Mostrando postagens com marcador jornalismo B. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jornalismo B. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Você Viu? #51

Almbulantes: O esquema de loteamento político das ruas do Recife
Blog Acerto de Contas, 10 de dezembro

Indígenas:Cresce tensão na desocupação da terra indígena Marãiwatsédé; bispo é ameaçado
Jornal Sul21, 10 de dezembro

Direitos Humanos: Denúncias de violação de direitos humanos crescem 77% em 2012
Jornal Sul21, 10 de dezembro

Argentina: Argentinos exigem plena vigência da Ley de Medios 
Brasil de Fato, 10 de dezembro

Grêmio Arena: O futuro é agora
Carta na Manga, 9 de dezembro

Futebol: Corinthians terá mais R$ 30 milhões da Nike. Ou os rivais acordam ou será difícil competir
Blog do PVC, 9 de dezembro

Mídia Independente: A 50ª batalha
Jornalismo B, 8 de dezembro

Porto Alegre: Porto Alegre: equívocos e ruídos da reforma administrativa de Fortunati
RS Urgente, 7 de dezembro

Niemeyer: "A vida é um sopro" - o documentário
Documentário de 90 minutos sobre a vida do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer (Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1907 — Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2012).
Diário Gauche, 6 de dezembro

sábado, 20 de outubro de 2012

Jornalismo pra quem?

Texto de Bruna Andrade, publicado ontem, 19 de outubro, no blog Jornalismo B.

Avenida Brasil: quem matou…o jornalismo?

Qual a razão de ser do jornalismo: a realidade ou a ficção? É essa a iminente pergunta que se faz ao perceber o espaço dado por Globo e Zero Hora a especulações relacionadas ao desfecho da novela Avenida Brasil. É a ficção pautando e ganhando considerável destaque em espaços que se dizem jornalísticos.

O modelo da cobertura que está sendo feita para o final da novela não é nenhuma novidade na grande imprensa brasileira, é o velho showrnalismo: cobertura a nível de entretenimento, com a opinião de “especialistas”, a fim de chamar a atenção e formar a opinião pública através do circo midiático. Foi isso que fez o Fantástico do último domingo em um espaço de quase 10 minutos dedicados à discussão sobre quem matou o personagem Max, de Avenida Brasil, e que Zero Hora repetiu em uma matéria de duas páginas no jornal de quinta-feira. Há ainda que se destacar que nessa edição de ZH nenhuma outra matéria foi contemplada com duas páginas.

Mas qual seria o valor notícia, a relevância jornalística da morte de um personagem ficcional? Ocorre que a grande mídia já naturalizou a quebra da fronteira entre jornalismo e entretenimento, e agora vem se perdendo também na linha entre realidade e ficção. Porém, esse processo de inversões não vem acontecendo por acaso, ou pela simples perda de “qualidade” desses veículos, isso acontece dentro de um modelo de jornalismo que trabalha pela alienação e despolitização. Exemplo disso é a reportagem no jornal ZH desta sexta-feira (19) sobre a moradora de rua que comprou uma televisão em prestações somente para assistir a novela. A reportagem em momento algum questiona a dominação consumista exercida pela programação da TV, nem a inversão de valores que há na história, e não questiona pelo fato de que a matéria vem para endossar e naturalizar práticas como essa, que, assim como as empresas jornalísticas, funcionam dentro da lógica capitalista.

Outro ponto relevante nessa cobertura é o do veículo se autopautando, ou seja, transformando o próprio veículo em notícia. É o que acontece quando o Fantástico, da Rede Globo, dedica quase 10 minutos, em um espaço de concessão pública, para tratar do final da novela Avenida Brasil, da mesma Rede Globo, e quando a Zero Hora, do Grupo RBS, filiada à Globo, dedica quatro páginas em dois dias ao mesmo tema.

E tudo isso é, infelizmente, apenas um exemplo, entre tantos que diariamente se sucedem nos jornais, do tipo de jornalismo feito pela grande mídia: um jornalismo circense, pautado pelo mercado, e que vem para promover a conservação através da alienação.

*Atualizado às 21h41.

O Jornal Nacional de hoje veiculou uma reportagem de 1 minuto e 40 segundos sobre a expectativa dos “brasileiros” e a movimentação das pessoas voltando para casa para não perder o final da novela. A reportagem teve direito até a sobrevoo ao vivo pelo Rio de Janeiro e São Paulo para mostrar como as ruas estão vazias, segundo eles, em razão do derradeiro capítulo de Avenida Brasil.

sábado, 4 de agosto de 2012

Movimento estudantil apoia política da cotas na UFRGS

“Não venha da casa grande para dizer que nós não podemos”

Gabrielle de Paula, Jornalismo B

Mesmo depois de o Conselho Universitário da UFRGS ignorar a pauta da juventude negra - mantendo os 30% de cotas sem desvinculação, temos que ressaltar as manifestações que ocorreram durante toda a manhã desta sexta-feira.

A manhã do dia 3 de agosto ficou mais colorida na UFRGS. A manifestação do Movimento Estudantil pela manutenção das cotas, agregou pessoas de diversas raças, credos e classes sociais.

Luciano Victorino
Com seus tambores, o Levante Popular da Juventude uniu-se ao movimentos que ocuparam a Reitoria no dia anterior ( ANEL, Juntos!, Contestação, Vamos à Luta) e entoando seus cânticos contribuiu para uma atividade mais alegre.

Os conselheiros do Consun foram recebidos dentro do prédio da Reitoria por cotistas negros que carregavam no peito placas com o nome, curso e a palavra cotista. Os conselheiros favoráveis às cotas receberam flores artesanais feitas pelos estudantes. Em meio a figuras políticas da esquerda, do movimento negro e de sindicalistas, os manifestantes pediam pelo avanço da política de cotas com gritos de “Não venha da casa grande para dizer que nós não podemos” e “Educação é Revolução”! O ato teve seu ponto alto com a chegada de alunos secundaristas que aumentaram a voz e as cores da manifestação.

Na última quarta-feira, a Zh.com trouxe como manchete a evasão e o baixo desempenho dos cotistas, mas esqueceu de explicar aos seus leitores, os motivos que geram as dificuldades para o estudante pobre e negro se manter na universidade. A universidade ainda é feita para a elite e o estudante que necessita trabalhar é impedido pelos desregulados horários dos cursos de graduação, por exemplo. As políticas para a permanência do cotista dentro da faculdade fazem parte da pauta do Diretório Central dos Estudantes e dos movimentos sociais.

O Movimento Estudantil continua na luta por uma UFRGS mais pública e popular. Por hora, seu esforço garantiu a permanência das ações afirmativas na universidade. Mesmo não sendo o suficiente, alunos de escolas públicas e os autodeclarados negros continuarão dando um aspecto mais colorido nos cinzentos campis de um espaço dominado pela elite conservadora.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Você viu? #20

Pela vigésima vez o PoA Geral reúne um punhado de matérias boas e artigos interessantes produzidos nos últimos dias e que, por algum motivo, talvez você nem tenha ficado sabendo. Aí vai:

Madona: Madonna se apresentará pela primeira vez em Porto Alegre no dia 9 de dezembro
Blog Volume, 16 de abril

Direitos Autorais: Conteúdo jornalístico não autorizado poderá ser rastreado na internet por veículos no Brasil
Portal Imprensa, 16 de abril

Argentina:  Cristina reestatiza o petróleo argentino
Blog Tijolaço, 16 de abril

Mídia: Revista Veja parece japonês perdido no mato
Blog Escrevinhador, 16 de abril

Mídia: Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, responde à Veja
Jornal Sul21, 16 de abril

História: A diferenciação social no desastre do Titanic
Cão Uivador, 15 de abril

Mídia: Tarso Genro volta a criticar Grupo RBS – E o Conselho?
Jornalismo B, 13 de abril

Trabalho escravo: Barbaridade! Tinha escravo no pacote de chimarrão
Blog do Sakomoto, 12 de abril

Bagé pede desculpas ao Brasil: Manifestantes protestam durante homenagem a Médici
RS Urgente, 14 de abril

Ao mesmo tempo em que o lançamento do livro "Médici: A verdadeira história" - escrito pelos coronéis Claudio Heráclito Souto e Amadeu Deiro Gonzale, estava sendo lançado no Clube Comercial, em Bagé, um grupo de militantes gritava por justiça em memória dos torturados, desaparecidos e mortos pela ditadura militar e denunciava a 'Era Médici' como um dos governos mais sangrentos e nebulosos da história. A manifestação aconteceu em 11/04/12.
Produção: Maria Bonita Comunicação

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vida longa ao Jornalismo B

Teve desfecho positivo, no início dessa semana, a campanha de financiamento colaborativo do Jornalismo B Impresso, a versão não-virtual do blog. Prestes a completar dois anos de circulação quinzenal e gratuita em Poro Alegre, o jornal precisava caminhar a passos mais largos. Alexandre Haubrich, editor do blog e do jornal, achou no financiamento coletivo a possibilidade mais viável para ajudar o Jornalismo B Impresso se manter ativo.

A campanha durou cerca de 90 dias, foi realizada através do site especializado Catarse e o objetivo era alcançar 13 mil e quinhentos reais. Meta atingida com 101% de sucesso. Mesmo que tenha sido em cima do laço, nos últimos minutos. Pois o militante de internet ainda custa a fazer algo mais que escrever, compartilhar ou retuitar.

O blog tem mais de 6 mil seguidores no Twitter. Só por esse dado é permitido acreditar que com um pouco mais de boa vontade dos internautas, o objetivo seria alcançado com mais folga.

Agora, o que fica de importante é o exemplo do Jornalismo B, mostrando que é possível buscar mudanças reais. O PoA Geral parabeniza o Jornalismo B e todos os envolvidos na versão impressa, por sua independência na função de comunicar e por seu empenho na luta de uma comunicação mais democrática.

terça-feira, 27 de março de 2012

Você viu? #17

Mais uma semana e chagamos à décima sétima edição do Você Viu?, uma reunião de links que o PoA Geral considera pertinentes aos seus leitores. São notícias que podem passar desapercebidas durante a semana, mas que você tem uma segunda chance aqui.

Terras indígenas: “Proposta que redefine terras indígenas no Brasil é retrocesso histórico vergonhoso”
Instituto Humanitas Unisinos, 26 de março

Mídia e Futebol: Técnico do Fluminense desabafa e culpa Rede Globo por jogos em campos ruins
Portal Imprensa, 26 de março

Comunicação: Pela expansão da luta em defesa da mídia independente
Jornalismo B, 26 de março

Música: Review | Roger Waters no Beira Rio, em Porto Alegre
Revista NOIZE, 26 de março

MST: Liderança do MST é assassinada em Pernambuco
Vi o Mundo, 26 de março


Política: Há 90 anos, nascia o partido que aglutinou a esquerda e as lutas de trabalhadores no Brasil
Jornal Sul21, 25 de março

MST: Três sem terra são mortos em MG

Domingo, 25 de março, programa Domingo Espetacular na Rede Record, reportagem sobre Renato Rocha, ex-baixaista da Legião Urbana, que hoje vive como mendigo nas ruas do Rio de Janeiro:

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Participar é essencial

A comunicação e o jornalismo tem uma importância social muito maior do que se mensura. Quem comunica, quer dizer alguma coisa, e quer dizer por algum motivo. Parece tão óbvio, mas aplique essa regra simples à uma mega empresa de comunicação e os efeitos logo são percebidos na sociedade. Grandes empresas fazem negócio, andam conforme a maré das suas finanças e, não raro, ficam com o rabo preso a seus anunciantes.

A maior parcela do mercado da comunicação no Brasil é controlado por 11 famílias, com discurso e interesses similares. É de se presumir que o interesse do cidadão muitas vezes fique de lado no jornalismo dessas empresas. Portanto, vai para o espaço a principal função social dessas entidades.

Uma democracia saudável precisa de pluralidade. Uma comunicação mais democrática, que fuja aos interesses dessas 11 famílias, é essencial para que um dia alcancemos uma consciência política e social mais qualificada e crítica.

A mídia independente é uma alternativa viável. Está aí, cada vez crescendo mais na internet e, em alguns casos, ultrapassando a barreira do WWW. Foi o que aconteceu com o blog Jornalismo B, um espaço de crítica da mídia, de discussões, de fomento da capacidade critica do indivíduo. Em maio de 2010 o blog ganhou uma versão impressa, quinzenal, distribuída gratuitamente em Porto Alegre.

Sustentado pelos seus assinantes, que recebem o jornal em casa, em qualquer lugar do Brasil, o Jornalismo B necessita crescer, e foi no financiamento coletivo e voluntário que Alexandre Haubrich, editor do blog e do jornal, encontrou uma solução honesta e transparente.

Através do site Catarse é possível contribuir para que o Jornalismo B funcione a plenas condições em 2012. O prazo vai até março e o objetivo é alcançar R$13.500.

Jornalismo B Impresso from Alexandre Haubrich on Vimeo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Você viu? #5

Seleção de links da última semana. Todas as terças-feiras, aqui no PoA Geral.
Esporte na TV: o direito de ver - Blog do Miro, 21 de Novembro.

O músico Lobão sobre sua recusa em participar do festival Lollapalooza, 19 de Novembro.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Você viu? #4

Seleção de links da última semana. Todas as terças-feiras, aqui no PoA Geral.
Crianças são libertadas da escravidão no tomate em SP - Blog do Sakomoto, 11 de Novembro.

Maurício Saldanha anuncia que Cabine Celular "chega aos créditos", 14 de Novembro.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Você viu? #1

Compilação de links reunidos durante os últimos sete dias. A partir de hoje, todas as terças-feiras aqui no PoA Geral.
O mundinho particular de Veja - Jornalismo B, 21 de Setembro.
Barça de Messi beira a perfeição - Blog do Carlão, 24 de Setembro.
O pensamento escravocrata - Tijolaço - O blog do Brizola Neto, 24 de Setembro.
Não somos racistas? - Cão Uivador, 25 de Setembro.
Ciclistas fazem “farofada” no Mercado Público de Porto Alegre. Veja as fotos - Sul 21, 26 de Setembro.


Em 1987, Jô Soares critica fortemente as atitudes de bastidores da Rede Globo, uma crítica perfeitamente atual, mas que provavelmente não sairia mais da mesma boca.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Prática jornalistica: cara de pau.

Reproduzo a seguir texto de Alexandre Haubrich, publicado no blog Jornalismo B, dia 13 de setembro.


Grupo RBS se diz sob censura, mas protege funcionário censor

Acompanhem o raciocínio. Comecemos pela notícia:
Sexta-feira, 2 de setembro de 2011. Chamada na capa da Zero Hora anuncia: “CENSURA – Justiça proíbe menção a nome de vereador – Veículos da RBS não podem citar envolvido na Farra das Diárias”. Na página 12, a matéria explica: “A decisão atinge todas as mídias (do Grupo RBS) e pode resultar em multa diária de R$ 1 mil. (…) Em agosto do ano passado, o Grupo RBS e o Fantástico, da Rede Globo, apresentaram a série de reportagens de Giovani Grizotti. O material revelou como vereadores utilizavam diárias para viagens turísticas”.
No dia seguinte, nova chamada na capa: “Entidades repudiam censura à RBS”. Na matéria, cerca de meia página, uma série de entidades realmente “repudiando censura à RBS”. Em 7 de setembro, quarta-feira, não há chamada de capa, mas está lá uma nova matéria, novamente meia página: “Veto à imprensa – Justiça de Torres mantém censura a veículos da RBS – Mais duas entidades divulgaram nota lamentando decisão do tribunal”.
Finalmente na sexta-feira, 9, mais uma chamada na capa: “Censura à RBS chama atenção até no Exterior”. A matéria, nas páginas 4 e 5 (as “nobres” de Zero Hora) busca mostrar como o caso é absurdo, “insólito”. O título da matéria, em letras garrafais, é “O peso da censura”. O repórter é Humberto Trezzi. O argumento para classificar o caso como “insólito”: “A RBS adotou as medidas cabíveis em nome de um valor constitucional – a liberdade de expressão. Mesmo que o parlamentar não fosse rei, isso não invalida o direito à mídia de nominá-lo. A Constituição, em seus artigos 5º e 220, veda a censura prévia e confirma que é livre a manifestação do pensamento”.
Corta.
Sábado, 14 de março de 2009. Post do Jornalismo B: “o jornalista Wladymir Ungaretti, dono do blog Ponto de Vista, está sendo processado pelo repórter fotográfico da Zero Hora Ronaldo Bernardi. Os motivos do processo são os posts daquele blog que chamam Bernardi, sempre usando o apelido ‘Fotonaldo’, de cascateiro” (…) O processo claramente tem o único intuito de fazer calar. É, portanto, autoritário, centralizador de opinião, ditatorial”.
Os termos do processo são semelhantes ao do caso RBS x vereador de Torres. Algumas diferenças, porém, são marcantes: além de não poder citar o nome de Ronaldo Bernardi em seu blog (igualmente sujeito à multa), Ungaretti também teve que retirar do ar as menções ao funcionário da RBS. Além disso, é claro que uma empresa do tamanho do Grupo RBS não tem qualquer dificuldade em arcar com os custos do processo ou mesmo com possíveis multas. Ungaretti, como todo blogueiro processado – e são muitos, boa parte deles acossados por outras empresas de mídia –, vê seu trabalho estrangulado pela censura e pelo golpe financeiro. O Ponto de Vista segue sob censura, há mais de dois anos e meio. Os processos seguem tramitando.
Em nenhum momento, desde o início de 2009, o Grupo RBS divulgou o caso ou se preocupou em dissuadir seu funcionário de praticar censura contra um veículo de mídia – o blog Ponto de Vista. Ainda que saiba muito bem que “a Constituição, em seus artigos 5º e 220, veda a censura prévia e confirma que é livre a manifestação do pensamento”, a RBS não “adotou as medidas cabíveis em nome de um valor constitucional – a liberdade de expressão”. E as medidas cabíveis, nesse caso, eram – são – muito mais acessíveis ao Grupo. Só dependem da própria RBS.
A cara de pau é hoje uma das práticas jornalísticas mais comuns nas empresas de comunicação.
Siga www.twitter.com/jornalismob e www.twitter.com/alexhaubrich

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

DCE/UFRGS - Eleição 2010 - Resultado final

Chapa 3 vence legitimado por grande votação
Alexandre Haubrich*
Quase 20% dos estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul votaram, apesar de diversas tentativas de golpe por parte da situação, e legitimaram as eleições para o Diretório Central de Estudantes da UFRGS. Com dois mil e trezentos votos, a Chapa 3 – Oposição Unificada foi a grande vencedora. A situação, representada pela Chapa 1, ficou em segundo lugar, com 1300 votos, e a Chapa 2 teve 850 votos.
O último dia de votações não teve os problemas de agressão de segunda-feira, mas começou com nova tentativa de destruir o processo eleitoral democrático. Email recebido por esse repórter às 4h20min da madrugada, enviado pela lista da Comissão Eleitoral – ou seja, para todos os alunos – dizia que a eleição estava suspensa por decisão da Comissão Eleitoral.
O email afirmava que o motivo era a perda de controle da Comissão sobre o processo, por atitudes da Reitoria, da Secretaria de Assistência Estudantil e da Chapa 3, que teria agredido o presidente e o tesoureiro da Comissão Eleitoral, Adrio de Oliveira Dias e Cleber Machado. Vídeos das ocasiões não mostram essas agressões, mas Cleber Machado aparece rasgando atas de votação da Faculdade de Educação.
O email foi enviado também aos Diretores de Unidade onde estavam ocorrendo as votações, solicitando o fechamento das urnas. Adrio e Leonardo Pereira, que assinam o email, porém, não foram atendidos. Eles já não eram mais reconhecidos como integrantes da Comissão Eleitoral por ela própria, pelos estudantes e pelos Diretores, por terem se manifestado publicamente a favor de uma das chapas (1) ou contrariamente a outra (3). Kátia Azambuja assumiu, então, como presidente da Comissão Eleitoral, e deu prosseguimento normal ao processo.
Rodolfo Mohr, integrante da Chapa 3, comemora: “Foi a grande vitória da democracia, daqueles que ousam lutar pra mudar nossa universidade, nosso mundo. Foi uma vitória contra os filhos da pior direita do RS, que não têm apego às liberdades democráticas, à garantia mínima de respeitar o direito de seus colegas, do povo. Foi a mostra de que a UFRGS não tolera a turma da Yeda, não tolera esse tipo de prática, uma verdadeira vitória da esquerda, dos estudantes”.

*Jornalista, editor do blog Jornalismo B

terça-feira, 23 de novembro de 2010

DCE/UFRGS - Eleição 2010

Chapa da situação ameaça processo eleitoral com seguidas tentativas de impugnação e intimidação
Alexandre Haubrich*
Se a campanha presidencial de 2010 foi marcada pela baixaria e por polêmicas, a eleição para o Diretório Central dos Estudantes de uma das maiores universidades do sul do país vai no mesmo caminho. Depois de sofrer sucessivas denúncias de corrupção, ameaçar impugnar a candidatura da principal chapa de oposição, a Chapa 3 – UFRGS Pública e Popular, a gestão atual do DCE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul tenta agora impugnar o próprio pleito. As eleições começaram nesta segunda-feira, com votações nos dias 22, 23 e 24.
Circulou na imprensa local a informação de que, em uma reunião na noite da última sexta-feira, a Comissão Eleitoral teria aprovado a impugnação da Chapa 3, pois alguns de seus membros teriam agredido o presidente da Comissão, Adrio de Oliveria Dias, durante manifestação na manhã de sexta.
Adrio afirma que foi agredido por integrantes da Chapa 3 com socos e pontapés, tendo registrado, inclusive, Boletim de Ocorrência. Porém, os vídeos da manifestação mostram a saída do estudante com grande tensão, mas sem agressões. O estudante de jornalismo e integrante da Chapa 3, Rodolfo Mohr, um dos acusados de agredir Adrio, garante que o presidente da Comissão não foi agredido, apesar de ter passado hostilizando os manifestantes.
Mais tarde, confirmou-se que a impugnação na verdade não chegou a oficializar-se. Porém, a imprensa local já havia divulgado amplamente a “notícia”, contribuindo para causar confusão entre os estudantes aptos a votar.

Votação começa com confusões, agressões e novas ameaças
O primeiro dia de votação foi tenso. Qualquer pessoa estranha nos entornos das urnas causava expectativa. Mesmo assim, uma grande quantidade de estudantes já compareceu às urnas. Para votar, é preciso apenas o cartão da UFRGS e a senha correspondente.
Dois episódios, porém, tentaram macular o ambiente democrático buscado por três das chapas, a 2, a 3 e a 4. Ligados à Chapa 1, os ex integrantes da Comissão Eleitoral Adrio de Oliveria Dias, Claudia Thompson e Leonardo Pereira teriam ido ao Ministério Público tentar impugnar a eleição. Nenhuma notificação foi recebida por qualquer das chapas concorrentes.
Na urna em frente à Faculdade de Educação (FACED), outro problema. Segundo Nina Becker, estudante de Ciências Sociais e apoiadora da Chapa 3, uma integrante desta mesma chapa foi agredida com um soco por Cleber A. G. Machado, integrante da Comissão Eleitoral indicado pelo Diretório Acadêmico da Computação, ligado à situação. Além disso, ainda de acordo com Nina Becker, Cleber teria quebrado um vidro e rasgado as atas de votação, antes de sair do local preso pela segurança da UFRGS.

Formação da Comissão Eleitoral cercada de manobras
No dia 16 de setembro, os Centros Acadêmicos, responsáveis por garantir as eleições, formaram uma Comissão Eleitoral, que lançou um edital. Duas semanas depois, o DCE chamou nova reunião, na qual a proposta era retificar o calendário acertado no dia 16. Com a presença de 26 CA’s, o DCE se retirou da reunião, para, uma semana mais tarde, lançar um novo edital. Esse edital trazia novas regras, que subiriam os custos da campanha e dificultariam a inscrição de chapas maiores, como a 3. Por exemplo, a necessidade da presença de todos os integrantes das chapas no momento da inscrição e a obrigação de registrar todos os documentos de identidade dos apoiadores em cartório.
Mas o ponto mais polêmico defendido pela atual gestão do DCE era a votação pelo site da UFRGS, considerada insegura pela própria Reitoria da Universidade, por permitir que qualquer estudante votasse com a senha de outro. Além disso, o Estatuto do DCE prevê que o votante precisa apresentar um documento e assinar lista presencial. Caso a eleição ocorresse via internet, o temor é de que qualquer estudante vinculado a UFRGS poderia recorrer a Justiça e impugnar o pleito. Um acordo, por fim, uniu as duas comissões eleitorais e definiu a eleição por urna eletrônica, como na disputa pelo cargo de reitor.
A gestão do DCE, porém, mudou de ideia, e voltou a defender que o processo se realizasse via internet. A Reitoria da Universidade se demorava a liberar as listas de estudantes matriculados, impreterível para que a eleição fosse realizada, e uma manifestação foi convocada pela Chapa 3 para a última sexta-feira, na Secretaria de Atendimento Estudantil. O protesto reuniu cerca de 100 estudantes. Confirmada, enfim, a liberação das listas, Adrio, citado como um dos obstáculos para o processo eleitoral em um relatório que os estudantes pretendiam entregar, saiu pelo meio dos manifestantes.

Impugnação não foi comunicada oficialmente
Já no sábado, Rodolfo afirmava que a notícia da impugnação da candidatura poderia ser apenas um factóide, apenas mais uma manobra. A medida não foi comunicada oficialmente a Chapa 3, foi apenas vazada para a imprensa local. Para Rodolfo, seria mais uma forma de confundir os estudantes. “Mais uma” porque, no site da Comissão Eleitoral, os números das chapas 2 e 3 estão invertidos, segundo Rodolfo, deliberadamente.
Iur Priebe de Souza, um dos coordenadores da campanha da Chapa 2, critica as atitudes da Comissão Eleitoral e da atual gestão: “Estão querendo impugnar uma chapa por fatos que nem foram apurados. Isso é um abuso. Essa judicialização do processo é ruim para os estudantes. Precisam ganhar com programas e projetos, é isso o que tem que ser discutido”, afirma.

Gestão marcada por acusações de corrupção
No meio do ano, o advogado da atual gestão do DCE, Regis Coimbra, denunciou apropriação indébita de R$ 5 mil da entidade, pelo presidente Renan Pretto e o diretor de Relações Institucionais, Marcel van Haten. A investigação dos Centros e Diretórios Acadêmicos que se seguiu à denúncia apontou ainda outras irregularidades, como o favorecimento de amigos e familiares dos membros da gestão e remuneração desses mesmos membros, o que é vedado pelo Estatuto do DCE.
*Alexandre Haubrich é jornalista, editor do blog Jornalismo B