Não há nenhuma excepcionalidade em A Família, mas é uma comédia dramática razoável, que revive o clima legal da Máfia no Divã e coloca mais uma vez De Niro num papel que ele adora e se sai muito bem. Vale a pena.

Gênero: Comédia Dramática
Duração: 111 min.
Origem: França, EUA
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson e Michael Caleo
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2013

Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Filme de Segunda 100

O Lado Bom da Vida


Fico feliz de chegar ao Filme de Segunda número 100. Este não é o último, afinal semana que vem terá o centésimo primeiro, depois o centésimo segundo etc. Mas o centésimo tem seu simbolismo. Um número redondo, expressivo, que premia uma certa regularidade que a tanto custo mantenho aqui no PoA Geral. Não é fácil. Mas é muito legal.

Que bom que, justamente nessa centésima edição, tenho a oportunidade de falar de um belo filme. Um bonito romance em meio a recuperação de pacientes psiquiátricos. O diretor David O. Russell (O Vencedor, 2010) nos conta a história de Pat Solatano (Bradley Cooper), uma cara bipolar que está deixando a clínica de recuperação para ficar sob a custódia de sua mãe. Pat não consegue superar o fim do seu casamento e tem eventuais ataques de raiva.

Em O Lado Bom da Vida também vemos os dois lados do amor. Primeiro aquele que é doentio, que não faz bem, que causa confusão e mais uma série de coisas ruim. Depois aquele que constrói, ajuda, põe as coisas em seu devido lugar - ou o mais próximo disso.

Para que esses dois amores aconteçam, Russell aposta no brilho de Bradley Cooper e Jannifer Lawrence. Os dois atores fazem um trabalho de irretocável talento. O roteiro permite bons diálogos, com tiradas rápidas, peso dramático e humor fino. A encantadora Lawrence é Tiffany, uma jovem também em processo de recuperação, que perdeu o marido de forma trágica. Ela acaba sendo apresentada à Pat por alguns amigos em comum. A relação entre os dois começa conturbada, mas aos poucos vão se afinando, selando um pacto de ajuda mútua. A partir daí a história deslancha.
O elenco de apoio que Russell chamou para O Lado Bom da Vida traz nada menos que Robert De Niro, Chris Tucker, entre outros. Um pessoal que ajuda muito, acaba sendo determinante para o sucesso do filme. Apesar do bom trabalho da dupla de protagonistas, algumas das melhores cenas são em grupo, como no momento da última aposta, em que praticamente todos falam ao mesmo tempo.

O Lado Bom da Vida se disfarça de comédia romântica, mas é um romance consistente, com um drama sério, de uma temática importante. O filme todo caminha rumo a um climax muito gratificante, que reconforta o espectador e deixa, ao final de tudo, um clima leve, mesmo sabendo que todos aqueles problemas persistem, mas agora (como os meus, os seus...) é mais fácil viver com eles.

Em 2013, o filme é indicado ao Oscar de Melhor Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver), Roteiro Adaptado e Edição. Além de levar o Globo de Ouro de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Jennifer Lawrence).

Gênero: Drama
Duração: 122 min.
Origem: EUA
Direção: David O. Russell
Roteiro: David O. Russell
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo