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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Filme de Segunda 116

Os Amantes Passageiros


Almodóvar é sempre Almodóvar. É fácil reconhecer um filme do diretor espanhol, mesmo o trabalho não sendo o que se chama de filme de diretor. Os Amantes Passageiros marca o retorno de Pedro Almodóvar desde o excelente e perturbador A Pele que Habito, de 2011. São trabalhos completamente diferentes. Enquanto um propõe uma trama envolvente, pesada e surpreendente, o mais recente longa é uma comédia escrachada, com piadas bobas e personagens caricatos.

Figurinhas carimbadas em filmes de Almodóvar, Antonio Banderas e Penélope Cruz aqui fazem uma participação especial, papeis pequenos que acabam sendo definitivos para o destino dos passageiros do voo onde se passa o filme inteiro.

Devido a um problema mecânico, o avião não consegue aterrizar, criando a expectativa de morte eminente aos personagens. Dentro disso, Almodóvar cria um cenário surreal, com uma comissão de bordo completamente desregulada (e hilária), passageiros excêntricos (e que se conhecem sabemos lá de onde), além de uma falta de pudor sexual que apimenta o clima de Os Amantes Passageiros.

Não se trata de um Pedro Almodóvar que faz pensar, que choca em tramas bem costuradas. Se trata de alguém que resolve gozar com a humanidade, recriando o planeta Terra em escala reduzida, dentro de um avião. O mérito de Os Amantes Passageiros é conseguir ser escrachado e fácil, e mesmo assim ser uma deliciosa comédia.

Amodóvar pra rir, e não para chocar. 

Gênero: Comédia
Duração: 90 min.
Origem: Espanha
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2013
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Filme de Segunda

Tudo sobre minha mãe
*Texto reciclado, postado neste blog 21/04/2010
Em 2000 o Academia premiava o filme Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar, com o Oscar de melhor filme estrangeiro. No mesmo ano, o diretor foi premiado no Globo de Ouro. Um ano antes, no Festival de Cannes, a Palma da Ouro de melhor diretor também foi para Almodóvar. À época, portanto, o cineasta espanhol e seu filme foram devidamente premiados, aclamados por público e crítica.
Uma década depois - tardiamente, admito - assisti ao filme. Foi mais precisamente nesse feriado de Tiradentes, à tarde. Tudo sobre... é algo de extraordinário, uma história bizarra se contada de qualquer boca que torna-se uma obra-prima nas mãos, nos olhos e no texto de Almodóvar.
Imagine uma mãe que, por 17 anos, criou o seu filho sozinha, sem a figura do pai. E mesmo com o filho lhe cobrando a identidade do pai, ela se recusa em abrir o jogo. Ok, até então uma história como qualquer outra. Mas o filme só torna-se o filme que é quando essa mãe, Manuela (Cecilia Roth), decide mexer no passado e ir para Barcelona atrás do seu ex-marido, pai de seu filho - um travesti machista, com seios maiores que os seu.
Em Barcelona Manuela nos apresenta um universo de personagens femininos, todos espetacularmente distintos, com histórias bem particulares que completam uns aos outros. Em Tudo sobre minha mãe a figura do homem é dispensável, Almodóvar deixa de lado macho convencional, tudo que o diretor precisa ele tem de suas atrizes. Aliás, está aí um dos pontos mais incríveis desse filme, as atrizes: todas de atuações impecáveis, e nenhuma delas com um papel simples. Desde a protagonista Cecilia Roth, passando pela experiente Marisa Paredes até Penélope Cruz, com seus 25 anos de juventude e beleza.
Tudo sobre minha mãe é um filme que merece ser visto em qualquer época, dez, vinte ou trinta anos depois de seu lançamento, não importa. Importa é que seja visto de mente e coração abertos, para que possamos nos emocionar com o que não é habitual, mas tão humano quanto o habitual.
Classificação PoA Geral
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Filme de Segunda

Volver
Pedro Almodóvar me parece ser um caso raro de gay que não gosta de homem, prefere as mulheres. Nos filmes do cineasta espanhol os personagens homens são dispensáveis, quase sempre de segunda ou terceira importância. As mulheres que brilham nas obras de Almodóvar. É assim em Volver, filme de 2006, que tem a direção e o roteiro do cineasta.
O drama se passa em Madrid, no universo que rodeia a dona de casa Raimunda (Penélope Cruz), que mora num apartamento pequeno com seu marido desempregado e sua filha adolescente, tem uma relação muito próxima com sua irmã, uma mulher divorciada, e com uma amiga de infância, mulher solitária que vive ainda no afastado vilarejo onde todas nasceram e toma conta de uma tia de Raimunda.
O filme começa com um cotidiano simples, de uma comédia dramática leve, toma ares de suspense, entra no campo da fantasia e acaba como um drama pesado, de história com complexas relações humanas. Sem dúvida nenhuma um grande filme. Almodóvar constrói personagens fortes, com características diferentes umas das outras.
O elenco principal é composto de cinco atrizes, encabeçado pela deslumbrante Penélope Cruz. A atriz sempre funciona muito bem nos filmes de Almodóvar, em Volver, como protagonista, faz um trabalho competente e rouba a cena pela beleza encantadora. O filme gira em torno de Raimunda, sua relação com as outras personagens, o resgate de um passado sombrio e o suposto retorno do espírito de sua mãe, peça chave na trama, que morrera há quatro anos.
Filme de encher os olhos, ou a tela de qualquer cinema, TV ou PC. Pelo texto de Almodóvar, pela direção do cineasta, pela história forte, pela Penélope Cruz. Filmão, Volver, de Pedro Almodóvar.

Classificação PoA Geral
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável  

 

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tudo sobre minha mãe

Em 2000 o Academia premiava o filme Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar, com o Oscar de melhor filme estrangeiro. No mesmo ano, o diretor foi premiado no Globo de Ouro. Um ano antes, no Festival de Cannes, a Palma da Ouro de melhor diretor também foi para Almodóvar. À época, portanto, o cineasta espanhol e seu filme foram devidamente premiados, aclamados por público e crítica.

Uma década depois - tardiamente, admito - assisti ao filme. Foi mais precisamente nesse feriado de Tiradentes, à tarde. Tudo sobre... é algo de extraordinário, uma história bizarra se contada de qualquer boca que torna-se uma obra-prima nas mãos, nos olhos e no texto de Almodóvar.

Imagine uma mãe que, por 17 anos, criou o seu filho sozinha, sem a figura do pai. E mesmo com o filho lhe cobrando a identidade do pai, ela se recusa em abrir o jogo. Ok, até então uma história como qualquer outra. Mas o filme só torna-se o filme que é quando essa mãe, Manuela (Cecilia Roth), decide mexer no passado e ir para Barcelona atrás do seu ex-marido, pai de seu filho - um travesti machista, com seios maiores que os seu.

Em Barcelona Manuela nos apresenta um universo de personagens femininos, todos espetacularmente distintos, com histórias bem particulares que completam uns aos outros. Em Tudo sobre minha mãe a figura do homem é dispensável, Almodóvar deixa de lado macho convencional, tudo que o diretor precisa ele tem de suas atrizes. Aliás, está aí um dos pontos mais incríveis desse filme, as atrizes: todas de atuações impecáveis, e nenhuma delas com um papel simples. Desde a protagonista Cecilia Roth, passando pela experiente Marisa Paredes até Penélope Cruz, com seus 25 anos de juventude e beleza.

Tudo sobre minha mãe é um filme que merece ser visto em qualquer época, dez, vinte ou trinta anos depois de seu lançamento, não importa. Importa é que seja visto de mente e coração abertos, para que possamos nos emocionar com o que não é habitual, mas tão humano quanto o habitual.