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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A coragem e a atitude de Aranha

Ah, se tivéssemos mais Aranhas e menos Pelés. E não falo do futebol, da técnica, do jogo. Falo da atitude, do discurso e da coragem. O goleiro santista enfrentou uma Arena completamente hostil em seu retorno, após sofrer injúrias raciais naquele mesmo estádio. Foi recebido como se ele, mais que adversário, fosse o criminoso, quando na verdade, do episódio todo, foi a vitima. São coisas que se distorcem no futebol, que infelizmente habitam o imaginário popular, como se dentro de campo valessem outras regras, como se fosse tudo permitido.

Aranha, contra tudo e contra todos, mesmo após ser criticado por Pelé, negro como ele, maior ídolo do clube que defende e maior atleta da história do esporte do qual ganha a vida, mesmo voltando a ser hostilizado pela mesma torcida que alegou que o racismo não a representa. Aranha, mesmo assim, entrou em campo e jogou futebol, aparentemente tranquilo e muito exitoso, evitando o gol do Grêmio em mais de uma oportunidade. Fora de campo, após o jogo, também não se mostrou afetado pelas críticas. O goleiro manteve o discurso forte e necessário para o combate ao racismo.


O santista foi vaiado a noite inteira. Bastava encostar na bola. Em sua avaliação, foram sim vaias diferentes. O atleta tem razão. "Por que foi diferente? Foi diferente por tudo o que aconteceu. Nunca me senti tão mal jogando em um lugar como me senti hoje. Cobraram o perdão, mas não tem como perdoar um pessoal desse. Muita gente morreu, muita gente sofreu, muita gente lutou bastante pelos direitos. Fazer o quê? Paciência. Eu vim, joguei futebol, dei o meu melhor, lutamos. Tudo o que aconteceu era tudo o que se esperava. Eu, sinceramente, esperava ser recebido de outra maneira, porque acreditava que a grande maioria do torcedor gremista tinha repudiado, mas, pelo que vi hoje, eles concordam", declarou na saída de campo.

O atleta tem o meu respeito e a minha admiração pela coragem de não baixar a cabeça e fingir que não é com ele, perpetuando o pensamento mágico que é pior se incomodar e dar moral pra racista. O que o Aranha fez é muito diferente de dar moral, ele denunciou um crime, algo que, aliás, era corriqueiro na torcida gremista, acostumada a usar o termo "macaco" há mais de décadas.

"Eu perdoaria, abraçaria, mas ela [Patrícia] tem que pagar pelo que fez. Não quero circo, não quero palhaçada, não quero levar vantagem nenhuma. Faria isso para ela, não para a imprensa explorar", completou o goleiro, deixando claro que não quer fazer do episódio um show midiático.

Parabéns Aranha, pelo discurso, pelo posicionamento e pela coragem. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Punição ao Grêmio é justa, mas o que muda?

O fator pedagógico é importante. Já lembraram que em outros momentos as punições a clubes por causa de objetos lançados a campo por torcedores era comum. Este é um cenário que mudou bastante, de tanto que puniram as agremiações, o fator pedagógico condicionou torcedores a quase não cometerem mais infração de tal natureza. O que me leva a acreditar, de forma otimista, que a eliminação do Grêmio na Copa do Brasil e a multa de 50 mil reais por conta das injúrias raciais de torcedores dirigidas ao goleiro Aranha, do Santos, é começo definitivo para a mudança de comportamento, pelo menos dos, gremistas - habituados a chamar colorados de macaco sob o disfarce de folclore, e outras desculpas.

Contudo, o julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) deixa no ar inúmeras questões completamente discutíveis. O melhor texto que li a respeito, até então, foi do José Antônio Lima, publicado hoje no blog Esporte Fino, da Carta Capital. O jornalista é um crítico do trio que traz mais problemas que soluções ao futebol brasileiro (quando deveria ser exatamente ao contrário): CBF, Globo, STJD.

Entre outros aspectos, Lima faz o seguinte apontamento:
"A punição ao Grêmio foi, também, duplamente conveniente para o complexo da CBF. Por um lado, o tribunal mostrou “força”, e fez isso em cima de um time virtualmente eliminado da competição de que foi excluído. Fez, também, em cima de determinados torcedores, claramente culpados, é verdade, mas sem direito à defesa, o que é grotesco, e cuja punição não será fiscalizada, como é óbvio. Ao mesmo tempo, a decisão joga a tarefa do combate ao racismo sobre os clubes, isentando a CBF de qualquer obrigação a respeito de ações que eduquem jogadores, torcedores e clubes sobre o tamanho do problema. Com a punição do Grêmio, passa-se a sensação de que “algo está sendo feito”, ainda que na verdade nada tenha mudado."
Corroborando com a opinião do blogueiro, um levantamento da Folha de São Paulo, do dia 31 de agosto, destaca 12 denúncias de racismo no futebol brasileiro em 2014. Além de ser lamentável que o Grêmio esteja envolvido em duas das denuncias, é pertinente notar que todas as outras penas são relativamente brandas, muitas delas sendo ainda amenizadas após recurso no STJD.

Como se não bastasse, Ricardo Graiche, um dos cinco auditores que votou pela punição do clube gaúcho, foi flagrado em 2012 postando conteúdo preconceituoso e racista em sua conta no Facebook (imagens abaixo). Portanto, é necessário se dar conta:

- O racismo não se resume a poucos torcedores, tampouco a torcidas organizadas. É uma doença social;
- A punição contra o Grêmio, apesar de questionável, é justa e pode ter um significado importante para o futuro do clube e a relação com seu torcedor;
- Não podemos nos deixar enganar por medidas pontuais, principalmente vindas da CBF e STJD.



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O racismo por osmose

Há muitas coisas a serem ditas sobre o racismo no Brasil, sobre o racismo na sociedade, sobre o racismo no esporte, o racismo nos estádios de futebol e o racismo por parte de alguns torcedores gremistas. Evidente que não vou conseguir abraçar o mundo neste único texto, mas vou tentar enfatizar alguns pontos que considero, por agora, mais relevantes.

O primeiro é sobre o Grêmio. O clube como instituição, estigmatizado por décadas como uma agremiação de origem alemã, com sérios problemas para aceitar negros no elenco durante a primeira metade de sua existência. É um passado que não pode ser negado - mesmo que, à época, discriminar afrodescendentes não era privilégio apenas do tricolor. Já passou da hora do clube combater este estigma da forma mais veemente possível, e o primeiro passo é entender os erros outrora cometidos. O segundo, é admitir que os cânticos tradicionais da torcida gremista em que se refere a colorados como "macacos" é sim de origem racista, mesmo que atualmente perca parte de seu sentido racista (mas de intenção ainda ofensiva) quando bradada por uma multidão que não está, naquele instante, raciocinando sobre o que faz ou fala. A multidão quer apenas ver seu adversário sendo depreciado.

É fundamental que, se o Grêmio quer ser levado a sério em suas campanhas antirracismo, passe a combater essa "tradição" de chamar o arquirrival de macaco. É um tipo de movimento que precisa também ser adotado por todos os bons torcedores do clube, que entendem a gravidade do ato e a imensurável carga pejorativa que carrega a palavra "macaco", principalmente quando dita a uma pessoa negra.

Osmose
A menina flagrada pelas câmeras da ESPN chamando o goleiro Aranha, do Santos, de macaco cometeu um crime e precisa arcar com as consequências, sejam elas quais forem. Contudo, ela não pode servir como boi de piranha, enquanto outros tão culpados quanto, saiam limpos dessa história - e de tantas outras histórias já passadas.

Ela estava ali, e como que por osmose, da mesma maneira de outros tantos imprudentes, foi racista sem necessariamente raciocinar sobre a gravidade daquilo que dizia contra o arqueiro santista. Isso é relativamente comum em meio à multidões, nos mais variados delitos. Mas continua sendo delito. Continua sendo crime. Continua sendo racismo. A menina, e mais uma dezena que estava ali na volta, protagonizaram mais um episódio triste dentro de estádios de futebol, resultando em uma reação compreensível do atleta repercussão midiática merecida, e que pode servir como estopim para o Grêmio ultrapassar a fase de largar notas de repúdio e partir para ações mais pesadas.

Bem mesmo fez a Torcida Jovem do Grêmio, que já avisou. Esse é o primeiro passo (de muitos outros que precisam ser dados):


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Grêmio não transforma bom desempenho em vantagem

O Grêmio é definitivamente um caso a ser estudado. Pois no século XXI, o Grêmio parece fadado ao fracasso, sem aptidão de decidir grandes jogos e, tampouco, ganhar títulos, mesmo tendo bons times e fazendo boas campanhas. Venho batendo muito nessa tecla há bastante tempo, e essa espécie de falência anímica voltou a aparecer na Arena, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, na noite desta quinta-feira. É possível jogar bem e perder por 2 a 0? Talvez seja.

O time de Felipão iniciou apresentando uma mecânica de jogo consistente, marcando e atacando com tranquilidade, valorizando a posse de bola e usando do artifício de variações táticas. Sem a bola, um 4-4-2 em duas linhas, com Dudu fechando o meio pela esquerda, Giuliano na direita enquanto Ramiro e Walace atuaram por dentro. Com a bola, um 4-3-3 muito bem definido, com Giuliano se postando quase ao lado de Ramiro e o jovem Walace recuando, geralmente cobrindo as excelente subidas de Zé Roberto. Esse é sim um Grêmio promissor. Que teve seus pecados, e o maior deles foi, sem dúvida, não fazer gols.

Divulgação Grêmio FBPA

O gol do bom time do Santos mudou a postura das equipes. O time gaúcho sentiu, e a equipe de Oswaldo de Oliveira soube se aproveitar do momento de vacilo gremista para ampliar ainda no primeiro tempo. Quase que em duas situações isoladas. O Santos soube decidir. O Grêmio, mais uma vez não conseguiu ser decisivo. É um problema, e se paga por isso.

O Peixe começou a partida no 4-3-3, tendo na frente Thiago Ribeiro na esquerda, Gabriel na direita e Robinho atuando de forma inteligente como "falso 9", flutuando pelo centro, buscando atuar no vácuo entre as linhas gremistas. É um movimento que naturalmente abriria espaço para a penetração em diagonal dos dois pontas, coisa que pouco aconteceu.

Na segunda etapa, duas modificações: Biteco no lugar de Walace e Alan Ruiz no lugar de Luan. O posicionamento permaneceu basicamente o mesmo, com as mesmas variações. O Grêmio imprimiu mais uma vez um bom ritmo, sempre rondou a área santista, porém insistiu muito pela esquerda, com Dudu, que fez boa partida, mas era preciso explorar o outro lado do campo também, tentar abrir a defesa santista. A certa altura entrou o lateral Mattias Rodrigues na direita, jogador de características ofensivas. Ele não foi acionado nenhuma vez.

É quase certo que o Grêmio não classifica, é muito difícil que reverta esse resultado na Vila Belmiro, por mais que faça uma boa partida. Agora, é preciso ter frieza na avaliação interna visando a continuidade do trabalho. Felipão parece ter encontrado uma maneira equilibrada de jogar, e seria um equivoco recuar e buscar uma mudança de equipe, por mais que isso soe contraditório após uma derrota de 2 a 0. Com um pouco mais de competência é possível buscar coisas melhores no Brasileirão.

Racismo
Está mais do que na hora da instituição Grêmio combater com mais ênfase a questão das manifestações racistas de alguns setores da torcida. É um problema histórico e não se pode mais negar esse grave problema. É preciso banir esse tipo de criminoso dos estádios, e se faz necessário que o torcedor gremista de bom senso também passe a combater o racismo. O episódio ocorrido durante o jogo, com torcedores (identificáveis) agredindo o goleiro Aranha com ofensas racistas foi triste e revoltante.

A reação de irritação e desconformidade do goleiro santista é correta. É preciso escancarar, denunciar, buscar que a justiça atuem sobre essas pessoas que são burras, atrasadas e criminosas.  

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Grêmio não aproveitou o erro do adversário

Miguel Schincariol / Estadão Conteúdo
Essa derrota para o Santos, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, está longe de ser definitiva. O Grêmio segue vivo e favorito a passar de fase. Portaluppi não tem uma equipe pronta, ainda está em formação, porém está um estágio acima da equipe em transição de Claudnei Oliveira. Portanto, mesmo com a vantagem mínima conquistada, não enxergo o Peixe com grande possibilidade de classificar-se dentro da Arena, na próxima semana.

Ironicamente foi a melhor apresentação do 3-5-2 de Renato. Uma proposta muita mais clara em campo, bem definida, com o jogadores conscientes das funções que precisavam exercer. O esquema, que foi de necessidade a convicção após o Gre-Nal, parecia ter entrado em seu estágio de maturação. O Tricolor fazia bom jogo até levar o gol aos 36 do segundo tempo, porém cometeu o erro de não ser letal.

Nas últimas partidas o Grêmio se defendia, se protegia, corria riscos mínimos e especulava no erro do adversário. Pouca coisa diferente disso aconteceu nessa quarta, na Vila Belmiro. Em alguns momentos a equipe de Renato até teve a posse de bola e propôs o jogo. Vive um momento anímico mais tranquilo que a jovem equipe santista, e disso o Grêmio poderia tirar mais proveito.

Diferente dos últimos três jogos em que marcou 9 gols, desta vez o Tricolor desperdiçou. O Santos errou como o Renato queria. Claudnei escondeu Montillo grande parte do jogo, tentando que o argentino fosse um falso-nove, entre os zagueiros gremistas. Não deu muito certo. O que deu certo foi a movimentação do meia, que na segunda etapa foi recuado e, vindo de trás, construiu toda a jogada do gol santista. Momento raro.

O Grêmio teve o erro do adversário a seu favor. Barcos e Kléber fizeram boa partida, mas erraram gols que atacantes do nível de ambos não podem perder. E quem perde é o Grêmio, pagando o preço do desperdício, justamente na melhor partida do esquema que deu as três últimas vitórias ao time gaúcho. Entretanto - e posso queimar a língua -, em Porto Alegre, dá Grêmio. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Grêmio no limite físico e técnico?

Diego Vara/Agência RBS
O empate trágico em 1 a 1 no Olímpico contra o Santos, no último domingo, me parece ser um sinal do limite desse bom Grêmio de Vanderlei Luxemburgo. O time é esse, e não passa disso. E tem até possibilidades de passar, caso Atlético-MG e Fluminense vacilem muito mais que o time gaúcho nessa reta final. Não é a tendência.

No segundo tempo sem Neymar, e com o Peixe com 10 homens em campo,o Grêmio demostrou certa fadiga tática e física. Era o momento da guinada, de encostar no Galo e seguir o BR-12 (e o Flu) com o moral lá em cima. Mas o Grêmio não foi capaz de dar essa guinada, talvez porque essa terceira colocação seja mesmo o limite do plantel gremista.

Quando falo em fadiga tática, me refiro às opções e estratégias tentadas por Luxemburgo nos momentos desfavoráveis ao Grêmio. A entrada de Leandro no segundo tempo, no lugar de um volante,só deu certo contra times mais fracos. Leandro não tem rendido bem. Assim como Léo Gago, que entra eventualmente para fechar o lado do campo e tentar um arremate de fora da área. Pouco surte efeito. O mesmo vale para Marquinhos e Marco Antônio.

Não estou dizendo que estão mal ou que o Grêmio está mal. O Grêmio baixou o ritmo, o que é natural. Até porque os jogadores que fazem a engrenagem do time funcionar, Zé Roberto e Elano, principalmente, já ultrapassam a faixa dos 30 anos. A sequência do Tricolor nos últimos jogos tem Flamengo no Rio de Janeiro, Atlético em Minas, Barcelona numa viajem desgastante para Equador e agora o empate contra o Santos no Olímpico. É uma sequência de alta exigência técnica, física e anímica, sempre usando o time completo (com um ou dois desfalques).

O Grêmio tem, daqui pra frente, a possibilidade de dois fatores novos para ajudar a retomar o bom momento. Primeiro são os possíveis retorno de Bertoglio e Júlio Cesar, jogadores que encorpam o grupo e dão opções de velocidade ao time. Outro fator é construir uma vitória maiúscula sobre o Cruzeiro, no sábado, em casa.

domingo, 8 de julho de 2012

Falta inspiração técnica e trabalho tático ao Grêmio

A diferença entre as duas equipes não foi tão grande para que até os 32 minutos do segundo tempo o Grêmio ainda estivesse perdendo por 4 a 0. Aos 32, o gol de Vilson e aos 47 o gol de Marquinhos, que entrou bem na segunda etapa - ele que havia muitos jogos não atuava. O Santos não jogou tanto para que se desenhasse tal goleada na Vila Belmiro.

O problema do Grêmio parece estar no setor onde atuam as grandes estrelas desse elenco. Pelo menos é onde o Tricolor investiu mais dinheiro. O setor ofensivo comandado por Kléber, Marcelo Moreno e Zé Roberto não funciona conforme o esperado. É óbvio que a culpa não cai apenas sobre estes três jogadores, afinal o futebol é coletivo e o treinador tem muita responsabilidade sob qualquer aspecto da equipe.

Luxa escalou um Grêmio diferente, uma proposta de jogo que se desenhava num 3-6-1. Detalhadamente, o time começava com a linha de três zagueiros, os volantes Souza e Fernando à frente e, a seguir, uma linha de quatro jogadores que começava com o Tony na direita, o Marco Antônio e o Zé Roberto por dentro, e o Léo Gago na esquerda. O único atacante era o Kléber. 

O Grêmio não iniciou mal, marcava na frente e conseguia ficar com a bola e equilibrar forças com um Santos em processo de remontagem, que tinha Neymar no comando de ataque e no comando do time. Pelos lados Muricy escalou dois jovens, e fechou o meios campo com os bons volantes Arouca, Adriano e Henrique. Grande parte do jogo o Peixe atuou no 4-3-2-1, e teve dificuldades até se encontrar na partida.

Mesmo com as boas participações de Souza, Fernando e Zé Roberto, o time gaúcho não conseguiu fazer com que a bola chegasse a Kléber. Faltou mais participação de Marco Antônio e dos alas. Quando o Santos achou o gol, aos 27 do primeiro tempo, o Grêmio perdeu o gás e o Peixe de Neymar e, principalmente, Felipe Anderson, tomou conta do jogo.

Entretanto, com a bola rolando, a defesa gremista teve pouco trabalho e se portou bem. Os quatro gols sofridos são oriundos de bolas paradas. É um aspecto a ser analisado, afinal quatro gols é muita coisa.

Mas o grande problema do Grêmio ainda é com a bola no pé. Com as substituições do intervalo o Grêmio voltou no seu habitual 4-3-1-2, e voltou bem. Só que ainda não há uma mecânica de jogo que proporcione aos atacantes gremistas oportunidades de finalização. Não é questão de ter três, quatro ou cinco volantes, o problemas é mesmo mecânica de jogo, fluência, alternativas de jogadas e, em alguns casos, um ímpeto maior.

O segundo tempo foi quase todo do Grêmio, mas os gols só vieram no final, e só depois de tomar outros dois gols. Na segunda etapa o time de Luxa conseguiu trocar passes e entrar dentro da área do Santos, mas o time ainda peca por afobação. O grupe de jogadores, além de estar tendo dificuldades táticas, está sofrendo, e se reflete em campo, a pressão dos 11 anos sem títulos do clube.

O Grêmio tem o grandalhão Marcelo Moreno, e não cruza bolas na área. Tem Zé Roberto e Kléber, e não faz nenhuma tabela. Tem Léo Gago e Fernando, e o próprio e Zé, e não chute de longe.

Os problemas do Grêmio está lá na frente. Não falta qualidade, tem faltado inspiração técnica e trabalho tático. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Inter é o pior classificado para a 2° fase da Libertadores

O Juan Aurich é muito menos time que o Internacional. Mas o colorado não soube fazer valer sua maior capacidade técnica na partida no Peru, na derrota de 1 a 0 que só classificou o Inter porque o Santos não perdeu para o Strongest jogando na Vila Belmiro. 

As duas vitórias das equipes brasileiras pareciam certas antes da bola rolar. Na prática, dificuldades. O time de Neymar só marcou os dois gols da sua vitória no final do segundo tempo. Caso o time boliviano vencesse o Peixe, o Inter estava fora.

A péssima partida do Inter foi preocupante, muito mais porque culmina de uma campanha ruim na Libertadores. O time de Dorival poderia muito bem entrar em campo já classificado. No cruzamento dos grupos para o mata-mata, o Inter agora pega o Fluminense, time de Abel Braga, dono da melhor campanha da primeira fase.

Contudo, agora começa outro campeonato, que apresenta tendências, mas não certezas. Como mostra o estudo feito pelo blog Carta na Manga em abril de 2011. Vicente Fonseca analisou a segunda fase dos últimos 10 anos de Libertadores. A análise do jornalista do Carta derrubou alguns clichês. Por exemplo, de 2000 pra cá, o time de melhor campanha nunca foi campeão, quatro deles (contando o Cruzeiro 2011) caíram já nas oitavas. Outro mito é o da segunda partida em casa. A porcentagem é parelha: 55% de quem decide em casa consegue passar de fase, os outros 45% é de quem decide fora.

Ou seja, é totalmente plausível o Inter passar pelo Fluminense. Mas não é a tendência, ainda mais, e principalmente, se o Internacional continuar jogando tão pouco na casa do adversário. É bem verdade que Dorival está tendo alguns problemas para escalar a equipe, porém, fica a impressão que no último mês o Colorado deu uma parada, não evoluiu mais, ao contrário do Fluminense, que está com um senso de equipe num bom estágio.

É pedreira. Para os dois.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Inter, Santos e o jogão no Beira-Rio

Do meio para frente, Dorival Junior não contava com jogadores fundamentais de sua equipe. Oscar, D'Alessandro e Guiñazu teriam todas as condições de dar um algo a mais em favor do Internacional no jogaço que acabou em 1 a 1 no Beira-Rio. Ou talvez não, é do futebol. No primeiro jogo, em Santos, eles jogaram e o Inter tomou três do Neymar, este monstro com a bola nos pés que, nesse segundo jogo, só foi parado pela monstruosa atuação de Muriel, arqueiro colorado que vive uma temporada de muito brilho.

Ao contrário do Inter, o Santos de Muricy estava completo do goleiro ao centroavante. Um time que ainda é o atual campeão da América. E que, de quebra, é melhor que aquele Santos que venceu o Peñarol em julho passado. Uma equipe que demostrou muita maturidade ao não se desesperar com o gol cedo do Inter, um golaço do Nei, em linda cobrança de falta. O Santos segurou o Colorado com toda a paciência do mundo, neutralizou como pôde as investidas de Dagoberto e Dátolo, anulou Damião e, aos poucos, foi avançando e retendo a bola até possuir o controle do jogo, mas nada que representasse um desequilíbrio exagerado em campo, pois o Inter nunca foi passivo na partida.

Dorival armou um time híbrido, mas que atuou a maioria do tempo no 4-4-2, com Tinga bem aberto na direita, jogando uma bela partida, de muita entrega, com Dátolo ao lado, mais no centro que na esquerda, formando assim um quadrado torto no meio, com Sandro Silva e Élton jogando praticamente em linha na frente da zaga. Na frente, Dagoberto foi atacante ao lado de Damião, movimentou pelos dois lado, fez partida melhor que a do companheiro e melhorou com relação a ele mesmo nos últimos jogos.

As variações táticas do Inter pouco efeito prático tiveram no confronto. Em certos momentos Tinga recuou para formar um losango no 4-3-1-2. Algumas vezes quem recuava era o atacante Dagoberto, para armar a equipe no 4-2-3-1 que Dorival costuma usar.

O Santos não veio para empatar. Curiosamente, no final do segundo tempo, o Peixe era o mais interessado e jogar e se expor buscando o segundo gol que o próprio Internacional, que com este ponto somado adia e complica um pouco a classificação para a segunda fase. O Colorado fica quase que na obrigação de vencer o Juan Aurich no Peru e ainda torce por resultados paralelos bem prováveis que aconteçam.

Neymar passou como quis pela defesa colorada mais um vez, o craque santista merecia o gol por tudo o que fez e jogou no Beira-Rio. Neymar só não passou por Muriel, que por tudo o que catou embaixo das traves, não merecia ter sido vazado por Alan Kardec. Mas merecimento e justiça são conceitos complicados de serem aplicados ao futebol. Como ficou é sempre como deveria ser.

E foi um jogão. No final das contas, o Inter segurou as pontas. Pelo tanto de desfalques que teve Dorival, quando Tinga e Dagoberto cansaram, faltou banco para o treinador. Jajá, na Libertadores, ainda não. O mesmo vale para Gilberto. Muricy, por outro lado, tirou do banco Alan Kardec, autor do gol de empate, e Elano, jogador experiente e com passagens pela Seleção.

*Foto Diego Vara/ClicRBS

quinta-feira, 29 de março de 2012

As opções de Dorival Junior

Nesta quarta o Internacional empatou em 0 a 0 com o Lajeadense, fora de casa, e garantiu vaga na segunda fase da Taça Farroupilha. Dorival escalou equipe mista visando já o jogo da próxima semana, contra o Santos no Beira-Rio, válido pela Copa Libertadores. O bom e jovem time do Lajeadense complicou a vida do Inter, que pouco criou num jogo mormo e de poucas chances.

Para o confronto contra o Santos, o Inter segue sem Oscar, provavelmente não terá D'Alessandro 100% e Guiñazu é dúvida. O D'Ale voltou a sentir a lesão na terça, não jogou ontem e não jogará no final de semana. Contra o Peixe, tenho quase certeza que o argentino vai pro jogo, mesmo não estando na sua melhor condição.

Portanto, a linha de frente do Inter deve ter Dátolo na direita, D'Alessandro por dentro, Dagoberto na direita e Leandro Damião no ataque. O treinador colorado tem feito pequenas alterações no posicionamento de Dagoberto, que ora está como atacante ao lado de Damião, ora está como meia no 4-2-3-1 de Dorival. Dagoberto rende mais vindo de trás, tendo a possibilidade do chute de média distância e de entrar na área em diagonal.

Ao lado de Tinga, caso não jogue Guiñazu, Bollati e Elton são alternativas. Devido as circunstâncias, Élton tem mais fôlego e agilidade para marcar o meio-campo santista. De qualquer forma, o Inter perde sem Guiñazu.

Jajá e João Paulo também são opções, ainda que com menos possibilidades de serem utilizados no confronto. Até não atenderiam as necessidades do Inter, principalmente Jajá, que ainda precisa provar muito. Ontem, João Paulo rendeu legal jogando pelo meio, diferente de quando jogou pela direita.

A única coisa certa é a pedreira que vai ser Inter e Santos. Para os dois.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A derrota colorada e a vitória gremista

Santos 3 x 1 Inter
Jogão de bola entre os dois últimos campeões da Libertadores. Dois times de futebol com equipes de respeito, reconhecidamente favoritos ao título da competição continental em 2012. Mas entre Santos e Inter (e Santos e qualquer equipe sul-americana), uma diferença essencial: Neymar.
 Se o Internacional teve problemas na Vila Belmiro, sem dúvidas o maior dele foi o craque santista. Porém, as outras carências coloradas que contribuíram para a vitória do Santos não podem passar desapercebidas. A começar pela opção inicial de Dorival Junior, que mudou a equipe para o confronto. Ao invés do habitual 4-2-3-1, Dorival deixou Dagoberto no banco e montou um 4-3-1-2, jogando Oscar para o ataque e fazendo uma trinca de volantes com Bolatti, Élton e Guiñazu. Centralizado na articulação, tentou jogar D'Alessandro.

E o problema, como muitos falam, não são os três volantes, obviamente. O Santos jogo com três volantes, no mesmo 4-3-1-2 do colorado no primeiro tempo. Dorival Junior usou as peças erradas para a estratégia de jogo. Tinga e Dagoberto seriam opções mais adequada. Mas parto do principio que a opção correta era mesmo manter a equipe na forma habitual de jogar, com os três meias atrás de Damião. Segundo o treinador colorado, problemas de vestiário atrapalharam na montagem da equipe, porém não revelou a natureza dos problemas.

Santos e Inter estavam a maior parte do tempo com a marcação encaixada. O jogo foi muito pegado, com espírito de Libertadores. E quando a parte tática das equipes se equivalem, promovendo combates individuais no campo, a qualidade técnica tende a levar a melhor. Aí Neymar foi um monstro, fez três gols e desmontou tática e psicologicamente a equipe colorada. Henrique e Arouca foram peças importantes para que D'Alessandro e Oscar tivessem uma jornada frustrante.

River Plate-SE 2 x 3 Grêmio
Era jogo para o Grêmio atropelar. Mesmo com toda a dedicação da modesta equipe do River, que merece todo o respeito e os parabéns por conseguir levar a decisão para Porto Alegre e ter aberto, em dado momento, uma vantagem de 2 a 0, jogando melhor que a equipe gaúcha.

Só que o Grêmio de 2012 ainda não é capaz de atropelar ninguém. O time de Luxemburgo jogou a maior parte dos 90 minutos com preguiça. Tomou dois gols porque desacreditou na capacidade do adversário e porque errou bisonhamente na hora de se defender. A atuação gremista foi constrangedora, mesmo com a vitória, que só veio com um primeiro gol irregular (Kléber fez falta sobre o defensor do River) e depois da equipe sergipana cansar e perder um jogador expulso.

Luxemburgo repetiu a equipe do último jogo. Um 4-3-1-2 pouco eficiente porque Marco Antônio não dá o ritmo necessário pela direita e nem Marquinhos pelo meio. O Grêmio depende quase que fundamentalmente de Kléber Gladiador. No segundo tempo, na blitz gremista, numa espécie de 4-2-4, Facundo Bertoglio entrou bem novamente, e fez o gol da virada, no último minutos de jogo.

Esta vitória gremista tem pouco peso perto do futebol pobre jogado pela equipe. Não tem erro, no jogo da volta o Grêmio vence no Olímpico e passa de fase. Só que mais pra frente, vai precisar de mais bola para vencer. A volta de Souza e a efetivação de Bertoglio como titular passam pela melhor Tricolor.

domingo, 4 de março de 2012

Inter e Grêmio esquentam a máquina na Taça Farroupilha

Iniciou neste final de semana o segundo turno do campeonato Gaúcho. E se querem pensar em título, ou Inter ou Grêmio precisam vencer para, aí sim, disputar a finalíssima contra o Caxias, campeão do primeiro turno. Pelo menos a dupla grenal começou vencendo seus jogos. Nada de brilhantismo e, apesar do 2 a 1 em ambos os jogos, poucas dificuldades também.

No sábado, o Inter recebeu o Ypiranga no Beira-Rio. Saiu vencendo, sofreu o empate e buscou a vitória com gol de Damião, à lá Damião, sem frescura, dividindo com a zaga. Gol importante para o centroavante que quer voltar a ser o goleador do colorado. 

Visando o Santos na quarta-feira, jogo na Vila Belmiro, pela Libertadores, Dorival poupou D'Alessandro. O argentino fez falta à equipe, como sempre faz, e pode comandar a equipe colorada contra o Peixe de Neymar e Ganso. Pra esse jogo, Dorival Junior pode contar ainda com os retornos de Tinga e Guiñazu. Jogo imperdível.

Em Gravataí, nesse domingo, o Grêmio de Luxemburgo enfrentou um Cerâmica jovem, de postura ofensiva, mas com poucas possibilidades técnicas de tirar pontos do Grêmio. O Tricolor, assim como o Inter, também jogava com a cabeça quase em outra competição. Na quarta o Grêmio estreia na Copa do Brasil contra o River Plate de Sergipe, em Sergipe.

A vitória gremista foi marcada mais uma vez pela boa atuação de Kléber, pela estreia promissora do meia argentino Facundo Bertoglio e pelo sentido de coletividade que a equipe vem ganhando desde a chega do novo treinador. Ainda que não tenha contado com Souza, Vanderlei escalou o meio-campo do Grêmio com quatro jogadores formando um losango, com Marquinho de ponta-de-lança e Marco Antônio mais recuado, à direita. Sem dúvida um time provisório que, talvez seja repetido na quarta, com Moreno assumindo o comando de ataque no lugar do André Lima, mas com certeza não deve se repetir com Souza à disposição e com Bertglio mais adaptado e confiante.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Você viu? #10

O ano está acabando mas esta é recém a décima edição do Você viu?, que nada mais é que uma reunião de links interessantes dos últimos sete dias.
Mais sobre o papel de (e da) imprensa argentina - Blog do Brizola Neto, 26 de Dezembro.
A CPI do Banestado revisitada - Estratégia e Análise, 23 de Dezembro.
País tem 11 milhões de pessoas em favelas - Instituto Humanitas Unisinos, 22 de Dezembro.

E Luiz Carlos Prates ataca novamente. Agora sob a asa do SBT de Santa Catarina, o comentarista dispara todo seu veneno reacionário contra o Santos que perdeu para o Barcelona.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

De abalar os dogmas do futebol brasileiro

O chocolate do Barcelona sobre o Santos, no Mundial de Clubes, foi há alguns dias, no domingo. Já se falou e se escreveu muito sobre o confronto, um 4 a 0 constrangedor. Provavelmente este texto que agora você já esteja defasado, pois até pra mim, que gosto muito de futebol, já enchi o saco de tanto ouvir comentarem o jogo. Porém, cabe aqui algumas considerações.
Primeiro quero ressaltar a ignorância da nossa grande imprensa especializada em futebol. Parecem que só viram o Barcelona jogar naquele fatídico domingo. E alguns viram só lá mesmo. O que é quase um pecado capital, afinal de contas se o cronista de futebol não acompanhar razoavelmente o melhor time do mundo, vai acompanhar quem? Futebol internacional é tratado como se fosse outro esporte, outra categoria. Definitivamente, não é. 
Outro aspecto é o desdém com o futebol apresentado pela equipe catalã. Poucos times na história foram melhor que este Barcelona treinado por Pepe Guardiola. Arrisco a dizer que nenhuma outra equipe executou as tarefas básicas do futebol estando tão próximo à perfeição: ocupar espaço, marcar e anular o adversário, ter a posse da bola, atacar. Além da compreensão tática e a capacidade técnica dos 11 jogadores em campo, a começar pelo goleiro. Como, naturalmente, não são 11 craques jogando, a questão tática é aspecto fundamental no sucesso do Barcelona, pois o jogador de razoável técnica que conseguir incorporar a ideia de futebol do Barça, vai correr certo, errar menos e, consequentemente, aumentar seu rendimento individual. É o caso do goleiro Valdéz, e dos zagueiros (ou laterias) Puyol e Abidal.
Também acho que o técnico do Santos não teve sua mais inspirada jornada. Os entendidos da bola logo botaram a cupa nos três zagueiros escalados pelo Muricy, "Ah, eu nunca gostei de três zagueiros, coisa de retranqueiro". Detalhe, o Barcelona jogou com três zagueiros, quadro meio-campistas e três atacantes. Cai o primeiro dogma, pois três zagueiros não é sinal de retranca.
Outro dogma é que time equilibrado é aquele com dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois armadores e dois atacantes. Sendo que o lateral apoia mais que o outro, um volante joga fincado em frente aos zagueiros e o outro sai jogando, um dos armadores é o 10, que centraliza toda a articulação do time, e um dos atacantes é de velocidade e o outro é de referência na área. Ou seja, o tradicional 4-2-2-2 brasileiro. No Barcelona não tem nada disso. Aliás, ultimamente não tem tido nem lateral posicionado, pois no 3-4-3 de Guardiola o meio-campo é um losango formado por Busquetes de centro-médio, Xavi na meia direita, Iniesta na meia esquerda e Frabegas na ponta-de-lança, alternando de posicionamento com Messi para argentino sair da área.
Mais dogmas do futebol brasileiro que caíram: é possível ganhar e jogar bonito, um time não precisa do chamado "volantão", não precisa do estático e corpulento camisa 9, não precisa de oito ou nove carregadores de piano marcando para os craques do time apenas se preocuparem em jogar bola (foi o que Muricy Ramalho tentou com seu 3-3-1-2, com Ganso, Neymar e Borges distantes do companheiros).
Óbvio que o Barcelona é exceção, nem todo mundo conseguiria jogar de tal forma. Mas isso não impede ninguém de pensar o futebol de outra forma, menos ortodoxa e mais moderna, entendendo que as coisas mudaram, que há oito anos a Seleção não tem o melhor time do mundo, que há quatro é a Espanha a primeira no Ranking da FIFA.
É bom ressaltar que o tipo de futebol jogado pelo Barcelona não é novo, tem origem na Hungria de 54 e principalmente na Holanda de 74. A novidade é o nível de acerto na execução dos movimentos em que chegou essa equipe de Pepe Guardiola. 
 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Você viu? #9

PoA Geral levantando a cabeça e prestando atenção no que acontece ali do lado - que, na maioria das vezes, é mais interessante do que acontece aqui.

Governador anuncia Piso Regional de R$ 700 a partir de março - Portal do Estado do RS, 19 de Dezembro.

Dando seguimento à série de entrevistas que o Sul21 está fazendo com os pré-candidatos ao cargo de Prefeito de Porto Alegre, Adão Villaverde, do PT. Assista as duas primeiras entrevistas AQUI.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Os reflexos do Grenal na derrota do Grêmio e no empate do Inter

Celso Roth apenas não repetiu a equipe que ganhou do Internacional no domingo porque não contou com Mário Fernandes, por isso usou Adilson novamente como lateral-direito. Repetir a escalação é um bom sinal, sobre tudo se o time repetir uma performance ao menos razoável. E foi o que aconteceu, apesar da derrota. O Grêmio, novamente no 4-2-3-1, teve, como no clássico, atuações importantes no seu meio-de-campo, sobretudo as figuras de Fernando, Escudeiro e, nesta quarta em especial, Douglas.
Foi um Grêmio que correu muito, tão ou mais que o líder Corinthians, e acabou esbarrando em velhas e crônicas dificuldades. Principalmente a falha de não converter o ímpeto em gol.
Um jogo atípico, é verdade. De um pênalti duvidoso, que possibilitou ao Corinthians abrir o placar, às duas expulsões corintianas no segundo tempo. A vitória que parecia escapar antes do apito final, devido a pressão tricolor, também é justificada pelos méritos do time paulista. Que não é líder por acaso. Já o Grêmio, que corre, corre e corre, ocupa a 15° posição e só venceu 5 vezes, não está nessa situação por acaso.

Atípico também foi o 3 a 3 de Inter e Santos no Beira-Rio. Não pelo placar, condizente com a capacidade das duas equipes de fazerem um jogão de 6 gols. Mas pelas circunstâncias, pois o Inter foi imensamente superior no primeiro tempo, fez 2 a 0 com Bolívar e Damião, ainda teve atuação de luxo do Nei. Não sentiu a derrota no Grenal, tanto que Dorial repetiu o time que perdeu para o Grêmio - que foi o mesmo time que venceu o Independiente -, salvo um ou dois desfalques aqui e acolá. Ou seja, Dorival já tem uma ideia muito clara de que Inter ele que jogando.
Só não pode querer jogando o Inter que não jogou depois dos 26 do segundo tempo, quando Oscar fez o terceiro colorado. Deu apagão na equipe, que deixou o Santos do centroavante Borges e dos apagados Neymar e Ganso buscarem um improvável empate. Improvável porque os 3 gols santistas aconteceram dos 30 aos 41 do segundo tempo, improvável porque o jogo parecia controlado, improvável pela condição do Peixe na tabela e pela necessidade do Inter a voltar a pontuar para não se distanciar.

domingo, 22 de maio de 2011

Dupla Grenal decepciona no BR-11

Grêmio e Internacional não tiveram um início de Campeonato Brasileiro dos sonhos.
Sábado à noite, contra um Santos todo reserva, com jogadores jovens e dois ou três de maior rodagem, o Inter completo, não contando apenas com D'Alessandro, deixou escapar dois pontos. O empate não seria mal resultado não fosse a circunstância. Dava para ter apertado um pouco mais, dava para ter sido menos sonolento. E isso vale para as duas equipes.
Mais pra frente, a tendência é que tanto Inter quanto Santos se coloquem como postulantes ao título do Br-11. Esse um ponto é lucro para o Peixe; nem tanto para o Colorado. A opção de Falcão em montar o time no 4-3-1-2 pode ser alternativa interessante, apesar de tudo trás boas notícias ao Inter. Tinga como volante centralizado e avançando como homem surpresa foi o melhor nome do Inter, talvez do jogo. Na frente, Zé Roberto fez gol e repetiu a boa atuação do grenal, é importante a reafirmação desse jogador dentro do elenco colorado.
No Domingo, quem ficou devendo foi o Grêmio de Renato Portaluppi. A jovem equipe gremista carece de reforços. Pode encaixar, como no final de 2010, e embalar no campeonato. Mas em fim de maio, difícil que aconteça com esse elenco ou esse treinador. Caso não chegue quatro ou cinco bons jogadores para o Olímpico ou não troque o discurso e o trabalho de vestiário, o Grêmio está credenciado apenas a disputar posição no meio da tabela.

O Corinthians de Tite tem boa estrutura e está buscando bons reforços para a sequência do campeonato. Tite espelhou o 4-3-1-2 do Grêmio, promoveu confrontos diretos no meio-campo e em nenhum momento viu o Tricolor crescer no jogo a ponto de sair do controle corintiano. Resultado mais que justo o 2 a 1 para a equipe de Liedson, centroavente que fechou o placar com um golaço de voleio.

    

domingo, 14 de novembro de 2010

Jogo atípico

O zero a zero de Santos e Grêmio na Vila foi um jogo cadenciado, de ambas as partes, com poucas chances de gols. Mais chances teve o Peixe - natural, pra uma partida diferente. Assim como já seria natural que o Santos, em casa, atacasse com mais frequência. Mas digo que foi diferente porque não é normal que uma das equipes perca um jogador tão cedo, como perdeu o Grêmio, com a expulsão de Jonas logo aos 18min de jogo, depois de acertar cotovelada no volante Adriano.
Santos e Grêmio entraram em campo com esquemas praticamente espelhados. Ambos no 4-4-2, com um quadrado torto no meio. No Peixe, Marquinho centralizava mais e Rodriguinho aparecia como terceiro homem pela direita. No Grêmio quem centralizava era Douglas, e Lúcio se desprendendo como meia na esquerda.
Rodriguinho não foi suficiente para auxiliar Marquinhos e Zé Eduardo, o encarregado pelas jogadas agudas pelos flancos. Zé Eduardo fez boa partida , incomodou, buscou jogo e sofreu pênalti que ele próprio desperdiçou. A quinta penalidade defendida pelo goleiro Victor.
Faltou futebol ao Santos  para vencer um Grêmio com 10, que se defendeu muito bem, depois de mais uma atuação de luxo do surpreendente Paulão. Faltou Neymar e Arouca, faltou mais velocidade e, quem sabe, mais vontade (ou gana).
O Grêmio foi calmo, se mostrou um time maduro, não perdeu a cabeça. Chegou na área do Santos algumas poucas vezes e não seria nenhum absurdo sair com o 1 a 0. Mas foi um alívio não ter saído derrotado, depois de 70 minutos em desvantagem numérica de jogadores.
O árbitro Ricardo Marques de Oliveira acertou em expulsar Jonas e ao marcar o pênalti de Rafael Marques em Zé Eduardo. Mas errou ao não marcar pênalti em cima de Lúcio, no segundo tempo, e não foi criterioso em algumas faltas e cartões.
Para não fechar a rodada perdendo duas posições, o Grêmio torce para resultados negativos de Inter e CAP, que jogam em casa contra Avaí e Prudente, respectivamente. Um missão ingrata. Mas é o preço que se paga por, às vezes, jogar um futebol também ingrato.

sábado, 30 de outubro de 2010

Gostinho de derrota

O Internacional recebeu o Santos no Beira-Rio, fez boa partida mas não passou do 1 a 1 com amargo gosto de derrota.
Já o Santos, foi até Porto Alegre enfrentar o Inter no Beira-Rio. O Peixe fez boa partida, poderia ter vencido mas não passou do 1 a 1 que ficou com gosto de derrota.
Então... um um grande jogo de futebol. Tanto o Santos quanto o Inter poderiam ter vencido. Não venceram, empataram e estacionaram na tabela, ambos tem 49 pontos e vaga já garantida na Libertadores-11. Viu-se uma leve superioridade Colorada, que tomou sempre a iniciativa e atacou melhor pela esquerda, por onde, inclusive, saiu o gol de empate no finalzinho do jogo, depois do cruzamento do Kléber e da finalização de cabeça de Leandro Damião.
Apesar da iniciativa e da posse de bola Colorada, o Peixe também chegou. Teria melhor sorte no jogo caso a arbitragem tivesse marcado o pênalti do Kléber em Neymar e o gol de Edu Dracena que o Nei tirou com uma linda bicicleta, mas quando a bola já tinha passado a linha. Lances que aconteceram quando ainda estava zero a zero. Antes do golaço do Zé Eduardo, aos 34min do segundo tempo.
No Inter, um 4-2-3-1 sem Tinga, mas com D'Alessando na esquerda, Sobis na direita e Giuliano centralizado na linha de três armadores. Faltou um pouco mais de Rafael Sobis, que ainda não está 100% e joga fora de posição. Faltou Damião desde o começo e Alecssandro no banco. E falta, ao Inter de Celso Roth, jogar como o Inter do Mundial, ou seja, definir o esquema e os titulares que lutarão pelo Bi em Dezembro próximo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Santos 1x0 Internacional

Como pode ser visto no final do post, os melhores momentos nem foram tão melhores assim. Teve o gol de Neymar, aos 27min do primeiro tempo, outras duas jogadas do guri no final do jogo e um belo de um chute do Andrezinho, da entrada da área, aos 31 do segundo tempo. Pouco, para os dois melhores times de 2010 enquanto estiveram completos nesse ano. Fosse esse jogo em meio a 13° rodada, e não adiado para esta quarta-feira, 13 de outubro, seria das partidas mais interessantes desse BR-10, com Ganso, André e Wesley no Santos e D'Alessandro, Giuliano, Taison, Alecssandro, Sandro e Tinga (nos 90min) no Inter. Jogaço!

O Inter teve um Kléber irreconhecível, que entregou a rapadura no primeiro gol. Teve o já conhecido, e indesejado, Edu ao lado de Marquinhos no meio, armando para o centroavante Ilan. Um 4-3-2-1, com Glaydson, Derley e Guinãzu na volância, mas que não funcionou. No primeiro tempo o Inter perdeu na bola e no placar para um Peixe comandado por Arouca e Neymar.

A coisa melhorou um pouco na segundo etapa. Entrou Tinga e Anderzinho, mudou o esquema mas não o placar. O Santos perdeu de ampliar, pois o Colorado deu campo pro Peixe contra-atacar. E lá se foi a quarta partida consecutiva de derrota fora de casa. E lá se foi um baita oportunidade de brigar forte pelo título.

O Inter caiu para a 5° colocação, tem 47 pontos e pega o Flamengo próximo sábado, no Rio de Janeiro. É provável que Celso Roth escale o que tiver de melhor disponível. Sobis pode pintar no banco e o trio Tinga, Giuliano e D'Alessandro saem jogando.