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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Descontos a uma Seleção que suou, mas mereceu vencer

Não marcaria o pênalti sobre Fred. O centroavante canarinho forçou e o juiz caiu - não literalmente, como de fato fez o atacante. Mas é do jogo, e sempre foi. Tenho a nítida impressão, aliás, que o Brasil chegaria à virada naturalmente, mesmo com todas as dificuldades impostas pela boa seleção croata.

E Copa do Mundo não é Copa das Confederações. O peso é outro, a responsabilidade é o dobro, o triplo, o hexa. O time de Felipão estava tenso, não por menos: jogar em casa é complexo. Se tem o apoio da torcida, fator absolutamente positivo; porém, se ganha uma obrigatoriedade desumana de conquistar a vitória. E mais que a vitória, é preciso dar show.

Se for, não vai ser dando show. Vai ser basicamente assim, pro gasto, como contra a Croácia. Com Neymar mais protagonista que galã de novela das nove, e protagonista porque sabe ser, tem bola pra ser. E foi, de novo. Mas tivemos Oscar roubando a cena, fazendo um partidão e um belíssimo gol.

Há de se fazer descontos. Foi o primeiro jogo, é tudo mais difícil. Foi a primeira Copa, para a maioria. E o primeiro gol, contra, ajuda a desestabilizar. Não é de se descartar mudanças sensíveis, principalmente de posicionamento. Na estreia, Felipão jogou basicamente no 4-4-2, com Neymar mais solto, na condição de segundo atacante, e na linha de meio-campistas a Seleção teve Oscar na direita e Hulk, apagadíssimo, na esquerda. Talvez o 4-2-3-1, variando para o 4-3-3, realmente seja o esquema mais adequado.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Em nova derrota da Seleção, os problemas são os mesmos

Inglaterra 1 x 2 Brasil

Geralmente se faz uma avaliação equivocada desta nova Seleção, desde que Mano Menezes assumiu, e agora com Felipão no comando. Não faltam Rivaldos, Ronaldos ou Romários, os ditos diferenciados, aqueles que façam a diferença e decidam. Enquanto a nossa cultura de futebol pensar assim, continuaremos acumulando resultados ruins. Não faltam bom jogadores à safra atual. Falta trabalho coletivo, sentido de equipe, mecânica de jogo, ideia tática, aplicação, posse de bola e ocupação de espaços no campo. Só isso (ainda que seja muito).

O Brasil perdeu para uma Inglaterra que não é espetacular, mas é bem organizada, tem mecânica de jogo e atletas que cumprem com afinco suas funções. No 4-1-4-1, Gerrard é o volante que fica entre as duas linhas de quatro, fazendo a sobra da marcação dos laterais e meio-campistas e iniciado todos os movimentos de ataque. Quando Rooney sai da área, os dois wingers entram em diagonal, principalmente Walcott, pela direita. Foi praticamente desta forma que aconteceram os dois gols ingleses  O Brasil não teve nada parecido. Ainda não tem.

Adrian Dennis/AFP
No primeiro tempo, com um meio-campo em quadrado, a Seleção se dividia em dois blocos. O primeiro tinha os quatro defensores e os dois volantes, e o segundo tinha Ronaldinho, Oscar, Neymar e Luis Fabiano. Estes últimos deveriam ser os responsáveis por dificultar o jogo de Gerrard. Não o fizeram.

A coisa melhorou um pouco na segunda etapa, com a saída de Ronaldinho, a entrada de Lucas e a adoção do esquema 4-2-3-1, que contou com maior participação dos laterais. Ainda sim, o Brasil não soube abrir o jogo. Sempre centralizou muito a jogadas, facilitando a marcação inglesa. O time de Felipão até chegou ao empate, mas a Inglaterra sempre foi melhor em campo.

E foi melhor porque pensa melhor o jogo. Não fica esperando que jogadas individuais resolvam as partidas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Grêmio no limite físico e técnico?

Diego Vara/Agência RBS
O empate trágico em 1 a 1 no Olímpico contra o Santos, no último domingo, me parece ser um sinal do limite desse bom Grêmio de Vanderlei Luxemburgo. O time é esse, e não passa disso. E tem até possibilidades de passar, caso Atlético-MG e Fluminense vacilem muito mais que o time gaúcho nessa reta final. Não é a tendência.

No segundo tempo sem Neymar, e com o Peixe com 10 homens em campo,o Grêmio demostrou certa fadiga tática e física. Era o momento da guinada, de encostar no Galo e seguir o BR-12 (e o Flu) com o moral lá em cima. Mas o Grêmio não foi capaz de dar essa guinada, talvez porque essa terceira colocação seja mesmo o limite do plantel gremista.

Quando falo em fadiga tática, me refiro às opções e estratégias tentadas por Luxemburgo nos momentos desfavoráveis ao Grêmio. A entrada de Leandro no segundo tempo, no lugar de um volante,só deu certo contra times mais fracos. Leandro não tem rendido bem. Assim como Léo Gago, que entra eventualmente para fechar o lado do campo e tentar um arremate de fora da área. Pouco surte efeito. O mesmo vale para Marquinhos e Marco Antônio.

Não estou dizendo que estão mal ou que o Grêmio está mal. O Grêmio baixou o ritmo, o que é natural. Até porque os jogadores que fazem a engrenagem do time funcionar, Zé Roberto e Elano, principalmente, já ultrapassam a faixa dos 30 anos. A sequência do Tricolor nos últimos jogos tem Flamengo no Rio de Janeiro, Atlético em Minas, Barcelona numa viajem desgastante para Equador e agora o empate contra o Santos no Olímpico. É uma sequência de alta exigência técnica, física e anímica, sempre usando o time completo (com um ou dois desfalques).

O Grêmio tem, daqui pra frente, a possibilidade de dois fatores novos para ajudar a retomar o bom momento. Primeiro são os possíveis retorno de Bertoglio e Júlio Cesar, jogadores que encorpam o grupo e dão opções de velocidade ao time. Outro fator é construir uma vitória maiúscula sobre o Cruzeiro, no sábado, em casa.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Seleção de Mano sente o peso da insegurança e da indefinição

O Brasil não jogou bem, nesta sexta, contra a África do Sul, no Morumbi. Venceu por 1 a 0, suado. Suor e vitória que não vale tanto quanto valeria em um jogo de campeonato, daqueles que se avança somando pontos. A Seleção de Manos Menzes precisa avançar na sua concepção de equipe de futebol, jogando bola e, daí a importância, vencendo para adquirir confiança.

A Seleção Brasileira tem muito o que provar ainda, precisa adquirir a confiança da torcida. As vaias de hoje, e nos treinos durante a semana, são o sinal da falta de credibilidade de Neymar e cia. Mas a garotada precisa de crédito, precisa da paciência da torcida. Afinal de contas, quando Hulk fez o gol do jogo, no segundo tempo, a coisa ficou bem mais fácil, a África do Sul ficou bem menor e a gurizada passou a jogar com mais leveza, trocando bola com naturalidade.

Se da torcida a Seleção espera um pouco mais de paciência, de seu treinador ela precisa de sequência, filosofia de jogo, entrosamento. Esta é a hora, depois de muitos testes, de Mano Menezes começar a trabalhar com um time fixo, com menos mudanças.

Outro fator importante são os adversários. É hora, sim, de enfrentar adversários mais fracos. Aquilo que os críticos chamam de amistosos caça-niqueis. O time precisa de mecânica de jogo e confiança, o que é mais fácil de começar a adquirir vencendo times mais modestos. O nível de exigência precisa aumentar gradativamente. Obviamente que não temos time para enfrentar as grandes seleções, ainda. Mas temos potencial. Afinal, a safra é boa, ao contrário do que muitos afirmam.

domingo, 8 de julho de 2012

Falta inspiração técnica e trabalho tático ao Grêmio

A diferença entre as duas equipes não foi tão grande para que até os 32 minutos do segundo tempo o Grêmio ainda estivesse perdendo por 4 a 0. Aos 32, o gol de Vilson e aos 47 o gol de Marquinhos, que entrou bem na segunda etapa - ele que havia muitos jogos não atuava. O Santos não jogou tanto para que se desenhasse tal goleada na Vila Belmiro.

O problema do Grêmio parece estar no setor onde atuam as grandes estrelas desse elenco. Pelo menos é onde o Tricolor investiu mais dinheiro. O setor ofensivo comandado por Kléber, Marcelo Moreno e Zé Roberto não funciona conforme o esperado. É óbvio que a culpa não cai apenas sobre estes três jogadores, afinal o futebol é coletivo e o treinador tem muita responsabilidade sob qualquer aspecto da equipe.

Luxa escalou um Grêmio diferente, uma proposta de jogo que se desenhava num 3-6-1. Detalhadamente, o time começava com a linha de três zagueiros, os volantes Souza e Fernando à frente e, a seguir, uma linha de quatro jogadores que começava com o Tony na direita, o Marco Antônio e o Zé Roberto por dentro, e o Léo Gago na esquerda. O único atacante era o Kléber. 

O Grêmio não iniciou mal, marcava na frente e conseguia ficar com a bola e equilibrar forças com um Santos em processo de remontagem, que tinha Neymar no comando de ataque e no comando do time. Pelos lados Muricy escalou dois jovens, e fechou o meios campo com os bons volantes Arouca, Adriano e Henrique. Grande parte do jogo o Peixe atuou no 4-3-2-1, e teve dificuldades até se encontrar na partida.

Mesmo com as boas participações de Souza, Fernando e Zé Roberto, o time gaúcho não conseguiu fazer com que a bola chegasse a Kléber. Faltou mais participação de Marco Antônio e dos alas. Quando o Santos achou o gol, aos 27 do primeiro tempo, o Grêmio perdeu o gás e o Peixe de Neymar e, principalmente, Felipe Anderson, tomou conta do jogo.

Entretanto, com a bola rolando, a defesa gremista teve pouco trabalho e se portou bem. Os quatro gols sofridos são oriundos de bolas paradas. É um aspecto a ser analisado, afinal quatro gols é muita coisa.

Mas o grande problema do Grêmio ainda é com a bola no pé. Com as substituições do intervalo o Grêmio voltou no seu habitual 4-3-1-2, e voltou bem. Só que ainda não há uma mecânica de jogo que proporcione aos atacantes gremistas oportunidades de finalização. Não é questão de ter três, quatro ou cinco volantes, o problemas é mesmo mecânica de jogo, fluência, alternativas de jogadas e, em alguns casos, um ímpeto maior.

O segundo tempo foi quase todo do Grêmio, mas os gols só vieram no final, e só depois de tomar outros dois gols. Na segunda etapa o time de Luxa conseguiu trocar passes e entrar dentro da área do Santos, mas o time ainda peca por afobação. O grupe de jogadores, além de estar tendo dificuldades táticas, está sofrendo, e se reflete em campo, a pressão dos 11 anos sem títulos do clube.

O Grêmio tem o grandalhão Marcelo Moreno, e não cruza bolas na área. Tem Zé Roberto e Kléber, e não faz nenhuma tabela. Tem Léo Gago e Fernando, e o próprio e Zé, e não chute de longe.

Os problemas do Grêmio está lá na frente. Não falta qualidade, tem faltado inspiração técnica e trabalho tático. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Inter, Santos e o jogão no Beira-Rio

Do meio para frente, Dorival Junior não contava com jogadores fundamentais de sua equipe. Oscar, D'Alessandro e Guiñazu teriam todas as condições de dar um algo a mais em favor do Internacional no jogaço que acabou em 1 a 1 no Beira-Rio. Ou talvez não, é do futebol. No primeiro jogo, em Santos, eles jogaram e o Inter tomou três do Neymar, este monstro com a bola nos pés que, nesse segundo jogo, só foi parado pela monstruosa atuação de Muriel, arqueiro colorado que vive uma temporada de muito brilho.

Ao contrário do Inter, o Santos de Muricy estava completo do goleiro ao centroavante. Um time que ainda é o atual campeão da América. E que, de quebra, é melhor que aquele Santos que venceu o Peñarol em julho passado. Uma equipe que demostrou muita maturidade ao não se desesperar com o gol cedo do Inter, um golaço do Nei, em linda cobrança de falta. O Santos segurou o Colorado com toda a paciência do mundo, neutralizou como pôde as investidas de Dagoberto e Dátolo, anulou Damião e, aos poucos, foi avançando e retendo a bola até possuir o controle do jogo, mas nada que representasse um desequilíbrio exagerado em campo, pois o Inter nunca foi passivo na partida.

Dorival armou um time híbrido, mas que atuou a maioria do tempo no 4-4-2, com Tinga bem aberto na direita, jogando uma bela partida, de muita entrega, com Dátolo ao lado, mais no centro que na esquerda, formando assim um quadrado torto no meio, com Sandro Silva e Élton jogando praticamente em linha na frente da zaga. Na frente, Dagoberto foi atacante ao lado de Damião, movimentou pelos dois lado, fez partida melhor que a do companheiro e melhorou com relação a ele mesmo nos últimos jogos.

As variações táticas do Inter pouco efeito prático tiveram no confronto. Em certos momentos Tinga recuou para formar um losango no 4-3-1-2. Algumas vezes quem recuava era o atacante Dagoberto, para armar a equipe no 4-2-3-1 que Dorival costuma usar.

O Santos não veio para empatar. Curiosamente, no final do segundo tempo, o Peixe era o mais interessado e jogar e se expor buscando o segundo gol que o próprio Internacional, que com este ponto somado adia e complica um pouco a classificação para a segunda fase. O Colorado fica quase que na obrigação de vencer o Juan Aurich no Peru e ainda torce por resultados paralelos bem prováveis que aconteçam.

Neymar passou como quis pela defesa colorada mais um vez, o craque santista merecia o gol por tudo o que fez e jogou no Beira-Rio. Neymar só não passou por Muriel, que por tudo o que catou embaixo das traves, não merecia ter sido vazado por Alan Kardec. Mas merecimento e justiça são conceitos complicados de serem aplicados ao futebol. Como ficou é sempre como deveria ser.

E foi um jogão. No final das contas, o Inter segurou as pontas. Pelo tanto de desfalques que teve Dorival, quando Tinga e Dagoberto cansaram, faltou banco para o treinador. Jajá, na Libertadores, ainda não. O mesmo vale para Gilberto. Muricy, por outro lado, tirou do banco Alan Kardec, autor do gol de empate, e Elano, jogador experiente e com passagens pela Seleção.

*Foto Diego Vara/ClicRBS

quinta-feira, 8 de março de 2012

A derrota colorada e a vitória gremista

Santos 3 x 1 Inter
Jogão de bola entre os dois últimos campeões da Libertadores. Dois times de futebol com equipes de respeito, reconhecidamente favoritos ao título da competição continental em 2012. Mas entre Santos e Inter (e Santos e qualquer equipe sul-americana), uma diferença essencial: Neymar.
 Se o Internacional teve problemas na Vila Belmiro, sem dúvidas o maior dele foi o craque santista. Porém, as outras carências coloradas que contribuíram para a vitória do Santos não podem passar desapercebidas. A começar pela opção inicial de Dorival Junior, que mudou a equipe para o confronto. Ao invés do habitual 4-2-3-1, Dorival deixou Dagoberto no banco e montou um 4-3-1-2, jogando Oscar para o ataque e fazendo uma trinca de volantes com Bolatti, Élton e Guiñazu. Centralizado na articulação, tentou jogar D'Alessandro.

E o problema, como muitos falam, não são os três volantes, obviamente. O Santos jogo com três volantes, no mesmo 4-3-1-2 do colorado no primeiro tempo. Dorival Junior usou as peças erradas para a estratégia de jogo. Tinga e Dagoberto seriam opções mais adequada. Mas parto do principio que a opção correta era mesmo manter a equipe na forma habitual de jogar, com os três meias atrás de Damião. Segundo o treinador colorado, problemas de vestiário atrapalharam na montagem da equipe, porém não revelou a natureza dos problemas.

Santos e Inter estavam a maior parte do tempo com a marcação encaixada. O jogo foi muito pegado, com espírito de Libertadores. E quando a parte tática das equipes se equivalem, promovendo combates individuais no campo, a qualidade técnica tende a levar a melhor. Aí Neymar foi um monstro, fez três gols e desmontou tática e psicologicamente a equipe colorada. Henrique e Arouca foram peças importantes para que D'Alessandro e Oscar tivessem uma jornada frustrante.

River Plate-SE 2 x 3 Grêmio
Era jogo para o Grêmio atropelar. Mesmo com toda a dedicação da modesta equipe do River, que merece todo o respeito e os parabéns por conseguir levar a decisão para Porto Alegre e ter aberto, em dado momento, uma vantagem de 2 a 0, jogando melhor que a equipe gaúcha.

Só que o Grêmio de 2012 ainda não é capaz de atropelar ninguém. O time de Luxemburgo jogou a maior parte dos 90 minutos com preguiça. Tomou dois gols porque desacreditou na capacidade do adversário e porque errou bisonhamente na hora de se defender. A atuação gremista foi constrangedora, mesmo com a vitória, que só veio com um primeiro gol irregular (Kléber fez falta sobre o defensor do River) e depois da equipe sergipana cansar e perder um jogador expulso.

Luxemburgo repetiu a equipe do último jogo. Um 4-3-1-2 pouco eficiente porque Marco Antônio não dá o ritmo necessário pela direita e nem Marquinhos pelo meio. O Grêmio depende quase que fundamentalmente de Kléber Gladiador. No segundo tempo, na blitz gremista, numa espécie de 4-2-4, Facundo Bertoglio entrou bem novamente, e fez o gol da virada, no último minutos de jogo.

Esta vitória gremista tem pouco peso perto do futebol pobre jogado pela equipe. Não tem erro, no jogo da volta o Grêmio vence no Olímpico e passa de fase. Só que mais pra frente, vai precisar de mais bola para vencer. A volta de Souza e a efetivação de Bertoglio como titular passam pela melhor Tricolor.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

De abalar os dogmas do futebol brasileiro

O chocolate do Barcelona sobre o Santos, no Mundial de Clubes, foi há alguns dias, no domingo. Já se falou e se escreveu muito sobre o confronto, um 4 a 0 constrangedor. Provavelmente este texto que agora você já esteja defasado, pois até pra mim, que gosto muito de futebol, já enchi o saco de tanto ouvir comentarem o jogo. Porém, cabe aqui algumas considerações.
Primeiro quero ressaltar a ignorância da nossa grande imprensa especializada em futebol. Parecem que só viram o Barcelona jogar naquele fatídico domingo. E alguns viram só lá mesmo. O que é quase um pecado capital, afinal de contas se o cronista de futebol não acompanhar razoavelmente o melhor time do mundo, vai acompanhar quem? Futebol internacional é tratado como se fosse outro esporte, outra categoria. Definitivamente, não é. 
Outro aspecto é o desdém com o futebol apresentado pela equipe catalã. Poucos times na história foram melhor que este Barcelona treinado por Pepe Guardiola. Arrisco a dizer que nenhuma outra equipe executou as tarefas básicas do futebol estando tão próximo à perfeição: ocupar espaço, marcar e anular o adversário, ter a posse da bola, atacar. Além da compreensão tática e a capacidade técnica dos 11 jogadores em campo, a começar pelo goleiro. Como, naturalmente, não são 11 craques jogando, a questão tática é aspecto fundamental no sucesso do Barcelona, pois o jogador de razoável técnica que conseguir incorporar a ideia de futebol do Barça, vai correr certo, errar menos e, consequentemente, aumentar seu rendimento individual. É o caso do goleiro Valdéz, e dos zagueiros (ou laterias) Puyol e Abidal.
Também acho que o técnico do Santos não teve sua mais inspirada jornada. Os entendidos da bola logo botaram a cupa nos três zagueiros escalados pelo Muricy, "Ah, eu nunca gostei de três zagueiros, coisa de retranqueiro". Detalhe, o Barcelona jogou com três zagueiros, quadro meio-campistas e três atacantes. Cai o primeiro dogma, pois três zagueiros não é sinal de retranca.
Outro dogma é que time equilibrado é aquele com dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois armadores e dois atacantes. Sendo que o lateral apoia mais que o outro, um volante joga fincado em frente aos zagueiros e o outro sai jogando, um dos armadores é o 10, que centraliza toda a articulação do time, e um dos atacantes é de velocidade e o outro é de referência na área. Ou seja, o tradicional 4-2-2-2 brasileiro. No Barcelona não tem nada disso. Aliás, ultimamente não tem tido nem lateral posicionado, pois no 3-4-3 de Guardiola o meio-campo é um losango formado por Busquetes de centro-médio, Xavi na meia direita, Iniesta na meia esquerda e Frabegas na ponta-de-lança, alternando de posicionamento com Messi para argentino sair da área.
Mais dogmas do futebol brasileiro que caíram: é possível ganhar e jogar bonito, um time não precisa do chamado "volantão", não precisa do estático e corpulento camisa 9, não precisa de oito ou nove carregadores de piano marcando para os craques do time apenas se preocuparem em jogar bola (foi o que Muricy Ramalho tentou com seu 3-3-1-2, com Ganso, Neymar e Borges distantes do companheiros).
Óbvio que o Barcelona é exceção, nem todo mundo conseguiria jogar de tal forma. Mas isso não impede ninguém de pensar o futebol de outra forma, menos ortodoxa e mais moderna, entendendo que as coisas mudaram, que há oito anos a Seleção não tem o melhor time do mundo, que há quatro é a Espanha a primeira no Ranking da FIFA.
É bom ressaltar que o tipo de futebol jogado pelo Barcelona não é novo, tem origem na Hungria de 54 e principalmente na Holanda de 74. A novidade é o nível de acerto na execução dos movimentos em que chegou essa equipe de Pepe Guardiola. 
 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Copa América #2 - Primeira vitória e classificação

Não consegui ver o empate em 2 a 2, no sábado, com o mesmo Paraguai que o Brasil enfrenta pelas quartas de final no próximo domingo. Este, então, que era pra ser o terceiro texto, comenta o terceiro jogo da Seleção, mas é a segunda análise deste que vos tecla. Explicações dadas, sigo com o texto.
O Mano voltou a mudar a equipe. Robinho voltou pro time, Jadson voltou pra banco e a Seleção voltou ao 4-2-3-1 com os dois meias-extremos (Neymar e Robinho) projetados ao ataque. Contra o Paraguai, Jadson jogou pela direita, porém com menos impeto ofensivo, segurando mais o jogo e ficando ao lado de Ganso. Outra mudança importante de Mano Menezes, determinante na vitória de 4 a 2 sobre o Equador, foi a saída de Daniel Alves para a entrada de Maicon na lateral-direita. Dois jogadores de características diferentes, e o lateral da Inter de Milão caiu melhor no time, foi destaque do jogo, passou os 90 minutos indo á linha de fundo e voltando para recompor a defesa.
É fundamental que um trabalho, uma ideia de futebol, se sustente por vitórias, ainda mais quando está se iniciando um ciclo, promovendo uma renovação a médio prazo. E é justamente nessa hora em que a vitória teima em não acontecer. É justamente por isso que tem passado Mano Menezes e seu convocados. Aí o primeiro ponto importante dessa vitória, a confiança e a tranquilidade adquirida e o alívio da pressão. O segundo ponto é a classificação. Talvez a ordem de importância seja discutível, admito, mas não se pode fugir disso aí.
O Brasil não foi espetacular e ainda não tem tempo de trabalho para ser. Tem é bola no corpo, tem Ganso, tem Pato, Neymar, e tem lampejos daquilo que pode ser num futuro não muito distante. Ainda falta conjunto a essa equipe, falta a mecânica de jogo que vem com os jogos e os treinamentos. Mano conseguiu fazer com que dos seus quatro jogadores ofensivos, três ficassem trocando de posição e se movimentando com inteligência. Contudo, Pato esteve na área, e como centroavante, quando a equipe necessitou - e quando não esteve, tinha Neymar. Ganso ainda corre menos que deveria, sente o gramado na hora do passe, mas brilhou em alguns momentos.
No 4-4-2 apropriado à contra-ataques, o Equador não penetrou na área do Brasil, o que é bom. O ruim é que Caicedo venceu Julio Cesar duas vezes em dois chutes de fora da área, em que o goleiro da Seleção falhou como não costuma falhar.
No próximo domingo a Seleção pega o Paraguai, que é um time pronto, joga juntos a pelo menos quatro anos. Não é jogo fácil, mesmo para um Brasil mais confiante e mais leve depois de uma boa vitória. O Paraguai faz marcação pressão em vários momentos do jogo, como no segundo gol do empate de sábado, e o Brasil, que ensaiou ser um time veloz no inicio da competição, no primeiro tempo contra a Venezuela, anda jogando um futebol mais cadenciado, e pode dar muita bobeira na frente da área. É ver e torcer pra crer.

domingo, 3 de julho de 2011

Copa América #1 - Brasil 0x0 Venezuela

As duas grandes favoritas da Copa América de 2011 não estrearam com vitória. Pelo grupo A, na sexta, a Argentina não passou do 1 a 1 com a Bolívia. Nesse domingo foi a vez do Brasil empatar, pelo grupo B, contra a seleção da Venezuela.
O que Mano Menezes está implantando na Seleção não acontece do dia pra noite. Jogar no 4-3-3 variando para o 4-2-3-1, marcar pressão o adversário e controlar a posse de bola são tarefas difíceis para uma equipe executar com sincronia e competência, ainda mais uma equipe em formação, com pouco tempo para treinar.
Contra uma Venezuela recuada, jogando no 4-4-2 bem ortodoxo, o Brasil conseguiu não correr riscos e manter a bola sempre em seu domínio, já é um começo. E um começo bom, de trás pra frente, com um sistema defensivo muito seguro. Contudo, o resto daquilo que planeja Mano Menezes não foi executado como se espera.  
Mesmo num primeiro tempo em que o Brasil foi bastante superior, faltou algo de mais agudo nas jogadas de Robinho pela direita, Neymar pela esquerda, Ganso pelo meio e Ramires, que vindo de trás podia ter dado mais opção à equipe. Pato, na frente, foi o melhor nome brasileiro. No segundo tempo a principal dificuldade canarinho foi a velocidade na execução das jogadas, o que facilitou a marcação da bem postada defesa venezuelana e amornou o jogo.
As entradas de Fred, Elano e Lucas não mudaram a maneira da Seleção jogar e não devem ser surpresa para o próximo jogo, sábado que vem contra a boa seleção do Uruguai, O Brasil tem mais uma semana de preparação e para aprimorar esse novo conceito de futebol. Esse time pode jogar mais e pode jogar como quer Mano Menezes.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Santos 1x0 Internacional

Como pode ser visto no final do post, os melhores momentos nem foram tão melhores assim. Teve o gol de Neymar, aos 27min do primeiro tempo, outras duas jogadas do guri no final do jogo e um belo de um chute do Andrezinho, da entrada da área, aos 31 do segundo tempo. Pouco, para os dois melhores times de 2010 enquanto estiveram completos nesse ano. Fosse esse jogo em meio a 13° rodada, e não adiado para esta quarta-feira, 13 de outubro, seria das partidas mais interessantes desse BR-10, com Ganso, André e Wesley no Santos e D'Alessandro, Giuliano, Taison, Alecssandro, Sandro e Tinga (nos 90min) no Inter. Jogaço!

O Inter teve um Kléber irreconhecível, que entregou a rapadura no primeiro gol. Teve o já conhecido, e indesejado, Edu ao lado de Marquinhos no meio, armando para o centroavante Ilan. Um 4-3-2-1, com Glaydson, Derley e Guinãzu na volância, mas que não funcionou. No primeiro tempo o Inter perdeu na bola e no placar para um Peixe comandado por Arouca e Neymar.

A coisa melhorou um pouco na segundo etapa. Entrou Tinga e Anderzinho, mudou o esquema mas não o placar. O Santos perdeu de ampliar, pois o Colorado deu campo pro Peixe contra-atacar. E lá se foi a quarta partida consecutiva de derrota fora de casa. E lá se foi um baita oportunidade de brigar forte pelo título.

O Inter caiu para a 5° colocação, tem 47 pontos e pega o Flamengo próximo sábado, no Rio de Janeiro. É provável que Celso Roth escale o que tiver de melhor disponível. Sobis pode pintar no banco e o trio Tinga, Giuliano e D'Alessandro saem jogando.
   

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sobrou vontade

Este Grêmio que perdeu por 2 a 1 de virada para o Santos dentro do Olímpico foi dos melhores depois da Copa. O que não significa muito para um Grêmio que é dos piores do BR-10. O Grêmio foi mais Grêmio, principalmente nos primeiros 45mim, foi time de pegada, de marcação, de escapadas rápidas e (quase) letais. Mas quem acabou sendo letal foi o Santos, que matou o jogo aos 48mim do segundo tempo e só não matou antes, aos 40, graças a Victor que defendeu seu terceiro pênalti no campeonato.
Mas se sobra vontade, falta futebol. O time que Portaluppi escalou dá para apostar e trabalhar em cima, no mesmo 4-2-2-2 que rendeu bons resultados ainda na era Silas. Os retornos de Rochemback e Borges significaram melhora técnica significativa, porém, jogadores importantes como Douglas, Souza e Jonas, principalmente os dois últimos, erraram demais com a bola no pé. Não faltou empenho, nem vergonha na cara, nem comprometimento, talvez tenha faltado bola, talvez preparo físico, talvez, até, melhor sorte.
O bom time do Santos jogou no segundo tempo tudo o que o Grêmio não permitiu que jogasse no primeiro. E o Grêmio não permitiu porque Rochemback e Vilson foram sempre soberanos na marcação, jogaram muito, também porque Souza e Douglas correram e ocuparam bem os espaços defensivos, até deixando faltar lá na frente.
Dorival Junior sacou do time o pesado Marcel, trocou o centroavante pelo atacante Zé Eduardo, ganhou mais mobilidade na frente e mexeu na marcação gremista. Ganso começou a aparecer, até se machucar, aos 21mim do segundo tempo, no lance do primeiro pênalti. Neymar também foi figura decisiva no jogo: converteu a primeira penalidade, sofreu a segunda e manchou a boa estreia de Vilson, e no fim participou do lance da virada santista.
Mesmo jogando vários minutos com um jogador a mais e contando com um Victor que voltou a jogar muito, continua não dando para o Grêmio. A zona do rebaixamento assusta, até porque o Grêmio não sai dela. Rebaixamento não é mais palavra para ser ignorada no Olímpico e fazer de conta que não existe. Existe, e a realidade do Grêmio hoje é fugir dele.
 

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Questões do futebol - Seleção e Renato Portaluppi













A boa estreia de Mano Menezes
Apenas 15 minutos. Só nos primeiros 15 minutos de jogo os EUA apertaram, avançaram as suas duas linhas de quatro e imprimiram certas dificuldades ao sistema defensivo brasileiro. Passados 15 minutos, também passou o friozinho na barriga dos estreantes, o nervosismo característico de um time novo, formado por novatos. Depois desse inicial quarto de hora, a Seleção do Mano amassou os americanos e 2 a 0 ficou barato.

Deu gosto de assistir. Do goleiro ao centroavante. Uma partida não tão boa de Dani Alves, mas excelente de Ganso, excelente Neymar, Ramires e David Luis. Atuação segura de Lucas, à frente da zaga, assim como foram seguros André Santos, na esquerda, Thiago Silva no miolo defensivo, Victor no gol e na área e Pato na outra área.
Mano usou o esquema da moda, o tão falado 4-2-3-1 (que a maioria dos jornalistas descobriu só depois da Copa), que ele usava desde os primeiros dias no Grêmio. Posse de bola e movimentação foram as virtudes apresentadas nesse início de trabalho. Um início promissor, de um grupo de jogadores que ainda tem valores a serem agregados, como o Maicon, o Sandro, o Nilmar, e um Kaká recuperado. Entre outros.



Grêmio joga para o lado emocional
Na coletiva do técnico Renato Portaluppi, na sua despedida do Bahia, após vitória de 2 a 1 sobre o Paraná, um dos reporteres perguntou sobre a responsabilidade e o risco de voltar a um clube na condição de ídolo como jogador para exercer a função de treinador. Portaluppi respondeu, como sotaque carioca: "Mas eu gosto de desafios, gosto de correr esses ricos".

Renato treinador é o mesmo Renato ponta-direita, antes de tudo é atrevido, vai pra cima, tenta surpreender o adversário, não tem papas na língua e não se esconde e nem foge de confusão.O Grêmio aposta nisso, na personalidade forte de Renato, para chegar em meio à crise e fazer com que os jogadores joguem o futebol que já jogaram esse ano.

Aposta no Portaluppi ídolo, que traz a torcida para o estádio e para junto do time. Um nome para elevar a auto-estima de um torcedor que vê um time que não ganha e quando olha para o lado se depara com o maior rival na eminência de ganhar Libertadores e disputar o Mundial. De gremista para gremistas, à beira do campo Renato é, por enquanto, a personificação de um Grêmio vencedor, mas que precisa urgentemente voltar a vencer.

Pode dar certo, e pintar daí um dos capítulos mais incríveis da história Tricolor. Mas Renato Portaluppi ainda não é, com a prancheta nas mãos, o craque que foi com a bola nos pés. 

quinta-feira, 13 de maio de 2010

De encher os olhos

Grêmio e Santos fizeram uma extraordinária partida de futebol. A maneira como o Santos começou jogando e abrindo 2 a 0 de vantagem foi fantástica, a atuação do goleiro Felipe no primeiro tempo foi inquestionável, a vitória conquistada pelo Grêmio no segundo tempo é impressionante, uma virada épica, histórica. Vitória, aliás, que não é tão menor quanto o resultado que o Santos leva pra casa, pois fez três gols fora de casa e perder apenas por um gol de diferença, levando à risca o regulamento da competição, o resultado não é de todo o ruim.

Silas escalou mal, os três zagueiros e o Hugo na ala não funcionaram. Tanto que o Santos teve domínio completo da partida enquanto o Grêmio jogou dessa forma. Silas modificou logo que tomou o segundo gol, pôs a equipe no 4-4-2, improvisou Edilson na esquerda e liberou Mário pela direita. O time foi outro, não exatamente o que precisava ser, mas equilibrou as ações com o Santos. Por detalhes os meninos da Vila não ampliaram a vantagem no primeiro tempo, pios o Grêmio cedeu muito campo para contra-ataques. O Tricolor Gaúcho quando não parava por si só, parava em Felipe, o nome do jogo na primeira etapa, inclusive pegando pênalti.

Bom de papo e bom de vestiário, Silas mandou para o segundo tempo um Grêmio com mais atitude, mais ligado e melhor posicionado. O Tricolor fez com o Santos o que o próprio Santos fizera com ele no tempo anterior, com 20mim de bola rolando o Grêmio voava em campo e já alcançava a igualdade no placar.

Ganso sumiu, Arouca baixou de produção, Dorival Junior mexeu mal e o Grêmio jogou muito. Com o Olímpico em estado de transe, Borges anotava seu terceiro na partida, o quarto do Grêmio. Mas o jogo extraordinário como foi,  não parou aí.

Dorival se corrigiu, deu companhia a Ganso na articulação e mandou seus meninos jogarem novamente, afinal não tem explicação querer administrar uma derrota de 4 a 2. Paulo Henrique Ganso então deu uma metida de bola sensacional para Robinho, que resultou no belíssimo terceiro gol santista. Na noite, talvez só não tenha sido mais bonito que o também terceiro gol do Grêmio, um tirambaço de Jonas de fora da área.

Se viu em campo duas boas equipes, equipes corajosas e que, independente de idade e experiência, demonstram momentaneamente um futebol maduro. Propostas distintas de futebol, é claro, mas que vem dando resultado. Não por acaso são dois campeões regionais e semifinalistas da Copa do Brasil. Ficamos no aguardo do segundo capítulo desta excelente decisão de vaga - e espero que tenham lhes sobrado unhas nos dedos.