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segunda-feira, 25 de março de 2013

Filme de Segunda 105

Vai que dá Certo


Vai que seja engraçado. Essa é a esperança. Pode ser até a expectativa, afinal de contas o elenco é bom, e quem está dirigindo tem uma longa história na televisão brasileira e no cinema. Mesmo assim, o diretor Maurício Freitas faz de seu quarto filme uma comédia pastelão e irregular.

As boas comédias no cinema nacional ainda são coisa rara. Vai que dá Certo, contudo, não é das piores experiências. O filme roteirizado pelo próprio Maurício Freitas em parceria com Fábio Porchat apresenta um problema recorrente no humor cinematográfico brasileiro: ele não é cinematográfico. Muitos dos trabalhos são feitos como se fossem para televisão, com piadas ou esquetes que serviriam ao Zorra Total, mas que no cinema empobrecem. 

O argumento de Vai que dá Certo mescla uma dezena de situações. Personagens caricatos do subúrbio paulistano (fator televisivo), todos beirando os 30 anos, todos em situação financeira ruim ou indefinida, todos com comportamento de adolescência prolongada, com relacionamento de amigos/quase irmãos. Depois de um golpe mal sucedido, acabam devendo dinheiro para traficantes e policiais corruptos. Este é o contexto da comédia.


O elenco principal conta com Fábio Porchat, Danton Mello, Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, Gregório Duvivier, Felipe Abib e Natáliga Lage. Por algum motivo, Danton é o único que não faz um tipo caricato, de sotaque carregado. Essa jeito paulistano forçado acaba sendo um dos pontos negativos do filme. Contudo, mesmo caricato, Gregório Duvivier é o destaque. O ator é responsável pelas melhores tiradas de Vai que dá Certo.

O certo é que fiquemos sabendo que se trata de um pastelão irregular. Dessa forma fica mais fácil, sem grandes expectativas. Mais relaxado e sabendo o que vem pela frente, algumas risadas acabam acontecendo natural e descompromissadamente.

Gênero: Comédia
Duração: 87 min.
Origem: Brasil
Direção: Maurício Farias 
Roteiro: Maurício Farias, Fábio Porchat
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2013


Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Filme de Segunda 78

E aí... comeu?

Não precisamos de muitos parágrafos para falar da comédia E aí... comeu?. Nem o filme precisaria de tanto tempo para se explicar. Os 104 minutos que o diretor Felipe Joffily utilizou para contar a história, dá e sobra. E aí... comeu? não é a "primeira comédia verdadeira sobre o amor", como ostenta o cartaz publicitário do filme. É uma comédia totalmente sustentada pelo papo de boteco de três amigos. Só isso.
O roteiro é baseado no texto e na peça homônima de Marcelo Rubens Paiva, sucesso nos anos 90. O próprio Marcelo assina o roteiro, junto com o Lusa Silvestre (roteiro do ótimo Estômago, de 2007). Estes dois são os principais responsáveis pelos melhores momentos do filme. É inegável que E aí... comeu? tem bons diálogos, que acabam resultando em situações engraçadas. Se dá boas risadas, sem dúvida, e muito disso tem ligação direta com a linguagem popular de botequim, invariavelmente machista e folclórico.

E é machista porque é a versão dos homens. A narrativa d' E aí... comeu?  parte das histórias do Marcos Palmeiras, o casado que desconfia da esposa, Bruno Mazzeo, o divorciado arrependido e  de Emilio Orciollo Netto, um playboy, solteiro, em busca de uma namorada.

O filme é repleto de clichês. É totalmente previsível e não deve ser levado a sério. Entendido isso: ok, vamos assistir e rir. Funciona. Mas é o tipo de projeto que tem todas as ferramentas para ser bem melhor. Há cenas descartáveis, que além de não ajudarem no andamento do filme, atrapalham, porque são de mal gosto. Me refiro aos dois "flashbacks" em que o personagem de Marcos Palmeiras aparece conversando com o público e explicando o sexo oral e como se comporta a mulher frígida.

Há também personagens mal explorados, como as meninas da mesa ao lado onde sempre ficam os três protagonistas. Ali tinha uma fresta que o diretor e o roteiro acabaram não embarcando, mesmo tendo rolando uma boa química entre os personagens que eram, a princípio, antagonistas.

Confesso que aquele desfecho a lá comédia romântica não me convenceu muito. Foge um pouco da fanfarronice a que se propões E aí... comeu?. Fora isso, e alguns outro problemas que impedem que o filme seja melhor que aquilo que pode ser, o elenco é um destaque agradável - mesmo que o Bruno Mazzeo pareça eternamente numa esquete do Cilada -, a começar pelo Seu Jorge até as mulheres, todas muito bem escolhidas e com trabalhos justificados.

Não espere a verdade absoluta sobre o amor, se enxergo numa conversa entre amigos e dê algumas risadas com E aí... comeu?.

Gênero: Comédia
Duração: 104 min.
Origem: Brasil
Direção: Felipe Joffily
Roteiro: Marcelo Rubens Paiva e Lusa Silvestre
Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme
Censura: 14 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo