sábado, 20 de agosto de 2011

Pesquisa mostra que MST é abordado de forma pejorativa pela mídia

Do Sul 21

19/08/2011

Uma pesquisa sobre a cobertura feita pela imprensa às atividades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mostra que as notícias relacionam o MST com atos de violência, sem atenção às reivindicações do movimento.O estudo “Vozes silenciadas” foi realizado pela professora Mônica Morão e pelo grupo Intervozes, que fizeram um mapeamento em diversos veículos brasileiros de matérias que tratam de fatos relacionados ao MST.
De acordo com a pesquisa, a maioria das matérias relaciona o movimento com atos violentos. Além disso é dada pouca relevância às bandeiras históricas do movimento, como a reforma agrária. Na maioria das vezes, nenhum integrante do MST é procurado pela imprensa para dar sua visão dos fatos.
A pesquisa analisou cerca de 300 matérias sobre o MST em TV, jornal impresso e revistas. O resultado desse trabalho será lançado na quarta-feira (24), às 19h, na Tenda Cultural do Acampamento Nacional da Via Campesina (Estacionamento do Ginásio Nilson Nelson), em Brasília.
O relatório analisou as matérias em três jornais de circulação nacional (Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo); três revistas também de circulação nacional (Veja, Época eCarta Capital); e os dois telejornais de maior audiência no Brasil: Jornal Nacional, da Rede Globo, e Jornal da Record. O período pesquisado foi de 10 de fevereiro a 17 de julho, duração das investigações de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o MST.
O lançamento contará com a presença de Mônica Morão, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e responsável pela pesquisa, de Leandro Fortes, jornalista da revista Carta Capital, e da Coordenação do MST. O relatório foi realizado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, com o apoio da Fundação Friedrich Ebert e da Federação do Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (FITERT).
A pesquisa demonstra que o MST é retratado como violento e suas bandeiras recebem pouco destaque. Além disso, a pesquisa concluiu que o movimento, na maioria dos casos, não era central nas matérias que o citam. O tema predominante foi as eleições (97 inserções), com uma grande diferença em relação ao segundo lugar, o Abril Vermelho (42 inserções). A CPMI foi tema apenas de oito matérias (ou 2,6% do total).
Nas matérias sobre eleições, o MST não apareceu nos debates sobre políticas agrárias, mas sim como ator social mencionado de forma negativa pelos dois principais candidatos do pleito nacional. O Movimento aparece em segundo lugar no ranking de fontes ouvidas (em primeiro lugar estão matérias que não ouvem nenhuma fonte). Porém, essa colocação representa apenas 57 ocorrências num universo de 301 matérias.
Quase 60% das matérias utilizaram termos negativos para se referir ao MST e suas ações. O termo que predominou foi “invasão” e seus derivados, como “invasores” ou o verbo “invadir” em suas diferentes flexões. Ao todo, foram usados 192 termos negativos diferentes, entre expressões que procuram qualificar o próprio MST ou suas ações.
A maioria dos textos do universo pesquisado cita atos violentos, o que significa que a mídia faz uma ligação direta entre o Movimento e a violência, cerca de 42,5% do total de matérias.

Com informações da Carta Maior

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