Mostrando postagens com marcador movimento negro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador movimento negro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Você viu? #120

Já é de praxe aqui no PoA Geral todas as terças-feiras essa curadoria de conteúdo, reunindo algo do mais interessante que foi pra rede nos últimos dias. Com a edição 120, começamos o ano. Aproveitem que tem muita coisa boa pra consumir nos links indicados.

POA: Fortunati poderá vetar projeto que cria feriado para Dia da Consciência Negra em Porto Alegre
Sul 21, 6 de janeiro

Futebol: Neymar a Messi após gol sofrido pelo Barça: 'Aquece'
ESPN, 6 de janeiro



Kátia Abreu: Ministra diz que “não existe mais latifúndio”. Adoraria viver no país dela
Blog do Sakamoto, 5 de janeiro

Ministra:  O Brasil tem latifúndios: 70 mil deles
Carta Capital, 6 de janeiro

Política: Análise preditiva para o cenário político nacional em 2015
Estratégia & Análise, 5 de janeiro

Segurança: O estranho caso das promoções e demissões do coronel que fazia propaganda nazista
DCM, 5 de janeiro

Coronel Fabio de Souza em entrevista para Luciano Huck
















Mídia: Como a Veja foi atacada por seus próprios leitores numa matéria sobre o nazismo na PM
DCM, 5 de janeiro

Cristo: 10 versões hereges para Jesus: liberdade de pensamento e a neo-inquisição virtual
Socialista Morena, 5 de janeiro

Chile: Após série de ofensas racistas, jogador de futebol venezuelano pede para sair de time
Opera Mundi, 1° de janeiro

Sant'Ana:  Zero Hora, dezembro de 2014: A promoção do racismo
Jornalismo B, 30 de dezembro/14

Insegurança: O Natal das mães que perderam seus filhos para o Estado
Ponte, 28 de dezembro

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O grito de liberdade que veio do Nordeste brasileiro

Por Fátima Teles*, para o Vermelho

Zumbi dos Palmares
Zumbi é a figura emblemática reverenciada no mês de novembro, mês da consciência negra no Brasil. Palmares era um quilombo pertencente ao estado de Pernambuco no século 17. Para lá iam milhares de negros, índios fugidos da escravidão dos engenhos e fazendas. O quilombo de Palmares, comunidade de quilombolas localizada na serra da barriga com uma área de 27 mil quilômetros quadrados, área equivalente a do atual estado de Alagoas.

Chegou a habitar Palmares mais de 20 mil habitantes, correspondendo assim a 20% da população total de Pernambuco à época. Foi o mais importante quilombo das Américas e de maior resistência à escravidão e ao domínio português.

Palmares era um estado dentro de outro estado, a colônia escravista 

Sua força de trabalho e de luta eram tão grandes que incomodou ao reinado a tal ponto, que entre algumas invasões, a de 1694 por Domingos Jorge Velho, culminou com a derrocada de Palmares Zumbi, líder dos quilombos conseguir fugir ,mas é encontrado um ano após viver escondido nas matas palmarinas, através de um delator que sob tortura, expôs o lugar onde estava Zumbi e em 20 de novembro de 1695 mataram-no, sendo levado para Porto Calvo, decapitado e exposto em Praça pública.

Palmares formara uma organização econômica, social e política própria, contribuindo assim cada vez mais para a emancipação e autonomia dos negros.

Não podemos esquecer a figura de Dandara, companheira de Zumbi, guerreira, astuta e exímia lutadora de capoeira. Ganga zumba, primeiro líder dos Palmares fez acordo de paz com os portugueses, em 1677, ela analisou que aquele acordo “representava um retrocesso nas conquistas Palmarinas. Ela acreditava que a troca de terras- segundo o acordo, os quilombos seriam realocados para o vale do cacaú, pois a serra da barriga havia sido prometida aos senhores de engenho- representaria a morte de Palmares e a volta à escravidão”.

Zumbi tornou-se líder depois da morte de Ganga zumba e foi a mais insurgente guerreiro da história da luta contra a escravidão.

No século 19, houve um abolicionista que veio ser considerado o mais importante abolicionista da história do Ceará, Francisco José do Nascimento, Chico da Matilde, filho de pescador e descendente de escravos, bloqueou o tráfico negreiro do Ceará, contribuindo para que o estado do Ceará decretasse a abolição da escravatura em 1884, quatro anos da abolição no Brasil. Por essa bravura ele passou a ser chamado de Dragão do mar.

Do período colonial até meados dos anos trinta do século 20, o tratamento dado aos negros no Brasil era desumano, sem reconhecê-los como sujeitos de direitos.

Com o fim da escravidão em 1888, século 19, os negros ficaram livres, mas presos em sua liberdade. Não tendo para onde ir, uma vez que seus “donos” os alforriaram, ficaram em dezenas pelas ruas do Rio de Janeiro buscando os casarões abandonados para serem suas moradas, enquanto outros iam pegar os latões que chegavam com mercadorias nos portos e utilizavam esses latões para construírem os seus barracos nos morros, dando inicio ao processo de favelização até hoje existente. Ainda havia os que perambulavam doentes e morriam a mercê de sua própria sorte, pois não tinham direito à saúde. 

A educação tem uma dívida histórica impagável com a etnia negra. Quantas gerações de Josés e Marias, negros e negras, não tiveram o direito à educação? Essa dívida está ligada aos quase quatrocentos anos de escravidão e exploração brasileira.

È imperiosa a luta pela qualidade na educação que contemple essa etnia e todo o povo brasileiro. Porém, nós sabemos que o país ainda permanece com uma grande concentração de renda nas mãos de poucas pessoas, sendo considerado um país com forte desigualdade social. Por isso, é necessária a lei de cotas, as ações afirmativas, a história da cultura africana e afro-brasileira nas escolas, para que através da educação, o negro tão estigmatizado, possa recuperar sua autoestima e não reproduza socialmente o preconceito e a discriminação contra si e com os outros. Para que a sociedade reconheça o negro, como sujeito de direito que é e o respeito dentro da sociedade como cidadão construtor da democracia no país. As cotas são ressarcimentos históricos diante da ausência de direitos.

Ainda somos um país racista, infelizmente.

Muitas foram as conquistas constitucionais, mas ainda há a discriminação com a etnia negra. Ainda quando numa conversa é mencionado o nome de uma pessoa negra, diz-se: ela é negra, mas é uma pessoa maravilhosa. Segundo Paulo Freire, essa é a maior prova de que ainda não houve superação do racismo, já que não pronuncia o nome da pessoa, esquecendo sua cidadania.

A educação é o meio para que a sociedade mude. Através do conhecimento, as pessoas irão alcançar o reconhecimento da luta e a exploração a que essa etnia foi submetida e acima de tudo se reconhecer como negro tendo orgulho da sua origem, contribuindo com a sua auto estima. 

Aquele acontecimento do final de janeiro de 2014 no Rio de Janeiro, onde um jovem negro de classe menos favorecida foi amarrado a um poste depois de um assalto é a prova não só do racismo, mas da lembrança viva da escravidão e uma reprodução da mesma, instaurando a barbárie na sociedade brasileira já ébria pelos desmandos do capital.

A questão do racismo e da discriminação é uma questão cultural e traz resquícios da escravidão e da suposta liberdade à margem da sociedade, das ruas. A imagem que ficou é a de que negro e pobre estão ligados pelas veias da marginalidade, negro pobre está ligado pelas veias da vida bandida, da criminalidade.

Dessa forma tanto a sociedade, e ai incluindo a Justiça, ainda atua de forma injusta, tendo no negro, um criminoso, ainda que esse não seja e nem pareça. A banda o Rappa diz isso "todo camburão tem um pouco de navio negreiro", ou seja, a polícia está sempre pronta para prender os negros como forma de lembrar e manter a memória do pelourinho, da escravidão.

Palmares vive na luta contra o racismo e as novas formas de escravidão impostas pelo capital, ainda nos dias atuais.

Zumbi, presente!
Dandara, presente!
Dragão do mar, presente!

Referências

http://www.canoabrasil.com/dragao-do-mar.html
http://www.geledes.org.br/importancia-da-lei-10-639-para-erradicacao-racismo/#axzz3JQYcMvAi
http://www.andreazevedodafonseca.com/
http://www.historiabrasileira.com/biografias/zumbi-dos-palmares/
wwwcarosamigos.com.br/revoltaspopulares
Coleção caros amigos. Revoltas populares no Brasil. Fascículo 4-Palmares

*Fátima Teles é assistente social.

Leia Também:



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Semana da Consciência Negra de PoA inicia nesta sexta


A 24ª Semana da Consciência Negra de Porto Alegre terá a sua abertura oficial nesta sexta-feira, 14, às 19h30 na Usina do Gasômetro, com a presença de lideranças da comunidade negra e autoridades do município. Na oportunidade serão inauguradas as exposições dos artistas plásticos Paulo Corrêa, com o tema 'Reflexo da Cultura Africana', e Marcos Porto, com a série de quadros 'Nzimbu'. A solenidade se encerra com a apresentação do coral afro Cecune.

As atividades da semana serão desenvolvidas no Largo Zumbi dos Palmares, e terão como tema a visibilidade para o povo negro com enfrentamento ao racismo e ao extermínio da juventude negra. Além disso, serão abordados saúde, educação, cultura e mulheres. As atividades iniciam diariamente às 16 horas encerrando às 22h com um show musical. Neste período serão desenvolvidas exposições, oficinas, rodas de conversa com a comunidade. Na quinta-feira, 20, Dia da Consciência Negra, acontece o encerramento com a marcha Zumbi dos Palmares.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A elite branca que sofre, David?

Em sua coluna, publicada no jornal Zero Hora de terça-feira, 14, o jornalista David Coimbra foi infeliz ao fazer uma leitura do cenário nacional e classificar a luta pela ampliação de direitos civis como um embate entre "Elite Branca versus Negros e Pobres". Segundo a interpretação do colunista, a chamada elite branca "sofre" no Brasil, ainda mais por ser taxada de forma pejorativa por pensadores. Ele ainda estabelece outras lutas entre "o bem e o mal", tais como Racistas x Negros discriminados, Homofóbicos x Homossexuais, Misóginos x Feministas, entre outras categorias.

Com todo respeito ao jornalista da RBS, e ao seu legítimo posicionamento, discordo veementemente do texto. Não desmerecendo sua carreira, tampouco sua experiência de vida. David, na referida crônica, lembra aos leitores: "Então eu, que sempre trabalhei, que trabalhei e muito, o dia todo, todos os dias, que ganho salário, que sou filho de professora e neto de sapateiro, que sempre estudei em colégio público e nunca ocupei cargo público, eu sou da Elite Branca". Por aí começo a entender o posicionamento de alguém que, presumo, anda à margem da real situação da população brasileira, sobretudo a polução de negros e pardos.

Vamos aos dados.

Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, publicada em janeiro deste ano, um trabalhador negro no Brasil ganha 57,4% do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. Em números, uma média salarial de R$ 1.374,79 para os trabalhadores negros contrastando com R$ 2.396,74 mensais para brancos. Na educação, outro estudo do IBGE, de 2012, aponta que 35,8% dos jovens negros ou pardos brasileiros estão no ensino superior. Esse número mais que triplicou desde 2001. Mesmo assim, o percentual ainda está muito aquém da proporção de 65,7% apresentada pelos jovens brancos. Será que é apenas demérito?

Em média, 100 a cada 100 mil jovens com idade entre 19 e 26 anos morreram de forma violenta no Brasil em 2012. É o que mostra o Mapa da Violência 2014, estudo que visa compreender o panorama da evolução da violência dirigida contra os jovens no período entre 1980 e 2012. O estudo mostra que morreram, proporcionalmente, 146,5% mais negros do que brancos no país, em 2012. É considerada morte violenta a resultante de homicídios, suicídios ou acidentes de transporte. Entre 2002 e 2012, por exemplo, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3% e o dos jovens negros aumentou 32,4%.

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências, em matéria da EBC, afirma que essa seletividade foi construída por diversos mecanismos, como o desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento à violência em áreas de maior população branca do que negra, bem como o acesso, por parte da "Elite Branca", à segurança privada.

Também chama atenção a lista dos 513 deputados federais eleitos no último dia 5 de outubro. Com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral, são autodeclarados brancos 79,9%, autodeclarados pardos 15,5%, os pretos representam 4,2% e apenas 0,4% são de origem indígena. No senado, 81,5% dos eleitos são brancos. Ao contrário do que entende David Coimbra, sua trôpega "Elite Branca" me parece ter bastante representatividade para lutar pelos direitos (que sempre tiveram).

O Relatório de Sustentatibilidade de 2012 da RBS, empresa de comunicação para qual trabalha o jornalista, revela o ambiente em que David está acostumado a passar boa parte do seu tempo, afinal ele diz que trabalha o tempo inteiro. Num universo que tem por volta de 6,5 mil funcionários, a empresa aponta ser 96% deles brancos, e apenas 4% negros. Na página 34, em um dos quadros informativos, uma nota faz questão de ressaltar: "100% dos cargos de diretoria são ocupados por brancos”.

Por essa variedade de dados, e mais outros referentes aos demais movimentos sociais - que preferi não citar para não estender ainda mais o texto -, é que discordo do referido colunista de ZH, ainda mais quando encerra sua explanação de forma irônica: 
- No Brasil, a Elite Branca sofre.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Nem tudo é piada

Notícia publicada ontem, no site do PSTU.

Danilo Gentilli manda tirar vídeo do PSTU do Youtube


Um vídeo que denunciava as piadas racistas do “comediante” Danilo Gentilli, postado no Youtube pelo Portal do PSTU, foi retirado do ar nesta quinta-feira.

Segundo a notificação do Youtube, o vídeo foi retirado devido a reivindicações de direitos autorais de Gentilli. “Recebemos reivindicações de direitos autorais sobre o material que você enviou, como segue: o de Danilo Gentili sobre o vídeo "Quantas bananas vc quer pra deixar essa história pra lá?", afirma o comunicado do Youtube.

Quantas bananas você quer?

O vídeo publicado pelo Portal do PSTU trazia uma entrevista com Thiago Ribeiro, jovem negro de 29 anos que, recentemente, denunciou Gentilli por suas piadas de explícito conteúdo racista. Cansado das piadas sem graça do “comediante”, Thiago Ribeiro postou no Youtube um vídeo com uma coletânea de piadas racistas de Gentili. O vídeo obteve 800 visualizações, inclusive uma visualização do próprio Gentili, que conseguiu tirar o vídeo do Youtube por meio da cláusula de uso de imagem.

Através do seu perfil no Twitter, Thiago interpelou Gentili sobre a proibição do vídeo. A resposta de Gentilli foi pra lá de desprezível: “vamos esquecer isso... Quantas bananas você quer pra deixar essa história pra lá?", escreveu o comediante em seu Twitter. Na sequência, muitos seguidores de Gentilli desataram ataques racistas contra Thiago. Todos eles, inclusive Gentilli, foram denunciados por crime de racismo ao Ministério Público de São Paulo e à Polícia Federal sobre o ocorrido. Também foi realizado um Boletim de Ocorrência na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

Gentilli se utilizou do mesmo expediente para retirar, do youtube, a entrevista de Thiago ao Portal do PSTU. Em três dias de exibição, a entrevista já tinha sido visualizada por mais 4.100 usuários.

Como se não bastasse, para defender suas piadas racistas, Gentilli se apóia no direito à “liberdade de expressão”. O que só pode ser uma piada de mau gosto do “comediante” que não tem o menor escrúpulo em censurar qualquer crítica a algo que mais do que uma simples piada: é crime, tipificado em lei. 

Se você ainda não viu o vídeo, assista aqui sua nova versão. Agora, com a censura imposta por Gentilli.

sábado, 4 de agosto de 2012

Movimento estudantil apoia política da cotas na UFRGS

“Não venha da casa grande para dizer que nós não podemos”

Gabrielle de Paula, Jornalismo B

Mesmo depois de o Conselho Universitário da UFRGS ignorar a pauta da juventude negra - mantendo os 30% de cotas sem desvinculação, temos que ressaltar as manifestações que ocorreram durante toda a manhã desta sexta-feira.

A manhã do dia 3 de agosto ficou mais colorida na UFRGS. A manifestação do Movimento Estudantil pela manutenção das cotas, agregou pessoas de diversas raças, credos e classes sociais.

Luciano Victorino
Com seus tambores, o Levante Popular da Juventude uniu-se ao movimentos que ocuparam a Reitoria no dia anterior ( ANEL, Juntos!, Contestação, Vamos à Luta) e entoando seus cânticos contribuiu para uma atividade mais alegre.

Os conselheiros do Consun foram recebidos dentro do prédio da Reitoria por cotistas negros que carregavam no peito placas com o nome, curso e a palavra cotista. Os conselheiros favoráveis às cotas receberam flores artesanais feitas pelos estudantes. Em meio a figuras políticas da esquerda, do movimento negro e de sindicalistas, os manifestantes pediam pelo avanço da política de cotas com gritos de “Não venha da casa grande para dizer que nós não podemos” e “Educação é Revolução”! O ato teve seu ponto alto com a chegada de alunos secundaristas que aumentaram a voz e as cores da manifestação.

Na última quarta-feira, a Zh.com trouxe como manchete a evasão e o baixo desempenho dos cotistas, mas esqueceu de explicar aos seus leitores, os motivos que geram as dificuldades para o estudante pobre e negro se manter na universidade. A universidade ainda é feita para a elite e o estudante que necessita trabalhar é impedido pelos desregulados horários dos cursos de graduação, por exemplo. As políticas para a permanência do cotista dentro da faculdade fazem parte da pauta do Diretório Central dos Estudantes e dos movimentos sociais.

O Movimento Estudantil continua na luta por uma UFRGS mais pública e popular. Por hora, seu esforço garantiu a permanência das ações afirmativas na universidade. Mesmo não sendo o suficiente, alunos de escolas públicas e os autodeclarados negros continuarão dando um aspecto mais colorido nos cinzentos campis de um espaço dominado pela elite conservadora.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Preguiça de questionar o mundo

No curso de jornalismo, cadeira Mídia e Cultura, o que se discute são as representações que a grande mídia faz dos vários rostos de uma sociedade plural como a brasileira e latino-americana. Se discute qual o poder de influência da mídia e qual, portanto, é a origem dessas representações culturais, qual a o significado daquilo que consumimos como entretenimento e informação.
Se discute. Ponto. Mas nem sempre se pensa
Noto uma preguiça de pensar diferente. Uma incapacidade de se indignar com aquilo que não é bom, não é certo, é preconceituoso, é malicioso. Me bate um desgosto de saber que esses são fundamentalmente alunos da comunicação social. E das duas uma: ou eles estão muito satisfeitos com o tipo de mercado que a comunicação e o jornalismo - principalmente - estão submetidos e querem, de verdade, ingressar nessa fábrica de entretenimento em massa; ou acontece ali uma preguiça intelectual que lhes impede, de fato, que percebam o tanto de conteúdo equivocado, de péssima intenção, que circula todos os dias nos grandes meios de comunicação.
É preciso entender que informação é poder. E mais poderoso que aquele que é bem informado, é aquele que tem a possibilidade de escolher o que é notícia. Por isso é fundamental o questionamento, a reflexão, um olhar crítico. Ainda mais dentro de uma faculdade, o espaço ideal para que se discuta quaisquer assunto de interesse social, empírica e cientificamente   
Como muitos acham, não é exagero nenhum da parte dos movimentos negros que reivindiquem um maior espaço de representação na mídia tradicional, ou que defendam as cotas para o ingresso no ensino superior. Não é exagero do movimento LGBT que exija o uso correto de termos como transsexual, homossexual e bissexual em reportagens ou em produções de ficção. Afinal de contas a informação correta e a presença corriqueira desses grupos significativos da sociedade ajuda a diminuir o preconceito que infelizmente ainda sofrem.
Comunicação democrática é aquela em que todos tenham as mesmas possibilidades de comunicar. Diferente desta selva sem lei que é o mercado da informação e do entretenimento. Selva que dá a muitos jornalistas o sentimento de estar acima da lei, e que faz que uma revista como a Veja seja a mais vendida do Brasil.