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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Filme de Segunda 137

Trapaça


O diretor David O. Russel aparece pelo segundo ano consecutivo bem cotado à premiação do Oscar. Embora, entretanto, Trapaça esteja longe de ser um filme ruim, não se justifica suas dez indicações na Academia. Aqui o diretor cerca-se de astros que já fizeram excelentes trabalhos sob seu comando: Christian Bale e Amy Adams em O Vencedor mais Bradley Cooper e Jannifer Lawrence em O Lado Bom da Vida. O quarteto conduz a trama dirigida por Russel, e possuem seus méritos.

Trapaça peca pelo excesso de tempo e pela falta de profundidade. São 129 minutos de muito diálogo e pouca ousadia, em quase todos os sentidos. O filme remonta uma operação do FBI para capturar corruptos e golpistas da alta cúpula americana, em algum momento associando inclusive políticos ao dinheiro sujo da máfia - o que rende, pelo menos, uma participação especial de Robert De Niro. Dentro desse universo, Russel conduz uma trama leve de certa forma, com um humor fácil e apurado, mas que cansa ao passar das duas horas de película e dizer pouca coisa de complexo e pertinente. Não seria exagero dizer que tudo caberia em 90 ou 100 minutos de filme.


Dos quatro protagonistas, um deles fica abaixo do restante - mesmo estando os quatro indicados ao Oscar. Christian Bale, que aparece na categoria de melhor ator, interpreta o golpista Irving Rosenfeld, um completo falastrão dos anos 70, sempre com um charuto no canto da boca, barriga avantajada e camisas semi-desabotoadas. Amy Adams é o destaque absoluto de Trapaça. Ela é a lindíssima e decotada Sydney, uma ex-stripper que se cola em Irving e o ajuda nos negócios. Adams está indicada ao prêmio de melhor atriz.

Na categoria de coadjuvantes temos Lawrence e Cooper. A moça interpreta a mulher traída de Irving, faz o tipo linda e pouco inteligente, contudo explosiva, que não se contém a um barraco. Assim como Adams, Jennifer Lawrence é um dos pontos alto do longa. Já Bradley Cooper não convence como o jovem agente do FBI sedento por reconhecimento. Aí talvez tenha faltado o dedo do diretor, mas o fato é que o personagem é fraco em alguns aspectos.

Trapaça tem uma trilha sonora interessante, que suga muito do rock, do disco e do black music dos anos 70, década em que a trama acontece. O figurino também chama atenção e é um acerto da equipe envolvida. Aliás, Trapaça tem muitos acertos, o problema é que as dez indicações acabam pesando sobre um filme que talvez não sustente tudo isso. Mas temos aqui um entretenimento legal, bem produzido, de boa direção e interpretações razoáveis. É sim, boa pedida! 

Gênero: Suspense
Duração: 129 min.
Origem: EUA
Direção: David O. Russel
Roteiro: David Russel, Eric Singer
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 12 anos
Ano: 2013

Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Filme de Segunda 100

O Lado Bom da Vida


Fico feliz de chegar ao Filme de Segunda número 100. Este não é o último, afinal semana que vem terá o centésimo primeiro, depois o centésimo segundo etc. Mas o centésimo tem seu simbolismo. Um número redondo, expressivo, que premia uma certa regularidade que a tanto custo mantenho aqui no PoA Geral. Não é fácil. Mas é muito legal.

Que bom que, justamente nessa centésima edição, tenho a oportunidade de falar de um belo filme. Um bonito romance em meio a recuperação de pacientes psiquiátricos. O diretor David O. Russell (O Vencedor, 2010) nos conta a história de Pat Solatano (Bradley Cooper), uma cara bipolar que está deixando a clínica de recuperação para ficar sob a custódia de sua mãe. Pat não consegue superar o fim do seu casamento e tem eventuais ataques de raiva.

Em O Lado Bom da Vida também vemos os dois lados do amor. Primeiro aquele que é doentio, que não faz bem, que causa confusão e mais uma série de coisas ruim. Depois aquele que constrói, ajuda, põe as coisas em seu devido lugar - ou o mais próximo disso.

Para que esses dois amores aconteçam, Russell aposta no brilho de Bradley Cooper e Jannifer Lawrence. Os dois atores fazem um trabalho de irretocável talento. O roteiro permite bons diálogos, com tiradas rápidas, peso dramático e humor fino. A encantadora Lawrence é Tiffany, uma jovem também em processo de recuperação, que perdeu o marido de forma trágica. Ela acaba sendo apresentada à Pat por alguns amigos em comum. A relação entre os dois começa conturbada, mas aos poucos vão se afinando, selando um pacto de ajuda mútua. A partir daí a história deslancha.
O elenco de apoio que Russell chamou para O Lado Bom da Vida traz nada menos que Robert De Niro, Chris Tucker, entre outros. Um pessoal que ajuda muito, acaba sendo determinante para o sucesso do filme. Apesar do bom trabalho da dupla de protagonistas, algumas das melhores cenas são em grupo, como no momento da última aposta, em que praticamente todos falam ao mesmo tempo.

O Lado Bom da Vida se disfarça de comédia romântica, mas é um romance consistente, com um drama sério, de uma temática importante. O filme todo caminha rumo a um climax muito gratificante, que reconforta o espectador e deixa, ao final de tudo, um clima leve, mesmo sabendo que todos aqueles problemas persistem, mas agora (como os meus, os seus...) é mais fácil viver com eles.

Em 2013, o filme é indicado ao Oscar de Melhor Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver), Roteiro Adaptado e Edição. Além de levar o Globo de Ouro de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Jennifer Lawrence).

Gênero: Drama
Duração: 122 min.
Origem: EUA
Direção: David O. Russell
Roteiro: David O. Russell
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo