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sábado, 12 de janeiro de 2013

Embaixada venezuelana responde comentário megalomaníaco de Arnaldo Jabor

A seguir, comentário de Arnaldo Jabor, veiculado na noite de quinta-feira no Jornal Nacional, da rede Globo. Um texto cheio de números absurdos, noticiados de forma irresponsável, sem que nenhuma fonte seja citada. Na sequência, publico a integra da nota divulgada pela embaixada da Venezuela no Brasil em resposta ao comentário de Jabor.


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Além de desrespeitar os venezuelanos, povo irmão do Brasil, e de proferir acusações sem base nos fatos reais, o comentário de Arnaldo Jabor nesta quinta-feira, 10 de janeiro, no Jornal da Globo, demonstra total desconhecimento sobre a realidade de nosso país.

Existe hoje na Venezuela, graças à decisão de um povo que escolheu ser soberano, um sistema político democrático participativo com amplo respaldo popular, comprovado pela alta participação da população toda vez que é convocada a votar em candidatos a governantes ou a decidir sobre temas importantes para o país. Desde que Hugo Chávez chegou ao poder, o governo já se submeteu a 16 processos democráticos de consulta popular – entre referendos, eleições ou plebiscitos.

Não nos parece ignorante ou despolitizado um povo que opta por dar continuidade a um projeto político que diminuiu a pobreza extrema pela metade, erradicou o analfabetismo, democratizou o acesso aos meios de comunicação e que combina crescimento econômico com distribuição de renda. Esse povo consciente de seus direitos não se deixa manipular pelas mentiras veiculadas por um setor da mídia corporativa – essa que circula livremente também na Venezuela.

Considerando o alto grau de organização e conscientização da população venezuelana, não são nada menos do que absurdas as acusações feitas por Jabor da existência de um aparato repressor contra o livre pensamento. Na Venezuela, civis e militares caminham juntos no objetivo de garantir a defesa, a segurança e o desenvolvimento da nação. É importante lembrar que se trata do mesmo comentarista que em 11 de abril de 2002, quando a Venezuela sofreu um golpe de Estado que sequestrou seu presidente durante 48 horas, saudou e comemorou este ato antidemocrático, durante comentário feito na mesma emissora, a Rede Globo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

sábado, 8 de dezembro de 2012

Abaixo-assinado em apoio ao processo de democratização da comunicação na América Latina

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07/12/2012

7D - Manifesto de comunicadores do Rio Grande do Sul


1 – O presente manifesto tem por objetivo declarar o apoio ao processo de democratização da comunicação que a América Latina, e em específico a Argentina, vive nos últimos anos. Consideramos que a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, conhecida como Ley de Medios, promulgada no dia 10 de outubro de 2009, é, assim como leis similares na Bolívia, no Equador e na Venezuela, fundamental para que possamos construir, através da mídia, o respeito à diversidade, à democracia e ao direito à comunicação resguardado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.

2 – Consideramos importante pronunciar nossa posição favorável à lei – principalmente hoje, no dia 7 de Dezembro – o 7D – data simbólica e limite para adequação dos meios à nova norma – dada a superficialidade e o maniqueísmo das notícias que circulam na mídia hegemônica sobre o assunto. Os ataques dessa mídia, historicamente aliada às oligarquias nacionais e internacionais, têm por objetivo o controle da informação em defesa de seus interesses monopólicos no Brasil, em detrimento da verdadeira liberdade de expressão, informação e opinião.

3 – O direito à comunicação na Argentina é prejudicado pelo histórico monopólio do Grupo Clarín, da mesma forma com que no Brasil sofremos com a vocação monopolítica dos grandes conglomerados empresariais, cujas principais representações, atualmente, são a Rede Globo, no Brasil, e, no Rio Grande do Sul, o Grupo RBS.

4 – A Ley de Medios é formada por 166 artigos e foi construída em conjunto com diversos setores da sociedade argentina. Gostaríamos de destacar alguns pontos: a criação do Conselho Federal de Comunicação Audivisual; do Conselho Assessor da Comunicação Audiovisual e da Infância e da Defensoria do Público de Serviços de Comunicação Audiovisual; a garantia do direito de acesso universal a conteúdos informativos de interesse relevante e de acontecimentos esportivos; e o artigo 45, que limita a quantidade de concessões a cada empresa, atuando para horizontalizar e tornar mais plural e competitivo o espaço de mídia veiculado em concessões públicas – ou seja, de propriedade da sociedade e não de empresas privadas.

5 – A Ley de Medios argentina é bastante avançada, mas é muito semelhante ao que seria uma regulamentação do que determina a Constituição Brasileira. No Brasil, porém, a pauta não consegue avançar, por mais que seja discutida pelos setores organizados da sociedade. Como está sendo feito na Argentina, na Bolívia, na Venezuela e no Equador, precisamos de uma nova Lei de Mídia, de um novo marco regulatório para as comunicações, para que o direito à voz deixe de ser um privilégio submetido ao poder econômico. O Estado deve regular e criar as condições necessárias para a pluralidade de vozes que ecoam na mídia, barrando o domínio das onze famílias brasileiras proprietárias da maior parte das empresas de comunicação do país.

6 – Não queremos, com esse manifesto, endossar quaisquer outras políticas do governo Cristina Kirchner, mas defender, sim, a soberania argentina e uma lei que aponta para a real democratização das comunicações naquele país, com o ataque ao monopólio do Grupo Clarín e a distribuição equitativa do espectro de rádio e televisão entre espaços privados, públicos e estatais. As acusações que rotulam a nova norma como “censura” ou uma forma de calar os opositores são completamente irracionais e inaceitáveis.

7 – Entendemos que as especificidades brasileiras exigem também especificidades na lei que deveremos construir em nosso país, mas a Ley de Medios argentina, como as demais em processo de consolidação na América Latina, podem e devem servir como exemplo e como base para o que podemos e devemos construir aqui. O debate na construção dessa regulamentação deve ser popular, envolvendo todos os setores da sociedade e tendo como referência a Confecom, que, em 2009, tirou mais de 600 propostas para o setor, amplamente debatidas em etapas estaduais e jamais levadas a cabo pelo governo federal.

8 – A mudança no eixo do Estado é uma necessidade, e ela passa também pela democratização da comunicação, pelo empoderamento discursivo dos trabalhadores e dos movimentos sociais, pelo fim dos monopólios e pelo fortalecimento da mídia alternativa, comunitária e popular.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Você viu? #33

Nessa trigésima terceira edição do Você viu?, como sempre, trazemos à tona alguns pontos de vistas interessante sobre os assuntos em pauta. Como as Olimpíadas e a participação do ginasta brasileiro Diego Hypólito. Como a greve na universidades públicas, que pouquíssimo é abordado na grande mídia. Linkamos até sobre música, trazendo o projeto de financiamento voluntário do segundo disco da banda Apanhador Só.

Blogs: Marcos Coimbra: Serra caçando os “blogueiros sujos”
Vi o Mundo, 30 de julho

Greve: Servidores ocupam CPD da UFRGS por tempo indeterminado
Jornal Sul21, 30 de julho

Mensalão: Jornal ligado ao PSDB reconhece que não há provas do mensalão
Blog da Cidadania, 29 de julho

Olimpíadas: Diego Hypólito e a falácia do perdedor
Carta Capital, 29 de julho

América Latina: Brasília sedia cerimônia de entrada da Venezuela no Mercosul
Jornal Sul21, 29 de julho

Descriminalização: Conservadora e contraditória
Blog Somos Andando, 29 de julho

Greve 2: O decreto antigreve do governo Dilma
Blog do Miro, 27 de julho

Blogs 2: Debate sobre verbas estatais para blogs deve ser feito – mas não pela via da direita
Jornalismo B, 24 de julho

terça-feira, 10 de julho de 2012

Você viu? #30

No dia em que completo meus 23 anos de vida, chego à trigésima edição do Você Viu?. É uma satisfação dobrada. Espero que os links a seguir sejam uteis e contribuam de alguma forma. Sigamos!

Direitos Humanos: Longe de erradicar o trabalho infantil
Brasil de Fato, 9 de julho

América Latina: Lideranças chilenas alertam para projeto de lei que criminaliza protestos
Jornal Sul21, 9 de julho

Revolução de 32: Hoje é dia de celebrar a bravura da “locomotiva da nação”

Blog do Sakomoto, 9 de julho

Internet: Megaupload voltará melhor e blindado para ataques, diz Dotcom
Portal Vermelho, 9 de julho

Mídia: Os jornalistas, esses semideuses
Blog Somos Andando, 6 de julho

América Latina 2: Ex-ditadores argentinos são condenados por roubo de bebês
Caros Amigos, 6 de julho

Eleição POA 2012: Primeiro debate expõe diferenças e semelhanças das candidaturas em POA

Jornal Sul21, 6 de julho

Além das 4 linhas: O campeão dos campeões
Estratégia e Análise, 5 de julho

Entrevista: Cesare Battisti: “A mídia jogou um papel sujo, imundo”
Jornalismo B, 5 de julho

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Coligações bizarras e o outro lado da moeda

Há cerca de duas semanas um aperto de mão caiu como uma bomba no meio político brasileiro. Em São Paulo, Lula cumprimentava Maluf, na casa do ex-prefeito, e saudava a coligação entre PT e PP para apoiar a candidatura de Haddad à prefeitura paulista. A repercussão é proporcional à aberração política do fato. Para os admiradores do Lula e de seus ótimos oito anos de governo, a imagem choca e causa uma certa decepção. Falo por mim.

Ao encontro da famigerada coligação, outra bomba política caiu sobre a América Latina recentemente. No Paraguai, o então presidente eleito Fernando Lugo sofreu um processo de impedimento e num prazo de dois dias foi deposto do cargo. Dois dias para que se apure provas de acusação e defesa e ainda se julgue um presidente legitimamente eleito é, no mínimo, um prazo inconcebível para um sistema que se diz democrático.


À vistas grossas uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas há sim uma relação de similaridade. E esta similaridade fica evidente depois do artigo do governador do RS publicado blog RS Urgente no último dia 24 de junho. A certa altura de seu texto, Tarso relata:

[...] Aqui, eles não tiveram sucesso porque – a despeito das recomendações dos que sempre quiseram ver Lula isolado, para derrubá-lo ou destruí-lo politicamente – o nosso ex-Presidente soube fazer acordos com lideranças dos partidos fora do eixo da esquerda, para não ser colocado nas cordas. Seu isolamento, combinado com o uso político do "mensalão", certamente terminaria em seu impedimento. Acresce-se que aqui no Brasil – sei isso por ciência própria pois me foi contado pelo próprio José Alencar - o nosso Vice presidente falecido foi procurado pelos golpistas “por dentro da lei” e lhes rejeitou duramente. [...] 


O duro fato é que, sem algumas das concessões mais criticadas pelas militâncias de partidos de esquerda, seria improvável que partidos com projetos de desenvolvimento social e econômico de cunho popular chegassem à presidência e promovessem as mudanças de promoveram no Brasil. O PT e o Lula, junto ao Haddad, agora buscam uma maneira de derrotar o PSDB em São Paulo. E apesar de ser um político à moda antiga, da pior espécie, do jargão "rouba mas faz", Maluf ainda conta com um público votante que Lula sabe que pode fazer a diferença. É digno? É, no mínimo, julgável.

Lugo estava isolado no Paraguai, não procurou a tão falada governabilidade. Foi tirado do poder na primeira oportunidade que a oposição direitista viu brilhar.

Se não concordamos com Lula, ao menos podemo compreende-lo e, até, não surpreender-se tanto. Pois o ex-presidente sempre foi um grande negociado, conciliador. Um político nato, fruto da militância sindical, das grandes greves e dos grandes acordos entre classe proletária e patrão.


Outro exemplo poderemos ter bem debaixo do nosso nariz, a partir de 2013, caso Manuela seja eleita prefeita da capital gaúcha pelo PCdoB, com o apoio do PSD de Kassab e a simpatia de Ana Amélia Lemos, do PP.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Você viu? #21

Jornalismo B, 23 de abril

Jornal Sul21, 23 de abril

Jornal Sul21, 23 de abril

Fala de Débora Duprat, vice-procuradora geral da república, durante o seminário "A Hidrelétrica de Belo Monte e a Questão Indígena".  Ocorrido em 07 de fevereiro de 2011 na Universidade de Brasília.

Correio do Povo, 23 de abril

Brasil de Fato, 23 de abril

RS Urgente, 21 de abril

Estratégia e Análise, 18 de abril

Pública, 18 de abril

terça-feira, 3 de abril de 2012

Você viu? #18

Vamos mais uma vez, como todas as terças-feiras no PoA Geral, reuni aqui uma série de links com notícias importantes que, provavelmente, não foram manchetes de jornal. Vale conferir uma ou outra. Se der tempo, leia e assista tudo.

Futebol e Violência: A violência das torcidas de Goiás. Vergonha da Justiça brasileira
Blog do PVC, 02 de abril

MST: Sem-terra é morto em Pernambuco após 10 dias do assassinato de líder do MST
Jornal Sul21, 02 de abril

Mídia“O caso de Veja”, de Luis Nassif: Google tira do ar
Vi o Mundo, 02 de abril

Mídia e Corrupção: Policarpo-Cachoeira: uma dupla para limpar o Brasil
Tijolaço, 02 de abril

Opere Mundi, 02 de abril

Mídia e golpe militar: Zero Hora, o golpe de 64 e a ditadura
RS URGENTE, 1° de abril

Blog do Sakomoto, 31 de março

Mídia e Corrupção: Demóstenes, ora Veja
Jorge Furtado, 31 de março

Violência contra a mulher: Brincadeiras perigosas com humanas
Escreva, Lola escreva, 30 de março


Dia 29 de março, no RJ, militares comemoram golpe de 64, e manifestantes protestam

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O inexplicável muro

O texto que reproduzo a seguir é do músico e jornalista gaúcho Arthur de Faria, originalmente publicado no portal Álbum Itaú Cultural.

Pra mim é quase uma neurose obsessiva a grande pergunta que faço, todos os dias, antes de escovar os dentes. Todas as noites, antes de tentar apagar vendo a vida das marmotas do Báltico no National Geographic. A pergunta que faço pra amigos paulistas, pernambucanos, mineiros… A pergunta que me fazem amigos uruguaios e argentinos. A pergunta que me faço com meus amigos gaúchos: “Cadê o furo?”.
Onde é que tá o buraco que impede que, um dia, se derrube o inexplicável muro de via única erguido entre o Brasil e a América Hispânica?
Via única porque a recíproca não é, nunca foi, e provavelmente jamais será, verdadeira. Argentinos e uruguaios – e provavelmente chilenos e paraguaios, mas não poderia afirmar – têm uma imensa curiosidade pela cultura e um grande carinho por seus irmãos latinos de fala portuguesa. E, baseados em sua própria fé, não cansam de manifestar o pasmo pela falta de reciprocidade. Pela ignorância brasileira com relação ao que, para eles, é até politicamente muito claro: somos uma coisa só. Uma única América. E uma verdade óbvia e ululante. Ao menos para uruguaios e argentinos. Mas – e isso é tristemente real – uma questão ignorada e/ou raramente formulada por quase todos os Brasis.
Quase porque, ainda que de forma distante do que seria o ideal (ou o lógico), o Rio Grande do Sul, tão sectário em algumas questões, já evoluiu um tanto nessa. Somos, inequivocamente, mais platinos, mais sureños que a média dos brasileiros. Afinal, tem até a velha piada – glosada por gaúchos e brasileiros de outros estados, com enfoques diferentes – de que somos argentinos que falam português. Ou quase português.
Última fronteira viva do Brasil, enquanto a corte bailava e os ciclos econômicos se sucediam, os gaúchos atrasam o desenvolvimento de suas cidades porque não paravam de ter castelhanos pra matar. O que, pela lógica, não daria em nenhuma vontade de integração. Pelo contrário. É como diz um amigo uruguaio: peleávamos tanto que nem tempo pra aprender a falar espanhol direito tivemos. Ficou esse gauchês arremedo de portunhol.
Mas o fato é que o Rio Grande sempre bailou tango, sempre fez poesia gauchesca, sempre se sentiu parte desse oceano unificador chamado pampa. E enquanto Francisco Canaro vinha a Porto Alegre gravar na Casa Electrica e usava músicos locais pra tocar seu tango sem sotaque, representantes sulistas das gravadoras nacionais mandavam cartas para o Rio de Janeiro dizendo que nem adiantava enviar discos de samba e maxixe que os gaúchos não compravam mesmo.
Esse foi sempre um sentimento latente. Menos do que uma latinidad, uma consciência de fazer parte de um sul mais espiritual até do que geográfico. E aceitar o fato de que esse era mesmo nosso destino, que o “Brasil” não tinha nada a ver com isso. Como os portugueses que, quando viajam à França, dizem: “Vamos à Europa?”.
Só que, de umas poucas décadas pra cá, a coisa foi ficando mais concreta. Graças (não só, mas bastante) a iniciativas individuais de produtores culturais de lá e de cá, às vezes dentro, às vezes fora dos governos, começamos, os gaúchos, a testar a efetiva realidade de nossa pertença a ser sul.
Um exemplo: durante uma década, Buenos Aires recebia, casa cheia e braços abertos – e também Montevidéu, em várias ocasiões –, o festival Porto Alegre em Buenos Aires (ou Porto Alegre em Montevidéu). E nós nos espantávamos de ver tantos argentinos indo nos ver não porque éramos gaúchos, mas, sim, porque éramos brasileiros. Nunca nos sentimos tão brasileiros (pare e pense na maluquice disso, amigo leitor).
Desde então, muito se construiu. Um muito que é muito pouco, mas mais que o que o resto do Brasil tem de intercâmbio com o Prata. E é isso que, cada vez mais, me pasma: nossas fronteiras culturais são falsas, e isso é óbvio. Gaúchos e argentinos. Mato-grossenses e paraguaios. Nordestinos e nortistas. As fronteiras não são linguísticas. Não são políticas. São demarcadas por proximidade de culturas. E nem assim são concretas.
Gaúchos fazem samba, gaúchos fazem zambas. Nossa pátria é a do choro, mas também é a do chamané, que, por sua vez, também pertence àquele país chamado Pantanal. O roqueiro argentino Fito Paez é um artista tão conhecido do público médio gaúcho quanto, que se yo, o Pato Fu. E, na média, os gaúchos entendem tanto de espanhol quanto de mineirês.
Pode ser o futebol? Pode. Mas convenhamos que reduzir as possibilidades de aproximação entre duas culturas a uma polêmica Pelé-Maradona é menos do que somos capazes de realizar nessa vida… (E, pra piorar, nem uruguaios nem argentinos, que levam o futebol tão a sério quanto nós, misturam essas coisas.)
Então, taí. Taí o Jorge Borges, o maior escritor gaúcho, as milongas frias do Vitor Ramil, as culturas italiana e judaica que também unificam os povos do sul. Taí o fato de que, sem jamais ter feito um show no Rio de Janeiro, a banda a que pertenço, Arthur & Seu Conjunto, toca sistematicamente em Buenos Aires, da mesma forma que Tom Zé ou Elza Soares, e nos mesmos festivais. Afinal, somos artistas brasileiros. Temos os cursos de história da MPB que eu e meu parceiro Luis Augusto Fischer ministramos todo ano por lá, para plateias atentas, sim, repletas,sim, e, mais que tudo, tremendamente informadas sobre a nossa cultura. Pense no inverso: um curso de música argentina em qualquer cidade brasileira.
E aí a gente pega um táxi pra ir pro hotel e o argentino tá ouvindo uma fita do Sivuca.
Cê já pegou um táxi brasileiro e tava tocando Sivuca?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Orgulho

É com misto de orgulho e felicidade que encaro e eleição de Dilma Rousseff. A mineira-gaúcha, de origem húngara, se elege aos 62 anos de idade, quase 63, na sua primeira eleição, contra um político calejado, cancheiro, acostumado com debates a cada dois anos e com o contato com o eleitor. Isto, por si só, já é significativo. Lula precisou de quatro eleições para se eleger a primeira vez.
Felicidade por questões pessoais, de poder ver no RS e no Brasil uma derrota significativa da direita representada pelo PSDB. De poder eleger candidatos que voto com muita convicção. São eles o senador Pain, Dilma Roiusseff e, principalmente, o governador eleito Tarso Genro, que assume depois de quatro anos de Rigotto e quatro anos de Yeda no estado. Os canditados do Partido dos Trabalhadores, hoje representam um projeto de governo que muito mais acertou do que errou, não é à toa a aprovação popular.
O sentimento de orgulho é mais abrangente, ultrapassa as fronteiras do Brasil. O processo é lento, não sabemos até que ponto continuará avançando, mas o eleitor está se desgarrando de preconceitos pré-históricos na hora de ir às urnas. Como é legal ver um índio na presidência da Bolívia, um negro nos E.U.A., um ex-guerrilheiro no Uruguai, um mestiço na Venezuela, um operário no Brasil que, agora, elege uma mulher.
A primeira mulher Presidente da República. Significativo! Ainda mais para uma mulher que vem da esquerda, embora o PT seja um partido de centro, para uma mulher que atuou fortemente na luta contra a ditadura e tem um passado digno, de guerrilha e clandestinidade. Não só aqui, mas nos outros países citados, e outros ainda, há uma profunda prova de democracia. Basta que o povo queira, chega-se ao cargo máximo de uma república. Seja índio, negro, mulher etc.
Podemos questionar a qualidade de cada governo, sim. Mas não a legitimidade e a importância histórica de cada representante do povo que chegou ao poder. Estou feliz, questão pessoal. O orgulho é pelo coletivo, pela evolução do pensar e do votar.