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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Filme de Segunda 174

Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)


O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu dificilmente erra. A sua filmografia (21 Gramas, Babel, Biutiful) já é de admirável relevância ao cinema comercial produzido a partir dos anos 2000. Indicado a várias categorias do Oscar, inclusive a de melhor filme, Birdman pode até não ser seu melhor trabalho, mas é certamente o mais ousado. O drama é dotado de humor negro, sugere um grande plano-sequência de quase duas horas e é um exercício refinado de metalinguagem.

O filme segue Riggan Thomson (Michael Keaton) no palco e nos bastidores de um teatro da Broadway, em Nova Iorque, dias antes de estrear a peça em que dirige e atua. Ele aposta todas suas fichas nesse trabalho para retomar o prestígio e o sucesso que tinha há 20 anos, quando viveu no cinema o herói Birdman, em uma exitosa adaptação dos quadrinhos para as telonas. Thomson se sente pressionado e, inseguro, quer provar a todo o custo ser um ator capaz de fazer algo além de um blockbuster.


Quase tudo em Birdman é metalinguagem, ilusão ou provocação. A começar pelo protagonista. Michael Keaton foi o Batman nos filmes de Tim Burton, no início da década de 1990. De lá pra cá nunca mais conseguiu fazer papeis de relevância no cinema. O filme de Iñárritu é um retorno e tanto, trazendo uma atuação realmente marcante e o tornando um dos nomes favoritos ao Oscar de melhor ator. Da mesma forma Edward Norton e Emma Stone, que fazem personagens essenciais para a trama, já frequentaram o universo das adaptações. Norton já foi Hulk, enquanto a linda Stone foi Gwen Stacy em dois filmes do Homem-Aranha.

Birdman lembra muito o ótimo Cisne Negro, sobretudo quando o pressionado Riggan Thomson passa a ter alucinações. O perturbado ator não consegue se livrar da sombra sempre presente do herói do passado, que frequentemente conversa e cobra atitudes como se fosse um alter ego de vida própria. De forma sutil, contudo, o diretor consegue sempre deixar uma dúvida quanto ao que é alucinação e o que é real.

O texto, acompanhado de um trabalho primoroso (e ousado) de montagem, de fotografia, trilha sonora e, claro, de atuações, estabelece um tom crítico à industria hollywoodiana com seus filmes (na opinião de Iñárritu) vazios, mas cheios de explosões, efeitos especiais e atores ruins. Ironicamente, e propositalmente, Birdman surge no auge dos filmes de super-heróis.

Sobre o desfecho, sem spoiler, só posso dizer que cabe mais de uma interpretação. Contudo, todas elas são muito interessante e não diminuem o valor da obra deste baita cineasta mexicano que é o Alejandro González Iñárritu.

Gênero: Drama
Duração: 119 min.
Origem: EUA
Direção: Alejandro González Iñárritu
Roteiro: Iñárritu, Alexander Dinelaris, Armando Bo, Nicolás Giacobone
Distribuidora: Fox Film Brasil
Censura: 16 anos
Ano: 2014
Classificação PoA Geral
- Obra (10)
X Baita Filme (9)
- Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Filme de Segunda 169

Boyhood - Da Infância à Juventude


O projeto atípico do cineasta Richard Linklater, Boyhood, chega a ter pouco mais de três horas de duração. Quando acabou a sessão, a única coisa que pensei era que poderia passar a noite inteira assistindo aquele filme. O longa metragem, simples, delicado e certeiro, é absolutamente encantador, assim como a filmografia do diretor, mas principalmente se buscarmos referência na trilogia de mesma essência Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes da Meia-noite (2013), que leva o espectador a acompanhar a vida de um jovem casal até a meia idade.

Linklater passou os últimos 12 anos gravando algumas cenas por temporada com o elenco de Boyhood. Aqui o tempo passa de verdade, os atores envelhecem de verdade. A narrativa é contada cronológicamente desde os 5 anos de idade de Mason (o ator Ellar Coltrane), até os 18, quando ingressa na faculdade. A fórmula não é inédita, mas raramente é usada. O elenco também conta com a excelente Patricia Arquette (mãe de Mason), Lorelei Linklater (irmã de Mason no filme e filha do diretor na realidade) e Ethan Hawke (pai das crianças), sempre muito à vontade com os textos de Linklater.


Apesar de haver um protagonista, e o intuito principal seja retratar com realismo e situações cotidianas a passagem da infância para adolescência, até o início da fase adulta, Boyhood é uma grande reflexão sobre a vida de uma forma geral. Sobre a passagem do tempo e como às vezes não nos damos conta que o tempo está passando. Quanto a isso, há uma cena maravilhosa já nos minutos finais, quando Mason arruma suas coisas para ir para faculdade enquanto sua mãe observa e se pergunta sobre o tempo que passou.

Um dos grande méritos do diretor é construir uma trama que é dramática, mas nunca pesada. À periferia do protagonista acontecem inúmeras coisas que, de certa forma, são cotidianas a todos nós, como separações, mudanças de cidade, novas amizades, brigas etc. Tudo tão íntimo, tão próximo ao espectador, mesmo sendo aquele um retrato americanizado da sociedade.


As poucas vezes em que se tira o sorriso no rosto durante Boyhood é para dar lugar às lágrimas nos olhos. Não é difícil, entretanto, que as duas coisas aconteçam juntas. Ainda mais com a trilha sonora competente, sempre marcando bem a época que o filmes está, e o tom documental de acompanhar a vida daqueles personagens.

Fico profundamente feliz por ter tido a oportunidade de assistir essa bela dissertação sobre a vida que é Boyhood

Gênero: Drama
Duração: 165 min.
Origem: EUA
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater
Distribuidora: Universal Pictures
Censura: 14 anos
Ano: 2014



Classificação PoA Geral
- Obra (10)
X Baita Filme (9)
- Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Filme de Segunda 82

Intocáveis

Como faz bem pra cabeça assistir a um filme que foge dos clichês hollywoodianos, ainda que Intocáveis tenha suas artimanhas e saiba ser um filme extremamente popular, fácil de ser assistido. Dirigido e roteirizado   pela dupla Olivier Nakache e Eric Toledano, o filme bateu recorde de bilheteria na França, em 2011. Nada é à toa.

Intocáveis é aquele tipo de filme que é o tipo de todo mundo. Baseado em fatos reais, o longa francês apresenta uma história bem contada, com personagens carismáticos, com situações engraçadas e emocionantes. Engraçado sem ser besta; emocionante sem ser pesado. Não tem como não gostar. Assistir a   Intocáveis é uma terapia.

Os diretores Olivier Nakache e Eric Toledano contam a história do bem-sucedido empresário Philipe, tetraplégico da alta sociedade parisiense que busca um assistente pessoal que seja o seu corpo, já que não possui nenhum tipo de movimento do pescoço para baixo. Entre alguns candidatos, decide contratar Driss, jovem da periferia de Paris, recém saído da cadeia, que vai à entrevistas de emprego para garantir que continue ganhando auxílio-desemprego.

São duas figuras completamente diferentes, de origem opostas. É neste contraste em que se baseia o roteiro de Intocáveis. O homem negro, jovem, saudável, com problemas familiares, passagens pela polícia construindo uma relação de amizade, confiança e auto-conhecimento (de ambas as partes) com uma aristocrata branco, rico, deficiente físico. É deste tipo de contrates que sai  duas melhores cenas do filme: primeiro, quando Philippe e Driss vão a uma ópera; mais pra frente, quando Driss dança e apresenta a soul music para seu chefe.


O entrosamento entre François Cluzet (Philippe) e Omar Sy (Driss) é o ponto alto do filme. Os dois parecem ter nascidos para o papel e para atuarem juntos. Tanto é que, na França, Omar Sy desbancou
Jean Dujardin no César 2011, ganhando o prêmio de melhor ator. Dujardin, para quem não lembra, levou o Oscar de melhor ator por O Artista.


É preciso ressaltar, entretanto, que um dos maiores méritos de Intocáveis talvez também seja seu maior defeito. O roteiro não se aprofunda em nenhuma questão essencial do filme. É uma comédia dramática muito mais comédia, sem nenhum posicionamento ou visão crítica. A história, por si só, já tem sua dramaticidade. Mas há situações ali que passam em branco pelos diretores. Racismo, xenofobia, a própria deficiência física.

É uma relação ambígua de mérito e defeito. Ao que se propõe ao filme, e pelo sucesso de Intocáveis, não tenho dúvida que prefiro acreditar em seus méritos.   

Gênero: Comédia, Drama
Duração: 112 min.
Origem: França
Direção: Olivier Nakache e Eric Toledano
Roteiro: Olivier Nakache e Eric Toledano
Distribuidora: Califórnia Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2011



Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Filme de Segunda 64

 A Arte da Conquista
Jackeline de Moraes

Um daqueles que te ganha cena a cena, assim é A Arte da Conquista. O longa conta com doçura e sensibilidade para ganhar o telespectador. E juro que funciona, mesmo sendo completamente contra os filminhos auto-ajuda, A Arte da Conquista me ganhou com a triste história do George. A trama propõe reflexões de forma tão sutil que quando percebemos estamos nos vendo nas crises adolescentes do garoto.

George é um jovem no final do ensino médio nada preocupado com a vida. Ele é um rebelde peculiar, não aqueles que extravasam, bebem e se drogam. Mas um rebelde deprimido, que não vê sentido na vida, já que no final ela nos leva sempre ao mesmo lugar, a morte. Seus dias de aluno indisciplinado se veem com os dias contados quando ele conhece Sally. Uma garota normal, que encara seus problemas de outra forma e, apesar de o achar estranho, convida o novo amigo para novas descobertas. As novidades trazem amigos, paixão, uma vida normal e a utilização da suas habilidades artísticas.

O filme é tão simpático, que pode ser chamado de fofo. Os detalhes de fotografia e figurino foram os que me chamaram atenção, este último reflete bem a personalidade de cada personagem. Inclusive, percebam que o casaco de George faz com que ele pareça carregar o mundo nas costas.

A trama é toda bem desenrolada e chega à arrancar algumas risadas. Gostei principalmente da proposta, o rebelde diferente, o rebelde quase emo, mas sem rótulos. O cara que não encontra lugar no mundo. As reflexões são proporcionais a sensibilidade do espectador, mas asseguro que são muitas. Enfim, filme bem pensado e com trato impressionante sobre o que e fazer com a nossa vida.

Gênero: Drama
Duração: 83 min.
Origem: EUA
Direção: Gavin Wiesen
Roteiro: Gavin Wiesen
Distribuidora: Vinny Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2011
Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Filme de Segunda 59

Sete Dias com Marilyn
De Jackeline Moraes

Sempre quando escrevo as críticas aqui do blog procuro ser o mais direta possível. E não será diferente hoje: INCRÍVEL! Não estaria exagerando se dissesse que a resenha já poderia acabar aqui mesmo. Acabo de resumir para os leitores descrição perfeita do longa.

Sete Dias Com Marilyn é a narração de uma semana vivida ao lado da Musa. O jovem Colin Clark (Eddie Redmayne), aspirante a diretor, retrata com riqueza de detalhes cada olhar de Marilyn Monroe (Michelle Wlliams). A intensa relação vivida pelo jovem e a encantadora atriz é tratada com doçura e sensibilidade.

Michelle Williams está impecável, encarnou bem o personagem que visava não mostrar a Marilyn linda e cheia de vitalidade, e sim a Marilyn sorridente com olhos tristes, a Marilyn na crise dos 30 anos. Para os fãs da Marilyn esse filme é indispensável, para os que não são, vale, pois é um lindo drama simpático. Não apela para mortes, doenças ou tragédias, é triste e melancólico só pelos olhos da protagonista e pela forma como ela é feliz longe de todo o glamour.

Aliás, dizem que era impossível tirar os olhos de Marlyn quando ela estava atuando, que sua beleza era hipnotizadora. Se era assim, Williams entendeu de fato a proposta. Ela está tão encantadora que, por vezes, é impossível prestar atenção em qualquer outra coisa na cena a não ser seus olhos ou seu sorriso. Mas Michelle não leva o filme nas costas, engana-se quem pensa que os créditos são todos dela. O filme é todo bonito, figurinos lindíssimos, as luzes e sombras também são de tirar o fôlego.

Eddie Redmayne atuou tão bem que cheguei a me perguntar: porque nunca vi esse guri em outro filme? Seu olhar de ingênuo e encantado se assemelhou ao meu de embasbacada de tanta beleza no final do filme.

Gênero: Drama
Duração: 99 min.
Origem: Reino Unido
Direção: Simon Curtis
Roteiro: Adrian Hodges e Colin Clark
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 10 anos
Ano: 2011
Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 5 de março de 2012

Filme de Segunda 58

O Artista

Quando me caiu a ficha, confesso ter me emocionado. Não com o filme propriamente dito, mas muito mais com o contexto. Nunca imaginei que um dia estaria dentro de uma sessão lotada de cinema, em pleno 2012, numa era de grandes blockbusters em 3D, assistindo a um filme mudo e preto e branco. O mais incrível é que eu não estava sozinho ali. Talvez, não fosse o Oscar há uma semana, metade daquelas pessoas não estaria no cinema para ver O Artista. Aí, tenho certeza, o encanto não seria tão forte.

O filme do diretor Michel Hazanavicius é um "engana bobo". Tem tudo para ser chato, afinal quem está acostumado com filmes de 100 minutos sem uma palavra ou cor? Pois O Artista é exatamente o contrário. É uma comédia romântica com desdobres clichês, mas num formato corajoso e, podemos dizer (70 anos deoius do cinema mudo), inovador. Não é de graça que o filme de Hazanavicius empilhou premiações nos principais festivais do mundo, tais como BAFTA, Cannes, Globo de Ouro e Oscar.

A história se passa entre 1927 e 1932, quando o astro do cinema mudo, George Valentin, vai do auge ao fundo do poço. Valentin se recusa a entrar na nova industria de filmes falados e decide seguir fazendo cinema mudo, mas também como produtor e diretor. Enquanto isso, uma fã apaixonada pelo astro, que começou trabalhando nos filmes de George Valentin, estoura como a grande atriz do novo cinema.
A atuação do casal protagonista é impecável. Tanto o Jean Dujardin quanto a encantadora Berénice Bejo tem a desafio de interpretar como se tivessem há décadas do século XXI. É um trabalho que fica distante do sutil, fica carregado na caricatura, pois gesticular, fazer caras e bocas, passa a ser essencial.

Ir ao cinema assistir ao filme de Michel Hazanavicius é um experiência única por enquanto. Digo por enquanto porque talvez se produzam a partir de agora filmes no mesmo formato. Mas garanto que não será fácil chegar ao nível de O Artista, um dramalhão envolvente e uma comédia divertida que faz, antes de qualquer coisa, uma homenagem ao cinema.

Gênero: Comédia, Drama
Duração: 100 min.
Origem: Estados Unidos e França
Direção: Michel Hazanavicius 
Roteiro: Michel Hazanavicius
Distribuidora: Paris Filmes 
Censura: livre
Ano: 2011
Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo  

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Filme de Segunda 54

Os descendentes
Estamos numa boa época de ir ao cinema. É a época em que chaga ao circuito comercial brasileiro os filmes indicados e ganhadores de alguns dos principais festivais de cinema do mundo. Este é o caso de  Os descendentes, ganhador de dois Globos de Ouro (melhor filme e melhor ator dramático) e indicado à cinco categorias no Oscar.

Os descendentes é um drama familiar, com uma história pesada, daquelas de embrulhar o estômago e nos fazer pensar: e se fosse comigo? Porém, apesar de um drama pesado, a direção de Alexander Payne e a atuação de George Clooney deixam a história menos complicada de ser digerida pelo público.

Matt King, personagem de Clooney, é advogado, casado, pais de dois filhos, nascido no Havaí e responsável por gerir o espólio da família, herdeira de uma valiosa quantidade de terra da antiga realiza havaiana. Além das negociações milionárias que analisa, discute com os primos e que definirão o futuro econômico da família como um tudo, Matt ainda se depara com uma situação chave de sua vida, o coma da sua esposa e a responsabilidade até então nova para ele de cuidar das duas filhas, uma de 10 e outra de 17.

O grande mote da trama é que a certa altura Matt descobre que sua esposa, que está em coma e prestes à morrer, tinha um amante e este amante é um dos caras que mais vai lucrar com suas negociações do espólio de família.

Em Os descendentes ninguém é vilão, embora facilmente esta ideia possa ser empregada a qualquer um dos personagens. Alexander Payne tenta ao máximo esvaziar a figura do vilão, e tem méritos. A história toca o espectador, mas não ao ponto de revoltar. Mas talvez comover, entender e que perdoar vai de cada um, mas seguir em frente é essencial.

Clooney está demais. Merece o Globo de Ouro e a indicação ao Oscar. Não exagera em nenhum momento, não faz caricatura de nada. George Clooney é um dos caras legais de Hollywood! Faz cinema porque gosta, não porque quer ser galã. Está sempre metido em projetos legais, que ele faz pra se divertir e pra atuar.

Os descendentes vale pelo trabalho de George Clooney, vale pelas das atrizes mirins que são muito simpáticas, pela trilha toda com música havaiana, maravilhosa, e pelo diretor, que sempre faz filmes muito bons, e este é mais um.

Gênero: Drama
Duração: 117 min.
Origem: Estados Unidos
Direção: Alexander Payne
Roteiro:  Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash, baseados na obra de Kaui Hart Hemmings
Distribuidora: Fox Film
Censura: 14 anos
Ano: 2011




Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável


  

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Filme de Segunda

Especial Final de Ano
Este é o último Filme de Segunda de 2011. Portanto não comentarei nenhum filme em especial, hoje farei algumas considerações, agradecimentos, observações. Ao longo do ano foram 42 textos, a imensa maioria deles comentando filmes lançados em 2011.
Comecei esta coluna em Novembro de 2010 e é um orgulho muito grande conseguir manter tamanha regularidade e falhar poucas segunda-feiras. Aqui não posso deixar de agradecer minha colega de jornalismo Jackeline Moraes, que em junho passado começou a dividir a coluna comigo. No nosso acordo fica uma semana pra cada um, o que facilita que sejam comentados filmes recentes - que é o que torna a coisa interessante.
Olha aí a lista de filmes lançados esse ano que eu e a Jackeline comentamos:

Acho a lista muito boa, o que acaba tornando as críticas do blog bem boazinhas, pois não se fala mal de quase ninguém! As classificações mais baixas do ano ficaram à cargo da Jackeline, isso talvez porque ela veja mais filmes que eu, portanto a probabilidade de assistir bomba é maior. Da lista,o pior que eu vi foi o nacional Assalto ao Banco Central, que classifiquei como bom filme, mas não é. Fui desgostando do filme conforme escrevia, mas por algum motivo não mudei a classificação que tinha na cabeça antes de começar a escrever. Pra Jacke, o pior foi de A Inquilina, que ela classificou como meia-boca. E aí vasculhando aqui achei o 11-11-11, que ela classificou como ruim! Nem sempre se consegue ser coerente.
O nosso Top 3 ficou parecido, ainda que não tenhamos elencado posição. Pra mim, os grandes espetáculos do ano foram Cisne Negro, Meia Noite em Paris e A Pele que habito. Minha colega de blog concorda com Cisne Negro e Meia Noite em Paris, mas coloca na sua lista o Atividade Paranormal 3, pra ela o melhor da franquia, e que merece o posto pela surpresa que lhe causou.
Contudo, não foram estes os filmes que nos emocionaram. Da lista, chorei com Toy Story 3, O Palhaço e Late Bloomers, todos com histórias lindíssimas sobre a vida. Já a ala feminina da coluna foi pega pelo romance, e se emocionou mais com One Day e Larry Crowne. Dois filmes, aliás, que não vi (ainda), mas já gostei...
Semana que vem já será dia 2 de janeiro de 2012! Com sinceridade, ainda não sei se terá texto novo. Ainda estou analisando o período de férias deste querido blog. A unica certeza é que a coluna semanal sobre cinema vai seguir. E torço para que o saldo seja positivo como é ao final desse ano. Que venha mais um ano de Cinema no PoA Geral!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Filme de Segunda

A pele que habito
O novo filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar já está em cartaz há algumas semanas. Caso você não queira perder um dos melhores filmes do ano, vá logo ao cinema. Caso você goste de terror e suspense, mas não engole muito monstros ou se incomoda de levar sustos a cada 5 minutos, não deixe de assistir A pele que habito.
Almodóvar volta afiado depois de lançar em 2009 um pouco aclamado Abraços Partidos. O novo filme do espanhol é uma adaptação do livro Tarantula, do escritor francês Thierry Jonquet. Uma boa oportunidade para Almodóvar fazer uma grande homenagem ao cinema de terror, com o clássico médico/cientista louco, que faz experiências na sua mansão.
O personagem de Antônio Banderas é um cirurgião plástico que trabalha na criação de uma pele artificial, mais resistente que a pele humana. Além disso, vive o transtorno de ter perdido a esposa e a filha. Mais que isso não posso contar.

A trama de A pele que habito é um mistério desde o início. E desde o início segredos vão sendo revelados. A cronologia do filme, certa hora, parece confusa, a história vai e volta no tempo, porém tudo fica muito claro no final. A cada cena Almodóvar nos dá motivos para não tirarmos os olhos da telona.

Se o suspense fica por conta dos enigmas da mansão do Dr. Robert Ledgard, o terror não está no filme. O terror está na platéia, no mal-estar que toma conta do espectador. A coisa só piora, e como Almodóvar tem o talento de tornar factível suas bizarrias, ficamos mais vulneráveis à trama de A pele que habito.

Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Filme de Segunda

Super 8
De Jackeline Moraes, cinéfila e estudante de jornalismo (escreve para o blog a cada 14 dias) 
Quando esperamos muito por algo, nós temos mais chances de nos decepcionar devido a tamanha expectativa que colocamos naquilo, certo? Errado. Pelo menos não para Super 8, que superou todas as minhas expectativas.
J.J. Abrams não me deixa dúvidas da sua genialidade ao produzir uma das minhas séries favoritas, Fringe. Ele também foi o produtor e diretor de Lost e, convenhamos, ele tem a dosagem do suspense. Não me perdoaria se não falasse do Spielberg, produtor de Super 8, que adicionou todas as suas particularidades ao longa, deixando-o mais instigante ainda.
Essa combinação J.J. Abrams e Spielberg deu tão certo que o filme consegue ser divertido e misterioso. E por falar em mistério, Abrams pesa a mão no suspense e nos deixa presos aos segredos até o final.
Super 8 conta a história de um grupo de adolescentes da década de 70 que está gravando um filme de zumbi, com uma câmera super 8. Presenciam e gravam um acidente de trem das forças armadas, e de dentro de um vagão algo enigmático escapa. O mistério do acidente abre viés para ficção cientifica e até teorias da conspiração.O filme é nostálgico, mas não dramático demais, todos os detalhes cronológicos são coerentes, a fotografia me deixa sem palavras, muitas luzes e contrastes. 
Os efeitos especiais são de boa qualidade e só pra não deixar de dar meu pitaco amargo, confesso que me decepcionei um pouquinho com a “revelação do mistério”, mas foi bem pouquinho mesmo. O elenco é completamente competente, surpreendente a atuação da Elle Faning, suas expressões faciais são muito convincentes. O grupo de jovens não nos deixa distante da diversão adolescente e dos calafrios do primeiro amor. E tudo isso regado a muito mistério e suspense.(É mole??)
Considerei um dos melhores filmes que eu vi em 2011. E podem contar que me encontrarão essa semana por alguma sessão por aí, pois esse filme deve ser contemplado mais de uma vez.
(nota do editor: não assista ao trailer, apenas assista ao filme.)*

Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)

- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Filme de Segunda

O ritual
De Jackeline Moraes, cinéfila e estudante de jornalismo (escreve para o blog a cada 14 dias)
Tenho duas confissões a fazer, a primeira delas é que não tenho tido muito tempo para ir ao cinema, isso explica o por quê deste filme, que é lançamento, mas de locadora. A segunda é que não tenho tanta fé na minha imparcialidade quanto a filmes com o Antony Hopkins, sempre acho suas atuações extraordinárias, mas prometo fazer o possível.
O ritual é baseado em um livro escrito por um jornalista que conviveu com padres “aprendizes” de exorcistas, e só isso já adiciona um pouco mais realidade ao filme. Michael Kovak (Colin O’Donoghue) vive um seminarista decidido a não seguir os passos de seu pai, dono de uma funerária. Porém para seguir a carreira sacerdotal é preciso mais que vontade, é preciso antes de tudo ter fé e isso Michel esqueceu de levar para o seminário.
Diante de todo o ceticismo do jovem padre, seus superiores o encaminham ao Vaticano para estudar a prática do exorcismo. Entretanto, além da falta de fé, o conhecimento em psicologia também atrapalha seus estudos, cegando-o de racionalidades. Como tentativa de convencê-lo que as possessões eram reais, o enviam ao Padre Lucas (Antony Hopkins), o “pai dos exorcismos não ortodoxos”. Junto de Lucas, ele vive experiências assustadoras que o fazem questionar o que realmente é real.
Quanto a trama, é ótima, tem surpresas e sustos e ainda foge do tradicional filme de exorcismo, escapa quase ileso dos clichês, o contexto geral é bem interessante pois propõe reflexões sobre família, religião, fé etc. Quanto as atuações, achei o Colin O’Donoghue talvez um tanto apático, enquanto Hopkins enchia a telona de mistérios e suspenses, mas também há alguns traços de humor desnecessários.
Mikael Håfström (1408, filme de 2007) é o diretor do longa, que me surpreendeu e me fez pular no sofá algumas vezes. O ritual já está nas locadoras e vale cada unha roída.

Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)

- Obra
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- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Filme de Segunda

Meia noite em Paris
Começamos com o gênero. Se engana aquele que pensa ser mais uma comédia romântica de Woody Allen. Não. Meia noite em Paris ultrapassa o romântico, torna-se poético. Estamos diante de uma comédia, sim, engraçada, bem-humorada, ácida como a maioria das comédias do cineasta americano. Mas esta é uma comédia poética! Não sei se existe, não sei se o Woody Allen, ou você, concorda. Mas foi o que eu senti assistindo ao filme: poesia.

Talvez não exista cidade tão cinematográfica quanto Paris. É de um charme irresistível, de uma beleza inconfundível. A consequência disso é a fotografia do filme, espetacular. Tanto nas tomadas filmadas durante o dia quanto naquelas filmadas à noite, sobretudo quando Allen recria Paris nos anos de 1920, repleta de boates, cabarés, e frequentada pela nata da intelectualidade europeia.

O Woody Allen da vez é Owen Wilson. Confesso não ser grande fã do trabalho de Owen Wilson, mas aqui está impecável. Desde o jeito de caminhar até o modo de falar, tudo lembra Woody Allen. E no elenco não  tem ninguém de espetacular, nenhum grande nome, mas todos trabalhando numa sincronia muito boa, que funciona bem e dá o espaço adequado para que brilhem o texto, a história e a cidade.
Não sei até que ponto vale a pena ou até que ponto é sacanagem contar a sinopse do filme. Afinal, qual o mistério da meia-noite da cidade Cidade Luz? Quem descobriu foi Gil Pendler (Owen Wilson), roteirista de sucesso em Hollywood, insatisfeito com a pobreza de seus textos, que sonha em terminar seu livro, ser um romancista reconhecido, morar em Paris e não precisar mais ganhar dinheiro com os enlatados que escreve para o cinema.
Diferente de Gil pensam sua sogra, seu sogro e sua noiva Inez (Rachel McAdams). Isso fica claro na viajem deste quarteto à capital francesa. Enquanto Gil sonha e vive uma nostalgia sem fim, Inez só pensa no roteiro turístico, compras e sair com um casal de amigos "pseudointelectuais" (segundo Gil/Woody Allen).
Em Meia Noite em Paris Woddy Allen diverte o público ao mesmo tempo que se diverte, viajando no tempo e promovendo conversas e encontros que com certeza ele daria tudo para ter tido. Dá para dar boas risadas, dá para viajar e babar muito por Paris, além da boa música, os bons diálogos, a poesia que é Paris à meia-noite, a poesia que são os filmes de Woody Allen. Sempre indispensável.


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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Filme de Segunda

X-men: Primeira classe
De Jackeline Moraes, cinéfila e estudante de jornalismo (escreverá para o blog a cada 14 dias) 

A nova escolha da Marvel acerta em quase tudo, bem melhor que X-men: O Confronto Final (2006), o recém lançado X-men: Primeira Classe inova e deixa os fãs bem mais do que satisfeitos com o longa. Criado por cinco mãos, entre elas a do diretor de X-men 1 e 2, Bryan Singer, que não pôde dirigir o quinto filme da série, e agora assume o papel de produtor desta obra–prima dos mutantes. Dirigido por Matthew Vaughn (diretor de Kick-Ass - Quebrando tudo, de 2009) o longa é divertido, tem ritmo e muita ação.
X-men: primeira classe explica absolutamente tudo da raiz dos mutantes, centrado nos personagens Charles Xavier (James McAvoy) e Erick (Michel Fassbender), que têm visões diferentes sobre a postura dos mutantes na sociedade, começamos a entender o motivo da rivalidade entre Xavier e Magneto. Há também uma mutante a ser atenciosamente observada, Mística (Jennifer Lawrence) tem papel determinante da trama e completa um triângulo cheio de magoas, recalques e truques.
A grande sacada é o que o filme não se vende por um personagem só, ora ou outra cada mutante tema sua chance de brilhar neste longa. Os efeitos especiais são ótimos e sem exageros. A edição ficou por conta de Eddie Hamilton e Lee Smith, que já haviam editado Batman- Cavaleiro das trevas (2008) e Kick-Ass, e deixam X-men: primeira classe com sequências incansáveis.
Os poderes estilosos dos X-mens e toda a mensagem passada pelo filme é de deixar qualquer um de queixo caído. Então aí está a obra recomendadíssima, e se você tiver coragem faça o que eu não fiz no final da seção, levante-se da poltrona e aplauda.
Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)

- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Filme de Segunda

Tudo pode dar certo
Woody Allen faz um filme por ano. Tudo pode dar certo é de 2009, desde lá o cineasta americano já lançou os filmes de 2010 e 2011, e lançou em 2008, e 09... Temos aí uma penca de filmes de Woody Allen para escolher e assistir. Escolham o Tudo pode dar certo, comédia absolutamente extraordinária.
Dessa vez quem "encarna" o Woody Allen é Larry David, que faz um velho hipocondríaco, cheio de manias, cheio de teorias, com uma sinceridade que beira o agressivo Larry David é um faz-tudo da área do humor, além de atuar também escreve. Foi o roteirista de uma das séries de maior sucesso da televisão, o Seinfeld. A dobradinha de Allen e David de muito certo.
O velho Boris (Larry) não é um personagem cativante, e ele deixa isso bem claro logo no início do filme, quando quebra a quarta parede imaginária e conversa com o público - o que faz durante o filme todo. É sempre muito bom quando Woody Allen usa desse recurso de conversar com o espectador. Em Tudo pode dar certo, Boris despeja toda sua "rabujentice" de forma sensacional.
Boris é um cara pessimista, mas que no fundo acha mesmo que tudo pode dar certo, aquela história de que as melancias vão se acertando com o andar da carruagem. A história inicia quando ele conhece Melody, interpretado pela bonitinha Evan Rachal Wood, que estrelou Across the universe. Melody é uma jovem caipira, burrinha e ingênua, que foge de casa e vai parar sem nada em NY, ela acaba topando com Boris e lhe pedindo ajuda e pouso por um ou dois dias.
Acaba que Melody se apaixona pelo velho, que dá patada atrás de patada nela, sempre ensinando alguma coisa ou explicando alguma de suas teorias. As situações são muito divertidas. A pobre Melody não se incomoda e ouve tudo muito atenta. Eles ficam por anos casados, até que um dia o pai e mãe da jovem aparecem na porta do apartamento em que vive com Boris a sua procura. A partir daí a coisa fica mais insana, mas tudo muito crível, tudo muito humano, com todo aquele drama que o Woody Allen sabe por nos seus textos.
A comédia romântica que tinha só um casal principal acaba tendo vários, inclusive um triângulo amoroso. Em certo momento Boris olha pra câmera e diz que não é um filme feito para as pessoas se sentirem bem. de fato, se apenas levarmos em conta os resmungos do personagem de Larry David, dá um ruim. Mas o que acontece com todo elenco até o final de Tudo pode dar certo é tão legal, tão bonito, que dá pra se sentir muito bem e querer dar o play de novo logo que o filme acaba.


Classificação PoA Geral
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
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- Meia-boca
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