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terça-feira, 29 de julho de 2014

Grêmio da falta de convicção e do pensamento mágico

O primeiro pensamento mágico da atual gestão do Grêmio é ela mesmo. Apostou-se que Fábio Koff voltaria à presidência do clube para reconquistar os títulos que há mais de década o tricolor não ganha. Apesar de uma razoável administração fora do campo, dentro dele foram prometidas metas que não passaram perto de serem cumpridas. A não ser que vença o improvável BR-14 ou a possível, porém complicada, Copa do Brasil. As fórmulas que deram certo nos anos 80 e 90 não funcionam mais em 2014. Por mais competente que seja - e Fábio Koff é -, é demasiado imaginar que uma pessoa seja capaz de descer ao vestiário, impor respeito a comissão técnica e jogadores, motivar, contratar, atuar politicamente nos bastidores e levar nas costas um clube de futebol à conquistas.

O segundo pensamento mágico foi a contratação de Renato Portaluppi ano passado, após a saída de Vanderlei Luxemburgo. O maior jogador da história do Grêmio voltava para reatar a parceria vitoriosa com o presidente em 83 e, principalmente, servir como atrativo para o torcedor comparecer em maior número na Arena.

Antes de fechar os dois anos da atual gestão, o Grêmio parte para mais um pensamento mágico na tentativa de voltar às suas maiores glórias. Depois da demissão de Enderson Moreira, Koff foi a São Paulo buscar Luiz Felipe Scolari. O treinador multi-campeão pelo tricolor gaúcho retorna depois de 18 anos e, assim como Portaluppi, tentará repetir a pareceria vitoriosa da metade dos anos 90.

Convicção
Ao final de 2014, a gestão Koff completará 24 meses no comando do Grêmio e quatro treinadores contratados. Na média, uma troca a cada seis meses. A partir desse ponto, é possível constatar alguns aspectos. Primeiro, e mais fundamental: não há convicção. No início de 2013 o departamento de futebol acertou a renovação com Luxemburgo a contragosto. Não era o nome preferido da diretoria. Na sequência, Renato Portaluppi foi segundo colocado no Brasileirão e descartado, sem receber uma merecida valorização por parte do clube. Então aparece Enderson Moreira, que é mantido mesmo após os fracassos no Gauchão e na Libertadores. Faz um Campeonato Brasileiro razoável e quando recebe peças de qualidade é dispensado na primeira derrota. E se vencesse, seguiria? Com que respaldo?

Aliás, os profissionais que vem atuar pelo Grêmio, sentem-se respaldados pela diretoria? Falo de jogadores, preparadores físicos, auxiliares, técnicos etc. Ninguém trabalha tranquilo sabendo que pode ser demitido a cada rodada ou execrado a cada gol perdido.

Felipão
O novo treinador gremista é um vencedor inquestionável, de carreira gloriosa, de muito mais acertos que erros. Ficou marcado pela última passagem na Seleção, após uma péssima Copa do Mundo. O que não significa que fará um péssimo trabalho no Grêmio, assim como seu passado também não é garantia de glória no presente. 

Com todo respeito que merece, pois não acho que seja ex-técnico, apesar de entender que seja sim defasado para assumir uma Seleção Brasileira, Scolari volta ao Grêmio para ganhar um salário astronômico e fazer pouco mais, talvez, do que Enderson. E ter menos tempo para trabalhar, e menos possibilidade de ganhar um título.

Acredito que não seja saudável para os cofres do Grêmio, tampouco para a imagem vencedora de dois ícones da história do clube como Koff e Felipão, que se arriscam agora a uma trajetória que tem tudo para ser mais uma razoavelmente boa, mas sem títulos - como tem sido os últimos anos do tricolor gaúcho.

Tomara que eu morda a língua.

domingo, 18 de maio de 2014

Bota essa na conta do Grohe

Em campeonato de pontos corridos, no final das contas, o importante é pontuar. Na Libertadores, por exemplo, contra o San Lorenzo, na Arena, o Grêmio fez melhor partida, fez o mesmo 1 a 0 e caiu fora do torneio. Hoje não. A equipe de Enderson Moreira foi inferior ao Fluminense em boa parte do jogo e mesmo assim construiu uma vitória importantíssima, que deixa o tricolor gaúcho dentro do G4, na terceira colocação, com 10 pontos somados.

O goleiro Marcelo Grohe fez pelo menos três defesas de grau elevadíssimo de dificuldade, em jogadas que o Fluminense inclusive poderia ter aberto o placar. A mais destacada delas, sem dúvida, a cabeçada de Fred ainda no primeiro tempo, em que o centroavante da Seleção Brasileira sobe sozinho na risca da pequena área e golpeia de cabeça, para baixo, fazendo a bola quicar antes de ir em direção ao gol de Marcelo. Coisa de milésimos de segundos, à queima roupa. Grohe se joga para o seu lado direito e tapeia a bola que entraria no canto superior. Foi ao melhor estilo Gordon Banks na Copa de 1970. Sem exagero.


O Fluminense, entretanto, é uma equipe forte, que volta a praticar bom futebol com a chegada de Cristovão Borges. O técnico tem à sua disposição, basicamente, o mesmo time campeão brasileiro em 2012, inclusive utilizando o mesmo esquema, o habitual 4-2-3-1. O time carioca veio para somar pontos e conseguiu ter a posse da bola a maior parte do tempo.

Do outro lado, o Grêmio ainda tem alguns problemas estruturais, mas segue sendo um time bastante competitivo. Com Edinho suspenso, Ramiro e Riveros fazem uma interessante dupla de volantes, contudo sentiram falta de uma maior entrega da linha de meias. No 4-2-3-1 de Enderson Moreira, ainda falta velocidade e intensidade no lado direito e um pouco mais de compreensão na hora de marcar. Os laterais do time carioca, Bruno e Carlinhos, tiveram demasiada liberdade.

Luciano Leon / Futura Press / Agência Estado
Mas o torcedor do Grêmio tem boas notícias, principalmente olhando para as próximas rodadas. Rodriguinho, autor do único gol do jogo, parece ser uma afirmação. O meia consegue imprimir certa velocidade, descolar boas assistências e ainda por cima se desprender o posicionamento inicial e entrar dentro da área. Esse é fator é fundamental para uma boa mecânica de jogo, as peças precisam se movimentar em harmonia. Além disse, Zé Roberto vem se mostrando boa alternativa para o segundo tempo, assim como Maxi Rodrigues, que parece estar retomando a confiança. Na mesma levada de otimismo, logo retorna o zagueiro Rhodolfo à titularidade e ao grupo o atacante Kléber. 

Porém, se tratando deste domingo, 1 a 0 sobre o Flu: pode botar na conta de Marcelo Grohe.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Enderson Moreira pensou corretamente, mas agiu errado

A avaliação estratégica do técnico gremista sobre a partida contra o San Lorenzo foi correta. O Grêmio precisava buscar um resultado adverso, precisava de presença no campo ofensivo, era necessário amassar o adversário e mesmo assim não descuidar lá atrás. Não haveria de ser uma tarefa fácil, embora tivesse o Grêmio uma Arena lotada a seu favor e, mais importante, um time mais qualificado que seu oponente. Mas o fato é que jogos eliminatórios são compostos por requisitos únicos, fatores emocionais, anímicos, técnicos e táticos que mudam da água pro vinho a cada minuto que se passa e o resultado não aparece. E o que vemos nos últimos 10 anos é um Grêmio com sérias dificuldades de superar cada uma dessas adversidades próprias da hora decisiva.

Enderson fez certo ao sacar Ramiro do time e escalar no equilibrado 4-2-3-1, com Edinho e Riveros protegendo a zaga e apostando na desenvoltura dos três meias Dudu, Zé Roberto e Luan para tramarem com Barcos as oportunidades que levariam o Grêmio ao sucesso. Mas o Grêmio teve problemas de posicionamento e conflito de característica. Falta ao excelente Luan vitalidade e verticalidade para ser o meia-atacante aberto pela direita. Tanto para atacar quanto para auxiliar Pará na marcação e saída de bola. O Grêmio sofreu muito por aquele lado. Luan rende mais como segundo atacante, próximo da área, sem se desprender muito do centravante.

Zé Roberto, centralizado, não tem a característica do armador, tampouco do ponta-de-lança que vai ingressar na área e aparecer como finalizador. O camisa 10 rende melhor quando cai por uma das beiradas do campo. A inversão de posição com Luan, sobretudo no primeiro tempo, quando a equipe poderia sofrer menos com afobação, traria um acréscimo importante na dinâmica de jogo do Tricolor.

Na média, o Grêmio não fez um jogo ruim. Seja como for, e em jogo eliminatório situações adversas somam-se à história da partida a cada instante, o time de Enderson Moreira buscou o gol, amassou o adversário quando pôde, desperdiçou chances. Mas novamente, como acontece há uma década, faltou o algo a mais.

Diego Vara / Agencia RBS
Nos melhores momentos da segunda etapa o Grêmio teve aquilo que não teve com a escalação inicial: boa ocupação de espaço e intensidade. A equipe ganhou nesses dois aspectos com as entradas de Rodriguinho e Maxi Rodrigues, jogadores que podem não ser mais qualificados tecnicamente que Zé e Luan, mas naquele momento atendiam à necessidade estratégica que o treinador precisava: velocidade, imposição física, insistência na jogada e pressão na saída de bola.

No 4-4-2, sempre mantendo dois homens preocupando o sistema defensivo gremista, o San Lorenzo demostrou suas fragilidades. Por pouco não vazou mais de uma vez. Contudo fez o jogo correto e teve chances de matar a partida no contra-ataque - o que acabou fazendo depois, nos pênaltis, com frieza. Tendo a capacidade de decidir que há muito não se vê em boas equipes montada pelo Grêmio.

E o detalhe é esse. Boa equipe do Grêmio, em processo de construção, com um treinador que tem lá seus equívocos, mas vai fazendo um trabalho razoavelmente bom. Que infelizmente ainda não se traduziu em título e acaba sendo subestimado devido à sapatada no Gre-Nal. A instituição Grêmio precisa mostrar força, convicção no trabalho e respaldo aos profissionais que se empenharam ao máximo para tentar passar de fase na Libertadores. Se o Presidente Koff decidir que precisa trocar de técnico pela terceira vez em menos de dois anos, fica evidente que o problema não é o comandante.

domingo, 20 de abril de 2014

Sistema ofensivo gremista falha na estreia do BR-14

É estranho afirmar que o Grêmio jogou bem contra o Atlético-PR. Não foi exatamente uma boa partida, mas a verdade é que a derrota no Gre-Nal multiplica o peso de qualquer resultado que não seja a vitória. É preciso analisar a estreia no BR-14 de forma isolada. O time de Enderson não foi pior que a equipe paranaense, foi um jogo equilibrado, com um domínio mais acentuado para a equipe gaúcha, porém quem aproveitou a chance que teve foi o zagueiro Dráuzio, destaque na finalização fundamental e também na boa marcação individual a Barcos.

O gol saiu de uma falha do sistema defensivo, um conjunto que envolveu a marcação falha de Geromel e a saída imprecisa do goleiro Busatto. Contudo, a defesa gremista - que teve apenas Pará de titular - se portou bem. Teve outras poucas falhas durante o jogo, nenhuma delas grave ao ponto de permitir ao CAP ampliar o placar. Diferente do sistema ofensivo que, com a bola no pé, desperdiçou três ou quatro chances claras e foi inoperante em arremates de média distância, bolas paradas e escanteios. O Grêmio teve volume de jogo, não perdeu a cabeça quando tomou o gol, conseguiu trancar os contra-ataques do adversário, contudo teve um aproveitamento ofensivo irrisório.

Charles Guerra / Agência RBS
O retorno de Zé Roberto é importante, porém esse jogador carece de ritmo de jogo. Dudu mais uma vez se destacou individualmente, mas não conseguiu transformar isso em efetividade. Barcos foi bem marcado. Os jogadores que entraram, Rodriguinho e Éverton, também não conseguiram contribuir em termos de criação e finalização. O Grêmio sente falta de Luan, é o jogador que vinha fazendo o importante papel de segundo atacante, flutuando atrás do centroavante e tendo a chegada de Dudu, na diagonal pelo lado esquerdo. Além, claro, da chegada de Wendell por aquele lado, jogador que foi poupado.

Enderson manteve o sistema tático, um 4-4-2 com duas linhas bem definidas. Zé Roberto jogou mais perto de Barcos. Contudo, com o decorrer do jogo, houve variações. O Grêmio passou pelo 4-2-3-1 e terminou o jogo num frustrado 4-3-3 que acabou sendo engolido pelo 4-5-1 do CAP.

Não consigo perceber abatimento anímico nessa equipe do Grêmio. Foram duas derrotas seguidas, porém jogos e motivos completamente distintos. Não é hora de desconfiar do bom trabalho que vem sendo feito. Libertadores é outra competição, e nela o Tricolor está bem e confiante. E precisa entrar em campo na próxima quarta-feira, contra o San Lorenzo, tendo respaldo e apoio da torcida e da direção, jogando como legítimo segundo melhor time da competição.

domingo, 13 de abril de 2014

O Tetra Campeonato de um soberano Internacional

Jeffesron Botega / Agência RBS
O quarto título gaúcho consecutivo do Internacional é, sem dúvida nenhuma, incontestável. No segundo jogo, no Centenário, em Caxias, 4 a 1 para o colorado. Na Arena, outra vitória: 2 a 1, de virada. O placar agregado escancara um constrangedor 6 a 2, que simboliza a superioridade do Inter no século XXI. O clube do Gigante da Beira-Rio tem uma série de méritos, ano a ano, e neste novo século cresce frente ao Grêmio, sabe jogar o clássico, sabe ganhar Gre-Nal, sabe decidir no momento em que é preciso. Na mesma proporção o Tricolor se apequena. Perdeu, desde o seu centenário, em 2003, a capacidade de decidir. Mesmo com equipes equivalentes, o anímico, na hora "H", pesa em favor do colorado.

Na análise fria do jogo e das equipes, o Inter de Abel não é superior ao Grêmio de Enderson ao ponto de construir placar tão elástico, seja no agregado 6 a 2 ou no resultado isolado de 4 a 1. É muita diferença, e essa diferença não é real, é circunstancial. Dentro destas circunstâncias o mérito colorado me parece muito mais importante e determinante que os deméritos do Grêmio. Na primeira etapa o Tricolor começou imprimindo o ritmo do jogo, tendo volume, a posse da bola, mas não intensidade, nem sequer a finalização com maior perigo ao gol de Dida.

Em contrapartida o Inter se defendeu na primeira etapa, mas se defendeu com serenidade, com grande destaque para Paulão e Willians. Tendo o contra-ataque à sua disposição, a equipe de Abel Braga chegou apenas uma vez, e nessa única oportunidade D'Alessandro abriu o placar. A partir daí o Grêmio ficou desestabilizado e só se achou novamente quando já estava 4 a 0 para o adversário, com Dudu fazendo bom jogo pela direita e Léo Gago entrando para tentar brecar as investidas coloradas.

No início do segundo tempo o fator anormal de três gols em pouco menos de 15 minutos determinou o que já parecia certo, o Tetra Campeonato do Inter. Ainda é cedo para perceber os reais efeitos que a constrangedora derrota terá sobre o bom elenco gremista. Contudo, para o Internacional é um início de temporada promissor, respaldado por um bela campanha no regional. Campanha coroada com a vitória incontestável sobre o Grêmio.

Do goleiro ao centroavante, não teve quem jogou mal no time Campeão Gaúcho de 2014, sempre comandado pelo espetacular D'Alessandro, jogador que parece ter nascido dentro das dependências do Beira-Rio. E se é discutível a importância do Gauchão, é absolutamente irrefutável a importância de vencer um Gre-Nal decisivo, ainda por cima goleando e reforçando a hegemonia colorada no século XXI.
Jefferson Botega / Agencia RBS

domingo, 30 de março de 2014

O 2º tempo que mudou a história do Gre-Nal 400

Bruno Alencastro / Agencia RBS
Abel Braga mudou o time e o jogo no intervalo. Até porque viu o Grêmio dominar a primeira etapa e vencer por 1 a 0. A equipe de Enderson Moreira começou como se esperava, da maneira que vinha atuando nos últimos jogos. No 4-4-2, com Ramiro e Edinho por dentro, Riveros aberto pela direita e Dudu na esquerda, na frente Luan e Barcos. Embora já tivéssemos duas chances de gol para cada lado aos 15 minutos de partida, o time da casa era melhor em campo, tinha a posse da bola e buscava mais as jogadas ofensivas. Não à toa abriu o placar com Barcos, em jogada pela intermediária direita após cruzamento de Pará.

O Inter começou a partida modificado, Abel não posicionou a equipe como ela vinha jogando. Ao invés do 4-1-4-1, o Colorado voltou para o 4-2-3-1. Willians e Aranguiz foram os dois volantes posicionados, atrás do centroavante Rafael Moura o Inter teve Jorge Henrique pela direita, D'Alessandro centralizado e Alex mais à esquerda. E foram justamente estes três meias o grande problema do técnico colorado - mal posicionados pelo próprio Abel.

Centralizado, D'Alessandro ficou submetido à marcação de Edinho e não fazia bom jogo. Na direita de ataque, Jorge Henrique tampouco conseguiu jogar nas costas de Wendell quanto conseguiu acompanhar o lateral gremista na marcação. Do outro lado, sem o cacoete de jogar pelo lado, Alex centralizava, encontrava a marcação de Ramiro e trancava a passagem do chileno Aranguiz. Passou pelos desajustados três meias colorados a vitória do Grêmio no primeiro tempo.

No intervalo, Abel Braga tirou o apagado Jorge Henrique e colocou Alan Patrick. Além da mudança de jogador, talvez o mais importante tenha sido a mudança tática. Alex foi para o centro, onde se sente melhor. D'Alessandro foi para a direita, bater de frente com Wendell e fugir da marcação pesada do camisa 5 gremista. Enderson foi obrigado se viu  inverter Riveros e Dudu, prejudicando a mecânica natural do jogo do Grêmio. E pra fechar as mudanças que determinaram a vitória do Inter, pela direita o colorado teve Alan Patrick, mais interessado, vivendo uma belíssima fase tecnicamente e brigando por uma vaga entre os 11 titulares.

Bruno Alencastro / Agência RBS

O Grêmio sentiu muito o primeiro gol de Rafale Moura e partir de então o Inter cresceu ainda mais. O jogadores sentiram que o jogo colorado encaixou. Da mesma forma, o Grêmio percebeu que o adversário estava melhor posicionado. Do banco, Enderson talvez tenha feito uma leitura errada da partida e trocou um meia de velocidade por um jogador cadenciador. No momento parecia muito mais razoável contar com os dois em campo e optar pela saída de um dos volantes - Ramiro, que fazia partida apagada.

Visto que há saldo qualificado e o próximo jogo tem mando do Internacional, a vantagem do colorado é significativa. Resultados muito prováveis de um Gre-Naal beneficiam o time de Abel: Grêmio 1 a 0, 0 a 0 ou qualquer outro resultado de empate. Sem dúvida, foi um passo inestimável, fora de casa, para que o Inter possa ser Tetra Campeão Gaúcho.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Polivalência gremista no empate em Rosário

O conceito de justiça no futebol é subjetivo. Mas o fato é que o Grêmio não jogou para perder na noite passada, na cidade de Rosário, na Argentina. O bom NOB poderia sim ter saído com a vitória, teve volume de jogo, teve uma torcida atuante ao seu lado, teve bola no poste e conseguiu abrir o placar no segundo tempo. Contudo, o Grêmio não jogou menos. Também teve momentos de iniciativa, marcou forte o jogo todo, mostrou melhor preparo físico e mais uma vez exigiu do goleiro Guzmán que fizesse uma excepcional apresentação.

Juan Mabromata / AFP
A equipe de Enderson Moreira fez boa partida, e mais uma vez na Libertadores passou por um teste dificílimo. Muito disso deve-se à capacidade dos jogadores de exercerem funções diferentes em campo e não perder qualidade na ausência de um jogador como Zé Roberto, por exemplo. Quem substituiria o camisa 10 tricolor: o cadenciador Alan Ruiz ou o velocista Dudu? O técnico gremista pensou bem o jogo, modificou a disposição tática da equipe e optou pelo camisa 7 Dudu.

Se antes o Grêmio vinha atuando num 4-1-4-1, que facilmente virava 4-3-3 com Zé Roberto e Luan se juntando à Barcos, na frente, ontem à noite Enderson foi mais cauteloso, mesmo que à primeira vista Dudu pareça um atacante. Não foi. Contra o NOB de Maxi Rodrigues e Figueroa abertos pelos lados, o time gaúcho jogou basicamente num ortodoxo 4-4-2, com duas linhas bem explicitas. No meio-campo, Riveros fechava o lado direito, à frente do Pará. Pela esquerda, Dudu protegia Wendell e ainda servia como escape para contra-ataques. Por dentro, a linha do meio campo tinha Edinho e Ramiro. No setor ofensivo, Luan jogou ao lado de Barcos e teve total liberdade de movimentação.

Além da capacidade de exercer funções diferentes dentro de campo, cumprir orientações táticas, o Grêmio teve a superação anímica. Não se abalou com o gol tomado e teve perna para correr até o último minuto de jogo, quando Barcos saiu da área para cruzar na cabeça de Rodholfo – outra importante troca de função.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Substituições mudaram a cara do Grêmio no segundo tempo

Em termos de tabela e projeção, o empate de 0 a 0, em casa, com o Newell's Old Boys, não é resultado ruim. O Grêmio segue como líder do grupo e com a classificação bem encaminhada. Contudo, a partida na noite desta quinta-feira, na Arena, deixa mais que um ponto para o time gaúcho. Deixa também a sensação - como nos jogos anteriores da Libertadores - que a equipe de Enderson Moreira está no caminho certo quanto a sua formatação, e goza de um grupo de jogadores com boas opções para mudar o panorama de um jogo.

Diego Vara / Agência RBS
O time argentino foi uma parada duríssima, jogando um primeiro tempo de muito respeito, privilegiando a posse de bola e conseguindo certa imposição diante de uma Arena lotada. No 4-3-3, com a bola passando por Banega, Max Rodrigues e Figueroa, faltou ao NOB verticalidade. Mesmo no bom primeiro tempo que fez, como no segundo tempo mais cauteloso, a equipe do técnico Alfedro Berti não exigiu do goleiro Marcelo Grohe a realização de nenhuma defesa com qualquer grau de dificuldade. Fruto, também, da boa postura da linha de quatro defensores do Grêmio mais o auxílio dos três volantes.

Mas o que chamou atenção foi a mudança gremista do primeiro do segundo tempo. De um time mais passivo, tentando especular contra-ataques, o Grêmio se tornou um time insinuante, que buscou o gol e fez do goleiro Guzmán o principal nome da partida. Do 4-3-2-1, com Zé Roberto e Luan especialmente atuando por dentro, caindo pouco pelos flancos, com Riveros e Ramiro pouco inspirados tecnicamente, o Tricolor passou para o 4-2-3-1. Detalhe é que os três bons meias que compuseram a linha atrás de Barcos saíram do banco de reservas: Dudu, Alan Ruiz e Maxi Rodrigues.

O Grêmio acaba, na média, fazendo um bom jogo de futebol, construindo várias oportunidades na segunda etapa para que pudesse liquidar o adversário. E sem dúvida é um diagnóstico importante constatar que parcela considerável da mudança de postura do Grêmio veio do banco. É sinal que o Grêmio tem grupo razoavelmente qualificado para seguir crescendo na competição. Ainda que o uruguaio Maxi Rodruiguez pareça abaixo daquilo que foi em 2013, o conjunto em si prevalece, e me parece melhor com relação ao ano passado. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Grêmio passou por teste difícil na Arena

Possivelmente seja o Nacional de Medellín o adversário mais forte do grupo 6 da Libertadores, o chamado grupo da morte. É realmente um bom time e ontem à noite, em Porto Alegre, impôs certas dificuldades ao Grêmio, diferente do que pode refletir um placar de 3 a 0. Placar merecido, evidentemente, mas através de um trabalho coletivo muito árduo, de afirmação importante para a equipe de Enderson Moreira.

Wendell definitivamente não sente o peso da camisa ou do jogo. O jovem lateral-esquerdo do Grêmio tem muita facilidade no apoio, com bom drible e velocidade, fez o cruzamento para o gol de Ramiro e na parte defensiva não compromete. Assim como Luan, como Ramiro, é uma jóia com potencial de crescimento que está funcionamento muito bem dentro do trabalho coletivo da equipe gremista.

Variando do 4-1-4-1 para o 4-3-3, o Grêmio tem segurança defensiva com os três volantes e insinuação ofensiva com um Zé Roberto dividindo ações com Luan, tendo a chegada de Wendell pela esquerda e contando com um capitão Barcos em fase bem mais inspirada, mesmo que ontem tenha perdido um gol incrível. O bom time colombiano teve seus melhores momentos após ter levado o primeiro gol, mas encontrou na equipe gaúcha um time capaz de se defender e anular as virtudes do adversário.


O Grêmio de Enderson Moreira vai sendo talhado por vitórias seguras e consistentes, fatores importantes na caminhada de um time em formação. O Ainda é precoce apontar o Tricolor como favorito ao título da Libertadores, mas já há amostras que a equipe tem capacidade de crescimento importante na competição continental e pode, quem sabe, surpreender.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O que mudou na dupla Gre-Nal de 2013 pra cá

Apesar da amostragem ser pequena e o nível de exigência do Gauchão ser dos mais baixos, é possível sim tirar algumas conclusões sobre Inter e Grêmio para 2014. Possivelmente uma ou outra análise pode soar precoce - e de fato é -, mas tanto Enderson quanto Abel estão apostando e trabalhando com uma filosofia de futebol que deve perdurar durante a temporada.

Grêmio tem mais opções ofensivas
Do time de Renato Portaluppi, vice-campeão brasileiro, para esse que inicia a temporada, houve duas perdas técnicas significativas: Souza e Vargas. Cada um por suas circunstâncias particulares. Porém, das poucas contratações que o Grêmio fez, nenhuma representa individualmente uma melhora significativa na qualidade do elenco. O fato é que o Grêmio ganhou em outras frentes, e um dos principais responsáveis por esse acréscimo é o estilo de jogo adotado pelo técnico Enderson Moreira.

Adriana Franciosi /Agência RBS
O Grêmio da temporada passada era pragmático, marcador, pouco vaidoso e nada virtuoso. Assim, conseguiu ser o segundo melhor time do Campeonato Brasileiro, com Kléber e Barcos comprometidos em marcar, e se desgastando por isso, pelo bem maior da equipe. Da mesma forma os volantes, invariavelmente três, sempre de muita entrega e transpiração.

O Tricolor desse ano achou alternativas e mudou a proposta de jogo. Luan veio da base e está dando conta do recado, Zé Roberto voltou à beirada do campo, sem a cobrança de ser o articulador central da equipe, Maxi Rodrigues é boa opção de banco, assim como Alan Ruiz. Jogadores mais agudos, Enderson ainda tem Kléber, Dudu e Éverton. Como titular, Barcos está correspondendo a uma mecânica de jogo que o aciona mais. O Grêmio de ontem, que venceu o Caxias por 3 a 2, a maior parte do tempo atuou numa espécie de 4-3-3, com Luan e Zé Roberto atuando pelos lados e conseguindo movimentação interessante na frente. 

O time de Enderson gosta de ter a bola no pé, diferente da equipe de Renato. Se terá resultado melhor, só o tempo dirá.

Inter tem transição no meio campo
No início da temporada o técnico Abel Braga perdeu três atacantes de alto nível: Forlán, Scocco e Leandro Damião. Mesmo com a contratação de Wellington Paulista, não podemos considerar que houve reposição à altura. Mas o fato é que o Inter tem o time de melhor rendimento do Gauchão 2014, sobrando em relação aos adversários e apresentando um futebol vistoso. Diferente do Grêmio, não há mudança significativa na postura e na proposta de jogo para essa temporada. Clemer e Dunga, assim como Abel, variavam do esquema 4-1-4-1 para o 4-2-3-1, sempre privilegiando a posse de bola e jogadores mais técnicos.

Porém, o atual treinador ganhou algumas soluções caseiras e um reforço estrangeiro importantíssimo. Primeiro os reforços caseiros: Alex, Alan Patrick, Fabrício e Rafael Moura voltaram a apresentam um futebol mais respeitável e hoje são peças fundamentais na campanha colorada. Principalmente o lateral-esquerdo, que praticamente não tem reserva, e o meia Alex, de condição física prejudicada na temporada passada.

No entanto, o nome fundamental é Charles Aranguiz, o volante chileno que consegue dividir ações com D'Alessandro na armação da equipe. Aranquiz chega para substituir Fred, o meia/volante que ano passado foi vendido e descompensou o até então arrumado time de Dunga. O chileno, assim como o brasileiro, tem vitalidade, desarme, bom passe e bom arremate. É o tipo de jogador que é chamado de "motorzinho do time", com a capacidade de fazer a transição da defesa para o setor ofensivo, jogando por dentro, na segunda linha de meio no 4-1-4-1 utilizado até agora por Abel Braga. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Dupla Gre-Nal volta a sobrar

Vieira / Agência RBS
Não faltou vontade e valentia aos adversários de Grêmio e Internacional nesse final de semana. Contudo, é cada vez mais complicado para as outras equipes do Gauchão fazer frente aos dois grandes da capital. Nesse domingo, o Esportivo foi completamente dominado no primeiro tempo pelo mistão armado por Enderson Moreira. O Tricolor abriu 3 a 0 e, com o relaxamento natural, até porque o adversário já tinha um jogador a menos, a equipe de Bento Gonçalves cresceu na partida, fazendo um segundo tempo surpreendente e descontando no placar.

O Grêmio, quando quis jogar, foi muito superior. No 4-2-3-1, um time leve, com dois volantes marcadores e de bons recursos técnicos: Ramiro e o capitão Riveros. Na frente, um Luan sempre insinuante pela esquerda, um Alan Ruiz de bons lampejos mas discreto pelo centro e um Maxi Rodrigues ainda devendo pela direita. O centroavante Everaldo aproveitou uma das únicas oportunidades que teve e acabou marcado. Ao que tudo indica, esse jogador passou à frente de de Lucas Coelho como reserva de Barcos.

Já em Porto Alegre, no sábado, o primeiro evento teste do reformado Estádio Beira-Rio. Sem entrar no mérito de ser ou não o jogo de reinauguração, é preciso exaltar o Gigante Para Sempre. A casa do Internacional ficou lindíssima. E lá, no novo "velho casarão", o Colorado segue mandando, mesmo que o Caxias tenha quase aberto o placar.

A equipe de Abel Braga segue jogando da mesma forma, no 4-1-4-1. Sem Alex, o técnico optou por Alan Patrick, jogador de poucas oportunidades na temporada passada mas que vai achando seu espaço entre as principais opções do novo comandante da equipe. O meia fez partida razoável.

O destaque ficou para Fabrício e Rafael Moura. Cada um autor de dois gols na vitória por 4 a 0. Abel deve estar feliz, pois está recuperando a confiança de dois jogadores que estavam em baixa e que hoje não têm opções confiáveis de substitutos no elenco colorado. Contudo, são suficientes para o restante da temporada? Mesmo que venham sobrando no Gauchão, é apensas o Gauchão.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Enderson acerta Grêmio na estréia da Libertadores

A vitória de ontem à noite, sobre o Nacional, no Parque Central, é significativa. Primeiro por se tratar de uma partida fora de casa, na estréia da competição mais importante da temporada; depois por se tratar de um adversário pesado, experiente que, se não tem uma equipe de excelente nível técnico, teve ao seu lado uma torcida atuante os 90 minutos e o comando de um treinador habilidoso. O time de Enderson Moreira demonstrou força, aplicação e um sentido coletivo que até então não se imaginava.

Lucas Uebel / Grêmio FPA
O técnico mudou sensivelmente do Gre-Nal para o jogo contra os uruguaios. Se no domingo Riveros jogou mais adiantado, praticamente entre Luan e Zé Roberto, desta vez o volante paraguaio foi posicionado à esquerda do trio de volantes, juntamente com Edinho, centralizado, e Ramiro mais à direita. Zé Roberto e Luan apareceram pelas beiradas do campo, caracterizando, em muitos momentos, um 4-3-3. 

O Grêmio dominou o jogo a maior parte do tempo, jogando com paciência, valorizando a posse de bola e marcando muito forte quando o Nacional buscava o ataque. O time gaúcho teve excelentes participações individuais, como Rhodolfo, Ramiro, Riveros e o lateral esquerdo Wendell. Contudo, o conjunto da equipe acabou se sobressaindo.

Na frente, Barcos foi acionado menos do que deveria, mas a jogada do gol demonstrou a importância de se ter uma mecânica de jogo. O centroavante estava fora da área, atraindo a marcação e, com a bola no pé, conseguiu achar o volante Ramiro se infiltrando pela ponta direita. O ex-jogador do Juventude cruza e acerta a cabeça do outro volante, o Riveros, que está ocupando o espaço que seria do atacante. Ocupação de espaço, intensidade e posse de bola: são os três fatores fundamentais para se ganhar um jogo de futebol. Ontem o Grêmio teve os três.

Foi uma atuação promissora. É preciso, claro, achar algumas alternativas para situações ainda recorrentes no andamento da mecânica do tricolor. Por exemplo, Edinho não pode receber tanto a bola quando o Grêmio está atacante, atrapalha a progressão da equipe. E na frente, é preciso ter mais verticalidade e buscar mais a joga de flanco. Luan e Zé Roberto, apesar da boa partida, ainda centralizam muito as jogadas.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Equilíbrio marca um clássico precoce na Arena

O jogo
O resultado de 1 a 1, de certa forma, traduz bem o que foi o Gre-Nal 399, o segundo disputado na Arena gremista. Embora, é verdade, o Inter tenha obtido uma sensível vitória técnica e tática sobre o Grêmio - não o suficiente para sair vencedor. São duas equipes em formação. Não com muitos, mas com alguns jogadores novos e isso faz diferença, com dois técnicos iniciando um trabalho e isso faz muita diferença.

RICARDO DUARTE / AGÊNCIA RBS

O clássico teve o retrato de muitos outros disputados nas últimas temporadas, principalmente aqueles embates precoces nas rodadas iniciais de um campeonato estadual cada vez mais desvalorizado, de estádios vazios e temperaturas desencorajadoras. Grêmio e Internacional se preocupam mais em não perder e por isso abdicam de algumas situações dentro do campo de jogo que poderiam deixar o Gre-Nal mais aberto, mais bonito, com um vencedor - sem necessariamente ser menos aguerrido, com cara de clássico.

O lance do pênalti: no campo talvez marcasse; com o recurso da imagem, não há dúvida que o zagueiro Paulão toca com o braço na bola, porém a intenção do jogador, como prevê a regra, é absolutamente discutível. Não seria crime nenhum não marcar, contudo, cabe sim a interpretação de Leandro Vuaden.

O Grêmio
Em tão pouco tempo de trabalho fica difícil apontar o que seria ou não seria a escalação ideal de qualquer uma das duas equipes. Porém, enxergo um equívoco na escalação e no modo de jogar do Grêmio. Enderson Moreira não pôde contar com Kléber e por opção deixou Maxi Rodrigues no banco. A equipe foi à campo no 4-2-3-1, mesmo tendo três volantes de origem no meio-campo. Riveros jogou centralizado na linha de meias, um pouco mais contido, Zé Roberto atuou pela direita e o jovem Luan fez o lado esquerdo no lugar de Kléber. Com a função de combate, Edinho e Ramiro.

A opção por Luan foi acertada. O meia inclusive fez bom jogo, mas sentiu as dificuldades de jogar em uma equipe pesada, que joga numa formatação que exige velocidade e intensidade, duas coisas que o Grêmio não tem há muito tempo. Enderson errou quando não sacrificou um dos seus volantes de origem (volto a frisar que Riveros atuou como meia boa parte do jogo) para escalar Maxi Rodrigues, ainda que esse jogador viva uma fase técnica discutível.

Embora não tenha feito um péssimo jogo, o Grêmio de Enderson Moreira corre o risco de sofrer na sequencia do seu processo de montagem, justamente pela falta de confiança que ainda inspira em seu torcedor e pela proximidade da estreia da Libertadores. Enderson precisa fazer o que Luxemburgo vez no início de 2012, quando reconheceu e identificou a característica do seu grupo e montou um time pragmático e que até a chegada de Zé Roberto e Elano o próprio treinador classificava como time pesado.

O Inter 
RICARDO DUARTE / AGÊNCIA RBS
Discordo da leitura que alguns colegas fazem ao analisar o colorado no 4-2-3-1. Enxergo o time de Abel Braga postado da mesma maneira em que era posicionado por Clemer: 4-1-4-1. A única diferença é que há mais mobilidade do meio pra frente. Willians joga posicionado à frente da zaga, adiante tem D'Alessandro pela direita, Aranguiz e Alex por dentro e Jorge Henrique pela esquerda. É um meio-campo técnico e experiente, que vem demostrando obediência tática para fechar os espaços sem a bola, mesmo que a amostragem até agora seja pouca.

O Inter está invicto no Gauchão, já venceu com a equipe titular, com a sub-23 e com o time misto. O grupo adquire assim um confiança fundamental para o processo de montagem da equipe. No Gre-Nal deste domingo, exceto os primeiros minutos, o Inter foi sempre mais racional, sempre mais consciente daquilo que tava acontecendo no jogo. Tanto na hora de atacar quanto na hora de defender.

Ainda é cedo para qualquer diagnóstico, mas é possível ser otimista com o Internacional. Ao que tudo indica, será um time técnico, que privilegia a posse de bola e a troca de posição de seus homens de meia-cancha.   

domingo, 25 de agosto de 2013

Inter ansioso segue sem vencer

Há seis jogos o Inter não vence no BR-13. É muito jogo, é muito empate. E como empate leva quase a lugar nenhum, segue na 8° colocação, com 23 pontos. O Inter vai, aos poucos, perdendo a condição de postulante ao título. Vai ficando pra trás, mesmo com um jogo a menos.

O problema mais grave na equipe do Internacional é o sistema defensivo. Não a dupla de zagueiros, Ronaldo Alves e Juan, e sim o sistema. É uma questão de posicionamento, imposição, conversa, atalho e proteção. O Inter não está sendo compacto, há pouco entendimento entre os setores do time, e muito por conta disso toma tantos gols.

Comandado por D'Alessandro, o Inter fez bom primeiro tempo. Poderia ter ampliado o placar antes de levar o gol de empate, aos 36 da primeira etapa. Soma-se a enorme carga emocional de não vencer há seis jogos no BR-13 a chuva e o campo pesado, o gol legítimo de Forlán que foi anulado e o pênalti sobre Damião no último minuto de jogo.

Dunga fez trocas interessantes na segunda etapa, mas o colorado não acertava uma sequência de passes. Além de prejudicar o andamento do seu jogo, cresce a moral do adversário. O Goiás fez a dele, com Walter em grande noite, se aproveitou do momento delicado do Inter e chegou a abrir 3 a 1. A sorte que o Inter não teve de fazer dois ou três no primeiro tempo, teve na reta final, ao buscar o 3 a 3.

Mas ainda é pouco para um time que pode mais e que já fez muito mais nesse ano. Ainda há tempo de pensar em título. Contudo, está cada vez mais distante.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Inter B eliminado

O Sport Club Internacional, representado pelo seu segundo plantel de jogadores, o Inter B, foi eliminado do primeiro turno do Gauchão, a Taça Pirtatini, na fase de quartas de final pelo Cruzeiro de Porto Alegre. A gurizada do B demonstrou fragilidade física no seguindo tempo e certa deficiência técnica. Se na primeira etapa o Inter se portou bem, foi amplamente dominado na etapa complementar e não passou do 1 a 1.
Nos pênaltis, um canhoto errou pelo Cruzeiro e dois canhotos erram pelo Inter, 4 a 2 e Cruzeirinho classificado para a semi-final. Espera o vencedor de Grêmio e Ypiranga.
É curioso o fato dos canhotos, pois não me passa segurança um pé esquerdo batendo penalidade. O mais curioso foi na última cobrança colorada, quem bateu foi o goleiro Agenor que, com seu pé canhoto, errou. Na cobrança seguinte, o goleiro Fábio bateu, com o pé direito, venceu o Agenor e classificou sua equipe.
No apagar dos refletores do Beira-Rio, o diretor de futebol do Inter, Roberto Siegmann abriu o bocão e pagou geral. Disse que reunirá a comissão técnica e discutirá uma nova alternativa e apurará o porquê do fracasso do Inter B. Mesmo assim, bancou a opção de estar certo ao poupar seus principais jogadores.