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domingo, 5 de outubro de 2014

Filme de Segunda 161

Lucy


Os melhores filmes da carreira do competente cineasta Luc Besson sempre trouxeram mulheres muito marcantes, e fortes como personagens, no papel de protagonista. Foi assim em Nikita - Criada Para Matar (1990), O Profissional (1994) e O Quinto Elemento (1997). É assim em Lucy, em que Scarlett Johansson é o centro absoluto da trama. Em termos gerais, ela corresponde, como tem sido em todos os seus trabalhos. Além de linda, Scarlett é boa atriz.

Contudo, gostar de Lucy não é fácil. O novo filme de Besson é baseado na teoria já desmistificada de que usamos apenas 10% da capacidade do nosso cérebro e que, proporcionalmente, o golfinhos são os animais mais inteligentes do planeta. O longa, portanto, conta como que Lucy acaba desenvolvendo toda a capacidade cerebral que um ser humano poderia ter acesso. Atuando como mula (pessoas que carregam drogas entre países) de Tóquio para a Europa, o pacote de uma substância sintética nova que carregava dentro de seu abdome estoura. Desse modo, ela não morre, não tem uma overdose, ou sequer passa mal.


Lucy vira, basicamente, uma super-heroína. Um humano superdesenvolvido que pretende passar todo seu conhecimento para o mundo e que também busca vingança contra aqueles que implantaram a droga contra a sua vontade.

Há duas dificuldades para gostar de Lucy: a primeira é ignorar a teoria dos 10% e embarcar na viagem de Besson, que tenta nos convencer através do discurso de Morgan Freeman; a segunda não é muito diferente, mas aceitar o exagero com que tudo acontece não é simples. A personagem de Scarlett, entre outras coisas, muda a cor do cabelo quando quer e derruba dez homens com apenas um olhar. Não deixa de ser uma questão de gosto pessoal deixar o cinema satisfeito.

Porém, é notável a qualidade técnica do filme. Dentro daquilo a que se propõe, as sequências de ação são muito bem feitas, assim como todos os efeitos especiais. Outro aspecto muito acertado é a relação que se estabelece entre a Lucy personagem e a Lucy fóssil, pertencente a uma das primeiras fêmeas descendentes dos humanos, que teria vivido na terra há 3,2 milhões de anos. O desfecho é muito bonito e bem executado graficamente, quase vale o ingresso.      

Gênero: Ação
Duração: 89 min.
Origem: EUA
Direção: Luc Besson
Roteiro:  Luc Besson
Distribuidora: Universal Pictures
Censura: 16 anos
Ano: 2014



Classificação PoA Geral 
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Filme de Segunda 124

A Família


A Família  é um filme de altos e baixos, tal qual a carreira de seu diretor e roteirista Luc Besson. Contudo, como a carreira do cineasta francês, o saldo é positivo. Talvez o grande problema do filme seja a indecisão entre o drama e a comédia, a piada e a violência. O casamento poderia ter sido mais harmonioso, mas o elenco segura muito bem a trama.

Robert De Niro é Giovanni Manzoni, um ex-gângster ítalo-americano que entra no programa de proteção à testemunha depois de entregar seus companheiros à polícia. Como seus antigos comparsas ainda buscam vingança, Giovanni, sua esposa (Michelle Pfeiffer), seus dois filhos (Dianna Agron e John D'Leo) e mais seu cachorro, são obrigados a mudar de casa e identidade sempre num curto espaço de tempo. Desta vem eles vão parar na Normandia, noroeste da França.


Vigiados pelo agente durão do FBI, vivido por Tommy Lee Jones, A Família é uma caricatura da máfia, além de uma homenagem ao cinema de gênero americano. Besson pesa a mão nas referências, não esconde o jogo. Todos os personagens carregam fortes traços étnicos, e isso fica evidente quando há o choque cultural de uma família americana chegando para morar no interior da França.

De Niro vive um personagem que está entre o arrependimento e o orgulho de ser mafioso. Assim como sua esposa e filhos. Nenhum deles exita quando precisam optar pela conversa ou a violência. Os quatro fecham um entrosamento interessante, e tornam o filme bem agradável, apesar de algumas cenas quase à la Tarantino.

A Família tem uma boa trilha sonora, que consegue trazer o clima dramático quando é necessário, principalmente da metade para o final do longa. Contudo, algumas questões são mal exploradas, como a paixão da angelical Dianna Afron e o domínio territorial que John D'Leo conquista na escola. Porém, sem dúvida nenhuma, Robert De Niro compensa algumas dessas questões com a sua interpretação de ex-homem da máfia.

Não há nenhuma excepcionalidade em A Família, mas é uma comédia dramática razoável, que revive o clima legal da Máfia no Divã e coloca mais uma vez De Niro num papel que ele adora e se sai muito bem. Vale a pena.

Gênero: Comédia Dramática
Duração: 111 min.
Origem: França, EUA
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson e Michael Caleo
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2013

Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo