segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Filme de Segunda 82

Intocáveis

Como faz bem pra cabeça assistir a um filme que foge dos clichês hollywoodianos, ainda que Intocáveis tenha suas artimanhas e saiba ser um filme extremamente popular, fácil de ser assistido. Dirigido e roteirizado   pela dupla Olivier Nakache e Eric Toledano, o filme bateu recorde de bilheteria na França, em 2011. Nada é à toa.

Intocáveis é aquele tipo de filme que é o tipo de todo mundo. Baseado em fatos reais, o longa francês apresenta uma história bem contada, com personagens carismáticos, com situações engraçadas e emocionantes. Engraçado sem ser besta; emocionante sem ser pesado. Não tem como não gostar. Assistir a   Intocáveis é uma terapia.

Os diretores Olivier Nakache e Eric Toledano contam a história do bem-sucedido empresário Philipe, tetraplégico da alta sociedade parisiense que busca um assistente pessoal que seja o seu corpo, já que não possui nenhum tipo de movimento do pescoço para baixo. Entre alguns candidatos, decide contratar Driss, jovem da periferia de Paris, recém saído da cadeia, que vai à entrevistas de emprego para garantir que continue ganhando auxílio-desemprego.

São duas figuras completamente diferentes, de origem opostas. É neste contraste em que se baseia o roteiro de Intocáveis. O homem negro, jovem, saudável, com problemas familiares, passagens pela polícia construindo uma relação de amizade, confiança e auto-conhecimento (de ambas as partes) com uma aristocrata branco, rico, deficiente físico. É deste tipo de contrates que sai  duas melhores cenas do filme: primeiro, quando Philippe e Driss vão a uma ópera; mais pra frente, quando Driss dança e apresenta a soul music para seu chefe.


O entrosamento entre François Cluzet (Philippe) e Omar Sy (Driss) é o ponto alto do filme. Os dois parecem ter nascidos para o papel e para atuarem juntos. Tanto é que, na França, Omar Sy desbancou
Jean Dujardin no César 2011, ganhando o prêmio de melhor ator. Dujardin, para quem não lembra, levou o Oscar de melhor ator por O Artista.


É preciso ressaltar, entretanto, que um dos maiores méritos de Intocáveis talvez também seja seu maior defeito. O roteiro não se aprofunda em nenhuma questão essencial do filme. É uma comédia dramática muito mais comédia, sem nenhum posicionamento ou visão crítica. A história, por si só, já tem sua dramaticidade. Mas há situações ali que passam em branco pelos diretores. Racismo, xenofobia, a própria deficiência física.

É uma relação ambígua de mérito e defeito. Ao que se propõe ao filme, e pelo sucesso de Intocáveis, não tenho dúvida que prefiro acreditar em seus méritos.   

Gênero: Comédia, Drama
Duração: 112 min.
Origem: França
Direção: Olivier Nakache e Eric Toledano
Roteiro: Olivier Nakache e Eric Toledano
Distribuidora: Califórnia Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2011



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