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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Que dizer após duas derrotas na Arena?

É preciso ter muita frieza para analisar a atual situação do Grêmio. Não só no Gauchão, após duas derrotas seguidas dentro de casa, mas também toda a sua perspectiva de restante de temporada. Um ano em que o tricolor gaúcho resolveu que tinha que estancar os gastos, diminuir despesas e formar uma equipe mais barata. Qual o real preço dessa política? Do ponto de vista do futebol, não é promissora, embora seja cedo para qualquer diagnóstico catastrófico. Do ponto de vista econômico, tem tudo para deixar o clube mais saudável financeiramente em médio e longo prazo.

As derrotas

Com todo o respeito ao Brasil de Pelotas e ao Veranópolis, mas nenhum deles, tecnicamente, tem equipe para vencer o Grêmio na Arena. Mesmo esse enfraquecido Grêmio de 2015. Contudo, futebol não é só técnica - é, sobretudo, tática. Em comparação aos últimos dois anos, o tricolor não tem apenas menos qualidade no seu elenco. Em campo, tem também menos organização, e isso tem sido fundamental para o desempenho pífio neste começo de temporada.

Felipão parece não ter ideia da escalação, tampouco do esquema tático ideal para jogar. Pior ainda, ele não demostra ter confiança nos jogadores, e isso parece ter um impacto decisivo no grupo de trabalho.
Foto: Ricardo Duarte / Agência RBS

A escalação do Grêmio ainda é uma incógnita. Não sabemos se Marcelo Oliveira, por exemplo, vai ser zagueiro, lateral-esquerdo ou volante. Sabemos é que, mau ou bem, não sai do time. O mesmo com Galhardo, ora lateral-direito, ora meio-campista. No comando de ataque, é prudente apostar em Everaldo e Lucas Coelho depois das saídas de Barcos e Moreno? Não sabemos. Scolari também não sabe. No setor ofensivo do meio, Douglas tem cadeira cativa, mesmo com um futebol cada vez menos competitivo. Em contrapartida, quem poderia executar a função com mais intensidade, Lincoln tem apenas 16 anos.

O mais importante, fundamentalmente, é que as peças estão mal colocadas em campo. O Grêmio corre errado, ocupa mal os espaços e não consegue tramar jogadas ofensivas. Embora o elenco gremista não seja qualificado o suficiente para imaginarmos disputando a ponta de cima no Brasileirão, também não é desqualificado ao ponto de passar por dificuldades no modesto Gauchão.

Não prego a saída do Felipão. Sempre prefiro apostar na continuidade. Mas é bem possível organizar de forma mais compacta e coerente a equipe gremista, fazendo um time muito mais competitivo que esse derrotado duas vezes seguidas dentro da Arena.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Gestão sóbria deve fazer bem o Grêmio

O Grêmio vem de duas gestões irresponsáveis financeiramente. Primeiro com o presidente Odone em 2011/12 e depois com o presidente Koff em 2013/14. Os dois mandatários, e suas respectivas diretorias, contrataram uma infinidade de técnicos e jogadores caros e, mesmo assim, não levantaram sequer a taça do campeonato estadual. Foram investimentos milionários, em atletas e treinadores que não valiam tanto assim,  e que acabaram dando um retorno nada rentável, muito menos glorioso.

Nesse Grêmio, que passou pela transição Olímpico/Arena, criou-se a responsabilidade de montar um grande time, capaz de vencer títulos na nova casa. Para isso, foi instaurada a megalomania das contratações, dentro de um mercado que, sabemos, exige oferta muito boa para seduzir jogadores badalados a deixarem Rio/São Paulo e virem jogar no Sul. O Grêmio entrou nesse leilão ingrato, e apostou suas fichas nos supervalorizados Barcos, Kléber Gladiador, André Santos, Elano, Fernandinho, entre outros.

A verdade é que o Grêmio montou boas equipes, competitivas, mas muito caras para apenas competirem e viverem de boas campanhas. O tricolor gaúcho teve boas campanhas. Foi vice-campeão brasileiro, terceiro colocado em outra oportunidade, semi-finalista da Copa do Brasil duas vezes e, entre 2011 e 2014 esteve em três Copas Libertadores. Não é pouco mas, historicamente, não representa nada. Quase não empolga um torcedor machucado pela falta de títulos.

Zé Roberto queria permanecer, mas seu salário foi
considerado caro pela nova diretoria

As primeiras semanas de gestão do presidente Romildo Bolzan Jr. são de muita discrição, de passos calculados dentro do mercado da bola. O Grêmio finalmente se deu conta que precisa fechar a torneira, precisa buscar o equilíbrio nas finanças e encontrar uma forma que, à médio prazo, torne o clube autossustentável. 

Isso resultará em títulos? Sinceramente, em 2015, acho improvável. Mas diferente de outras tempos, agora o Grêmio tem um técnico que tem o direito de errar, coisa que Enderson Moreira, por exemplo, não tinha. Era questionado e pediam sua cabeça a cada derrota. A não ser que faça uma campanha excepcionalmente ruim, coisa de brigar para não cair no BR-15, Felipão não será demitido.

Ou seja, terá uma sequência de trabalho, e isso, de fato, pode render frutos ao Grêmio. Com a espinha dorsal de time que fica para a nova temporada, é improvável que se coloque como um dos postulantes às primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Mas é possível montar um time competitivo suficiente para vencer o estatual e a Copa do Brasil.

Não estou dizendo que vai vencer. Contudo, o torcedor não precisa fazer terra arrasada desde então, pensando que time barato não ganha título. É possível sonhar. Mais que isso, é preciso ser responsável e não endividar ainda mais o clube. É hora de evitar o passo maior que a perna. Privilegiar o que já tem em casa e o que vem surgindo da base. Se os dirigentes mantiverem a coerência e não cederem à pressão após a primeira sequência de resultados negativos, o Grêmio, com a Arena e ao lado da torcida, pode fazer a partir de 2015 uma reestruturação financeira importantíssima em sua história. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Gre-Nal encaminha, mas não define

Não há dúvida que o clássico de domingo é importantíssimo. Até porque quem vencer na Arena fica na frente do rival e, com uma ajudinha de resultados paralelos, também fica muito bem posicionado na tabela. Dois pontos separam o Internacional, terceiro colocado com 56, do Grêmio, sexto colocado com 54 pontos. Portando, quem conquistar os três pontos dá um passo fundamental na briga por uma classificação para a Copa Libertadores.

Contudo, o equilíbrio do BR-14 é tão grande entre aqueles que disputam uma vaga no G4, que perder não significa estar fora da disputa. Do segundo colocado para o sétimo, são cinco pontos de diferença, sendo que ainda ocorrerão alguns confrontos diretos. Atrás do líder e virtual campeão Cruzeiro temos:

2° São Paulo ------ 59 pontos
3° Internacional - 56 pontos
4° Fluminense --- 54 pontos
5° Atlético-MG -- 54 pontos
6° Grêmio -------- 54 pontos
7° Corinthians --- 54 pontos

A tabela nos mostra que há três times, bons times, fora da zona de classificação que, mesmo assim, possuem pontuação para estarem dentro do G4, ficando de fora apenas pelos critérios de desempate. Se estas equipes mantiverem a média de aproveitamento, variando pouca coisa pra cima ou pra baixo, tenho absoluta certeza que a disputa vai até a última rodada. Independente do resultado do Gre-Nal de domingo.

Agora, clássico é um jogo à parte. Quase um campeonato separado, e numa análise de contexto mais ampla que o simples efeito de tabela, o Gre-Nal vale mais que três pontos. Vale a confiança de determinados jogadores para a reta final de campeonato, vale a estabilidade da comissão e do grupo de jogadores para seguir trabalhando com tranquilidade e buscar os objetivos, e vale o apoio e a auto-estima da torcida, que pode inflar com uma vitória sobre o rival.

Os times

Se tivesse que apostar, apostaria que Felipão e Abel Braga não promovem nenhuma surpresa. Escalam dentro daquilo que vem sendo suas equipes dentro das últimas rodadas. O Inter muito provavelmente em um 4-2-3-1, segurando bastante o Aranguiz ao lado de Willians para tentar proteger a zaga formada por jogadores razoavelmente jovens. Se Alex estiver em boas condições, haverá muita troca de posição com o volante chileno, fazendo com que D'Alessandro procure movimentar-se para o meio, abrindo espaço para que Charles Aranguiz se infiltre pela direita. Tal qual foi o primeiro gol contra o Santos, na Vila Belmiro, no final de semana.

Já o Grêmio deve usar três volantes de origem, como vem sendo. Esses nomes podem variar, afinal não há nenhum muito melhor que o outro. Contudo, Scolari optará em posicionar a equipe em um tradicional 4-4-2, fazendo no meio-campo a linha de quatro jogadores que lhe dá a segurança defensiva da equipe menos vazada no BR-14 e a opção de contra-ataque com Dudu e Zé Roberto pela esquerda. Luan deve ficar mais livre, atuando como segundo atacante e Ramiro novamente atuará pelo flanco direito, auxiliando Pará tanto no campo defensivo quanto no campo de ataque.

Se há um favorito, a balança pende mais para o lado colorado. É o time de melhor campanha, sempre esteve à frente do Grêmio e tem um retrospecto recente em clássicos que credencia. A questão anímica pode pesar para o tricolor, estar quase sempre inferiorizando no confronto direto nos últimos anos é sim capaz de afetar o emocional dos jogadores. Ainda mais que o elenco do Inter possui mais jogadores com perfil de decisão, que já demonstraram ser capazes de fazer a diferença em algum momento.

Agora, é importante ressaltar que as duas equipes se equivalem. Vivem momentos similares tecnicamente. A motivação gremista em finalmente vencer seu primeiro Gre-Nal na Arena é relevante e coloca um ingrediente a mais no clássico. Só resta torcer que seja um clássico jogado essencialmente na bola, sem polêmicas nem picuinhas, só com bola na rede.


Gremio vs Internacional - Campeonato Brasileiro - 9th November 2014 - Football tactics and formations
Inter no 4-2-3-1, apostando na variação entre Alex e Aranguiz para confundir a marcação do tricolor.
Já o Grêmio no 4-4-2 que permite variação para o 4-3-3, avançando Dudu e segurando Ramiro. Mas Felipão pensa, primeiramente, em proteger seus sistema defensivo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A coragem e a atitude de Aranha

Ah, se tivéssemos mais Aranhas e menos Pelés. E não falo do futebol, da técnica, do jogo. Falo da atitude, do discurso e da coragem. O goleiro santista enfrentou uma Arena completamente hostil em seu retorno, após sofrer injúrias raciais naquele mesmo estádio. Foi recebido como se ele, mais que adversário, fosse o criminoso, quando na verdade, do episódio todo, foi a vitima. São coisas que se distorcem no futebol, que infelizmente habitam o imaginário popular, como se dentro de campo valessem outras regras, como se fosse tudo permitido.

Aranha, contra tudo e contra todos, mesmo após ser criticado por Pelé, negro como ele, maior ídolo do clube que defende e maior atleta da história do esporte do qual ganha a vida, mesmo voltando a ser hostilizado pela mesma torcida que alegou que o racismo não a representa. Aranha, mesmo assim, entrou em campo e jogou futebol, aparentemente tranquilo e muito exitoso, evitando o gol do Grêmio em mais de uma oportunidade. Fora de campo, após o jogo, também não se mostrou afetado pelas críticas. O goleiro manteve o discurso forte e necessário para o combate ao racismo.


O santista foi vaiado a noite inteira. Bastava encostar na bola. Em sua avaliação, foram sim vaias diferentes. O atleta tem razão. "Por que foi diferente? Foi diferente por tudo o que aconteceu. Nunca me senti tão mal jogando em um lugar como me senti hoje. Cobraram o perdão, mas não tem como perdoar um pessoal desse. Muita gente morreu, muita gente sofreu, muita gente lutou bastante pelos direitos. Fazer o quê? Paciência. Eu vim, joguei futebol, dei o meu melhor, lutamos. Tudo o que aconteceu era tudo o que se esperava. Eu, sinceramente, esperava ser recebido de outra maneira, porque acreditava que a grande maioria do torcedor gremista tinha repudiado, mas, pelo que vi hoje, eles concordam", declarou na saída de campo.

O atleta tem o meu respeito e a minha admiração pela coragem de não baixar a cabeça e fingir que não é com ele, perpetuando o pensamento mágico que é pior se incomodar e dar moral pra racista. O que o Aranha fez é muito diferente de dar moral, ele denunciou um crime, algo que, aliás, era corriqueiro na torcida gremista, acostumada a usar o termo "macaco" há mais de décadas.

"Eu perdoaria, abraçaria, mas ela [Patrícia] tem que pagar pelo que fez. Não quero circo, não quero palhaçada, não quero levar vantagem nenhuma. Faria isso para ela, não para a imprensa explorar", completou o goleiro, deixando claro que não quer fazer do episódio um show midiático.

Parabéns Aranha, pelo discurso, pelo posicionamento e pela coragem. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O racismo por osmose

Há muitas coisas a serem ditas sobre o racismo no Brasil, sobre o racismo na sociedade, sobre o racismo no esporte, o racismo nos estádios de futebol e o racismo por parte de alguns torcedores gremistas. Evidente que não vou conseguir abraçar o mundo neste único texto, mas vou tentar enfatizar alguns pontos que considero, por agora, mais relevantes.

O primeiro é sobre o Grêmio. O clube como instituição, estigmatizado por décadas como uma agremiação de origem alemã, com sérios problemas para aceitar negros no elenco durante a primeira metade de sua existência. É um passado que não pode ser negado - mesmo que, à época, discriminar afrodescendentes não era privilégio apenas do tricolor. Já passou da hora do clube combater este estigma da forma mais veemente possível, e o primeiro passo é entender os erros outrora cometidos. O segundo, é admitir que os cânticos tradicionais da torcida gremista em que se refere a colorados como "macacos" é sim de origem racista, mesmo que atualmente perca parte de seu sentido racista (mas de intenção ainda ofensiva) quando bradada por uma multidão que não está, naquele instante, raciocinando sobre o que faz ou fala. A multidão quer apenas ver seu adversário sendo depreciado.

É fundamental que, se o Grêmio quer ser levado a sério em suas campanhas antirracismo, passe a combater essa "tradição" de chamar o arquirrival de macaco. É um tipo de movimento que precisa também ser adotado por todos os bons torcedores do clube, que entendem a gravidade do ato e a imensurável carga pejorativa que carrega a palavra "macaco", principalmente quando dita a uma pessoa negra.

Osmose
A menina flagrada pelas câmeras da ESPN chamando o goleiro Aranha, do Santos, de macaco cometeu um crime e precisa arcar com as consequências, sejam elas quais forem. Contudo, ela não pode servir como boi de piranha, enquanto outros tão culpados quanto, saiam limpos dessa história - e de tantas outras histórias já passadas.

Ela estava ali, e como que por osmose, da mesma maneira de outros tantos imprudentes, foi racista sem necessariamente raciocinar sobre a gravidade daquilo que dizia contra o arqueiro santista. Isso é relativamente comum em meio à multidões, nos mais variados delitos. Mas continua sendo delito. Continua sendo crime. Continua sendo racismo. A menina, e mais uma dezena que estava ali na volta, protagonizaram mais um episódio triste dentro de estádios de futebol, resultando em uma reação compreensível do atleta repercussão midiática merecida, e que pode servir como estopim para o Grêmio ultrapassar a fase de largar notas de repúdio e partir para ações mais pesadas.

Bem mesmo fez a Torcida Jovem do Grêmio, que já avisou. Esse é o primeiro passo (de muitos outros que precisam ser dados):


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Grêmio não transforma bom desempenho em vantagem

O Grêmio é definitivamente um caso a ser estudado. Pois no século XXI, o Grêmio parece fadado ao fracasso, sem aptidão de decidir grandes jogos e, tampouco, ganhar títulos, mesmo tendo bons times e fazendo boas campanhas. Venho batendo muito nessa tecla há bastante tempo, e essa espécie de falência anímica voltou a aparecer na Arena, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, na noite desta quinta-feira. É possível jogar bem e perder por 2 a 0? Talvez seja.

O time de Felipão iniciou apresentando uma mecânica de jogo consistente, marcando e atacando com tranquilidade, valorizando a posse de bola e usando do artifício de variações táticas. Sem a bola, um 4-4-2 em duas linhas, com Dudu fechando o meio pela esquerda, Giuliano na direita enquanto Ramiro e Walace atuaram por dentro. Com a bola, um 4-3-3 muito bem definido, com Giuliano se postando quase ao lado de Ramiro e o jovem Walace recuando, geralmente cobrindo as excelente subidas de Zé Roberto. Esse é sim um Grêmio promissor. Que teve seus pecados, e o maior deles foi, sem dúvida, não fazer gols.

Divulgação Grêmio FBPA

O gol do bom time do Santos mudou a postura das equipes. O time gaúcho sentiu, e a equipe de Oswaldo de Oliveira soube se aproveitar do momento de vacilo gremista para ampliar ainda no primeiro tempo. Quase que em duas situações isoladas. O Santos soube decidir. O Grêmio, mais uma vez não conseguiu ser decisivo. É um problema, e se paga por isso.

O Peixe começou a partida no 4-3-3, tendo na frente Thiago Ribeiro na esquerda, Gabriel na direita e Robinho atuando de forma inteligente como "falso 9", flutuando pelo centro, buscando atuar no vácuo entre as linhas gremistas. É um movimento que naturalmente abriria espaço para a penetração em diagonal dos dois pontas, coisa que pouco aconteceu.

Na segunda etapa, duas modificações: Biteco no lugar de Walace e Alan Ruiz no lugar de Luan. O posicionamento permaneceu basicamente o mesmo, com as mesmas variações. O Grêmio imprimiu mais uma vez um bom ritmo, sempre rondou a área santista, porém insistiu muito pela esquerda, com Dudu, que fez boa partida, mas era preciso explorar o outro lado do campo também, tentar abrir a defesa santista. A certa altura entrou o lateral Mattias Rodrigues na direita, jogador de características ofensivas. Ele não foi acionado nenhuma vez.

É quase certo que o Grêmio não classifica, é muito difícil que reverta esse resultado na Vila Belmiro, por mais que faça uma boa partida. Agora, é preciso ter frieza na avaliação interna visando a continuidade do trabalho. Felipão parece ter encontrado uma maneira equilibrada de jogar, e seria um equivoco recuar e buscar uma mudança de equipe, por mais que isso soe contraditório após uma derrota de 2 a 0. Com um pouco mais de competência é possível buscar coisas melhores no Brasileirão.

Racismo
Está mais do que na hora da instituição Grêmio combater com mais ênfase a questão das manifestações racistas de alguns setores da torcida. É um problema histórico e não se pode mais negar esse grave problema. É preciso banir esse tipo de criminoso dos estádios, e se faz necessário que o torcedor gremista de bom senso também passe a combater o racismo. O episódio ocorrido durante o jogo, com torcedores (identificáveis) agredindo o goleiro Aranha com ofensas racistas foi triste e revoltante.

A reação de irritação e desconformidade do goleiro santista é correta. É preciso escancarar, denunciar, buscar que a justiça atuem sobre essas pessoas que são burras, atrasadas e criminosas.  

domingo, 17 de agosto de 2014

Grêmio de Felipão segue sendo uma incógnita

O tricolor gaúcho teve uma atuação razoável para conseguir vencer o Criciúma na tarde deste domingo, na Arena. A vitória de 2 a 0 ficou de bom tamanho. Scolari, a exemplo do que fez para o Gre-Nal, modificou consideravelmente a equipe. Não podendo contar com Pará e Barcos, o Grêmio foi à campo no 4-3-3, com Zé Roberto fazendo boa partida na lateral esquerda, Matías Rodrigues muito discreto na direita, Ramiro, Riveros e Felipe Bastos como meio-campistas e, na frente, Dudu, Lucas Coelho e Luan. O meia Giuliano ficou na reserva, primeiro por estar com dores e segundo por uma opção do técnico em tem uma equipe mais combativa.

Mauro Vieira / Agencia RBS

O ideia do 4-3-3 é interessante e, acredito, plausível de ser aplicada com esse grupo de jogadores. Mas, talvez não com esses 11 que venceram o Criciúma, equipe notadamente pouco qualificada deste BR-14. Pelo rendimento de Matias Rodrigues, o retorno de Pará é inevitável. O atacante Barcos, apesar de tudo, é mais jogador de Lucas Coelho e tem lugar na equipe. Na lateral esquerda Zé Roberto foi muito bem, aguentou os 90 minutos, mas pode ter problemas com uma sequência mais pesada. Na trinca de meio-campistas, Felipe Bastos parece ter conquistado a confiança de Felipão. Mais uma vez fez boa partida. Quanto a Giuliano, tem muita qualidade e pode, se estiver inteiro, ser um dos jogadores do meio.

Mas em sua coletiva após o jogo Felipão deu a entender que haverá mais mudanças para enfrentar o Cruzeiro no Mineirão e deixou claro uma intenção de ter um time que muda a cada rodada, conforme a necessidade do adversário. Ou seja, tão cedo não saberemos que cara terá o Grêmio. Pode até funcionar, mantendo uma espinha dorsal e modificando sensivelmente o esquema: do 4-3-3 para o 4-2-3-1, por exemplo.

Contudo, um aspecto me preocupou da entrevista do técnico gremista. Segundo ele, Ramiro não precisava jogar, precisava apenas marcar e não deixar Paulo Baier ter liberdade. O Criciúma tem uma dos piores times da competição, o meia em questão tem 40 anos, se movimenta pouquíssimo e mereceu marcação individual por parte do Grêmio. E contra um Cruzeiro, Felipão vai marcar individualmente todo o time da Raposa? O futebol moderno não admite mais esse tipo de estratégia, sobretudo em um time de certa qualificação como é o do Grêmio, com total condição de exercer marcação por zona, roubada de bola no campo do adversário e posse de bola. Quando você se propõe a marcar individualmente você se desgasta mais, corre mais atrás da bola e possivelmente cometerá mais faltas. Acho este um conceito preocupante caso passe a ser usado com mais frequência. Sobre o rodízio, é mais provável que funcione.

domingo, 18 de maio de 2014

Bota essa na conta do Grohe

Em campeonato de pontos corridos, no final das contas, o importante é pontuar. Na Libertadores, por exemplo, contra o San Lorenzo, na Arena, o Grêmio fez melhor partida, fez o mesmo 1 a 0 e caiu fora do torneio. Hoje não. A equipe de Enderson Moreira foi inferior ao Fluminense em boa parte do jogo e mesmo assim construiu uma vitória importantíssima, que deixa o tricolor gaúcho dentro do G4, na terceira colocação, com 10 pontos somados.

O goleiro Marcelo Grohe fez pelo menos três defesas de grau elevadíssimo de dificuldade, em jogadas que o Fluminense inclusive poderia ter aberto o placar. A mais destacada delas, sem dúvida, a cabeçada de Fred ainda no primeiro tempo, em que o centroavante da Seleção Brasileira sobe sozinho na risca da pequena área e golpeia de cabeça, para baixo, fazendo a bola quicar antes de ir em direção ao gol de Marcelo. Coisa de milésimos de segundos, à queima roupa. Grohe se joga para o seu lado direito e tapeia a bola que entraria no canto superior. Foi ao melhor estilo Gordon Banks na Copa de 1970. Sem exagero.


O Fluminense, entretanto, é uma equipe forte, que volta a praticar bom futebol com a chegada de Cristovão Borges. O técnico tem à sua disposição, basicamente, o mesmo time campeão brasileiro em 2012, inclusive utilizando o mesmo esquema, o habitual 4-2-3-1. O time carioca veio para somar pontos e conseguiu ter a posse da bola a maior parte do tempo.

Do outro lado, o Grêmio ainda tem alguns problemas estruturais, mas segue sendo um time bastante competitivo. Com Edinho suspenso, Ramiro e Riveros fazem uma interessante dupla de volantes, contudo sentiram falta de uma maior entrega da linha de meias. No 4-2-3-1 de Enderson Moreira, ainda falta velocidade e intensidade no lado direito e um pouco mais de compreensão na hora de marcar. Os laterais do time carioca, Bruno e Carlinhos, tiveram demasiada liberdade.

Luciano Leon / Futura Press / Agência Estado
Mas o torcedor do Grêmio tem boas notícias, principalmente olhando para as próximas rodadas. Rodriguinho, autor do único gol do jogo, parece ser uma afirmação. O meia consegue imprimir certa velocidade, descolar boas assistências e ainda por cima se desprender o posicionamento inicial e entrar dentro da área. Esse é fator é fundamental para uma boa mecânica de jogo, as peças precisam se movimentar em harmonia. Além disse, Zé Roberto vem se mostrando boa alternativa para o segundo tempo, assim como Maxi Rodrigues, que parece estar retomando a confiança. Na mesma levada de otimismo, logo retorna o zagueiro Rhodolfo à titularidade e ao grupo o atacante Kléber. 

Porém, se tratando deste domingo, 1 a 0 sobre o Flu: pode botar na conta de Marcelo Grohe.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Enderson Moreira pensou corretamente, mas agiu errado

A avaliação estratégica do técnico gremista sobre a partida contra o San Lorenzo foi correta. O Grêmio precisava buscar um resultado adverso, precisava de presença no campo ofensivo, era necessário amassar o adversário e mesmo assim não descuidar lá atrás. Não haveria de ser uma tarefa fácil, embora tivesse o Grêmio uma Arena lotada a seu favor e, mais importante, um time mais qualificado que seu oponente. Mas o fato é que jogos eliminatórios são compostos por requisitos únicos, fatores emocionais, anímicos, técnicos e táticos que mudam da água pro vinho a cada minuto que se passa e o resultado não aparece. E o que vemos nos últimos 10 anos é um Grêmio com sérias dificuldades de superar cada uma dessas adversidades próprias da hora decisiva.

Enderson fez certo ao sacar Ramiro do time e escalar no equilibrado 4-2-3-1, com Edinho e Riveros protegendo a zaga e apostando na desenvoltura dos três meias Dudu, Zé Roberto e Luan para tramarem com Barcos as oportunidades que levariam o Grêmio ao sucesso. Mas o Grêmio teve problemas de posicionamento e conflito de característica. Falta ao excelente Luan vitalidade e verticalidade para ser o meia-atacante aberto pela direita. Tanto para atacar quanto para auxiliar Pará na marcação e saída de bola. O Grêmio sofreu muito por aquele lado. Luan rende mais como segundo atacante, próximo da área, sem se desprender muito do centravante.

Zé Roberto, centralizado, não tem a característica do armador, tampouco do ponta-de-lança que vai ingressar na área e aparecer como finalizador. O camisa 10 rende melhor quando cai por uma das beiradas do campo. A inversão de posição com Luan, sobretudo no primeiro tempo, quando a equipe poderia sofrer menos com afobação, traria um acréscimo importante na dinâmica de jogo do Tricolor.

Na média, o Grêmio não fez um jogo ruim. Seja como for, e em jogo eliminatório situações adversas somam-se à história da partida a cada instante, o time de Enderson Moreira buscou o gol, amassou o adversário quando pôde, desperdiçou chances. Mas novamente, como acontece há uma década, faltou o algo a mais.

Diego Vara / Agencia RBS
Nos melhores momentos da segunda etapa o Grêmio teve aquilo que não teve com a escalação inicial: boa ocupação de espaço e intensidade. A equipe ganhou nesses dois aspectos com as entradas de Rodriguinho e Maxi Rodrigues, jogadores que podem não ser mais qualificados tecnicamente que Zé e Luan, mas naquele momento atendiam à necessidade estratégica que o treinador precisava: velocidade, imposição física, insistência na jogada e pressão na saída de bola.

No 4-4-2, sempre mantendo dois homens preocupando o sistema defensivo gremista, o San Lorenzo demostrou suas fragilidades. Por pouco não vazou mais de uma vez. Contudo fez o jogo correto e teve chances de matar a partida no contra-ataque - o que acabou fazendo depois, nos pênaltis, com frieza. Tendo a capacidade de decidir que há muito não se vê em boas equipes montada pelo Grêmio.

E o detalhe é esse. Boa equipe do Grêmio, em processo de construção, com um treinador que tem lá seus equívocos, mas vai fazendo um trabalho razoavelmente bom. Que infelizmente ainda não se traduziu em título e acaba sendo subestimado devido à sapatada no Gre-Nal. A instituição Grêmio precisa mostrar força, convicção no trabalho e respaldo aos profissionais que se empenharam ao máximo para tentar passar de fase na Libertadores. Se o Presidente Koff decidir que precisa trocar de técnico pela terceira vez em menos de dois anos, fica evidente que o problema não é o comandante.

domingo, 27 de abril de 2014

Grêmio e Inter têm jornadas distintas no final de semana

Botafogo 2 x 2 Internacional
A equipe de Abel Braga fez um baita primeiro tempo, envolveu o combalido Botafogo e podia ter feito mais que dois gols. A vitória seria um passo inestimável rumo à liderança, principalmente por se tratar de um jogo fora de casa, contra um clube grande, e se constituindo na segunda vitória consecutiva. O Inter do primeiro tempo é promissor e deve ser perseguido por Abel a cada treinamento.

Mas a segunda etapa foi desastrosa. O colorado faliu tecnicamente. O apagado Alan Patrick saiu para a entrada de um desembocado Otavinho. D'Alessandro não conseguiu chamar o jogo pra si, teve má jornada o argentino e Dida falhou em pelo menos um dos gols do Botafogo. O time carioca teve modificações no segundo tempo, voltou mais veloz, sem Jorge Wagner e Aírton, e contou com a tarde inspirada de Emerson Sheike.

Não foi o resultado dos sonhos. A vitória parecia certa e o Inter deixou os três pontos escapar por entre as mãos. Contudo, na análise fria de projeção de tabela, um empate fora de casa frente ao Botafogo é, no mínimo, razoável.

Grêmio 2 x 1 Atlético-MG
Para o Grêmio, foi o resultado dos sonhos. Quem apostaria que os reservas do Tricolor Gaúcho, que vem de três derrotas consecutivas de seus titulares, venceriam o atual campeão da América? Os três pontos são fundamentais para que o Grêmio não fique tão atras assim na busca pelas primeira posições do BR-14. Outro fato importante é a retomada de confiança, mais por parte da torcida do que dos jogadores. Afinal poucos ali jogarão na quarta-feira contra o San Lorenzo.

A equipe de Enderson Moreira se portou bem e soube explorar o momento de instabilidade do Galo, que teve a estreia do novo técnico Levir Culpi e vive na Libertadores situação de desvantagem, assim como o Grêmio. Na pratica, a vitória tem efeito imediato apenas no Brasileirão. O jogo contra os argentino tem outra conotação, outra motivação e, o mais importante, outros jogadores.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Substituições mudaram a cara do Grêmio no segundo tempo

Em termos de tabela e projeção, o empate de 0 a 0, em casa, com o Newell's Old Boys, não é resultado ruim. O Grêmio segue como líder do grupo e com a classificação bem encaminhada. Contudo, a partida na noite desta quinta-feira, na Arena, deixa mais que um ponto para o time gaúcho. Deixa também a sensação - como nos jogos anteriores da Libertadores - que a equipe de Enderson Moreira está no caminho certo quanto a sua formatação, e goza de um grupo de jogadores com boas opções para mudar o panorama de um jogo.

Diego Vara / Agência RBS
O time argentino foi uma parada duríssima, jogando um primeiro tempo de muito respeito, privilegiando a posse de bola e conseguindo certa imposição diante de uma Arena lotada. No 4-3-3, com a bola passando por Banega, Max Rodrigues e Figueroa, faltou ao NOB verticalidade. Mesmo no bom primeiro tempo que fez, como no segundo tempo mais cauteloso, a equipe do técnico Alfedro Berti não exigiu do goleiro Marcelo Grohe a realização de nenhuma defesa com qualquer grau de dificuldade. Fruto, também, da boa postura da linha de quatro defensores do Grêmio mais o auxílio dos três volantes.

Mas o que chamou atenção foi a mudança gremista do primeiro do segundo tempo. De um time mais passivo, tentando especular contra-ataques, o Grêmio se tornou um time insinuante, que buscou o gol e fez do goleiro Guzmán o principal nome da partida. Do 4-3-2-1, com Zé Roberto e Luan especialmente atuando por dentro, caindo pouco pelos flancos, com Riveros e Ramiro pouco inspirados tecnicamente, o Tricolor passou para o 4-2-3-1. Detalhe é que os três bons meias que compuseram a linha atrás de Barcos saíram do banco de reservas: Dudu, Alan Ruiz e Maxi Rodrigues.

O Grêmio acaba, na média, fazendo um bom jogo de futebol, construindo várias oportunidades na segunda etapa para que pudesse liquidar o adversário. E sem dúvida é um diagnóstico importante constatar que parcela considerável da mudança de postura do Grêmio veio do banco. É sinal que o Grêmio tem grupo razoavelmente qualificado para seguir crescendo na competição. Ainda que o uruguaio Maxi Rodruiguez pareça abaixo daquilo que foi em 2013, o conjunto em si prevalece, e me parece melhor com relação ao ano passado. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Grêmio passou por teste difícil na Arena

Possivelmente seja o Nacional de Medellín o adversário mais forte do grupo 6 da Libertadores, o chamado grupo da morte. É realmente um bom time e ontem à noite, em Porto Alegre, impôs certas dificuldades ao Grêmio, diferente do que pode refletir um placar de 3 a 0. Placar merecido, evidentemente, mas através de um trabalho coletivo muito árduo, de afirmação importante para a equipe de Enderson Moreira.

Wendell definitivamente não sente o peso da camisa ou do jogo. O jovem lateral-esquerdo do Grêmio tem muita facilidade no apoio, com bom drible e velocidade, fez o cruzamento para o gol de Ramiro e na parte defensiva não compromete. Assim como Luan, como Ramiro, é uma jóia com potencial de crescimento que está funcionamento muito bem dentro do trabalho coletivo da equipe gremista.

Variando do 4-1-4-1 para o 4-3-3, o Grêmio tem segurança defensiva com os três volantes e insinuação ofensiva com um Zé Roberto dividindo ações com Luan, tendo a chegada de Wendell pela esquerda e contando com um capitão Barcos em fase bem mais inspirada, mesmo que ontem tenha perdido um gol incrível. O bom time colombiano teve seus melhores momentos após ter levado o primeiro gol, mas encontrou na equipe gaúcha um time capaz de se defender e anular as virtudes do adversário.


O Grêmio de Enderson Moreira vai sendo talhado por vitórias seguras e consistentes, fatores importantes na caminhada de um time em formação. O Ainda é precoce apontar o Tricolor como favorito ao título da Libertadores, mas já há amostras que a equipe tem capacidade de crescimento importante na competição continental e pode, quem sabe, surpreender.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Equilíbrio marca um clássico precoce na Arena

O jogo
O resultado de 1 a 1, de certa forma, traduz bem o que foi o Gre-Nal 399, o segundo disputado na Arena gremista. Embora, é verdade, o Inter tenha obtido uma sensível vitória técnica e tática sobre o Grêmio - não o suficiente para sair vencedor. São duas equipes em formação. Não com muitos, mas com alguns jogadores novos e isso faz diferença, com dois técnicos iniciando um trabalho e isso faz muita diferença.

RICARDO DUARTE / AGÊNCIA RBS

O clássico teve o retrato de muitos outros disputados nas últimas temporadas, principalmente aqueles embates precoces nas rodadas iniciais de um campeonato estadual cada vez mais desvalorizado, de estádios vazios e temperaturas desencorajadoras. Grêmio e Internacional se preocupam mais em não perder e por isso abdicam de algumas situações dentro do campo de jogo que poderiam deixar o Gre-Nal mais aberto, mais bonito, com um vencedor - sem necessariamente ser menos aguerrido, com cara de clássico.

O lance do pênalti: no campo talvez marcasse; com o recurso da imagem, não há dúvida que o zagueiro Paulão toca com o braço na bola, porém a intenção do jogador, como prevê a regra, é absolutamente discutível. Não seria crime nenhum não marcar, contudo, cabe sim a interpretação de Leandro Vuaden.

O Grêmio
Em tão pouco tempo de trabalho fica difícil apontar o que seria ou não seria a escalação ideal de qualquer uma das duas equipes. Porém, enxergo um equívoco na escalação e no modo de jogar do Grêmio. Enderson Moreira não pôde contar com Kléber e por opção deixou Maxi Rodrigues no banco. A equipe foi à campo no 4-2-3-1, mesmo tendo três volantes de origem no meio-campo. Riveros jogou centralizado na linha de meias, um pouco mais contido, Zé Roberto atuou pela direita e o jovem Luan fez o lado esquerdo no lugar de Kléber. Com a função de combate, Edinho e Ramiro.

A opção por Luan foi acertada. O meia inclusive fez bom jogo, mas sentiu as dificuldades de jogar em uma equipe pesada, que joga numa formatação que exige velocidade e intensidade, duas coisas que o Grêmio não tem há muito tempo. Enderson errou quando não sacrificou um dos seus volantes de origem (volto a frisar que Riveros atuou como meia boa parte do jogo) para escalar Maxi Rodrigues, ainda que esse jogador viva uma fase técnica discutível.

Embora não tenha feito um péssimo jogo, o Grêmio de Enderson Moreira corre o risco de sofrer na sequencia do seu processo de montagem, justamente pela falta de confiança que ainda inspira em seu torcedor e pela proximidade da estreia da Libertadores. Enderson precisa fazer o que Luxemburgo vez no início de 2012, quando reconheceu e identificou a característica do seu grupo e montou um time pragmático e que até a chegada de Zé Roberto e Elano o próprio treinador classificava como time pesado.

O Inter 
RICARDO DUARTE / AGÊNCIA RBS
Discordo da leitura que alguns colegas fazem ao analisar o colorado no 4-2-3-1. Enxergo o time de Abel Braga postado da mesma maneira em que era posicionado por Clemer: 4-1-4-1. A única diferença é que há mais mobilidade do meio pra frente. Willians joga posicionado à frente da zaga, adiante tem D'Alessandro pela direita, Aranguiz e Alex por dentro e Jorge Henrique pela esquerda. É um meio-campo técnico e experiente, que vem demostrando obediência tática para fechar os espaços sem a bola, mesmo que a amostragem até agora seja pouca.

O Inter está invicto no Gauchão, já venceu com a equipe titular, com a sub-23 e com o time misto. O grupo adquire assim um confiança fundamental para o processo de montagem da equipe. No Gre-Nal deste domingo, exceto os primeiros minutos, o Inter foi sempre mais racional, sempre mais consciente daquilo que tava acontecendo no jogo. Tanto na hora de atacar quanto na hora de defender.

Ainda é cedo para qualquer diagnóstico, mas é possível ser otimista com o Internacional. Ao que tudo indica, será um time técnico, que privilegia a posse de bola e a troca de posição de seus homens de meia-cancha.   

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A paciência de Marcelo Grohe

Grohe espera. Sempre esperou. É um profissional que tem em uma de suas qualidades inquestionáveis a paciência. O goleiro espera há mais de uma década a sua chance como titular indiscutível do Grêmio. Da base ao banco de reservas, da juventude à maturidade, do Olímpico à Arena. Em 2005 e 2006 foi reserva de Galatto. Em 2007, Saja foi o número um do Tricolor. De 2008 até um pedaço de 2012, assistiu a Victor defender a meta do Grêmio. Teve sua chance, é verdade. Jogou basicamente a totalidade daquele Brasileirão de 2012. E foi bem, muito bem. Contudo, foi surpreendido com a contratação de Dida, e assim Marcelo foi reserva mais um vez, em 2013.

Dentro de um contexto de contenção de gastos e valorização da base, o Grêmio resolveu finalmente confiar no paciente goleiro. O discurso externo do departamento de futebol foi incisivo: Marcelo Grohe é o titular a partir de agora. Será? A notícia vinda da imprensa inglesa dando conta de uma possível negociação com o goleiro da Seleção Julio Cesar e o time gaúcho. O arqueiro não descartou. O Grêmio e seus dirigentes negaram qualquer possibilidade. 

E aí?

O fato é que o Grêmio tem em casa um goleiro absolutamente pronto. Marcelo, com seus 27 anos de profissionalismo e paciência, merece o voto de confiança da alta cúpula gremista. Pois o apoio da torcida, não há dúvida, Grohe já conquistou há bastante tempo.

Não estou - e ninguém está - comparando os dois goleiros. Obvio que Julio Cesar tem uma história inquestionável e é sim mais goleiro que Grohe. Contudo, o arqueiro da Seleção é de outra turma, é o diferente da posição. Grohe é muito bom goleiro e talvez nunca chegue ao nível de Júlio, entretanto me parece claro que o atual camisa 1 do Grêmio é de excelente qualidade e o suficiente para defender as pretensões do clube. Seria de exagerado preciosismo gastar o tanto que se gastaria para ter Julio Cesar, manobra que não deixaria o Grêmio muito mais competitivo que já é com Marcelo. O custo benefício não seria interessante.


Ainda bem que Marcelo Grohe tem paciência, ainda que deixe claro que ela está se esgotando, e seja este ano o prazo que o próprio goleiro se deu para ser o titular gremista.

Prefiro acreditar na palavra e nas negativas da dirigência do Grêmio. Julio não vem. Grohe não vai. É a vez dele. E não é aposta. Marcelo Grohe é realidade, é do Grêmio. Sempre foi. Que siga sendo.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Grêmio B é inconstante

Após a primeira partida contra o São José, uma derrota de 1 a 0 em um gramado sintético cozinhando a 60 Graus Celsius, o plantel B do Grêmio voltou à campo esta noite e conquistou uma vitória apertada de 2 a 1 sobre o Lajeadense. Os primeiros pontos do Tricolor no Gauchão. Sem dúvida nenhuma pontos essenciais para um Grêmio que começa a usar seu plantel principal no domingo, mas sempre visando e priorizando a Libertadores, portanto deixando claro que equipe mista será uma constante no estadual.

Lucas Uebel / Grêmio FBPA
A equipe de Mabília era vista com desconfiança pela torcida gremista. Contudo, mesmo após a vitória nesta segunda rodada, a desconfiança persiste. A gurizada que entrou em campo se comportou melhor, é verdade, no bom e amplo gramado da Arena. A péssima imagem deixada contra o Zequinha enfraqueceu, mas ainda há o que provar ao torcedor e à comissão técnica principal.

O Grêmio B demostrou bons valores individuais. Dois deles certamente serão utilizados no time de cima. Primeiro o atacante Evérton, de 17 anos. Ele joga pela esquerda no 4-2-3-1 tricolor, porém foi quem apareceu como centroavante para finalizar a boa jogada do lateral Breno e abrir o placar contra o Lajeadense. O segundo veste a 10. Luan é um meia alto, magro, com velocidade, vitória pessoal e bom passe. Ele começou jogando pelo meio na linha de três meias e mostrou versatilidade ao terminar a partida atuando pela direita. Luan sofreu o pênalti que acabou dando a vitória ao Grêmio.

O lateral esquerdo Breno também tem qualidade e talvez surpreenda ao ser alçado para a equipe principal, afinal hoje o Grêmio conta apena com Wendell para a posição.

Contudo, no segundo tempo a equipe de jovens do Grêmio teve uma queda preocupante de rendimento. O time se mostrou inconstante animicamente, cedeu à pressão e sentiu bastante o gol de empate. Sem dúvida, apesar da vitória importante, a segunda etapa gremista demostra certa instabilidade no Grêmio de Mabília. Instabilidade que prejudica o conjunto, mas não ao ponto de apagar o razoável brilho de algumas jovens apostas. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Grêmio: nem tanto ao céu, nem tanto a terra

É difícil ser sensato em um momento de eliminação, como o do Grêmio. Ainda mais quando essa eliminação está inserida em um contexto de uma sequência ruim de resultados, como é o caso do Grêmio. Contudo, é necessário ser equilibrado Ao contrário do muito que li, assisti e ouvi, o trabalho realizado por Renato Portaluppi, tal qual seu grupo jogadores, não são ruins. Não eram à época da vice-liderança, cerca de dois meses atrás. Não passam a ser agora.

Da mesma forma, o trabalho e o grupo de jogadores não são intocáveis, como prega a cada entrevista coletiva o treinador gremista. Obviamente há acidentes de percurso na caminhada tricolor nesses últimos meses de comando de Renato. Acidentes que são resultado de equívocos das mais variadas vertentes. A maior parte deles oriundo das decisões do comando técnico.

A escalação de Zé Roberto é um equívoco  não porque não deu certo efetivamente, mas sim pelo fato de ser um jogador que não vinha sendo utilizado. Estava desentrosado, sem ritmo de jogo e fora do contexto de equipe que o Grêmio adquiriu ao logo do trabalho. Mais coerente seria Elano. Mais correto seria Vargas. Mais lógico seria Elano e Zé acionados com mais frequência nos últimos quatro meses, não como titulares necessariamente, mas como opções valiosas certamente.

Lucas Uebel / Grêmio FPA

O primeiro tempo do jogo contra o Atlético-PR, na Arena, foi ruim. O Grêmio foi medroso, atacou pensando em não levar gol quando deveria pensar muito mais em fazê-lo. O Furacão foi inteligente, se fechou e aproveitou da evidente dificuldade gremista em converter as escassas oportunidades que cria.

Na segunda etapa, a necessidade fez do Grêmio um time mais impetuoso, sem medo de passar a bola pra frente, evitando o passe de lado. A fase não ajuda. O Grêmio correu mais que o adversário, criou muito mais e, de novo, foi infeliz na conclusão. Mesmo apressado e eliminado, foi um segundo tempo de razoável apresentação. Se faltou a sorte na hora do gol, sobrou competência ao goleiro Weverton - na mesma medida em que o tricolor foi incompetente nas jogadas de bola parada.

Prefiro o Renato da convicção do 3-5-2 e do 4-3-3 ao Renato que cede à pressão por Zé Roberto. Todos nós preferíamos um Renato menos arrogante em todas as situações, mais claro e menos repetitivo em suas entrevistas. Também prefiro que o treinador continue seu bom trabalho por mais de quatro meses. Que siga com o Grêmio de G4 por mais de meio campeonato, com uma equipe que segue com boas chances de ser vice-campeã. Que tem seus problemas, mas que também já teve - e segue tendo - boas e surpreendentes soluções.

Não está tudo certo no Grêmio. Mas, no futebol, por algumas poucas coisas erradas se perde um campeonato. Em reta final de temporada, com o Grêmio ainda muito vivo no objetivo de conquistar o direito a disputar a Libertadores de 2014, tudo o que o tricolor não precisa é de um clima de crise ou terra arrasada. Da direção para a comissão técnica, precisa sobrar respaldo e convicção. O mesmo vale da comissão técnica para os jogadores.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A culpa não foi de Elano e Zé Roberto

Fernando Gomes / Agência RBS
O Grêmio perdeu nesta última quarta-feira para o fraco Criciúma, dentro da Arena. Curiosamente, no retorno de Elano e Zé Roberto ao time titular. Se antes, os dois passaram a ser descartáveis para o técnico Renato Portaluppi, agora, do dia pra noite, passam a ser também para crônica e torcida. Os dois principais jogadores do Grêmio em 2012. O Zé Roberto, de um primeiro semestre inclusive cotado para Seleção Brasileira. Os dois, após uma derrota, jogadores ultrapassados.

Ora, eles não tem culpa na derrota de ontem? Claro, a mesma culpa de Renato Portaluppi e dos outros nove jogadores em campo. 

No futebol, uma variável infinita de fatores determina se uma equipe vai ganhar, perder ou empatar. Pior que a dupla Elano e Zé, contra o Criciúma, foi o técnico Renato. Mais letal que o próprio Criciúma, foi o próprio acaso a que qualquer equipe está sujeita em uma partida de 90 minutos. A história do jogo seria outra se o camisa 10 do Grêmio encobre o Gallato - como fez, depois de lançamento preciso de Elano - e coloca mais meia fração de força na bola chutada. Mais tarde, ainda zero a zero, se o juiz tivesse marcado pênalti sobre o mesmo Zé Roberto que perdera um gol imperdível minutos antes. O Grêmio fez bom primeiro tempo. Não fez o gol, e deu o azar (e teve sim a incompetência) de levar gol do 18° colocado do BR-13. O que não invalida a bela companha que vem fazendo a equipe de Renato Portaluppi nesse campeonato.

O técnico gremista cometeu dois grandes erros. O primeiro deles foi não ser político. Não sendo Zé Roberto e Elano titulares, precisam eles serem boas opções de banco. Precisam ser utilizados, ganhar ritmo, sentirem-se úteis e se habituarem a maneira de jogar que levou o Grêmio à vice-liderança. Renato tinha que ser político, e não utilizá-los apenas quando não há outra alternativa. É complicado depender de quem você não está prestigiando.

O outro erro foi a mudança abrupta de postura. A equipe vinha atando no 3-5-2 ou no 4-3-3. Em ambos os esquemas a estratégia era exatamente a mesma: defender, marcar intensamente no campo do adversário e aproveitar as poucas oportunidade criadas. Contra o Criciúma, não tendo Riveros, Ramiro e Kléber, jogadores fundamentais na maneira de jogar do Grêmio vice-líder, Portaluppi colocou ao lado de Souza um volante marcador para proteger os então dois zagueiros e na frente escalou uma linha de três meias muito técnicos e pouco marcadores.

Por característica, o Grêmio de ontem precisava ser o mandante de fato do jogo, valorizar a posse da bola e abrir espaço com paciência e inteligência. Apesar do bom primeiro tempo, faltou intensidade, paciência e tranquilidade para fazer aquilo que desde janeiro Luxemburgo tentou fazer no Grêmio em 2013: ser um time técnico e cadenciado. O Grêmio de Renato não vem sendo assim, e ontem, quando fugiu disso, teve muitas dificuldades. Principalmente em um segundo tempo que precisava buscar o resultado. Não deu certo.

O BR-13 segue e o Grêmio segue, sem muito se abalar por uma derrota circunstancial. Muito pior seria ter perdido para o Botafogo, por exemplo, concorrente direto na tabela. O que é possível lamentar, talvez, é que jogadores da qualidade de Elano e Zé Roberto percam espaço por um erro de avaliação da comissão técnica e por conta de uma derrota em casa completamente pontual e isolada.

Não esqueçamos que o Grêmio ainda é vice-líder. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Grêmio não tem identidade

Não é difícil diagnosticar o problema do Grêmio em 2013. O Tricolor é um time que não tem identidade. E quando falo isso não me refiro a uma identidade histórica, de garra, raça, entrega e outras tantas coisas muitas vezes protestadas pela torcida gremista. O Grêmio de hoje não tem, sequer, uma identidade recente, fator fundamental para o insucesso da equipe.

O Grêmio oscilou muito. Teve poucos momentos bons, alguns momentos razoáveis e outros momentos ruins. Essa oscilação passa invariavelmente pela falta de um filosofia de futebol bem aplicada. Luxemburgo tentou, mas acabou frustrado com seu 4-4-2 com meio em quadrado e um centroavante que saia da área para articular o jogo. O técnico tentou, em meio ano não conseguiu que a equipe funcionasse de forma confiável e foi demitido.

Agora é a vez de Renato Portaluppi. O novo treinador, em sete jogos, passa por problemas similares. Renato monta a equipe, traça uma estratégia e o time não a executa da melhor maneira. E não executa porque as ideias de Portaluppi estão se mostrando equivocadas e de pouca convicção. Nas poucas partidas que teve, não repetiu o time e variou muito de esquema.


O seu preferido 4-3-1-2 é carente de um meia-articulador. Elano não é esse jogador e tampouco vem conseguindo "quebrar um galho". Mais atrás, quando Zé Roberto é colocado na ponta esquerda da trinca de volantes, como volante apoiador, o corredor para que ele consiga ser um jogador útil e agudo no ataque fica muito longo, sacrificando demais um jogador de quase 40 anos. Para o vértice direito do losango, o Grêmio não tem um outro jogador que possa atacar e defender com a eficiência que a função exige. Desse forma o 4-4-2 com meio em losango - apesar de ter sido utilizado nas duas vitórias do Renato - não tem se mostrado a melhor opção visto o grupo de jogadores.

Quando o 3-5-2, surpreendentemente, tinha surgido como boa opção no Gre-Nal, o técnico gremista resolve não dar sequência e mudar novamente contra o Coritiba, utilizando três volantes fundamentalmente marcadores - Adriano, Souza e Riveros.

O Grêmio levou um gol cedo, e obviamente teve imensas dificuldades de buscar o resultado contra uma equipe organizada e com uma estratégia bem traçada na partida. O time de Renato foi só abafa, em um momento em que precisaria de experiência e calma.

Não é absurdo dizer, analisando a tabela, que o Grêmio não chega ao G4 do BR-13. É preciso calma e tempo para arrumar a casa. Renato pode sim fazer isso, mas é necessário que perceba algumas situações e oxigene o time titular, sacando algumas caras tarimbadas e as tornando opção. 

É hora de pensar em um time modesto e competitivo para, ao menos, passar de fase na Copa do Brasil e reconquistar a torcida.    

domingo, 4 de agosto de 2013

Equilíbrio marca primeiro Gre-Nal da Arena

O lance mais definitivo do Gre-Nal 397, o primeiro da história da nova Arena gremista, foi construído aos 21 minutos do primeiro tempo, por Willians. O volante colorado disparou pelo flanco direito, venceu dois ou três marcadores e cruzou para Leandro Damião, de pé esquerdo, marcar seu sexto gol em clássico. Cerca de 5 minutos atrás o mesmo Willians derruba Kléber na área, cometendo assim o pênalti que oportuniza a Barcos converter e abrir o placar do jogo. Mas o gol de Damião foi mais decisivo para o jogo, justamente por ter representado uma rápida resposta a um Grêmio que até então era melhor em campo, porém não teve tempo para crescer a tomar conta do clássico a partir do gol marcado.


Caso o empate colorado não tivesse ocorrido de forma tão rápida, pelo cenário inicial de jogo, entendo que o Grêmio conseguiria administrar o resultado e, talvez, ampliá-lo. O surpreendente 3-5-2 de Rento Portaluppi deu certo. Alex Telles e Pará conseguiram segurar os laterais colorados, fazendo com que a saída de bola do adversário fosse prejudicada. Os dois alas gremistas chegaram à linha de fundo algumas vezes e inverteram bolas de um lado a outro, algo fundamental para abrir a defesa do Inter.

O Grêmio também contou com boas atuações individuais, contudo ainda peca no momento da articulação mais decisiva. Devido a forte marcação proposta por Renato, a maior parte do tempo no campo do Inter, o Tricolor roubou algumas bolas importantes, mas não soube dar prosseguimento.

Do lado colorado, Dunga não conseguiu avançar sua equipe e se desvencilhar do esquema gremista. O treinador tinha peças para isso, e tinha em seus 11 iniciais. Assim como Adriano marcava individualmente D'Alessandro, os três zagueiros gremistas tinham que receber marcação homem a homem dos três, em tese, atacantes colorados, terminando com a sobra feita por Rhodolfo e obrigando os alas Pará e Telles a recuarem para compor a linha defensiva. Por opção do treinador em deixar Forlán e Jorge Henrique mais recuados, e pela imposição física e tática do Grêmio, essa foi uma medida não utilizada pelo Inter. Acredito que era viável.

O time de Renato foi levemente melhor, mas é inegável o baixo nível técnico do Gre-Nal desse domingo e um equilíbrio que acabou prevalecendo. O resultado não é tão ruim para o Inter quanto é, em termos de tabela, para o Grêmio. A equipe colorada segue seu caminho no BR-13 sem muitas alterações, continua vislumbrando a liderança, ainda mais com os acréscimos de Alex o Scocco. Por outro lado o Grêmio, mesmo fazendo um bom jogo, continua desencontrado, sem passar confiança ou dar perspectiva do que realmente é seu papel no campeonato.

Após o jogo a tônica acabou sendo discurso da ambos os clubes contra a arbitragem de Fabrício Neves Corrêa. Algo que, sinceramente, é exagerado por parte de Grêmio e Internacional. Os mesmos equívocos, dentro de um jogo normal, não causariam tanto barulho.

terça-feira, 30 de julho de 2013

As derrotas de um Gre-Nal de torcida única

O Ministério Público acatou o pedido da Brigada Militar: o clássico 397 terá presente apenas a torcida do Grêmio. A BM avaliou que não teria condições de dar segurança ao torcedor colorado no deslocamento do Beira-Rio até a Arena. A decisão implica, necessariamente, em duas derrotas doloridas para todos nós.

A primeira, e mais urgente, é a desistência do poder público quanto a inibição do torcedor violento. A tabela do BR-13 é conhecida desde o início do ano, portanto sabe-se a data e o local do clássico há bons meses. Se nesse tempo todo a BM não achou maneira de viabilizar um Gre-Nal na Arena, qual é a perspectiva de que isso aconteça nos próximos anos? Temo que o próximo domingo marque o início de uma era triste: a dos clássicos de torcida única.

A Brigada Militar, dessa forma, admite publicamente que o torcedor violento está vencendo e, aos poucos, se tornando em um monstro incontrolável e absoluto dentro dos estádios de Inter e Grêmio. Essa sensação de impotência da BM e de eminente tensão nos campos de futebol, absolutamente em nada corresponde com a verdade. A violência dentro do estádio existe, mas infelizmente o terrorismo que se faz em torno de focos isolados - identificados e identificáveis - a torna um artificio para que o torcedor bom abandone os jogos.

Ao contrário do que parece, o torcedor ruim não tem força para enfrentar o poder público. Basta, contudo, que esse poder em questão faça-se presente. Não batendo, nem jogando spray de pimenta ou caindo em provocação barata, mas sim identificando, prendendo, cadastrado e inibindo a presença do malfeitor no estádio. Se por um lado é ousadia, e desacato à autoridade, chamar o policial pra briga e xingá-lo de tudo quanto é forma, do outro lado é completamente besta e antiprofissional corresponder da mesma forma. Me preocupa que o policial aja como um torcedor irracional e descontrolado. Ele precisa ser íntegro, calmo e assertivo, mesmo não deixando de ser rígido, por mais que isso pareça impossível, é o papel da policia, e precisa ser cumprido.

A segunda derrota é a nossa quanto sociedade civilizada. É inadmissível que tenhamos que ser escoltados por policiais militares para que não entremos em confronto corporal com torcedores de times rivais. Por um esporte. Por uma camiseta vermelha ou azul. Por um gol, um título a mais, uma taça a menos. Por bobagens simbólicas nos matamos, e só não o faremos porque estamos sendo vigiados, filmados ou policiados. É uma pena. 

Que o poder público não vire as costas e aposte em políticas severas de punição para que possamos todos ser mais civilizados.