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terça-feira, 29 de julho de 2014

Grêmio da falta de convicção e do pensamento mágico

O primeiro pensamento mágico da atual gestão do Grêmio é ela mesmo. Apostou-se que Fábio Koff voltaria à presidência do clube para reconquistar os títulos que há mais de década o tricolor não ganha. Apesar de uma razoável administração fora do campo, dentro dele foram prometidas metas que não passaram perto de serem cumpridas. A não ser que vença o improvável BR-14 ou a possível, porém complicada, Copa do Brasil. As fórmulas que deram certo nos anos 80 e 90 não funcionam mais em 2014. Por mais competente que seja - e Fábio Koff é -, é demasiado imaginar que uma pessoa seja capaz de descer ao vestiário, impor respeito a comissão técnica e jogadores, motivar, contratar, atuar politicamente nos bastidores e levar nas costas um clube de futebol à conquistas.

O segundo pensamento mágico foi a contratação de Renato Portaluppi ano passado, após a saída de Vanderlei Luxemburgo. O maior jogador da história do Grêmio voltava para reatar a parceria vitoriosa com o presidente em 83 e, principalmente, servir como atrativo para o torcedor comparecer em maior número na Arena.

Antes de fechar os dois anos da atual gestão, o Grêmio parte para mais um pensamento mágico na tentativa de voltar às suas maiores glórias. Depois da demissão de Enderson Moreira, Koff foi a São Paulo buscar Luiz Felipe Scolari. O treinador multi-campeão pelo tricolor gaúcho retorna depois de 18 anos e, assim como Portaluppi, tentará repetir a pareceria vitoriosa da metade dos anos 90.

Convicção
Ao final de 2014, a gestão Koff completará 24 meses no comando do Grêmio e quatro treinadores contratados. Na média, uma troca a cada seis meses. A partir desse ponto, é possível constatar alguns aspectos. Primeiro, e mais fundamental: não há convicção. No início de 2013 o departamento de futebol acertou a renovação com Luxemburgo a contragosto. Não era o nome preferido da diretoria. Na sequência, Renato Portaluppi foi segundo colocado no Brasileirão e descartado, sem receber uma merecida valorização por parte do clube. Então aparece Enderson Moreira, que é mantido mesmo após os fracassos no Gauchão e na Libertadores. Faz um Campeonato Brasileiro razoável e quando recebe peças de qualidade é dispensado na primeira derrota. E se vencesse, seguiria? Com que respaldo?

Aliás, os profissionais que vem atuar pelo Grêmio, sentem-se respaldados pela diretoria? Falo de jogadores, preparadores físicos, auxiliares, técnicos etc. Ninguém trabalha tranquilo sabendo que pode ser demitido a cada rodada ou execrado a cada gol perdido.

Felipão
O novo treinador gremista é um vencedor inquestionável, de carreira gloriosa, de muito mais acertos que erros. Ficou marcado pela última passagem na Seleção, após uma péssima Copa do Mundo. O que não significa que fará um péssimo trabalho no Grêmio, assim como seu passado também não é garantia de glória no presente. 

Com todo respeito que merece, pois não acho que seja ex-técnico, apesar de entender que seja sim defasado para assumir uma Seleção Brasileira, Scolari volta ao Grêmio para ganhar um salário astronômico e fazer pouco mais, talvez, do que Enderson. E ter menos tempo para trabalhar, e menos possibilidade de ganhar um título.

Acredito que não seja saudável para os cofres do Grêmio, tampouco para a imagem vencedora de dois ícones da história do clube como Koff e Felipão, que se arriscam agora a uma trajetória que tem tudo para ser mais uma razoavelmente boa, mas sem títulos - como tem sido os últimos anos do tricolor gaúcho.

Tomara que eu morda a língua.

sábado, 7 de dezembro de 2013

O constrangimento colorado e a desconfiança gremista

O Internacional não vai ser rebaixado. Passaria por uma conta e uma combinação de resultados muito improváveis. Contudo, já é de enorme constrangimento para o colorado chegar na última rodada com uma possibilidade matemática de cair para a série B do Campeonato Brasileiro. Não sou daqueles  que acham que o Inter passa a máquina nesse domingo, lava a alma sobre a Ponte Preta. Esperamos algo parecido há três ou quatro rodadas, e nada acontece, nada de o Inter finalmente pontuar o suficiente para se livrar do fantasma da segunda divisão. Duvido que desencante diante da Macaca, mesmo sendo o time de Campinas uma equipe de baixíssimo nível.

O fato é que o Inter decepcionou. Teve uma administração equivocada do futebol, e uma gestão de vestiário, ao que tudo indica, mais uma vez ineficiente. O fator Beira-Rio tem muito peso, é verdade. Seria realmente muito difícil conquistar algo grande sem o grande templo colorado, mas o Internacional tinha condições de fazer melhor temporada, podendo ser um dos cinco ou seis melhores times do BR-13.

Já o Grêmio tem boas chances de ser o segundo colocado do Brasileirão. Basta empatar com a Portuguesa e o time de Renato Portaluppi consolida a posição de vice-campeão nacional. Algo simbólico, não para ser comemorado como título, mas para ser exaltado como campanha. Campanha pior apenas que a do Cruzeiro e melhor que outras 18 equipes, tendo como prêmio uma boa bonificação financeira e uma vaga direta na Libertadores. Mesmo que essa condição ainda precise ser confirmada na última rodada, é uma condição privilegiada.

De alguma forma, é infundada muito da desconfiança que se tem com a equipe gremista há alguns meses. É hora do torcedor esquecer algumas declarações equivocadas de Renato, é o momento de compreender e perdoar alguns problemas de rendimento ao longo da competição. É a oportunidade correta em que a direção tem de respaldar seu profissional, apostar na continuidade da comissão técnica e do grupo de jogadores. Não é hora de contratar novo técnico, muito menos um time novo. O Grêmio, há uma década, precisa de manutenção, respaldo e planejamento. O atual elenco é razoavelmente bom, necessitando ser reforçado de forma pontual, em três ou quatro posições para titularidade e mais três ou quatro reforços para grupo. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Grêmio não tem identidade

Não é difícil diagnosticar o problema do Grêmio em 2013. O Tricolor é um time que não tem identidade. E quando falo isso não me refiro a uma identidade histórica, de garra, raça, entrega e outras tantas coisas muitas vezes protestadas pela torcida gremista. O Grêmio de hoje não tem, sequer, uma identidade recente, fator fundamental para o insucesso da equipe.

O Grêmio oscilou muito. Teve poucos momentos bons, alguns momentos razoáveis e outros momentos ruins. Essa oscilação passa invariavelmente pela falta de um filosofia de futebol bem aplicada. Luxemburgo tentou, mas acabou frustrado com seu 4-4-2 com meio em quadrado e um centroavante que saia da área para articular o jogo. O técnico tentou, em meio ano não conseguiu que a equipe funcionasse de forma confiável e foi demitido.

Agora é a vez de Renato Portaluppi. O novo treinador, em sete jogos, passa por problemas similares. Renato monta a equipe, traça uma estratégia e o time não a executa da melhor maneira. E não executa porque as ideias de Portaluppi estão se mostrando equivocadas e de pouca convicção. Nas poucas partidas que teve, não repetiu o time e variou muito de esquema.


O seu preferido 4-3-1-2 é carente de um meia-articulador. Elano não é esse jogador e tampouco vem conseguindo "quebrar um galho". Mais atrás, quando Zé Roberto é colocado na ponta esquerda da trinca de volantes, como volante apoiador, o corredor para que ele consiga ser um jogador útil e agudo no ataque fica muito longo, sacrificando demais um jogador de quase 40 anos. Para o vértice direito do losango, o Grêmio não tem um outro jogador que possa atacar e defender com a eficiência que a função exige. Desse forma o 4-4-2 com meio em losango - apesar de ter sido utilizado nas duas vitórias do Renato - não tem se mostrado a melhor opção visto o grupo de jogadores.

Quando o 3-5-2, surpreendentemente, tinha surgido como boa opção no Gre-Nal, o técnico gremista resolve não dar sequência e mudar novamente contra o Coritiba, utilizando três volantes fundamentalmente marcadores - Adriano, Souza e Riveros.

O Grêmio levou um gol cedo, e obviamente teve imensas dificuldades de buscar o resultado contra uma equipe organizada e com uma estratégia bem traçada na partida. O time de Renato foi só abafa, em um momento em que precisaria de experiência e calma.

Não é absurdo dizer, analisando a tabela, que o Grêmio não chega ao G4 do BR-13. É preciso calma e tempo para arrumar a casa. Renato pode sim fazer isso, mas é necessário que perceba algumas situações e oxigene o time titular, sacando algumas caras tarimbadas e as tornando opção. 

É hora de pensar em um time modesto e competitivo para, ao menos, passar de fase na Copa do Brasil e reconquistar a torcida.    

sábado, 13 de abril de 2013

O Grêmio que empatou com o Flu não apresentou evolução

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
O resultado de 0 a 0 entre Grêmio e Fluminense acaba não sendo ruim para nenhum dos dois. O único resultado que seria definitivo nesse jogo seria uma vitória carioca, que já garantiria a classificação antecipada do time de Abel Braga. Fora isso, uma derrota para qualquer um dos lados não representaria a eliminação do perdedor. Fica tudo para a última rodada. Para o Grêmio, ficaria de qualquer forma. 

Jogar duas contra o Fluminense, atual campeão brasileiro, e fazer 4 pontos, não é ruim. O ruim é perder em casa para o Huachipato. Mas o pior é não apresentar evolução depois de um mês se preparando para um jogo. O time de Luxa se reparou muito para o enfrentamento que teve com o Flu, na quarta. 

Pouco se viu de avanço em um time que ainda é novo, foi montado com a competição em andamento e precisa ainda adquirir maior sentido de equipe e mecânica de jogo. No papel, o Grêmio tem jogadores inteligentes e capacitados técnicamente para já terem assimilado algumas situações. 

O Grêmio que empatou com o Fluminense desfacelado, diante de uma Arena lotada, jogando junto, foi menos do que se esperava. Muito pelo desfalque de Elano, muito pela dor que prejudicou Barcos, muito pela noite infeliz de Cris ou pouco inspirada de Vargas. Mas ainda assim, o coletivo tinha que apresentar mais. 

Pelo que o Grêmio pode vir a ser, na quarta se viu pouco. Friamente, o resultado não foi ruim. No campo, percebe-se um Grêmio ainda despreparado para ser Campeão da Libertadores. Em processo de montagem, o time de Luxemburgo terá que ter muitas sorte e muita garra para seguir na competição enquanto ainda não estiver pronto.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Rodada de tropeços e reflexão para a dupla Gre-Nal

São José 0 x 0 Internacional

Na quarta-feira o Inter não passou do 0 a 0 com o São José, jogando no Passo D'Areia, na grama sintética molhada da chuva caiu sobre Porto Alegre naquela noite. Aliado a isso, Dunga não contou com cinco jogadores: Forlán, D'Alessandro, Fred, Ygor, Moledo e Juan. Alguns destes, é verdade, foram apenas preservados, enquanto outros estavam vetados pelo DM ou servindo sua seleção - caso de Forlán.

Se colocarmos na lista o Willians, o número sobre para seis. É mais da metade de um time. Em condição incomum de gramado, passa a ser compreensível a brutal queda de rendimento do Inter. Sinal que o grupo é fraco ou precisa de reforços? Não é fraco, mas como qualquer clube grande, boas contratações nunca são dispensáveis. 

Direção e comissão técnica sabem que nenhum time no mundo mantém o mesmo rendimento quando troca cinco titulares por cinco reservas. Assim como sabem que contra o São José, dava pra jogar um pouco mais. Não como Josimar, que dessa vez tentou jogar mais do que sabe, e fez muito menos do que vinha fazendo. 

O diretor de futebol, Luis César Souto de Moura, após o jogo, disse que só Atlético-MG e Corinthians no Brasil podem e estão rendendo mais que o Internacional. Ele não está muito errado, e quando falou que as críticas ao time existem e são feitas de forma interna, deu a entender que o Colorado sabe que o grupo de jogadores ainda precisa de algumas peças.


Grêmio 1 x 2 Cruzeiro

Fernando Gomes/Agência RBS
O resultado diz. O Grêmio fracassou, dentro da Arena. Perdeu para um Cruzeiro que ainda não tinha vencido na Taça Farroupilha. O pior para o time de Luxemburgo é que essa derrota vai além do Gauchão e acaba tendo reflexo na Libertadores. Afinal de contas, a equipe que entrou em campo, sem Elano e com três atacantes, era até então a mais provável formação para enfrentar o Fluminense, no dia 10.

É sempre muito complicado de sustentar uma ideia se baseando em derrotas ou atuações ruins. A vitória, com qualquer esquema, dá confiança, moral e consistência a um time. O ideal é que o Grêmio chegue para o confronto pela Libertadores dessa forma: confiante, com moral elevada e consistência. Por este aspecto, o 4-3-3 parece se tornar inviável.

Contudo, sigo com a ideia de ser a melhor opção para o Grêmio, considerando o acréscimo de Vargas no lugar de Kléber ou Welliton. Concordo com Luxemburgo quando diz que não devemos creditar a derrota exclusivamente ao esquema. O Grêmio já perdeu no 4-4-2, e perdeu bastante, inclusive.

Muitos fatores acabam determinando uma derrota ou uma vitória. O que mais pesa é a aplicação correta de um plano de jogo bem traçado. E este plano de jogo pode ser executado em qualquer esquema. Em qualquer formatação é preciso aplicação, intensidade e repetição. Pela coletiva pós jogo do treinador, faltou os dois primeiros. Pelo que declararam os jogadores na saída de campo, falta ainda repetição.

O que eram seis jogos pelo Gauchão para preparar o time, agora são apenas dois. Sinceramente, não sei mais se Luxemburgo banca o 4-3-3 contra o Fluminense.

quinta-feira, 21 de março de 2013

As opções de Luxa na vitória sobre o Pelotas

Ricardo Duarte/ClicRBS
O Grêmio venceu o Pelotas naturalmente, por 3 a 1 . Segunda vitória consecutiva na Taça Farroupilha, resultado que já garante certa tranquilidade no segundo turno do Gauchão. Contudo, o que chamou a atenção na partida desta quarta, na Boca do Loco, foram as opções do técnico gremista.

Luxemburgo deixou Elano no banco de reservas. Iniciou com Marco Antônio ao lado de Zé Roberto. Na segunda etapa, Zé deixou o time para a entrada de Elano. Foram 45 minutos pra cada, uma preservação compreensível e necessária. Não é preciso esticar a corda.

Quanto a presença de Marco Antônio, o treinador já começa a observar as opções para o jogo contra o Fluminense, pela Libertadores. Se diante do Lajeadense, Luxemburgo testou o 4-3-3, dessa vez o técnico optou por uma formação mais conservadora . O meia não fez uma partida destacada, como de fato não é seu perfil.

Na segunda etapa. Kléber novamente entrou. O atacante que volta de lesão fez bom jogo. Vai se credenciando como forte opção para enfrentar o Fluminense. Na minha ótica, disputa posição com Welliton, que ontem finalmente marcou seu primeiro gol com a camisa do Grêmio.

Continuo achando o esquema com três atacantes de origem - que obviamente voltam para recompor e ajudar no primeiro combate - a melhor opção para o Grêmio enfrentar o Fluminense, na Arena.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Como o Grêmio jogará sem Elano pela Libertadores

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Na derrota de 2 a 1 para o Caracas, Elano recebeu o terceiro cartão amarelo e está suspenso para a próxima partida da Libertadores, contra o Fluminense, no ainda longe 10 de abril. Será um jogo fundamental para o tricolor gaúcho tentar encaminhar sua classificação para a fase seguinte.

Até o confronto com o time carioca, o Grêmio terá seis jogos pelo Gauchão. Mais importante que se recuperar no regional, é preparar uma equipe capaz de se recuperar na competição continental. Esta equipe não pode ter Elano. O meia, a partir de agora - e até o jogão contra o Flu na Arena - vira opção.

Luxa pode ser pragmático. Inventar pouco, colocar Marco Antonio no time, transformar as duas linhas de quatro em losango, colocando Zé Roberto centralizado na articulação. O Grêmio perderia em qualidade técnica, porém não deixaria de lado o estilo de jogo que vem adotando desde a chegada de Luxemburgo a Porto Alegre. O Grêmio sempre variou entre essas duas formações, inclusive dentro dos jogos.

Vanderlei pode ser ousado e fazer uma mudança drástica. Sem Elano, entra Bressan na equipe, adotando assim um 3-5-2. Maneira de jogar na qual este grupo está pouco habituado. Vejo este esquema como um equívoco quase suicida. O Fluminense varia entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3. Invariavelmente, os três defensores gremistas ficariam sem a sobra, marcando individualmente cada atacante carioca, o que obrigaria os alas a recuarem e formarem uma bizarra linha de cinco defensores.

Encaro como a alternativa mais vantajosa o 4-3-3, sobretudo jogando em casa e tendo tempo para treinar e testar. O Grêmio tem jogadores com rodagem pelo futebol europeu, acostumados a jogarem nesse esquema, com raciocínio tático para cumprirem funções e ocuparem espaços no campo, auxiliando na recomposição defensiva e na marcação.

O 4-3-3 exige muita entrega, compactação, aproximação e marcação. Não é, ao contrário do que muitos por aqui pensam, só ataque. Se por um lado é a opção que contempla uma maior complexidade de trabalho e aplicação, é a mais correta dentro das características do grupo gremista.

Portanto, Elano terá um desses três substitutos: Marco Antônio, Bressan ou Welliton. Posso estar até equivocado, mas muito longe disso não fica. 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Inter assimila favoritismo e vence mais um clássico

O Grêmio tem seus motivos para não priorizar o Gauchão e jogar com reservas, mesmo que seja um clássico Gre-Nal decisivo, valendo vaga para uma semi-final de turno. Do outro lado, o Inter não tem absolutamente nada com isso. Tem no momento, e todos sabemos disso, apenas o campeonato regional para se preocupar.

Porthus Junior/Agencia RBS
Assim como no clássico de Erechim, há algumas semanas, nada mais natural que uma vitória colorada. Se por um aspecto o Inter não enfrenta um Grêmio com força máxima e, porventura, não testa seu elenco numa partida mais forte, o time do técnico Dunga assimila de forma positiva a responsabilidade de entrar em campo como favorito. São dois Gre-Nais como franco favorito, e duas vitórias. Sem dúvida é uma qualidade que se destaca no Internacional desde início de 2013.

Luxa acertou com seu 3-5-2. Fez um primeiro tempo razoável, apesar de ir para o intervalo perdendo por 1 a 0. O técnico gremista optou pelos três zagueiros muito em função de Tony, que tem sérias dificuldades de defender. No meio, destaque para Matheus Biteco, que mesmo depois do pênalti sobre Forlán, conseguiu manter o bom nível durante o jogo. Contudo, faltou ao Grêmio força ofensiva.

O Inter por sua vez jogou da forma como todos esperavam, um 4-4-2 com uma formatação de meio-campo que lembrava, em muitos momentos, um losango. Isto porque Fred se posicionava mais à esquerda, recuado, na mesma linha de Josimar. Ygor fez boa partida pelo centro, em frente à área, enquanto D'Alessandro fechava o meio centralizado no setor ofensivo. Esse posicionamento acabou se desmanchando na segunda etapa, junto com a mudanças do Grêmio, o que fez do Inter um time mais perigoso em campo.

Luxemburgo errou quando abandonou o 3-5-2 e partiu para o tradicional 4-4-2. Assim o Grêmio teve Tony e Alex Telles recuando para a linha de defensores. Dessa forma, Gabriel e Fabrício tiveram mais campo para jogar, e cresceram no jogo junto com Inter. Apesar do Grêmio ter descontado na segunda etapa, o time de Dunga  dominou a partida de forma mais evidente, e poderia ter ampliado.

De forma justa, continua na competição aquele que está mais preocupado com o Gauchão. Vitória nada mais que natural do Inter.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Derrota gremista passa por erros de Luxa e falta de entrosamento

Jogadores como o volante Adriano, o lateral André Santos e o atacante Barcos, chegaram há pouco mais (ou pouco menos) de uma semana em Porto Alegre. Welliton, que entrou no segundo tempo, também. O zagueiro Cris, faz recém sua segunda partida na temporada. Vargas, a terceira. E o Grêmio sabia de tudo isso, sobretudo Luxemburgo, treinador experiente, que sabe dos perigos que poderia correr ao escalar um time completamente novo. 

Ele assumiu o risco planejando ser o Huachipato do Chile um adversário mais fraco. Pode até ser, tecnicamente. Porém, estratégica e taticamente o clube visitante teve todos os méritos na construção da vitória, chegando a abrir dois gols de vantagem.

O Grêmio não perdeu simplesmente porque Fernando foi sacado do time e Adriano foi alçado à condição de titular ao lado de Souza no meio-campo. O Tricolor perdeu pelo insucesso na execução do plano de jogo. Obviamente, fica mais difícil executar qualquer filosofia de futebol tendo uma equipe desentrosada. Da mesma forma que é mais fácil marcar e envolver um time que ainda não se conhece. O Huachipato soube se aproveitar de todos os fatores que teve a seu favor. Inclusive da má atuação do sistema defensivo gremista.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Promover a estreia de André Santos faz sentido, afinal a lateral-esquerda era um dos setores carentes do time. A estreia de Hernán Barcos poderia ter acontecido apenas no segundo tempo, apesar de não ter ido mal no jogo. No final das contas, o que mais pesa é a questão do primeiro volante. Luxemburgo abriu mão do quarteto de meio-campo que joga junto desde a temporada passada, enfraquecendo o setor e contribuindo com a falta de entrosamento da equipe.

Na volta do intervalo, já perdendo por 1 a 0, o treinador tirou Adriano e colocou Marcelo Moreno ao lado de Barcos. O Grêmio ficou num 4-3-3 com dois centroavantes de área, e Vargas (de atuação ruim) flutuando em volta da área. Quando o mais lógico era apostar nesse mesmo sistema, porém com mais um atacante de lado de campo, que seria o Welliton (que entrou mais tarde no lugar de Vargas).

O Tricolor tomou o segundo gol logo aos cinco minutos do segundo tempo, antes mesmo que a modificação de Luxemburgo pudesse surtir qualquer efeito. Com o Huachipato naturalmente mais fechado devido a vantagem de 2 a 0, ficou muito mais difícil correr atrás do resultado. Barcos acabou descontando em cobrança de pênalti. De resto, o Grêmio atacou com pouco organização e teve até chances para empatar. Mas não foram muitas, e muito menos seria um empate merecido.

O Grêmio de 2013 ainda não tem cara, nem espírito de Libertadores. Vai precisar adquirir em meio à competição. Material humano para que isso aconteça, Luxemburgo tem. Caso o treinador não volte a tropeçar nos próprios equívocos, a tendência é que seja uma grande equipe.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Grêmio não precisava de três atacantes para eliminar a LDU

O time de Luxemburgo conseguiu fazer o 1 a 0 que levou o jogo para a decisão por pênaltis apenas no segundo tempo, depois das mudanças do treinador. O Grêmio voltou com três atacantes: Willian José, André Lima e Vargas. Os dois primeiros entraram no time nos lugares de Fernando e Marcelo Moreno. Mas isso foi determinante? Não.

Objetivamente, o que determinou a classificação gremista foi a defesa de Marcelo Grohe no último pênalti cobrado pelo time equatoriano. Porém, o futebol não é tão simples. Uma série de fatores se encaixam para que se chegue a um resultado.

Com três atacantes, no segundo tempo, o Grêmio jogou pior que na primeira etapa, mesmo embora tivesse conseguido o gol. E o gol veio através de uma jogada que poderia muito bem ter acontecido com apenas um ou dois atacantes em campo: a iniciativa de um dos meias. Elano e Zé Roberto precisam ser mais agudos, arriscar mais, e não se limitar a tentativas de articular jogadas para outros finalizarem. O Grêmio precisa que eles finalizem, o Grêmio será mais agressivo com eles finalizando.

Foi finalizando, de longe, que o camisa 7 Elano fez o golaço que levou a decisão para os pênaltis.
Diego Vara / ClicRBS
Na segunda etapa, com três atacantes, sendo apenas um deles de movimentação, o Tricolor começou a lançar bola de tudo quanto é lado, apostando no confronto direto entre os dois centroavantes (André Lima e Willian José) com os três zagueiros da LDU. A segunda bola poderia sobrar para Vargas, e surgir daí uma situação de gol - era essa a estratégia de Luxa, mas não deu certo. Os equatorianos colaram os alas aos seus três zagueiros, dobrando a sobra na marcação dos atacantes gremistas e dificultando o rebote. Com a bola muito tempo no alto, Vargas sumiu do jogo, e passou longe do belo primeiro tempo que fez na Arena.

Os dois desfalques que o Grêmio teve para o jogo não foram sentidos. No lugar de Cris, o jovem Bressan se saiu muito bem, formando uma zaga segura - apesar da pouca idade - com o  melhor em campo, Saimon. No gol, o homem da classificação. Ele que entrou no lugar de Dida, lá em Quito, e logo levou o gol que dava a vantagem para a LDU. O mesmo que, aqui na Arena, pegou o pênalti de Morante, o último da noite. O da classificação. A torcida não sentiu falta do Dida.

Porém, o que grupo do Grêmio ainda sente a falta de algumas peças de reposição, principalmente para o meio-campo. E um jogador para vestir a 6 e tomar conta a lateral-esquerda (por mais que Alex Telles seja promissor).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Em Quito, o futebol foi melhor que o resultado

Mesmo se não levássemos em conta todos os fatores extra campo que envolveram esse primeiro confronto entre Grêmio e LDU, pela Pré-Libertadores, seria possível afirmar que o Tricolor fez bom jogo. Porém, é impossível ignorar alguns fatos, que acabam entrando na conta.

Para o plantel principal, este foi apenas o primeiro jogo da temporada. Confronto decisivo, que define o ano do Grêmio, portanto carrega uma dose incomum de responsabilidade. Jogo fora de casa, na altitude, justamente contra o adversário mais forte que poderia ter caído no sorteio. Enfim, uma série de fatores, como pré-temporada e chagada de jogadores novos, somam-se às peculiaridades que atuaram contra o Grêmio nessa quarta.

A verdade é que o resultado acabou sendo pior que a atuação da equipe gaúcha. Jogando no 3-5-2, a LDU tomou a iniciativa no início do jogo, teve a posse de bola no primeiro tempo, mas foi muito pouco incisiva. Com os alas bem soltos, o time equatoriano chegava pelos lados, poucas vezes ia à linha de fundo, porém conseguia alçar a bola na área gremista. Com as boas atuações de Saimon, Cris e Souza, o Grêmio se defendia bem.
Diego Vara /Agência RBS
O problema da equipe de Luxemburgo na primeira etapa foi a retenção de bola no ataque. Com dois centroavantes na frente, o setor ficou sem mobilidade, sobretudo para escapar da marcação dos três zagueiros. A atuação discreta de Elano também trancou as engrenagens do time.

A máquina só começou a funcionar melhor no segundo tempo, com a entrada de Vargas no lugar do também estreante Willian José. O chileno foi participativo, chamou o jogo, partiu pra cima, movimentou todo o setor e ajudou o time a funcionar como equipe. É da característica dele, e desde já dimensiona-se a importância desse jogador para o decorrer da temporada.

A partir de Vargas, o Grêmio poderia ter aberto o placar. Foram 25 minutos de domínio tricolor. Após isso, a LDU equilibrou as ações, voltou pro jogo. Numa dessas bolas alçadas (e foi só isso), Dida acabou se machucando. Aí Marcelo Grohe foi pro jogo. Para azar do Grêmio, e para azar do Grohe, exatamente na primeira jogada após sua entrada, sai o gol equatoriano. O goleiro não teve absolutamente nenhum tipo de falha ou culpa na jogada. Lance comum. Resultado comum. LDU 1 a 0.

No jogo da volta, na Arena, dia 30 de janeiro, um resultado igualmente comum de 2 a 0 classifica o Grêmio. Não é nenhum absurdo imaginar esse bom time (que a princípio vem se desenhando) do Grêmio vencendo a LDU por dois gols de diferença.

Não vai ser barbada. Longe disso. Mas pelo futebol que apresentou e pelo potencial de crescimento, é plausível apostar numa classificação gremista à próxima fase da Copa Libertadores. 

sábado, 19 de janeiro de 2013

Gabriel já é do Inter; Vargas já é do Grêmio

Na manhã deste sábado o Internacional oficializou a contratação do lateral-direito Gabriel, ex-Grêmio. Talvez a peça que se encaixa no setor mais carente do elenco colorado. Gabriel tem 31 anos. Não jogou em 2012, como também não foi bem em grande parte de 2011. Entretanto, em 2010, recém chegado ao Grêmio, jogou um belo futebol. Daí pra trás, sem dúvida, é um baita lateral-direito.

Jogador com passagem pela Seleção, passagem por grandes clubes como São Paulo e Fluminense, uma carreira de certa forma exitosa na Europa, técnica apurada e senso tático. Gabriel tem todas as ferramentas para continuar sendo um jogador interessante, diferente daquele dos dois últimos anos de Grêmio.

Não se sabe ao certo os motivos desse jogador não ter sido aproveitado por Luxemburgo e Celso Roth nas últimas temporadas do Tricolor. O fato é que as poucas as vezes em que jogou, passou a impressão de estar sem vontade. Contudo, faz bem o Grêmio em se desfazer de um jogador caro que não está sendo último ao plantel. Assim como o Inter faz um grande negócio em agregar esse atleta ao seu grupo de jogadores, com o aval respeitável de Paulo Paixão. Não é pouca coisa.

Do lado do Grêmio, nesse mesmo sábado, chegou em Porto Alegre o atacante Edurado Vargas. O chileno que foi o grande destaque da Universidad de Chile em 2011, equipe campeã nacional e da Copa Sul-Americana daquele ano. Vargas, inclusive, foi o goleador da competição continental.

É um segundo atacante de muita velocidade, que cai pelos dois lados do campo, e tem como cacaraterística fazer bastante gols. É um jogador que falta ao elenco gremista. Leandro e Kléber são os jogadores da posição, atualmente. O primeiro tem a velocidade, mas falta técnica e poder de finalização. Já o Gladiador tem técnica, força física, serve os companheiros, porém não é um jogador veloz, além de não ser um grande fazedor de gols.

Lucas Uebel / Grêmio FBPA
Vargas não teve sucesso na sua passagem pela Itália, por isso o Nápoli está cedendo este jogador por empréstimo ao Grêmio. O vínculo é de um ano, entretanto há uma cláusula que permite ao time italiano solicitar o retorno do atacante após seis meses. O única exceção fica por conta da Libertadores, pois mesmo expirando os seis meses, o Grêmio não tem a obrigação de liberar o chileno caso ainda esteja na competição continental.

Por ter sido uma negociação muito difícil, pela insistência em trazê-lo e disputa com outros clubes, por tudo o que jogou na Universidad de Chile, se deposita muita expectativa quanto a esse jogador. É uma contratação de peso, daquelas de lota aeroporto, como de fato lotou. Contudo, Vargas tem uma boa temporada como referência. 

Tem tudo pra dar certo, mas isso, só depois que jogar. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dida x Marcelo Grohe

A disputa de posição pela meta tricolor foi a grande polêmica do futebol gaúcho no início desta temporada. Talvez nem dê para chamar de disputa. Dida já foi escolhido para vestir a camisa 1 do Grêmio. Dia 23, em Quito, ele inicia jogando contra a LDU. Desde os primeiros treinos, Luxemburgo usou o goleiro de 39 anos como titular. As informações, contudo,dão conta que o experiente arqueiro está em boa forma e treina bem.

A discussão gira em torna de algumas questões: merecimento, necessidade, justiça, experiência. Estes tópicos acabam se misturando em meio ao debate.

Marcelo Grohe tem 26 anos, está no grupo principal do Grêmio desde 2005. Foi titular em alguns momentos em 2006. Nas temporadas seguintes foi sempre o reserva imediato - primeiro de Saja, depois de Victor - e sempre quando precisou jogar, deu ótima resposta. Em 2012, com a saída de Victor no início do Brasileirão, asusmiu de vez a titularidade. 

Grohe teve um bom ano, com atuações seguras, raríssimas falhas, conquistou a confiança da torcida e se mostrou pronto para seguir sendo o camisa 1 do Grêmio no início da trajetória Arena. Além disso, é patrimônio do clube, prata da casa, gremista. Sabe como ninguém, no atual grupo, o significado de cada vitória diante um estádio abarrotado de gremistas.

Marcelo fez por merecer a confinça da comissão técnica e da direção. Mas o Grêmio não julga assim, diferente da torcida. É questão de justiça quem terminou o ano bem, inicar a nova temporada como titular. Não é o pensamento de Luxemburgo.

Havia a necessidade de trazer Dida? Creio que não. Entretanto, não podemos ignorar o fato que agora ele faz parte do elenco tricolor. De certa forma, é compreensível que o Grêmio o nomeie titular nessa largada de temporada. Faz parte do futebol, quando se disputa uma competição internacional, você começar a conquistar o respeito dos adversários pelo curriculo dos seus jogadores. Não ganha jogo, mas é capaz de colocar no oponente um certo receio que, no final das contas, pode determinar uma senvível vantagem para o Grêmio.

Pelo Cruzeiro, Dida conquistou a Copa do Brasil de 1996, a Libertadores de 97, além de quatro campeonatos mineiros. No Corinthians, foi Campeão Brasileiro em 1999, Campeão do Mundo no ano 2000, da Copa do Brasil e do Torneio Rio-São Paulo em 2002. Nos seus 10 anos de Milan, foi novamente Campeão Mundial em 2007, Campeão Europeu em 2002/03 e 2006/07, Campeão Italiano 2003/04 e da Copa da Itália em 2004.
Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Na Seleção, o goleiro estava no grupo campeão da Copa em 2002, além de ser o titular nas conquistas da Copa das Confederações de 1997 e 2005 e da Copa América de 1999. É um senhor curriculo. Serve de argumento para sustentar a imediata titularidade. Mesmo que continue não sendo justo com Marcelo Grohe.

Na chegada da delegação gremista, em Quito, os mais assediados pelo público e pela imprensa, foram Elano, Macelo Moreno e Dida. Isso é quase como um termômetro. Assim como o Grêmio teme a LDU, que foi campeão lá em 2008, e hoje não tem ninguém de expressão, a LDU está preocupadíssima que precisará derrotar o Grêmio de Dida, Zé Roberto, Elano, Marcelo Moreno, Cris. Volto a dizer que nome não ganha jogo, mas impões respeito.

Ao Marcelo Grohe, resta a paciência de trabalhar e reconquistar sua titularidade. Acho possível, mas improvável. Um pena, pois não será nenhum absurdo esse jogador decidir seguir sua carreira em outro clube. O Grêmio, assim, desvaloriza seu patrimônio e tranca a carreira de um goleiro que está no ponto.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Olímpico Monumental: o último capítulo

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Porto Alegre, Domingo. Dia 2 de Dezembro de 2012. Gre-Nal n° 394.

O time do Grêmio talvez até merecesse um final assim, um terceiro lugar, vaga na pré-Libertadores, sendo que tudo estava encaminhado para um vice-campeonato e a vaga direta. Em 2012, o Grêmio fracassou em todos os momentos em que podia pleitear coisa melhor. O  Olímpico não merecia. Não o Olímpico. Um 0 a 0 como este, de um jogo mais brigado que jogado. Nem que fosse uma vitória do Inter, como foi da primeira vez, em 54. O Olímpico merecia gols, não socos.

Ousadia faltou dos dois lados. Aliás, dos três. Pois a arbitragem precisava, ao menos, dar cinco minutos de acréscimo no segundo tempo de muitas paralisações, de muita atitude infeliz e impensada. Os poucos segundos de Heber Roberto, no final, foram poucos pro muito de história que já viu aquele Estádio - e quem ali esteve, torceu, sorriu e chorou.

Loss e Luxemburgo. Parece que combinaram. Muita cautela, marcação, com times praticamente espelhados. O Grêmio teve apenas André Lima no ataque, teve Ze Roberto lá na direita, Elano mais à esquerda. Logo atrás, o trio de volantes. Fernando centralizado, Souza saindo pela direita e Gogo pelo outro lado.

O Internacional era basicamente igual, com uma sensível diferença. Osmar Loss tentou usar uma espécie de 4-2-3-1, mas com Guiñazu centralizado na linha de meias, pouco mais recuado. D'Alessando sempre aberto  na direita, gesticulando e comandando todas as ações da equipe. Na esquerda Fred, apagado e pouco participativo. O centroavante foi Damião e os dois volantes Ygor e Josimar.

A posse de bola sempre esteve com o Grêmio, mas com Zé Roberto e Elano em tarde pouco inspirada, quase nada de perigo levou ao gol defendido por Muriel. As jogadas acirradas, as faltas com carga excessiva de força, como tem em qualquer Gre-Nal, estiveram lá, mas com o adicional de ser o último dos últimos da Era Olímpico. No jogo em que ninguém queria perder, ninguém ganhou.

Heber só errou ao não dar os acréscimos corretos no segundo tempo. Acertou na expulsão de Muriel, Damião, Saimon, Osmars Loss e Luxemburgo. Embora, talvez pudesse ter usado de bom senso com o técnico gremista, que entrou em campo para tirar seu jogador da confusão. Mas cumpriu a regra, à risca. Está certo.

Maiores erros cometeram as duas equipes. Exceto Modelo, que fez um grande clássico. Fernando também. Naldo. Índio. Destaques de dois sistemas defensivos que não vazaram.

Com dois a menos em campo grande parte da segunda etapa, o Inter fez duas linhas de quatro jogadores em frente a área. Dificultou ao máximo as ações gremistas. Se o Colorado se defendeu bem - o que é inegável -, é bem verdade faltou bala na agulha tricolor. Ter vantagem de dois homens em campo é muita coisa.

O Grêmio tentou com Marquinhos e Leandro, Pará mais solto, Léo Gago de lateral. Todos esbarraram em Renan, goleiro que substituiu Muriel, fez ótimas intervenções naquele que foi seu primeiro jogo no BR-12.

Foi muito mais que água no chopp. O Inter comemorou como título no final. Como faria o Grêmio. Como tanto fizeram no Olímpico, monumental como a torcida azul, preta e branca. E vermelha, que faz parte da história.

Isso pertence ao futebol. Frase tantas vezes ditas pelo técnico gremista na temporada. Uma maneira de proteger seus jogadores, claro. Mas uma verdade. Agora, 58 anos depois, com o dever cumprido, o Olímpico não pertence mais ao Grêmio. Pertence à história do futebol.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cansaço e displicência tiram Grêmio da Sul America

Alertei aqui no PoA Geral que a displicência do Grêmio no primeiro jogo contra o Millonarios, no Olímpico, poderia complicar o jogo da volta, em Bogotá. Em ambas as partidas, o time de Luxembrugo foi superior quando quis jogar, evitou o balão, colocou a bola no pé trocou passes. Como no primeiro tempo na Colômbia, de Grêmio 1 a 0 e classificado com qualquer empate ou qualquer derrota por um gol de diferença. No segundo tempo, em 30 minutos, o time gaúcho tomou três gols e acabou eliminado, quase que de forma traumática, aos 48 da etapa final, com gol de pênalti, bem assinalado pelo árbitro.

No jogo derradeiro, o fator cansaço também pesou. O Grêmio abdicou de jogar futebol ainda quando tinha fôlego, na metade final do primeiro tempo. Depois, não conseguiu acompanhar o ímpeto de um time acostumado a jogar na altitude e emabaldo por 40 mil torcedores. O Grêmio provou do próprio veneno, sofreu o que muito já fez no Olímpico. Deveria saber o antídoto, que é não ser displicente, propor o jogo enquanto for possível.

Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
Vanderlei Luxemburgo começou a partida com duas linhas de quatro jogadores, Moreno como único atacante e Zé Roberto mais atrás, servindo de enganche entre meio e ataque. Bem protegido, com Pico e Pará de laterais base, sem desproteger a linha defensiva, com Marco Antônio na direita, Gago na esquerda e Souza e Fernando marcando e saindo pro jogo pelo meio, o Grêmio controlou o jogo na primeira etapa e saiu na frente no placar. Uma baita vantagem de 2 a 0, sendo um dos gols fora de casa (critério de desempate). Mas cometeu o erro de se apegar ao regulamento cedo demais.

Luxa ainda deu azar nas substituições. Tentou mais poder de fogo com Elano no lugar de Marco Atônio. O camisa 7 jogou menos que o meia que começou jogando. Para dar mais combatividade no ataque e tentar cavar faltas perto da área do adversário, Kléber entrou no lugar de Moreno. O Gladiador ficou três minutos em campo e sentiu o tornozelo, teve de ser substituído por André Lima. Talvez o Grêmio tivesse melhor sorte se tentasse dois atacantes no momento em que o Millonarios se jogou em busca do resultado. Não se sabe, só sabemos como foi. 

E não foi bom para o Grêmio, que acaba com qualquer possibilidade de título em 2012. O Olímpico não merecia um final em branco. Em contraponto, esse time talvez não merecesse as glórias de um título sul-americano. Fica de bom tamanho brigar por uma segunda colocação no BR-12. A vaga direta para a Libertadores 2013 é fator essencial para a preparação da equipe no início da próxima temporada.

domingo, 11 de novembro de 2012

O espetacular segundo tempo gremista

A tarde no Olímpico foi espetacular para o torcedor gremista. Foi um domingo muito bonito, de uma festa belíssima depois da vitória por 2 a 1, de virada, e a confirmação matemática na pré-Libertadores 2013. O Grêmio fecha a rodada na segunda colocação do BR-12. Faltam três jogos. Caso o Grêmio mantenha a vice-liderança, a vaga para a competição continental será direta.
Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
A vitória só veio depois de um baita segundo tempo gremista. Sem poder contar com Werley, G. Silva, Elano e Kléber, o Grêmio foi a campo com um time razoavelmente descaracterizado. Luxemburgo escalou uma equipe cautelosa que, como primeiro objetivo, pretendia parar um São Paulo embalado, em grande forma. Principalmente pelos três meias Lucas, Osvaldo e Jádson e pelo centroavante Luis Fabiano.

Com Léo Gago, Fernando e Souza à frente da zaga, e o zagueiro Naldo fazendo grande jogo, a maior parte do tempo o Grêmio conseguiu parar os quatro destaques do time paulista. Só que com a bola no pé, tendo Marcelo Moreno no ataque, Zé Roberto e Marco Antônio mais atrás, o Tricolor gaúcho não conseguiu transformar posse de bola em chances de gol.

Dois fatores essenciais possibilitaram a virada gremista no segundo tempo. Primeiro, a marcação pressão. O Grêmio diminuiu os espaços do São Paulo, adiantou o time e acuou o adversário. A frequente variação no lado esquerdo, entre Léo Gago e Pico, foi importante para que os movimentos de marcação e ataque funcionassem durante a etapa complementar.

O segundo fator foi a entrada de um segundo atacante. No caso, o André Lima, que fez o primeiro gol e, diferente de outras vezes, conseguiu jogar bem, contribuir para a evolução do Grêmio dentro da partida. Com um segundo atacante em campo, ficou mais fácil o surgimento de situações de gol. O Grêmio poderia ter feito mais que dois.

Até adicionaria, quem sabe, um terceiro fator aí: os 45 mil gremistas que foram ao penúltimo jogo no Estádio Olímpico. Lembrando que, caso o Grêmio passe de fase na Sul Americana, garante pelo menos mais um jogo na saudosa maloca.

domingo, 4 de novembro de 2012

Grêmio vence Ponte Preta sem criar nenhuma situação de gol

Foi uma das piores atuações do Grêmio em 2012, sobretudo ao comando de Vanderlei Luxemburgo. Tivesse a Ponte Preta um pouco mais de sorte ou qualidade técnica, teria vencido, sem dúvidas. Durante os 90 minutos, o mais próximo que o Tricolor chegou a uma oportunidade de marcar foi no início do jogo, duas vezes. As duas com Marcelo Moreno, mas finalizando mal, não obrigando o goleiro Roberto a sequer executar uma defesa. É muito pouco.

O Grêmio foi um time distante, com pouco sentido coletivo, pouca vitória pessoal, entregue à boa marcação do time de Guto Ferreira. Lá atrás, sofreu com os contra-ataques puxados por Nikão e Luan. Marcelo Grohe precisou trabalhar, e trabalhou bem. Teve boas intervenções e evitou que o resultado fosse trágico para um Olímpico com 40 mil torcedores.

Se por um lado o time está desgastado física e mentalmente, cansado com a maratona de jogos, o que prejudica na execução de tarefas básica dentro de uma partida de futebol - como preencher espaços, passar, inverter a bola, tomar decisões corretas -, por outro lado é uma equipe muito bem preparada fisicamente. O Grêmio pode até correr errado, errar em demasia, mas corre. Vai em busca do resultado nem que seja no abafa, sem organização e méritos táticos.

Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
Foi o que aconteceu ontem, no Olímpico. Com um jogador a menos desde a metade do segundo tempo, o time de Luxa conseguiu empurrar a Ponte Preta para o seu campo. Continuou sem criar absolutamente nenhuma chance de gol, mas cavou escanteios e faltas na beira da área do adversário. Assim, num escanteio, aos 45 minutos da segunda etapa, foi que Zé Roberto achou André Lima, que trombou com zagueiro e goleiro para marcar o gol da vitória.

Faltando agora quatro rodadas para terminar o BR-12, tendo construído uma bela campanha e ainda com a possibilidade de subir uma colocação e ser vice-campeão, o Grêmio não precisa mais jogar bem. Precisa vencer, como fez ontem. Luxemburgo está administrando duas competições simultâneas, poupando um ou dois jogadores a cada partida, mas nunca descaracterizando a equipe. Esta reta final vai exigir muito dos atletas, e o melhor que podem esperar é que a torcida seja o centroavante do time, como foi e como muito bem observou Luxemburgo, após a vitória de sábado. Não é hora de pegar no pé.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Displicência gremista pode complicar no jogo de volta

O placar de 1 a 0 não pode ser desprezado. Nada disso. Vantagem é vantagem. Dia 15 de novembro, na Colômbia, o Grêmio inicia o jogo com 1 a 0 a favor, tendo qualquer empate a seu favor. Mas vale lembrar que algo como 1 a 0 pra Millonarios, ou um 2 a 0, na altitude de Bogotá, com pressão da torcida e um Grêmio desgastado nessa reta fina, não é resultado absurdo.

O time de Luxemburgo alternou bons e maus momentos na partida. O treinador poupou alguns jogadores cansados ou com princípio de lesão. Naldo, que entrou no lugar de Werley, foi um dos grandes nomes de jogo. Ao lado de G. Silva, o zagueiro reserva não perdeu nenhuma. Na frente, Leandro foi novamente inconstante. Enfrentou um burburinho da torcida, errou muitos passes, mas foi participativo como sempre é. Kléber Gladiador fez falta.

Foto EFE
No 4-3-1-2, Marco Antônio, o homem do gol, atuou pelo lado direito do meio-campo. Fez bom jogo. Diferente de Léo Gago, do outro lado, que apesar de dois bons chutes à gol, quebrou o ritmo da equipe em vários lances. Mais solto, Zé Roberto tentou organizar as jogadas ofensivas, mas poucas vezes achou opções para lançar ou tabelar. No final do segundo tempo, por duas ou três vezes, o camisa 10, com a bola dominada, procurou alternativas e abriu os braços. Não passou ninguém e ele precisou recuar a bola.

O Millonarios, que é um time razoável, foi completamente dominado pelo Grêmio. Não ofereceu quase nenhum risco à meta de Marcelo Grohe. O sistema defensivo gremista funcionou. Lá na frente, faltou um pouco de vontade. Tenho impressão que não tenha partido do banco, mas sim uma certa acomodação dos jogadores. Se apertasse, o Grêmio sairia com uma vantagem maior.

O Palmeiras fez 3 a 1 no primeiro jogo, em São Paulo. Na Colômbia acabou sendo eliminado, 3 a 0. É uma situação diferente, porém nem tanto. O Palmeiras jogou com o time reserva e está totalmente focado no Campeonato Brasileiro. De qualquer forma, serve de alerta. A displicência desta quarta, no Olímpico, pode valer muito mais desgaste no jogo da volta, em Bogotá. 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Grêmio passa de fase na Sul Americana mas não joga bem

Tudo se encaminhava para o quarto empate consecutivo do Grêmio. Sendo que três deles, dentro do Olímpico. O gol de Zé Roberto, que deu ao time gaúcho a vitória sobre o Barcelona do Equador, 2 a 1, veio da linda cobrança de falta, criada por ele mesmo, depois dos 40 minutos do segundo tempo. O interminável Zé Roberto e o gol da vitória, pois a classificação já estava consolidada com o empate de 1 a 1.

Chega a ser preocupante em certo ponto. É uma fase ruim, de um Grêmio com um futebol menos eficiente do que dois ou três meses atrás. Mas a base do time continua a mesma, o pensamento de Luxemburgo continua o mesmo. Daqui a pouco é uma fase ruim que pode passar. E tenho a impressão que logo passa.

O Barcelona de Quayaquil não é mal time, pelo contrário. Contra o Grêmio, no Olímpico, o time equatoriano teve boa postura tática, um 3-5-2 nada afobado, que soube colocar a bola no chão e chegou ao gol no início do segundo tempo.

O grande problema do Grêmio foi não ter encaixado a marcação como deveria. Uma certa preguiça tática, que não apertou o Barcelona como deveria, como poderia. A vitória do tricolor é muito mais uma consequência da vitória pessoal de Zé Roberto que uma atuação coletiva competente da equipe. 

Faz parte. Coletivamente o Grêmio já teve ótimas atuações. Individualidade também é um ingrediente do futebol. 
Lucas Uebel/Grêmio Divulgação

domingo, 21 de outubro de 2012

Novo empate e um novo (velho) Presidente

Ricardo Duarte/ClicRBS
No sábado, um empate horrível para o Grêmio, contra o Coritiba, no Olímpico. Um Olímpico de dias contados, que teve sua derradeira eleição nessa abafada tarde de domingo. Pleito que transcorreu na mais absoluta paz, diferente do que indicava as últimas semanas de campanhas acirradas - principalmente por parte de Fábio Koff, chapa 01, e Paulo Odone, chapa 04.

Deu Koff, com 57,5% dos votos dos 13.547 associados que participaram das eleições do clube. Fábio Koff volta depois de 16 anos, para presidir o Grêmio no biênio 2013/14. Justamente no início de uma nova era, quando o Grêmio troca de casa, vai para a nova Arena. É compreensível e legítimo que o torcedor gremista recorra ao maior símbolo do Grêmio vencedor dos anos 80 e 90 para retomar as conquistas que não aconteceram nos últimos 11 anos.

Voltemos à sábado. Grêmio e Coritiba, 0 a 0. Jogo ruim, de um Grêmio aparentemente preguiçoso, e declaradamente cansado. No seu retorno, Júlio César não deu a contribuição na esquerda que vem dando Anderson Pico. Assim como Bertoglio, que entrou no segundo tempo. Jogadores desembocados, sem ritmo, não tiveram a intensidade dos melhores momentos do Grêmio 2012. Que, aliás, não precisa ir muito longe. É só olharmos três dias antes, contra o Flu, no 2 a 2 do Engenhão, de uma bela partida gremista.

Moreno faz muita falta ao time. Assim como Kléber tem feito falta, mesmo jogando. O Gladiador não vive bom momento, e já demonstra estar ansioso com essa situação. Luxa optou em jogar sem a figura do centroavante, mas não compensou taticamente. Kléber e Leandro caiam demais para os lados, assim como Zé Roberto e Elano, que entraram pouco na área. A compensação tinha que ser de quem vinha de trás.

No 4-4-2 com meio campo em quadrado e com pouca infiltração na área, o Grêmio facilitou a boa marcação do Coxa, que tem o cobertor curto. Ou marca ou ataca. O pouco risco que o Tricolor correu na partida, é o retrato de um jogo chato de assistir, de um 0 a 0 mais que merecido.

Sorte do Grêmio que o São Paulo não venceu, deixou de encostar, continua quatro pontos atrás. Os mesmo quatro pontos que agora separa o Grêmio da segunda posição, depois da belíssima vitória do Galo sobre o Fluminense, nesse domingo.