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segunda-feira, 2 de março de 2015

Filme de Segunda 176

O Lobo Atrás da Porta


Fico profundamente feliz que, pela segunda semana consecutiva, trago ao Filme de Segunda relato sobre mais um filme brasileiro, autoral e fora do eixo Globo Filmes. Falo de O Lobo Atrás da Porta, estreia do cineasta Fernando Coimbra em longa metragens. Estrelado pelos excelentes Milhem Cortaz, Fabíola Nascimento e Leandra Leal, o roteiro aflora através dos gêneros drama, policial e suspense.

O estopim da trama é apresentado logo na primeira cena, quando a personagem de Fabíola Nascimento vai buscar sua filha de seis ou sete anos na escola e acaba surpreendida com a informação de que uma suposta vizinha já tinha levado a menina, alegando que a mãe, por algum motivo, não poderia pagá-la. Pai, mãe, professora e Rosa (Leandra Leal), que surge como principal suspeita, logo vão parar na delegacia para o início das investigações.


Coimbra amarra toda a trama com muita competência, equilibrando os gêneros e contando a história pelo ponto de vista dos personagens, que depõem separadamente ao delegado vivido por Juliano Cazarré. Portanto, conhecemos versões diferentes sobre os mesmo fatos e, para isso, o diretor usa os flashbacks como recurso, chegando a um resultado final de montagem muito interessante.

Enquanto Cazarré é quase um alívio cômico com seu delegado meio de saco cheio de estar ali, a trinca de protagonistas nos apresenta trabalhos excepcionais de atuação, profundidade e complexidade na criação de seus personagens. O Lobo Atrás da Porta prima pelo realismo, e faz isso com diálogos, mas também valoriza o silêncio. Além de uma fotografia muito adequada do subúrbio do Rio de Janeiro. Todo mérito aos envolvidos por esse trabalho realmente marcante. 

Gênero: Drama, Suspense
Duração: 95 min.
Origem: Brasil
Direção: Fernando Coimbra
Roteiro: Fernando Coimbra
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2013



Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2) 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Filme de Segunda

Assalto ao Banco Central
O ator e diretor Marcos Paulo tem 40 anos de experiência em televisão, Assalto ao Banco Central marca sua estreia na direção de um longa-metragem. Pelo elenco, pelos produtores, pela distribuidora, é uma superprodução do cinema nacional. Um filme policial, de ação, baseado em fatos reais, no grande assalto em Fortaleza, no ano de 2005. Só fugir do batido gênero de comédia-água-com-açúcar protagonizado por atores globais já é um ponto positivo. Mas o resultado final de Assalto ao Banco Central dava pra ser muito melhor.
O assalto foi mesmo de magnitude cinematográfica. Um túnel de 84 metros, com iluminação e sistema de ar-condicionado, três meses de trabalho sem levantar suspeita, 164 milhões de reais roubados sem disparar um tiro sequer, muito menos um alarme. O assalto planejado pelo inteligente Barão tinha tudo para ser perfeito. Barão é o personagem interpretado por Milhem Cortaz, ator que atuou em diversos filmes importantes na última década, aqui finalmente ganha a oportunidade de protagonizar, e corresponde muito bem.
A narrativa do filme passeia no tempo. De repente Barão, Carla (Hermila Guedes) e Mineiro (Eriberto Leão) estão planejando as ações, quando na cena seguinte já estão diante do delegado Chico Amorim (Lima Duarte) dando depoimento. Assim, acompanhado de uma trilha pesada e tensa, de bastante rock, o filme se desenrola, num ritmo que beira o frenético.
Marcos Paulo erra feio quando separa o filme em dois núcleos, como se fosse uma novela, o que compromete o resultado final de Assalto ao Banco Central. Quando os criminosos saem de cena e entra o núcleo da polícia, com Lima Duarte e Giulia Gam, o filme ganha ares de comédia, principalmente pelo tipão do delagado Chico Amorim. Não fechou com o clima do filme. A mim incomodou, acho que incomoda a maioria dos espectadores.
Apesar do elenco estelar, senti falta de um apelo maior junto ao público. Um pouco mais de carisma não faria mal ao filme, que tem 1h 44mim de duração. O personagem de Eriberto Leão tem essa função, tanto dentro da trama, no planejamento e andamento do crime, como na relação com o espectador. O Mineiro de Eriberto Leão quase chega lá, e em uns 15 minutos a mais de filme, aí fechava duas horas, Marcos Paulo poderia ter trabalhado esse lado.
Classificação PoA Geral
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável