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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Filme de Segunda 158

Anjos da Lei 2


Em 2012 o filme Anjos da Lei prestou homenagem ao seriado da TV que no final dos anos 80 ajudou a alavancar a carreira de Johnny Depp. Dirigido pela dupla Chris Miller e Phil Lord, o filme assumiu um clima mais de comédia, tentando conciliar com algumas cenas de ação policial. Assim como na primeira parte, em Anjos da Lei 2 a comédia segue mais competente que a ação.

A fórmula é exatamente a mesma do primeiro filme, e como uma boa comédia de autorreferências, faz piada com isso. Os policiais Schmidt (Jonah Hill) e Jenko (Channing Tatum), que na primeira parte se infiltraram em uma escola como alunos para descobrir quem estava vendendo uma nova droga, agora são mandados para a faculdade. Para que? Descobrir quem é o traficante que está vendendo uma nova droga aos universitários.

Anjos da Lei 2 tem em seu grande mérito a química entre os protagonistas Jonah Hill e Channing Tatum. Os dois levam o estilo bromance ao ápice, discutindo a relação (de amizade), com cenas de ciúmes e cumplicidade. Assim como no primeiro trabalho, há muitas piadas de situação, e a maioria funciona muito bem. Contudo, os diretores fracassam quando tentam fazer uma trama policial, principalmente na parte final do longa. Definitivamente não empolga, soando muitas vezes como algo charlatão ou infantil. Podia ser melhor trabalhado.


Jonah Hill cada vez se consolida como um dos grandes atores de sua geração. Sabe fazer drama, já provou isso, mas fundamentalmente ele sabe ser engraçado. Em Anjos da Lei 2 Hill está muito afetado, conseguindo fazer humor físico de caras, bocas, saltos e também o timing do texto. Channing Tatum faz o contrário, mas também faz bem. Ele é o cara atlético, com postura. O contraste da dupla dá ao filme um ritmo muito interessante.

A cena final, dos créditos, é mais uma piada interna bem sucedida, com direito a participação de Seth Rogen. Ali abre-se um leque de possibilidades para possíveis sequência. O que, particularmente, avalio como um tiro no pé. Não acho que um outro filme manteria o mesmo nível de comédia, até porque foram duas sequências fazendo basicamente a mesma coisa. Acredito que a fórmula tenha se esgotado - ou então um possível terceiro filme reinventando a série.

Gênero: Comédia
Duração: 112 min.
Origem: EUA
Direção: Chris Miller, Phil Lord
Roteiro:  Michael Bacall, Oren Uziel, Rodney Rothman
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 16 anos
Ano: 2014
Classificação PoA Geral 
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
- Bom Filme (7 a 8)
X Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Filme de Segunda 154

Bom Dia, Vietnã


Há uma semana perdíamos um dos atores mais competentes de Hollywood. É justo que o Filme de Segunda dê uma folga aos lançamentos e utilize este espaço para celebrar um dos grandes trabalhos da carreira de Robin Williams. Lançado no ano de 1987, Bom Dia, Vietnã projetou a carreira do comediante no cinema. Antes disso, Williams iniciara sua trajetória na TV e nos palcos, principalmente fazendo números de stand up comedy.

O filme, como obviamente sugere o título, se passa em 1965 em meio a Guerra do Vietnã. Sob a direção de Barry Levinson, o discurso do longa se coloca em tom de crítica ao conflito, que na época mobilizou boa parte da juventude americana também contra a guerra. Bom Dia, Vietnã é baseado na história do radialista Adrian Cronauer, recrutado para trabalhar na rádio da base das forças armadas americanas no campo de batalha.


Poucas vezes a mistura de comédia e drama é feita com tanta competência no cinema hollywoodiano, ainda mais se tratando de um trabalho crítico à cultura de guerra dos Estados Unidos. Contudo, grande parte do sucesso de Bom Dia, Vietnã vem do talento de Robin Williams. O rebelde DJ vai pro ar e cativa com facilidade os soldados contando piadas, fazendo imitações e tocando muito rock'n'roll, o que na época significava confrontar os costumes.  Não há dúvida que o comportamento contestador de Adrian Cronauer chama a atenção e causa um descontentamento junto ao alto escalão do exército americano.

Williams atua como um verdadeiro showman, mostrando toda sua capacidade como comediante. O personagem é extremamente cativante e, inteligente, passa a enxergar uma guerra diferente daquela que é obrigado a noticiar no rádio.  Bom Dia, Vietnã é um daqueles filmes essenciais para quem gosta de cinema, gosta de um boa comédia e de um drama real e bem fundamentado.

Gênero: Drama, Comédia
Duração: 121 min.
Origem:EUA
Direção: Barry Levinson
Roteiro: Mitch Markowitz
Distribuidora: -
Censura: 12 anos
Ano: 1987
Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Por que tantos comediantes sofrem de depressão?

Da BBC Brasil, em 12 de agosto


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Robin Williams foi um de muitos comediantes que fizeram rir em público enquanto sofriam em sua vida privada.

O ator, que tinha 63 anos, suicidou-se na segunda-feira em sua casa na Califórnia, nos Estados Unidos.

No fim de julho, o humorista Fausto Fanti, do grupo Hermes e Renato, foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo com um cinto em torno do pescoço. A Polícia investiga o caso, registrado como "suicídio consumado".

Pouco antes de falecer por causa de uma doença pulmonar, Chico Anysio revelou no início deste ano, em uma entrevista na TV, que travou uma dura - e vitoriosa - batalha contra a depressão.

O ator e comediante inglês Stephen Fry sofria de transtorno bipolar e revelou no ano passado que tentou se matar em 2012.

Isso leva a nos questionar: os mestres do riso tem uma tendência maior à depressão? E, se for o caso, por quê?

Perfil contraditório

"Não é preciso ser um gênio para saber que comediantes são um pouco loucos", disse a humorista inglesa Susan Murray no início deste ano, em resposta a um estudo que sugeria que comediantes têm traços psicológicos ligados a psicoses.

Em janeiro, pesquisadores da Universidade de Oxford publicaram os resultados de um estudo em que participaram 523 comediantes (404 homens e 119 mulheres) do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Austrália.

"Descobrimos que comediantes têm um perfil de personalidade pouco comum e um tanto contraditório", diz Gordon Claridge, do Departamento de Psicologia Experimental de Oxford.

"Por um lado, eles eram bastante introvertidos, depressivos e, poderíamos dizer, esquisitos. Por outro, eles são bastante extrovertidos e cheios de manias. Talvez a comédia - o lado extrovertido - seja uma forma de lidar com o lado depressivo. Mas, claro, isso não vale para todo comediante"

'Vencível'

Em seu depoimento, Chico Anysio revelou que se tratava com um psiquiatra há 24 anos. Sem esse tratamento, ele disse, "não teria conseguido fazer 20% do que eu fiz".

"Entendi que era depressão, pude pagar os remédios e o psiquiatra e, então, eu venci. Porque ela é vencível”, contou o humorista.

No caso do humorista Fanti, os investigadores à frente do caso disseram que consideram a hipótese dele ter se suicidado por estar passando por um momento difícil em sua vida.

Fanti estava se separando da mulher, com quem tinha uma filha de oito anos.

O humorista inglês Stephen Fry, que lançou em 2006 o documentário A Vida Secreta de um Maníaco Depressivo, revelou em uma entrevista em 2012 sua luta contra a depressão.

"Havia momentos em que eu estava gravando o programa na TV e rindo por fora, enquanto por dentro pensava 'quero morrer'", disse ele.
 
Criatividade

John Loyd, produtor e ator de programas de comédia na TV britânica, sofre de transtorno bipolar, que afeta gravemente o humor.

Uma pessoa bipolar alterna entre fases de extrema felicidade e criatividade e depressão profunda.

Lloyd diz que esse tipo de problema é "muito, muito comum entre profissionais criativos".

"Pessoas estáveis pensam que o mundo está bom como ele é hoje. Não acham que precisam mudá-lo. Pessoas criativas não pensam assim. E quem quer mudar o mundo sofre muito com isso".

Robin Williams supostamente também sofria de transtorno bipolar.

Em público, ele sempre parecia estar atuando e fazendo os outros rir, mas nunca escondeu seus problemas com álcool e em seu casamento.

Mas, nas entrevistas, era mais reservado quanto a seus problemas de ansiedade e buscava ver o lado positivo da situação.

"Sempre que você se deprime, a comédia o tira do buraco", disse ao jornal The Guardian em 1996.
 
Pagando o preço

Integrante do grupo Monthy Python, Terry Gilliam dirigiu Williams em O Pescador de Ilusões (1991) e diz que seu talento era um "milagre", mas que isso "não vinha do nada".

"Quando os deus te dão um talento do nível de Robin Williams, há um preço a ser pago", disse Gilliam à BBC.

"Isso vem de profundos problemas internos. Uma preocupação. Todos os tipos de medos. Ainda assim, ele sempre conseguia canalizar tudo isso e transformar em ouro."

Mas nem todos os comediantes passam por dificuldades assim, e a depressão está longe de ser algo exclusivo de personalidades criativas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 350 milhões de pessoas no mundo sofrem desse problema.

Em seus casos mais graves, a depressão pode levar ao suicídio. Por ano, cerca de 1 milhão de mortes são causadas por suicídios.

Nick Maguire, o principal palestrante em psicologia clínica da Universidade de Southhampton, diz que pode haver uma conexão entre a depressão e a comédia, mas que "certamente não é muito forte ou clara".

Ele explica que as pessoas têm diferentes formas de lidar com a depressão.

"Normalmente, elas se isolam. Outra forma de amenizar temporariamente o impacto dessas emoções é fazer as pessoas rirem e gostarem de você", diz Maguire.

"Infelizmente, isso é bom enquanto está ocorrendo, mas, quando você volta para casa, o que você faz?"

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Porta dos Fundos dá um passo à frente

O coletivo Porta dos Fundos é um dos maiores canais na web de humor do mundo. Acompanho desde o primeiro programa lançado, em agosto de 2012 e gosto muito. É uma reunião de talentos estupenda, tanto para escrever quanto para atuar. Os guris ainda tem a vantagem de não serem empregados de ninguém, portando possuem uma liberdade editorial que nenhuma empresa de comunicação os daria. Portanto, conseguem produzir esquetes realmente muito boas, bem sacadas, incrivelmente bem produzidas, com uma frequência de duas vezes por semana. Quase dois anos depois, seria natural que dessem passos maiores.

Na semana passada o Porta lançou sua primeira série, dividida em quatro capítulos de 10 a 15 minutos. Se chama Viral, e aborda um assunto sério e fundamental: a AIDS. O roteiro é de Fábio Portchat, e a trama é protagonizada pelo excelente Gregório Duvuvier. Na série ele é Beto, um rapaz que descobriu há pouco tempo ser soropositivo e que decide contar isso às últimas mulheres com quem transou, na esperança de encontrar quem transmitiu e também para alertar suas antigas parceiras para que façam o teste de HIV. 

Gustavo Chagas / Divulgação

Porchat também participa. Ele vive o melhor amigo de Beto, um personagem que funciona como uma escada para as melhores piadas da série. Um sujeito gente boa, sem maldade, porém muito mal informado. Suas frases geralmente trazem à tona um preconceito comum no cotidiano, e através dessa ignorância inocente de certa forma, é que o Porta consegue fazer um humor corretíssimo,  bem engraçado, engajado e amparado por consulta a ONGs especializadas e uma médica amiga do Porchat.

Viral já está no segundo episódio e tem realmente muitos méritos. Informa, traz aos olhos do público jovem um assunto importante e faz ri - o que acaba sendo o mais importante se tratado de um trabalho essencialmente cômico. A série tem Gregório Duvivier como sempre atuando muito bem, dando cara a um personagem que inteligentemente foge a esteriótipos, e como uma via mais rápida para o humor o Fábio Porchat no papel, basicamente de Fábio Porchat, com seus trejeitos e gestos característicos - o que já basta para ser engraçado.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Filme de Segunda 128

Meu Passado me Condena - O Filme

Nem sempre o produto feito para televisão se adapta bem ao cinema. Na maior parte das vezes, mesmo na telona, os produtores optam em manter grande parte da linguagem televisiva, o que sem dúvida nenhum empobrece a obra cinematográfica. É o que acontece em Meu Passado me Condena - O Filme, adaptação da série de mesmo nome do canal Multishow. Não que o longa seja ruim e o humor não funciona, mas fica devendo pela falta de criatividade e preguiça de fugir do mais do mesmo.

A diretora Julia Rezende e a roteirista Tati Bernardi apostam todas as fichas no carisma do casal protagonista Fábio Porchat e Miá Mello, dois bons humoristas aqui (e na série), fazem os papéis de Fábio e Miá. Pouco há de se repreender da atuação de cada um, afinal não há atuação.  Os dois são praticamente eles mesmos e, com a boa química que possuem, fazem o máximo com o texto do filme e ainda improvisam em ótimas sacadas. Sem dúvida, Porchat e Miá seguram boa parte do longa, sempre com ela levantando a bola para ele encaixar a piada. Funciona e diverte o público.

O argumento dessa comédia romântica nacional é clichê, e não faz questão de ser diferente disso. Recém casados em lua de mel, ela uma menina séria, bem sucedida e romântica, ele um eterno adolescente, nada romântico e com pouca grana. Na trama, um casal antagonista é responsável pelo conflito estabelecido entre os personagens e os ótimos Marcelo Valle e Inez Viana, que fazem um casal divorciado, que vive em pé de guerra. Os dois são uma espécie alívio cômico da história principal, sendo responsáveis por boas sequências de humor.

Porém, Meu Passado me Condena - O Filme fica por aí. Anda bem até uma parte considerável, mas a certa altura Julia Rezende e Tati Bernardi se perdem, principalmente quando entra o personagem de Rafael Queiroga, outro bom humorista, que faz um amigo de infância de Fábio. Queiroga desequilibra a história e com ajuda do roteiro, o desfecho do filme, que transcorria para um final razoável e aceitável, tem uma sequência final forçada e pouco engraçada.

Mesmo assim, vale ressaltar o primeiro parágrafo deste texto: é mais do mesmo. Com certeza, a quem for ao cinema, Meu Passado me Condena - O Filme vai render algumas risadas, mas não aquelas que valem o ingresso caro do final de semana. 

Gênero: Comédia
Duração: 102 min.
Origem: Brasil
Direção: Julia Rezende
Roteiro: Tati Bernardi
Distribuidora: Downton Filmes, RioFilme, Paris Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2013

Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Filme de Segunda 127

É o Fim


É o Fim é uma série de coisas, contudo, basicamente, nada mais é que um besteirol. Uma espécie de brincadeira de final de semana que vem dando certo. Arrecadou mais de 120 milhões de dólares no mundo todo, cifra quase quatro vezes maior que seu orçamento. O filme-catástrofe é a estreia de Seth Rogen e Evan Goldberg na direção. Os dois que vinham fazendo boas dobradinhas em roteiros como os de Superbad e Segurando as Pontas.

A característica mais evidente de É o Fim é que se trata de uma grande piada interna de 107 minutos. James Franco, Seth Rogen, Jay Baruchel, Danny McBride, Jonah Hill, Craig Robinson e mais algumas participações especiais, fazem os papeis de si mesmos. Estão todos em Los Angeles, na festa de inauguração da nova casa de James Franco. O filme tira onda com o "lifestyle" das celebridades hollywoodianas e potencializa a imagem pública criada entorno daquele grupo de atores. Franco e sua fama de homossexual, Rogen e suas atuações sempre muito iguais, Hill e sua soberba por ser indicado ao Oscar.

O filme não se poupa e não tem receio de fazer piada, usar drogas, falar palavrão, apelar para o escatológico. Tendo como pano de fundo o apocalipse, É o Fim tem efeitos gráficos que lembram algum momento dos anos 90. Não é ruim, mas também não é bom. Certa tosquice acaba funcionando como recurso de humor.

Apesar de não ser um grande roteiro, a completa liberdade para fazer o que quiser cria um clima nonsense e uma série de piadas politicamente incorretas. O público que já acompanha grande parte daquela turma no cinema certamente se diverte bastante. E também por isso, fica claro não se tratar de um filme para qualquer plateia. A tendência é que fique pouco tempo em cartas. Aliás, já é surpreendente que não tenha saído direto no DVD.

Aproveitando a possibilidade infame do trocadilho, que seja apenas o início da parceria de Seth Rogen e Evan Goldberg na direção. Não fizeram uma obra, mas não deixa de ser um bom e divertido trabalho.

Gênero: Comédia
Duração: 107 min.
Origem: EUA
Direção: Seth Rogen e Evan Goldberg
Roteiro: Seth Rogen e Evan Goldberg
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 16 anos
Ano: 2013
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Filme de Segunda 121

Os Estagiários


Não estamos diante da melhor comédia do ano, nem do melhor trabalho de Owen Wilson ou do melhor trabalho de Vince Vaughn. Nem sequer dos dois juntos. Também não se trata do melhor filme do versátil diretor Shawn Levy. Porém, muito provavelmente, Os Estagiários é o maior merchandising da história do cinema. A marca Google divide protagonismo do longa juntamente com os dois atores principais. Afinal de contas, a trama gira em torno da disputa por vaga de emprego na empresa e a história se passa, boa parte, dentro da sede do Google.

A partir de então passa a ser compreensível o estilo "chapa branca" do roteiro de Vince Vaughn. Ninguém pagaria por uma anti-propaganda ou por uma série de piadas mais pesadas que o público pudesse associar à marca - principalmente um público mais jovem.


Os Estagiários coloca Wilson e Voughn mais uma vez como amigos quase irmãos. Colegas de trabalho e habilidosos vendedores que, em época de recessão no EUA, ficam desempregados. Cansados de uma vida comum e empregos medianos, os dois decidem algo mais ousado. Mesmo não sabendo absolutamente nada de computação, programação ou algo do gênero, Billy (Vince Vaughn) e Nick (Owen Wilson) entram como azarões no programa de novos estagiários do Google.

Inegavelmente Os Estagiários é uma comédia divertida. Funciona em muitos momentos e, de foram geral, diverte o grande público, mesmo sendo o típico filme para qual a crítica especializada não cobre de elogios. Contudo, o grande mérito fica por conta da excelente química entre Vince Vaughn e Owen Wilson. Os dois juntos rendem cenas engraçadíssimas, abrindo um espaço até para o improviso, como na hilária cena da entrevista pela webcam.

Tirando a atuação da dupla, e de alguns geeks/nerds que fazem parte do grupo de Billy e Nick, poucas coisas do filme fogem do comum. Do roteiro, passando pela trilha sonora até o desfecho final. Faltou mais acidez e menos obviedade, mesmo estando Os Estagiários de ser um filme ruim. Um pouco menos de investimento do Google ajudaria.

Gênero: Comédia
Duração: 122 min.
Origem: Estados Unidos
Direção: Shawn Levy
Roteiro: Vince Vaughn
Distribuidora: Fox Film
Censura: 12 anos
Ano: 2013
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Filme de Segunda 116

Os Amantes Passageiros


Almodóvar é sempre Almodóvar. É fácil reconhecer um filme do diretor espanhol, mesmo o trabalho não sendo o que se chama de filme de diretor. Os Amantes Passageiros marca o retorno de Pedro Almodóvar desde o excelente e perturbador A Pele que Habito, de 2011. São trabalhos completamente diferentes. Enquanto um propõe uma trama envolvente, pesada e surpreendente, o mais recente longa é uma comédia escrachada, com piadas bobas e personagens caricatos.

Figurinhas carimbadas em filmes de Almodóvar, Antonio Banderas e Penélope Cruz aqui fazem uma participação especial, papeis pequenos que acabam sendo definitivos para o destino dos passageiros do voo onde se passa o filme inteiro.

Devido a um problema mecânico, o avião não consegue aterrizar, criando a expectativa de morte eminente aos personagens. Dentro disso, Almodóvar cria um cenário surreal, com uma comissão de bordo completamente desregulada (e hilária), passageiros excêntricos (e que se conhecem sabemos lá de onde), além de uma falta de pudor sexual que apimenta o clima de Os Amantes Passageiros.

Não se trata de um Pedro Almodóvar que faz pensar, que choca em tramas bem costuradas. Se trata de alguém que resolve gozar com a humanidade, recriando o planeta Terra em escala reduzida, dentro de um avião. O mérito de Os Amantes Passageiros é conseguir ser escrachado e fácil, e mesmo assim ser uma deliciosa comédia.

Amodóvar pra rir, e não para chocar. 

Gênero: Comédia
Duração: 90 min.
Origem: Espanha
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2013
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Filme de Segunda 112

Anjos da Lei

Escrito e estrelado pelo excelente Jonah Hill, em parceria com Michael Bacall, Anjos da Lei presta uma bela homenagem ao seriado dos anos 80, sucesso na TV americana, que alavancou a carteira de Johnny Depp. É uma readaptação, que atualiza a série e ainda se constitui como uma das melhores comédias hollywoodianas dos últimos anos.

Os personagens de Jonah Hill e Channing Tatum, no colegial, são completamento opostos. Enquanto o primeiro é o nerd nada popular, Tatum é o atleta das notas ruins, amado pelas meninas da escola. A introdução do filme é rápida, e deixa isso muito claro. Jonah Hill vive Schmidt, Channing Tatum é o grandalhão Jenko.

Alguns meses após o término do colegial, os dois acabam se encontrando na academia de policia. Lá, desenvolvem uma amizade até então improvável, mas essencial para o funcionamento da história. É a velha e boa formula do "bromance" - amigos quase irmãos.

Logo em sua primeira missão, os dois são enviados de volta para a escola, com a identidade falsa de irmãos, para descobrir de onde vem a nova droga química que acabou vitimando um dos alunos.

Schmidt e Jenko deparam-se com uma realidade um pouco diferente. Não há apenas os atletas populares e os nerds. Há vários grupos, como os defensores da causa hambiental, os hipsters, os geeks etc. O choque dos dois personagens e a descoberta desses novos grupos rendo boas cenas.

Anjos da Lei não tem medo do politicamente-incorreto e não se prende apenas à piadas clichês de um besteirol. Sim, as piadas clichês estão lá, mas sempre muito bem dosadas. Os dois diretores Phil Lord e Chris Miller também se saem bem na hora das cenas policiais. O filme apresenta boas sequencias de perseguição e tiroteio.

Se temos aqui uma boa e bem feita comédia, também temos mais um excelente trabalho de Jonah Hill. Um jovem que em pouco tempo de carreira, fez muita coisa e errou quase nada.

Gênero: Comédia
Duração: 109 min.
Origem: EUA
Direção: Phil Lord e Chris Miller
Roteiro: Jonah Hill e Michael Bacall
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 16 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Filme de Segunda 108

Sacha Baron Cohen não choca como em Borat, de 2006, ou em Brüno, de 2009. Nesses dois filmes, comédias no formato de falso-documentário, o humor do britânico era uma novidade no cinema. Totalmente pé na porta, chagando sem pedir licença, sem medo de falar palavrão, usar de nudez, falar de sexo, culturas e costumes. O humor de Cohen chocou, porém -mais importante -, fez rir.

Em seu novo trabalho como protagonista, em sua terceira parceria com o diretor Larry Charles, o alvo de caricatura agora são os ditadores árabes. O Almirante-general Aladeen, é o presidente da República de Wadiya, cargo que herdou do pai aos 7 anos. A trama gira em torno da decisão desse cara em viajar para os Estados Unidos e, na sede da ONU, discursar justificando seu projeto de enriquecimento de urânio. Lá ele acaba sendo sequestrado a mando do tio, que pretende assumir o poder em Wadiya.

A comédia se baseia, mais uma vez, na caricatura e no choque de culturas distintas. A diferença é que em O Ditador, o formato é mais tradicional, mais hollywoodiano. As piadas são mais textuais, poucas são corporais como em Borat e Brüno. Nada mais é surpreendente, mas de certa forma funciona como comédia.

O humorista passa total impressão de estar domesticado pelo mercado de Hollywood. Prova disto é o romance que acontece como fio condutor do roteiro Cohen. Em Nova York, Aladeen acaba se apaixonando por uma ativista que protesta contra a sua presença na ONU. Além, é claro, de um desfecho clichê e previsível.

Gênero: Comédia
Duração: 94 min.
Origem: EUA
Direção: Larry Charles
Roteiro: Sacha baron Cohen, Alec Berg, David Mandel, Jaff Schaffer
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Censura: 14 anos
Ano: 2012


Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 25 de março de 2013

Filme de Segunda 105

Vai que dá Certo


Vai que seja engraçado. Essa é a esperança. Pode ser até a expectativa, afinal de contas o elenco é bom, e quem está dirigindo tem uma longa história na televisão brasileira e no cinema. Mesmo assim, o diretor Maurício Freitas faz de seu quarto filme uma comédia pastelão e irregular.

As boas comédias no cinema nacional ainda são coisa rara. Vai que dá Certo, contudo, não é das piores experiências. O filme roteirizado pelo próprio Maurício Freitas em parceria com Fábio Porchat apresenta um problema recorrente no humor cinematográfico brasileiro: ele não é cinematográfico. Muitos dos trabalhos são feitos como se fossem para televisão, com piadas ou esquetes que serviriam ao Zorra Total, mas que no cinema empobrecem. 

O argumento de Vai que dá Certo mescla uma dezena de situações. Personagens caricatos do subúrbio paulistano (fator televisivo), todos beirando os 30 anos, todos em situação financeira ruim ou indefinida, todos com comportamento de adolescência prolongada, com relacionamento de amigos/quase irmãos. Depois de um golpe mal sucedido, acabam devendo dinheiro para traficantes e policiais corruptos. Este é o contexto da comédia.


O elenco principal conta com Fábio Porchat, Danton Mello, Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, Gregório Duvivier, Felipe Abib e Natáliga Lage. Por algum motivo, Danton é o único que não faz um tipo caricato, de sotaque carregado. Essa jeito paulistano forçado acaba sendo um dos pontos negativos do filme. Contudo, mesmo caricato, Gregório Duvivier é o destaque. O ator é responsável pelas melhores tiradas de Vai que dá Certo.

O certo é que fiquemos sabendo que se trata de um pastelão irregular. Dessa forma fica mais fácil, sem grandes expectativas. Mais relaxado e sabendo o que vem pela frente, algumas risadas acabam acontecendo natural e descompromissadamente.

Gênero: Comédia
Duração: 87 min.
Origem: Brasil
Direção: Maurício Farias 
Roteiro: Maurício Farias, Fábio Porchat
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2013


Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Filme de Segunda 78

E aí... comeu?

Não precisamos de muitos parágrafos para falar da comédia E aí... comeu?. Nem o filme precisaria de tanto tempo para se explicar. Os 104 minutos que o diretor Felipe Joffily utilizou para contar a história, dá e sobra. E aí... comeu? não é a "primeira comédia verdadeira sobre o amor", como ostenta o cartaz publicitário do filme. É uma comédia totalmente sustentada pelo papo de boteco de três amigos. Só isso.
O roteiro é baseado no texto e na peça homônima de Marcelo Rubens Paiva, sucesso nos anos 90. O próprio Marcelo assina o roteiro, junto com o Lusa Silvestre (roteiro do ótimo Estômago, de 2007). Estes dois são os principais responsáveis pelos melhores momentos do filme. É inegável que E aí... comeu? tem bons diálogos, que acabam resultando em situações engraçadas. Se dá boas risadas, sem dúvida, e muito disso tem ligação direta com a linguagem popular de botequim, invariavelmente machista e folclórico.

E é machista porque é a versão dos homens. A narrativa d' E aí... comeu?  parte das histórias do Marcos Palmeiras, o casado que desconfia da esposa, Bruno Mazzeo, o divorciado arrependido e  de Emilio Orciollo Netto, um playboy, solteiro, em busca de uma namorada.

O filme é repleto de clichês. É totalmente previsível e não deve ser levado a sério. Entendido isso: ok, vamos assistir e rir. Funciona. Mas é o tipo de projeto que tem todas as ferramentas para ser bem melhor. Há cenas descartáveis, que além de não ajudarem no andamento do filme, atrapalham, porque são de mal gosto. Me refiro aos dois "flashbacks" em que o personagem de Marcos Palmeiras aparece conversando com o público e explicando o sexo oral e como se comporta a mulher frígida.

Há também personagens mal explorados, como as meninas da mesa ao lado onde sempre ficam os três protagonistas. Ali tinha uma fresta que o diretor e o roteiro acabaram não embarcando, mesmo tendo rolando uma boa química entre os personagens que eram, a princípio, antagonistas.

Confesso que aquele desfecho a lá comédia romântica não me convenceu muito. Foge um pouco da fanfarronice a que se propões E aí... comeu?. Fora isso, e alguns outro problemas que impedem que o filme seja melhor que aquilo que pode ser, o elenco é um destaque agradável - mesmo que o Bruno Mazzeo pareça eternamente numa esquete do Cilada -, a começar pelo Seu Jorge até as mulheres, todas muito bem escolhidas e com trabalhos justificados.

Não espere a verdade absoluta sobre o amor, se enxergo numa conversa entre amigos e dê algumas risadas com E aí... comeu?.

Gênero: Comédia
Duração: 104 min.
Origem: Brasil
Direção: Felipe Joffily
Roteiro: Marcelo Rubens Paiva e Lusa Silvestre
Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme
Censura: 14 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Filme de Segunda

Curtindo a vida adoidado
Desta vez resolvi voltar no tempo pra valer, lá para 1986, ano de lançamento de Ferris Bueller's Day Off, algo como o dia de folga de Ferris Bueller, numa tradução livre. Ou Curtindo a vida adoitado, que não é tão ruim, visto que em Portugal o estimado filme é conhecido como O Rei dos gazeteiros. Horrível! Mas o fato é que quando lançado o filme do diretor John Hughes, em 86, eu não era sequer nascido - o que só viria a acontecer em 1989. Portando, minha infância foi nos anos 90, década em que Curtindo a vida adoidado talvez tenha sido o filme que mais passou na Sessão da Tarde na Globo. Se não foi, fica pau a pau com A Lagoa Azul. E por fazer parte da minha infância, e por eu ter comprado recentemente o DVD do filme e reassistido depois de anos, é que ele é pauta nesta segunda-feira.
É sempre um exercício muito interessante rever filmes, desenhos, seriados etc., que gostávamos quando criança. Às vezes acontece de achar ruim e se envergonhar de ter gostado ou, pelo contrário, você passa a gostar mais ainda. E é o caso de Curtindo a vida adoidado, que eu não lembrava da última vez que tinha assistido, mas com certeza foi duplado e com alguns cortes para a entrada de comerciais. Era muito forte na minha lembrança a cena do desfile, em que Ferris sobe num carro-alegórico e dubla Twist and shout dos Beatles. Porém o filme é mais do que isso, e assistindo hoje fica mais fácil de assimilar as coisas.
O diretor John Hughes é um craque das comédias nos anos 80. Um cara que carrega no currículo Clube dos cinco (1985) e Curtindo a vida adoidado não é qualquer um. Na década seguinte ainda roteirizou as franquias de Beethoven e Esqueceram de mim. Infelizmente este grande nome das comédias adolescentes faleceu em 2009.
Talvez o que mais tenha me chamado atenção no filme, que realmente não lembrava, é o fato de que Ferris Bueller muitas vezes quebra a quarta parede. Em dados momentos o personagem vira-se para a tela e conversa com o espectador. Não é um truque corriqueiro, mas que aqui Hughes usou muito bem, criando certo laço de cumplicidade entre espectador e personagem. O que contribui para que Ferris seja simpático ao público ao invés de uma possível empatia que poderia ser criada devido tipo sínico Bueller. Fator inegável para o carisma de Ferris é, sem dúvida, o ator Matthew Broderick.
Como Broderick, aliás, todo o elenco ficou muito identificado com o filme. Todos ali têm uma atuação corretíssima, sobretudo o trio principal, que contava com a Mia Sara, que estava deslumbrante em 86, fazendo a namorada de Ferris, e com Alan Ruck, o estressado melhor amigo do malandrão. Há uma química muito legal entre os três.
O argumento do filme é dos mais simples. Ferris Bueller é um bon vivant, muito popular, que está no último ano do colegial, e planeja um dia para matar aula e sair com a namorada e o melhor amigo. O que eles vão fazer? Ferris responde: "A pergunta não é o que vamos fazer. Mas sim o que não vamos fazer!"
Desde o diretor fanfarrão, que é outro ponto forte do filme, passando pela irmã mais nova de Ferris, que morre de ciumes do irmão, até a pequena ponta de um Charlie Cheen começando a carreira no cinema. Vale muito a pena rever esse clássico, que já se tornou cult. A fotografia da cidade de Chicago é muito bonita, a trilha sonora é excelente, Ferris é um queridão que todo mundo gostaria de ser amigo e John Hughes é um craque que merece ser lembrado e relembrado.
Curtindo a vida adoidado não envelheceu. Pelo contrário, ganhou vida. O passar dos anos lhe agregaram um valor muito bacana. Filme para curtir adoidado sempre! Salve Ferris!

Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme [Clássico]
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Filme de Segunda

Os pinguins do Papai
Lembro de 1995 ou 96. Férias de inverno, no tempo em que, ainda criança, estudava no turno da tarde, Lembro de minha mãe e minha dinda levando eu e meus primos no shopping Iguatemi, no antigo cinema - que já mudou duas vezes de lugar desde lá -, para assistir Gasparzinho, Tartarugas Ninjas, Toy Store ou coisa do tipo. Pulando para 2011, nas mesmas férias de inverno, vou ao cinema assistir Os pinguins do Papai, com Jim Carrey e a direção de Mark Waters, que fez o querido E se fosse verdade... (2005), além de Meninas Malvadas (2004) e Sexta-feira muito louca (2003).
Os pinguins do Papai é filme para criança, daqueles que lotam a sessão das 16h. E com a mídia que tem, não é de se admirar que lote mesmo. E não só a mídia, os carros-chefes do filme são um chamativo e tanto. São eles o Jim Carrey e os pinguins. Poucos animaizinhos são tão simpáticos quanto os pinguins, e cômicos ao natural. Quem nunca riu vendo um pinguim apenas caminhar? Por outro lado, Jim Carrey já não tem o mesmo efeito cômico de 15 anos atrás, mas ainda funciona em algumas situações, principalmente para o público infantil.
O roteiro é baseado em clichês, o desfecho é previsível e as cenas engraçadas são de humor corporal, de situação, pouco de diálogo. Tem muitas cenas difíceis de engolir, mas quando se pensa que aquilo não é pra você e seus 22 anos de vida, dá para relevar. Os efeitos gráficos são perfeitos. Isso é um ponto forte de Os pinguins..., tem de ter olho clínico para perceber quando é um pinguim em cena e quando é computação.
Não vou mentir e dizer que sai carrancudo do cinema, que o filme é a maior porcaria do mundo. Não, de forma alguma, longe disso. Dá sim para rir e se divertir. Só não dá para assistir na sessão de sexta-feira à noite. É um dinheiro que facilmente se investe em filme melhor. O legal é pegar seu filho, sobrinho ou irmão mais novo, e levar para assistir Os pinguins do Papai no dia do desconto.
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Filme de Segunda

Pânico 4
Pode alguém que não assistiu Pânico 1, 2 e 3 ir ao cinema assistir ao Pânico 4 e se divertir? Pelo visto pode, sem problema algum. Foi o meu caso, e foi umas das sessões de cinema que mais me divertiu. Mesmo a franquia Pânico não sendo comédia, tem muito de humor em seus quatro filmes, o que garante muita risada como um brinde que vem junto com os diversos sustos, as inúmeras facadas e os incontáveis litros de sangue.
O ghostface volta às telonas depois de 11 anos e de uma proposta financeira suculenta para o diretor Wes Craven e o roteirista Kevin Williamson voltarem a trabalhar na franquia. Craven é um dos grandes nomes do terror/suspense, dá para dizer que revolucionou o gênero duas vezes: A hora do pesadelo (1984) e Pânico (1996). Williamson trabalhou nos dois primeiros com o diretor, não roterizou o terceiro (e mais criticado), e agora volta para escrever a nova trama de Pânico 4.

O que se conta é que esse quarto filme tem mais humor e mais sangue que os três primeiros. Se passa dez anos depois de Pânico 3, tem toda uma nova geração de jovens na cidadezinha de Woodsboro, a maioria muito fãs da franquia de filmes que contam a história da série de assassinatos que aconteceram na cidade. É como se fosse o filme dentro do filme.

Olha quantos méritos tem Pânico 4. Consegue ter uma trama de suspense bem amarrada e atual, com as redes sociais e o aparelhos eletrônicos móveis bem presentes e importantes na história. Consegue fazer rir com várias piadas bem encaixadas. Consegue debochar de si mesmo, fazendo piada com muitos dos clichês de filmes de terror. Consegue homenagear a série, e isso é incrível, trazendo de volta personagens antigos, como a Sidney Prescott e o Xerife Dewey Riley, ainda recria e reinventa os passos de ghostface do primeiro Pânico.
Senhoras e senhores, Pânico 4 é Wes Craven se divertindo, divertindo a valer, assustando também e, de novo, fazendo história no cinema. Não dá para perder, mesmo quem ainda não viu nada da série. Nunca é tarde para começar, nem que não seja do começo.
Classificação PoA Geral

- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Filme de Segunda

Tudo pode dar certo
Woody Allen faz um filme por ano. Tudo pode dar certo é de 2009, desde lá o cineasta americano já lançou os filmes de 2010 e 2011, e lançou em 2008, e 09... Temos aí uma penca de filmes de Woody Allen para escolher e assistir. Escolham o Tudo pode dar certo, comédia absolutamente extraordinária.
Dessa vez quem "encarna" o Woody Allen é Larry David, que faz um velho hipocondríaco, cheio de manias, cheio de teorias, com uma sinceridade que beira o agressivo Larry David é um faz-tudo da área do humor, além de atuar também escreve. Foi o roteirista de uma das séries de maior sucesso da televisão, o Seinfeld. A dobradinha de Allen e David de muito certo.
O velho Boris (Larry) não é um personagem cativante, e ele deixa isso bem claro logo no início do filme, quando quebra a quarta parede imaginária e conversa com o público - o que faz durante o filme todo. É sempre muito bom quando Woody Allen usa desse recurso de conversar com o espectador. Em Tudo pode dar certo, Boris despeja toda sua "rabujentice" de forma sensacional.
Boris é um cara pessimista, mas que no fundo acha mesmo que tudo pode dar certo, aquela história de que as melancias vão se acertando com o andar da carruagem. A história inicia quando ele conhece Melody, interpretado pela bonitinha Evan Rachal Wood, que estrelou Across the universe. Melody é uma jovem caipira, burrinha e ingênua, que foge de casa e vai parar sem nada em NY, ela acaba topando com Boris e lhe pedindo ajuda e pouso por um ou dois dias.
Acaba que Melody se apaixona pelo velho, que dá patada atrás de patada nela, sempre ensinando alguma coisa ou explicando alguma de suas teorias. As situações são muito divertidas. A pobre Melody não se incomoda e ouve tudo muito atenta. Eles ficam por anos casados, até que um dia o pai e mãe da jovem aparecem na porta do apartamento em que vive com Boris a sua procura. A partir daí a coisa fica mais insana, mas tudo muito crível, tudo muito humano, com todo aquele drama que o Woody Allen sabe por nos seus textos.
A comédia romântica que tinha só um casal principal acaba tendo vários, inclusive um triângulo amoroso. Em certo momento Boris olha pra câmera e diz que não é um filme feito para as pessoas se sentirem bem. de fato, se apenas levarmos em conta os resmungos do personagem de Larry David, dá um ruim. Mas o que acontece com todo elenco até o final de Tudo pode dar certo é tão legal, tão bonito, que dá pra se sentir muito bem e querer dar o play de novo logo que o filme acaba.


Classificação PoA Geral
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X Baita Filme
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- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável