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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Filme de Segunda 113

Faroeste Caboclo


Com todo respeito ao trabalho de Antônio Carlos da Fontoura, diretor de Somos Tão Jovens, mas René Sampaio de certa forma vingou a obra de Renato Russo. Se o primeiro filmou uma cinebiografia completamente comum sobre o líder da Legião Urbana, o segundo utilizou umas das letras mais emblemáticas escritas por Renato para fazer um grande trabalho cinematográfico. René Sampaio, em sua versão para Faroeste Caboclo, segue a tendência dos últimos anos em que, invariavelmente, diretores estreiam com bons filmes.

Como qualquer versão, Faroeste Caboclo não segue passo a passo o que conta (e canta) Renato Russo. O diretor e os roteiristas Marcos Bernstein e Victor Atherino trataram de modificar detalhes que tornam a obra mais crível e dramática. Um exemplo é a midiatização do confronto final entre João de Santo Cristo e Jeremias, sem "câmeras de TV que filmavam tudo ali" e nem sequer o "povo a aplaudir". Por outro lado, deixa de lado todo um contexto político no Brasil em meados dos anos de 1970.

A escolha por Fabrício Boliveira para ser o protagonista é um dos maiores méritos da produção. O jovem e desconhecido ator faz um grande trabalho no papel do anti-herói João de Santo Cristo. Caso fosse alguém consagrado, como Lázaro Ramos, concentraria muito os holofotes em um personagem e diminuiria o valor da obra. Boliveira faz excelente par com Ísis Valverde, e divide as atenções com os ótimos Jeremias (Filip Abib), Pablo (Cesar Trancoso), além do policial corrupto vivido por Antônio Calloni.

Faroeste Caboclo faz referências ao antigo cinema de western, que enriquecem o trabalho de René Sampaio. As cenas de violência tornam o filme pesado em alguns momentos, porém ajuda no contexto geral da história de Santo Cristo. Outro ponto alto é a quase perfeita Brasília dos anos 70, assim como o sertão da infância do protagonista.

Temos aqui, sem dúvida, um filme não só para quem gosta de Legião Urbana e do Renato Russo, mas acima de tudo para quem gosta de cinema e de um bom filme.

Gênero: Drama
Duração: 105 min.
Origem: Brasil
Direção: René Sampaio
Roteiro: Marcos Bernstein e Victor Atherino
Distribuidora: -
Censura: 16 anos
Ano: 2013
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Filme de Segunda 111

Somos Tão Jovens


Somos tão Jovens é o tipo de filme que acaba sendo uma decepção dupla. Primeiro, por se tratar de um filme comum. Segundo, por se tratar da cinebiografia de um ídolo pop - que potencializa a expectativa de quem vai assistir. Tem ainda um terceiro fator: não é fácil aceitar que um filme sobre alguém de quem gostamos é fraco. Como já adiantei, Somos tão Jovens é comum.

A parceria entre o diretor Antonio Carlos Fontoura e o roteirista Marcos Bernstein não encaixa. Homens do cinema brasileiro que já trabalharam em filmes interessantes, não souberam lidar com a personalidade excêntrica de um ícone pop ainda em formação na vidada dos anos 70 pra 80.

Talvez esteja aí o maior equívoco do filme, o espaço-tempo. Tudo ocorre entre o início do Aborto Elétrico e a disseminação dessa banda para a criação do Capital Inicial e Legião Urbana. Quando a cena roqueira pensa em começar a engatinhar fora de Brasília, o filme acaba.

O longa tem 104 minutos. A impressão que fica é de que, por preguiça, não trabalharam mais uns 20 minutos para a construção do personagem Rento Russo e qual o destino daquele adolescente. Não há, em Somos tão Jovens, nenhum tipo de flashback que explique ou faça alusão à infância de Renato, como e quando veio do Rio de Janeiro para Brasília, seu gosto por rock etc. É o tipo de filme pra ter, no mínimo, duas horas.

Ao não se estender nem pra frente ou pra trás na história do astro, Somos tão Jovens vira praticamente a novela Malhação. Trata de toda aquela cena roqueira de Brasília, formada invariavelmente por adolescentes, de forma superficial e boba. Faltou coragem pra falar de política, sexualidade, drogas e depressão. Faltou ousadia.

Dentro desse contexto "Malhação", o propósito que guia o filme também é equivocado. O roteiro vai se amarrando em função da amizade de Renato e Aninha, quando, na verdade, tudo deveria ser Renato. O líder da Legião Urbana era alguém de personalidade marcante, de relacionamento complicado, perturbado, perfeccionista, compositor de mão cheia. Um cara perfeito para segurar um filme praticamente sozinho.

Thiago Mendonça e Laila Zaid estão até bem no filme. Fazem aquilo que Somos tão Jovens pede. O Renato de Thiago Mendonça já apresenta movimentos que alguns anos depois o mesmo repetiria no palco, diante fãs alucinados. Além do mais, dispara frases que, ali na frente, virariam músicas consagradas (este, um clichês desnecessário).

Vale pela nostalgia. Vale pela curiosidade de saber como foram compostas algumas canções. Vale pelo registro daqueles cinco ou seis anos de construção de uma cena. Como cinebiografia do líder da maior banda de rock do Brasil, fica devendo.

Gênero: Drama
Duração: 104 min.
Origem: Brasil
Direção: Antonio Carlos Fontoura
Roteiro: Marcos Bernstein
Distribuidora: Imagem Filmes e Fox Film do Brasil
Censura: 14 anos
Ano: 2011
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Das grandes sacadas da publicidade e propaganda nacional

Sou grande fã de Legião Urbana. Daqueles que sempre achou um absurdo demorarem tanto tempo para filmarem Eduardo e Mônica e Faroeste Caboclo. Uma das minhas maiores vontades, na verdade, era assistir a uma supertriologia, três filmaços, com roteiros amarrados, que contassem as vidas do João de Santo Cristo, do Eduardo, da Mônica e do João Roberto - aquele que era o maioral da música Dezesseis (álbum A Tempestade), que cantava Beatles e Rolling Stones e batia pegas nas estradas da Brasília. Tem muita história aí, muito cinema!
A operadora de telefonia Vivo foi no embalo das gravações do filme sobre Faroeste Caboclo e preparou para sua campanha de dia dos namorados um curta metragem baseado na música Eduardo e Mônica. Umas daquelas ideias que caem do céu e dão certo de forma espetacular. O vídeo, que em dois dias alcançou quase 7 milhões de visualizações no You Tube, tem a direção de Nando Olival, produção de O2 Filmes e a criação é da Agência Africa.