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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Filme de Segunda 131

Blue Jasmine


Ninguém precisa ser médium, colocar cartas, jogar tarô ou ter bola de cristal. Todo ano começa e uma coisa se tem certeza: Woody Allen vai lançar um novo filme. Ontem, o diretor completou 78 anos de idade, possivelmente sendo o cineasta mais bem sucedido em uma relação proporcional ao número de filmes lançados, a qualidade desses trabalhos e o sucesso de crítica e público. O diretor novaiorquino é um gênio da raça, uma exceção à regra. É o sujeito que me garante pelo menos uma ida ao cinema por ano.

No excelente Blue Jasmine, o diretor finalmente aborda a crise financeira nos EUA, a quebra dos bancos e dos especuladores financeiros. Apesar de se tratar de um drama bem atual e com um apelo psicológico bem acentuado, Allen não deixa de lado seus requintes de humor e sarcasmo. É bem verdade que um humor bem menos explorado que os anteriores Meia Noite em Paris (2011) e Para Roma com Amor (2012).

Jasmine, vivida por Cate Blanchett, foi casada com Hal (Alec Baldwin) e passou muito tempo desfrutando da fortuna e do luxo de Nova Iorque. Seu marido, um investidor sonegador de impostos, acabou caindo e sendo pego pelo governo. Como estava tudo no nome de Jasmine, ele foi preso e ela ficou completamente sem dinheiro, tendo como abrigo apenas o apartamento simples de sua irmã, no subúrbio de San Francisco.

Em Blue Jasmine, o diretor entrega o roteiro embalado e endereçado a Cate Blanchett. E a experiente atriz corresponde, com a competência que lhe é sabida. Ela é a musa neurótica de Woody Allen, aquele tipo de personagem que geralmente é o fio condutor das tramas do premiado cineasta. Aliás, é bem provável que ele seja lembrado novamente nas próximas premiações, pelo menos com indicações. Blanchett, sem dúvida, já desponta como nome forte ao Oscar de melhor atriz.

Usando o recurso de muitos flashbacks, o filme vai montando a personalidade da protagonista e apresentando todas as variáveis que resultam na personagem completamente perturbada e desorientada que precisa morar de favor com a irmã. Jasmine precisa finalmente viver às suas custas, trabalhar, se tornar independente, algo completamente avesso àquilo que sempre teve. Em Blue Jasmine, Woddy Allen é atual, carrega a mão no drama pessoal, adoça com um pouco de bom humor e afirma ao mundo do cinema que segue em grande forma. 

Gênero: Drama, Comédia
Duração: 98 min.
Origem: EUA
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2013
Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Filme de Segunda 93

O Homem da Máfia

O australiano Andrew Dominik chega aos cinemas com seu terceiro trabalho, o segundo dirigindo Brad Pitt. O Homem da Máfia é mais um que entra no submundo da máfia americana. Mundo que não é tão sub quanto se pode imaginar. Dominik conduz seu filme em 2008, época de eleição nos EUA, crise financeira em alta.

Em O Homem da Máfia, Jackie Cogan (Pitt) é uma espécie de regulador do mundo do crime. Ele é contratado pela alta cúpula para que as coisas sigam em ordem. Por exemplo: quem ousa assaltar uma casa de poker vigiada pela máfia, é caçado e morto. Pela lógica do submundo, quem vai jogar e apostar grandes quantias, não pode ter o receio de correr riscos. Assim o negócio não anda.
Enquanto a trama se desenrola, em várias cenas há rádios e televisões ligadas. Sempre se discutindo a situação econômica do país, a figura de um órgão regulador para o setor financeiro, debates políticos entre McCain e Obama etc. O próprio cenário do filme, uma Boston cinza, suja, bares vazios, ruas mal iluminadas, ajuda a traçar o paralelo que o diretor australiano deseja. De certa forma ele consegue.

Três caras decidem roubar uma casa de jogos. Eles têm certeza que não vão ser pegos. É aí que entra o personagem de Brad Pitt, com uns 20 ou 30 minutos de filme. O Homem da Máfia, contudo, não é um filme de muita ação. É de muito papo, tem bons diálogos, interpretações interessantes. Ray Liotta sempre veste bem como mafioso, James Gandolfini como matador com sinais de depressão, também faz ótimo trabalho.

Se Dominik opta pelo diálogo ao invés da ação, ele pesa a mão nas horas de agir. As cenas de assassinatos são à la Tarantino. Um certo sadismo, sangue e alguns takes fechados. Pode estragar o filme para aqueles de estômago mais fraco. Para quem não se importa muito, e gosta de ver Brad Pitt atuando bem (como sempre), O Homem da Máfia é uma boa pedida.

Gênero: Drama
Duração: 97 min.
Origem: EUA
Direção: Andrew Dominik
Roteiro: Andrew Dominik
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo