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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Jimi Joe toca no República do Rock

Luís Bissigo para Prefeitura de Porto Alegre

Julia Franzon / PMPA
O Projeto República do Rock, na próxima terça-feira, 7, terá folk e o blues, dois gêneros que floresceram no interior dos Estados Unidos no século passado e fazem parte do DNA do rock. Essas duas vertentes musicais estarão em evidência no projeto República do Rock, com shows de Jimi Joe e Renato Velho e Manéco Rocha.

Um dos grandes personagens da cena independente, o músico, jornalista e radialista Jimi Joe está de volta às atividades musicais este ano, depois de passar por um transplante de rim em 2013. Com 39 anos de trajetória, ele revisita canções conhecidas - como Sandina, Dani, Primeiro Instante e Fecha Um - e apresenta novidades que estarão em seu próximo álbum solo, em fase de produção. No palco, Jimi (guitarras, violões, harmônicas e voz) terá ao lado Carlos Magno (bateria) e Gustavo Chaise (baixo e vocais).

A noite começa com o espetáculo 50 Tons de Blues, reunindo os instrumentistas Renato Velho (violões) e Manéco Rocha (washboard, kazoo e spoons). A tônica é o blues acústico dos primórdios do estilo, lembrando temas de artistas como Charley Patton, Robert Johnson, Blind Willie McTell e Mississippi John Hurt. O CD 50 Tons de Blues rendeu a Velho o prêmio de Melhor Intérprete na categoria Instrumental do Prêmio Açorianos de Música 2013.

A curiosidade é que Renato Velho colaborou no primeiro álbum solo de Jimi Joe - Saudade do Futuro (2005), premiado com o Açorianos de Música na categoria Compositor Pop -, o que sugere a possibilidade de uma interação entre as duas bandas no palco.

O projeto República do Rock é uma realização da Coordenação de Música da Secretaria da Cultura.


República do Rock
Atrações: Jimi Joe e 50 Tons de Blues (Renato Velho e Manéco Rocha)
Terça-feira, 7 de outubro, 20h
Teatro Renascença (avenida Erico Verissimo, 307, fone 51 3289-8066)
Ingresso: um quilo de alimento não perecível.
A retirada de senhas, na bilheteria do teatro, pode ser feita a partir das 19h.

sábado, 29 de março de 2014

House e sua banda em Porto Alegre

Carlos Macedo / Agência RBS
Ora, que falta de elegância da minha parte. Tanto com Mr. Hugh Laurie quanto com sua Copper Bottom Band. Ambos de uma competência inegável, enquanto eu, um mero blogueiro do sul da América do Sul, os reduzo à óbvia referência ao seriado médico-cômico-investigativo Dr. House. O que, aliás, creio que não incomode tanto assim o ator e músico inglês. Ele sabe muito bem se aproveitar do sucesso do consagrado personagem. Mesmo assim, o título dessa postagem segue sendo uma falta de consideração - apenas aparentemente, lhes garanto.

Hugh adentrou o palco do Teatro do Sesi, em Porto Alegre, na última quinta-feira (29), dois - talvez três - minutos após a banda iniciar os trabalhos. Aquela velha jogada ensaiada. Como o público veio abaixo, Laurie já sentiu o clima da casa, o recepcionando como se fosse um velho astro do rock. Ou do blues, como tenho certeza que preferiria. A mesma certeza não tenho quanto a preferência musical do público presente. Das mil e quinhentas pessoas, quantas ali foram pra ver o House? E pra ver o Hugh? E pra ouvir blues?

Agora, tenho absoluta certeza que todos se divertiram muito e saíram encantados com a simpatia do inglês que revisa os clássicos da música negra americana. Não foi apenas um show, foi um espetáculo completo, envolvente, divertido. Hugh Laurie, o House, não é necessariamente um grande cantor, mas ele sabe cantar sim, se vira muito bem no violão e no piano tem desempenho mais que satisfatório. A partir desse músico razoavelmente interessante, o ator vem à tona. O esguio e enérgico interprete de 54 anos domina o palco, conta histórias, faz piadas, interage com o público e dança.

Carlos Macedo / Aência RBS

A Copper Bottom Band também faz seu papel. Com muita pegada, são sete músicos de muito sangue black correndo nas veias, uma enorme variedade de instrumentos e tem ainda aquelas clássicas dancinhas das backing vocals que sempre cantam absurdamente bem. Coisa de negrão, de qualidade, música de raiz, tudo executado de uma maneira legal, competente e divertida.

Ao longo do show, Hugh Laurie falava sobre seus ídolos e sobre cada canção. Destaques para Iko Iko, a canção que abriu a noite, do grupo feminino The Dixie Cups (vídeo abaixo), You Never Can Tell, de Chuck Berry, o tango El Choclo e, no bis, com o público todo em pé, aglomerado na frente do palco, uma versão do samba Mas que nada, cantado em português.

Não esperava menos do perspicaz Dr. House.