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terça-feira, 18 de novembro de 2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A elite branca que sofre, David?

Em sua coluna, publicada no jornal Zero Hora de terça-feira, 14, o jornalista David Coimbra foi infeliz ao fazer uma leitura do cenário nacional e classificar a luta pela ampliação de direitos civis como um embate entre "Elite Branca versus Negros e Pobres". Segundo a interpretação do colunista, a chamada elite branca "sofre" no Brasil, ainda mais por ser taxada de forma pejorativa por pensadores. Ele ainda estabelece outras lutas entre "o bem e o mal", tais como Racistas x Negros discriminados, Homofóbicos x Homossexuais, Misóginos x Feministas, entre outras categorias.

Com todo respeito ao jornalista da RBS, e ao seu legítimo posicionamento, discordo veementemente do texto. Não desmerecendo sua carreira, tampouco sua experiência de vida. David, na referida crônica, lembra aos leitores: "Então eu, que sempre trabalhei, que trabalhei e muito, o dia todo, todos os dias, que ganho salário, que sou filho de professora e neto de sapateiro, que sempre estudei em colégio público e nunca ocupei cargo público, eu sou da Elite Branca". Por aí começo a entender o posicionamento de alguém que, presumo, anda à margem da real situação da população brasileira, sobretudo a polução de negros e pardos.

Vamos aos dados.

Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, publicada em janeiro deste ano, um trabalhador negro no Brasil ganha 57,4% do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. Em números, uma média salarial de R$ 1.374,79 para os trabalhadores negros contrastando com R$ 2.396,74 mensais para brancos. Na educação, outro estudo do IBGE, de 2012, aponta que 35,8% dos jovens negros ou pardos brasileiros estão no ensino superior. Esse número mais que triplicou desde 2001. Mesmo assim, o percentual ainda está muito aquém da proporção de 65,7% apresentada pelos jovens brancos. Será que é apenas demérito?

Em média, 100 a cada 100 mil jovens com idade entre 19 e 26 anos morreram de forma violenta no Brasil em 2012. É o que mostra o Mapa da Violência 2014, estudo que visa compreender o panorama da evolução da violência dirigida contra os jovens no período entre 1980 e 2012. O estudo mostra que morreram, proporcionalmente, 146,5% mais negros do que brancos no país, em 2012. É considerada morte violenta a resultante de homicídios, suicídios ou acidentes de transporte. Entre 2002 e 2012, por exemplo, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3% e o dos jovens negros aumentou 32,4%.

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências, em matéria da EBC, afirma que essa seletividade foi construída por diversos mecanismos, como o desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento à violência em áreas de maior população branca do que negra, bem como o acesso, por parte da "Elite Branca", à segurança privada.

Também chama atenção a lista dos 513 deputados federais eleitos no último dia 5 de outubro. Com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral, são autodeclarados brancos 79,9%, autodeclarados pardos 15,5%, os pretos representam 4,2% e apenas 0,4% são de origem indígena. No senado, 81,5% dos eleitos são brancos. Ao contrário do que entende David Coimbra, sua trôpega "Elite Branca" me parece ter bastante representatividade para lutar pelos direitos (que sempre tiveram).

O Relatório de Sustentatibilidade de 2012 da RBS, empresa de comunicação para qual trabalha o jornalista, revela o ambiente em que David está acostumado a passar boa parte do seu tempo, afinal ele diz que trabalha o tempo inteiro. Num universo que tem por volta de 6,5 mil funcionários, a empresa aponta ser 96% deles brancos, e apenas 4% negros. Na página 34, em um dos quadros informativos, uma nota faz questão de ressaltar: "100% dos cargos de diretoria são ocupados por brancos”.

Por essa variedade de dados, e mais outros referentes aos demais movimentos sociais - que preferi não citar para não estender ainda mais o texto -, é que discordo do referido colunista de ZH, ainda mais quando encerra sua explanação de forma irônica: 
- No Brasil, a Elite Branca sofre.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Aborto não é obrigatório no Brasil

Mesmo que a Presidente Dilma Rouseff tenha sancionado na última quinta-feira (1°) a lei que garante e qualifica o atendimento a vítimas de violência sexual, não passa a ser obrigatório o aborto em território brasileiro. Me parece necessário que se faça esse tipo de ressalva, afinal li nas redes sociais, de pessoas até certo modo esclarecidas e cursando o ensino superior - comunicação, inclusive -, que o governo federal tinha liberado o aborto. Na sequência, vinha um inconsequente "#ForaDilma, o gigante acordou".

Entidades religiosas, como a Federação Espírita Brasileira (FEB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foram pelo mesmo caminho e criticaram a sanção da lei 12.845/2013. Em nota publicada no site da CNBB, os bispos, por exemplo, lamentam que a Presidente não tenha vetado o Artigo 2º e os incisos IV e VII do Artigo 3º. É um projeto de lei simples, claro e direto, pode ser lido inteiro AQUI. O inciso VII do Artigo 3° diz exatamente o seguinte: "Fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis." Ou seja, para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil as vítimas de violência sexual não devem ter como direito o acesso à informação sobre tudo aquilo que o atendimento do Sistema Único de Saúdo lhes garante.

Contudo, o Governo Federal já enviou ao Congresso um projeto de lei para corrigir duas imprecisões do texto original. A primeira propõe uma nova redação para a definição de violência sexual. A nova redação fará referência diretamente aos termos usados no Código Penal Brasileiro. A segunda correção é quanto a expressão profilaxia da gravidez, considerada inadequada tecnicamente, por “medicação com eficiência precoce para prevenir gravidez resultante do estupro”, o que nada mais é que a pílula do dia seguinte.


Segundo a nova lei, O atendimento a vítimas de violência sexual deve incluir agilidade no atendimento, diagnóstico e tratamento de lesões, a realização de exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. A lei também determina a preservação do material coletado no exame médico-legal.

Duas questões importantes que precisamos ter bem claras:
Uma é que a PL 12.845/2013 é um avanço na luta pelo direito da mulher. A outra é que entidades religiosas não devem praticar lobby ou tentar exercer influência sobre a opinião pública a respeito de temas legislativos. O que elas tem todo o direito, e estão muito certas dentro de suas crenças, é recomendar a seus fiéis e simpatizantes que não pratiquem ou participem de determinadas situações.

Ninguém é obrigado a abortar, ninguém é obrigado a usar preservativo, ninguém é obrigado a casar virgem e com alguém do mesmo sexo. A constituição brasileira está acima de qualquer religião, sem necessariamente inibir a prática dela. E se tratando de um país democrático e legislado para todos, mesmo quem discorda da CNBB pode ter o direito de receber informação sobre todos os serviços sanitários que a lei garante. Quem concorda com a CNBB, simplesmente peça para não ser informado.

É fácil. Assim como entender que o aborto não é obrigatório.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Você viu? #19

Todas as terças aqui no PoA Geral é dia de repassar conteúdo, compartilhar, indicar. Nunca se pode ler tudo, sempre escapa alguma coisa que fica pra depois, mas um depois que não chega nunca. Vai que uma dessas está aí embaixo. Aproveite, é uma interessante reunião de links.

Carta Capital, 9 de abril

Jornalismo B, 9 de abril

Jornal Sul21, 9 de abril

Jornal Sul21, 9 de abril

Vi o Mundo, 8 de abril


No próximo dia 11 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará se as mulheres brasileiras poderão realizar o aborto de um feto anencéfalo.


RS URGENTE, 8 de abril

Blog do PVC, 5 de abril

Estratégia e Análise, 4 de abril.


"Desta vez o Lobão Errou", escreveu o músico e jornalista gaúcho Arthur de Faria, em seu Facebook, depois de tocar junto com Wander Wildner no festival Lollapalloza, que aconteceu em São Paulo neste final de semana:

"Gents, só tenho uma coisa pra dizer do Lollapalooza e acho que meus amigos que tavam lá tocando comigo assinam embaixo todos: se o mundo fosse assim tava melhor. Desta vez o Lobão errou. O tratamento era absolutamente im-pe-cá-vel pra TODOS os artistas, sem NENHUMA espécie de privilégio pra nenhuma banda de nenhum tamanho (exceto, obviamente, a ordem dos shows, que ainda cometeu o equívoco de botar todos os brasileiros ANTES dos de fora - mas foi só isso). Do Dave Grohl ao Cascadura, todos comeram nos mesmos lugares, conviveram sem nenhum estrelismo, respeitaram todos os horários (menos os Racionais, que atrasaram), tiveram o MESMO tempo de montagem e passagem de som (inacreditáveis 3 horas), e as mesmas condições técnicas. Quem circula por festivais desse tamanho sabe o quanto isso é raro. Respeitei o tal do Perry Farrel. E, é claro, o sensacional staff brasileiro todo: gentil, prestativo, educado, empenhado, incansável. Uma puta experiência de big-big-big business com clima de casa da gente. Inacreditável. Parabéns a todos os envolvidos. Wander Wildner assina embaixo, não assina?"