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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Filme de Segunda 99

Meu País


Quem vê, não diz que Meu País é o primeiro longa metragem do diretor André Ristum. Um filme pensado quadro a quadro, de muito silêncio, atuações seguras, câmera no ombro e sempre muito próxima dos atores. Meu País fala de recomeço e reencontro, de maneira bonita e delicada.

O filme é nacional, mas tem cara de europeu. Reflexo da biografia do diretor. Ristum é nascido em Roma, criado em Londres e paulistano por opção. Fã do diretor italiano Nanni Moretti, o diretor usa aqui todas suas referências de cinema europeu para fazer um trabalho que não é comum no Brasil. Porém, mesmo não sendo comum por aqui, não quer dizer que Meu País não tenha uma identidade nacional.

Quem conduz a história é o personagem de Rodrigo Santoro, o Marcos. Ele vive há alguns anos em Roma, tem família e negócios por lá. Com a morte do seu pai, volta ao Brasil para rever seus familiares, principalmente seu único irmão, o caçula Tiago (Cauã Reymond). Tiago é um playboy viciado em jogo que está levando a empresa da família à falência.

Marcos chega ao Brasil com a responsabilidade de salvar a empresa, administra a herança do seu pai e regular seu irmão, ameaçado de morte por um agiota. Em meio a isso, está sua esposa italiana, que vem ao país junto com ele, e uma descoberta que vai mudar a história daquela família. Seu pai tem uma filha fora do casamento (Débora Falabella), uma menina de 24 anos com deficiência intelectual, internada em uma clínica.

Meu País tem tudo para seu um filme pesado. O argumento apresenta uma história com um drama familiar indigesto, que poderia se estender por horas e horas de filme. Mas Ristum alivia a barra, resolve tudo muito bem em 90 minutos. Conta de forma delicada o recomeço dessa família, conseguindo emocionar o espectador, não transformando ninguém em inimigo ou herói. São apenas seres humanos, com suas qualidades, seus defeitos e suas histórias.

Temos aqui mais um belo exemplar de filme nacional.

Gênero: Drama
Duração: 90 min.
Origem: Brasil
Direção: André Ristum
Roteiro: André Ristum, Octávio Scopelletti, Marco Dutra
Distribuidora: Imovision
Censura: 12 anos
Ano: 2010
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Filme de Segunda 62

Habemus Papam

Alguns dados sobre um filme dizem muito sobre ele mesmo. Pois então vejamos Habemus Papam, uma comédia dramática européia, filmada na Itália, dirigida pelo cineasta esquerdista, ateu, e muitas vezes autobiográfico, Nanni Moretti. A partir dessas informações podemos ter uma ideia do que veremos na tela do cinema. Sem nenhum tipo de surpresa, Habemus Papam é tudo aquilo que você imaginou que seria. O que não desvaloriza o bom filme de Moretti.

A história, escrita e dirigida pelo premiado cineasta italiano, se passa dentro do Vaticano, logo após a morte de João Paulo II, quando os cardeais do mundo inteiro se reúnem para escolherem o novo líder da Igreja Católica. Enquanto milhares de fiéis e a imprensa se aglomeram nas ruas do Vaticano, esperando o fim do conclave e a fumaça branca sinalizando um novo papa, lá dentro a votação é confusa, não consenso. O que há é uma espécie de pânico geral. Do favorito ao menos cotado, ninguém quer ser o Papa. Uma das boas cenas de comédia do filme são essas orações que cada um faz pedindo à Deus para não ser o escolhido.

Acaba que Melville, um dos cardeais imperceptíveis e contidos do conclave, é o escolhido. Um alívio geral. Mas uma bomba que explode na cabeça de Melville, que nunca se imaginou como tal santidade. O então novo Papa entra em crise, não consegue de jeito nenhum ir até a sacada do Vaticano para saudar os fiéis e ser saudado. Enquanto o Papa não se apresenta, oficialmente o conclave não terminou e os cardeais não podem deixar as dependências da Santa Sé, não pedem ter nenhum tipo de contato com o mundo exterior. Isso causa uma confusão geral, pois de fora, ninguém sabe o que se passa lá dentro, sendo que há dois ou três dias a fumaça branca já apareceu.
O drama e a comédia ganham ritmo quando o assessor de imprensa do Vaticano contrata o maior psicanalista da Itália para tratar o novo Papa. Este é o papel de Moretti, que sempre atua em seus filmes. O psicanalista não consegue se aproximar de Melville, o sistema dentro do Vaticano o impõe barreiras que não permitem que faça seu trabalho da melhor maneira. O personagem de Moretti é quase o próprio Moretti, um ateu que faz um contraste fundamental para o filme quando também fica confinado junto a todos os cardeias.

O Papa, ainda anônimo, vai pro mundo. Ou melhor, pra Roma. Vai pensar em tudo, na vida, na Igreja, nas suas frustrações. Enquanto o drama fica na rua, com Melville buscando se conhecer, buscando uma santidade que ele não enxerga, a comédia fica dentro do Vaticano, com Moretti e os cardeais.

Habemus Papam, ao contrário do que possa parecer, não tem um humor ácido e agressivo. É um filme que pode agradar gregos e troianos, crentes e descrentes. O que Nanni Moretti faz é humanizar aquelas pessoas e aquele processo, principalmente a figura maior do cristianismo na Terra, o Papa que, no filme, é um senhor simpático, cativante, mas confuso como qualquer outro ser humano em crise.

Gênero: Comédia, drama
Duração: 102 min.
Origem: Itália e França
Direção: Nanni Moretti
Roteiro:  Nanni Moretti, Francesco Piccolo, Federica Pontremoli
Distribuidora: Vinny Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2011


Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo